domingo, outubro 14, 2012

Portuguese Graffiti

Cais do Sodré… graffiti bloqueia todas as janelas do comboio
Foto © OAM

Só pode ser um negócio

Em julho passado fui visitar a recém inaugurada estação de Metro do aeroporto. Como no resto do sistema de transportes ferroviários de Lisboa a bilhética é um perfeito exemplo de estupidez kafkiana e as barreiras físicas são verdadeiras guilhotinas à espreita da primeira velhinha distraída, ou grávida com bébé ao colo. Quando um acidente fatal ocorrer os burocratas que gerem o Metro e a CP não se esqueçam de reler este post! Eu não me esquecerei de assistir ao processo-crime que então for levantado.

Mas a história deste post é outra. Chama-se GRAFFITI

O país está cheio de maus graffiti e sobretudo de tags. Deixou de haver qualquer ética artística nesta forma de inscrições urbanas e suburbanas radicais. Quando regressava de comboio a Carcavelos entrei numa composição coberta de tags, e com todas as janelas pintadas com tinta prateada opaca.

Pela primeira vez na minha vida fiz uma viagem naquela que é uma das mais belas linhas de caminho de ferro deste planeta e não pude ver o cais, não pude ver a ponte, não pude a central de carvão de Belém, não pude ver as marinas, nem a Torre de Belém, nem depois o rio, a outra margem, o Bugio, os fortes da Caxias, nada! As janelas já não se abrem, pelo que podemos ficar cegos ou asfixiados à menor alteração das circunstâncias.

Tal como nas greves dos maquinistas, a rapaziada inútil dos graffiti está-se cagando para os desgraçados que não têm alternativa no seu dia a dia aos transportes públicos.

Curiosamente os comboios são borrados, ao que me dizem, nas estações de limpeza… em Carcavelos, etc. Enquanto as mães e as irmãs aspiram e lavam os interiores por uma côdea de pão mensal, os estupores deliciam-se a borrar de pintura cara o exterior das composições.

Há, porém, um caso muito curioso que tenho vindo a observar há já uns dois ou três anos na praia de Carcavelos.

A Câmara de Cascais tem um serviço de limpeza de graffiti. O processo funciona com jatos de areia fina (ou algo parecido) sobre as superfícies pintadas. É moroso e seguramente pouco saudável para os pulmões dos imigrantes contratados que costumam fazer aquele perigoso serviço. Limpos os muros, duram um par de semanas, até que novo graffiti recubra os túneis de acesso à praia, ou partes dos muros da praia. Ao que parece, não é feito nenhum tratamento anti-graffiti. Ou se é feito, resulta totalmente inútil.

As latas de spray não são baratas. Pela dimensão das "obras de arte" podemos calcular custos de produção, incluindo logística, apreciáveis. Os pobres escrevem tags, mas os meninos burgueses, venham de onde vierem, "pintam". Quem paga? Quem fornece as latas? É assim tão difícil estabelecer o circuito entre vendedores de latas e quem as compra? Não há obrigatoriedade de faturas? Quem anda a enganar quem neste milionário negócio chamado graffiti?

Ganham os que vendem latas, ganham os que vendem máquinas e produtos para limpar, ganham os que vendem tintas para reparar e voltar a pintar os muros, os edifícios públicos, as casas e as lojas.

Perdem os proprietários das casas, perdem os cidadãos que vêm os seus impostos municipais subir para que os ineptos governos municipais brinquem ao gato e ao rato com os ditos "artistas de rua".

Os poderes podem tentar diminuir este fenómeno de vandalismo urbano e destruição de propriedade alheia promovendo eventos de arte pública inclusiva. Já foi tentado com resultados satisfatórios nalgumas cidades por esse mundo fora. Mas não basta. É preciso multar de forma pesada os aventureiros. Nalgumas cidades australianas, as multas chegam aos 5 mil dólares. Em Singapura —um paraíso de prosperidade—o tratamento é ainda mais radical.

In 1993 in Singapore, after several expensive cars were spray-painted, the police arrested a student from the Singapore American School, Michael P. Fay, questioned him and subsequently charged him with vandalism. Fay pleaded guilty to vandalizing the car in addition to stealing road signs. Under the 1966 Vandalism Act of Singapore, originally passed to curb the spread of communist graffiti in Singapore, the court sentenced him to four months in jail, a fine of S$3,500 (US$2,233), and a caning. The New York Times ran several editorials and op-eds that condemned the punishment and called on the American public to flood the Singaporean embassy with protests. Although the Singapore government received many calls for clemency, Fay's caning took place in Singapore on 5 May 1994. Fay had originally received a sentence of six lashes of the cane, but the then President of Singapore Ong Teng Cheong agreed to reduce his caning sentence to four lashes.

Wikipedia

4 comentários:

antonio cerveira pinto disse...

Reproduzo comentário de fonte bem informada sobre a CP:

"E é também uma prova da aliança entre incompetência e bandalheira :
O parque de material de Carcavelos é de uso exclusivo da CP, a qual paga certamente a uma empresa de segurança privada para proteger estas instalações. Não acredito que sejam os funcionários da CP ou da empresa de segurança que se dediquem ao grafitismo, mas parece evidente haver um auto-encobrimento de responsabilidades quanto às graves lacunas na eficácia do serviço de segurança.
Se a hierarquia da CP não sabe, não quer ou não tem condições para actuar, deve abandonar os respectivos cargos (em Portugal, tal como acabamos de ver com o ex-PGR e seus amigos, ninguém abandona nenhum cargo) ou ser afastada compulsivamente, coisa que também não será possível enquanto a tutela passar por um qualquer Secretário de Estado dos Transportes, que se comporta como estando mais vocacionado para negociatas como a Ota em Alcochete do que para o futuro da ferrovia e para os interesses do nosso País."

Anónimo disse...

Caro António Maria (?), aconselho-o a pesquisar mais, muito mais, sobre o conceito de graffiti. Sobre as origens e sobre o movimento que se gera em torno dele. Tenha atenção que muitas das coisas que escreveu são barbaridades (sem querer ofender). Cultive o seu intelecto respectivamente a este assunto e depois corrija os seus próprios erros. Cumprimentos.

Anónimo disse...

negocio milionario? So faz graffiti quem gosta.. e isto n é nenhum negocio milionario... negocio milionario é o governo a robar-nos a torto e a direito e ai ninguem diz nada pois não? ainda votam outra ve para serem "enrabados" (desculpe o termo)

e o graffiti só não é considerado arte porque os senhores das "artes" preferem fazer um ponto numa tela e vende-la por milhões.. enquanto que muitos artistas de rua(os dos graffitis) que pintam muito bem não o fazem por dinheiro.. fazem por amor e bem feito!!!

Anónimo disse...

ps: a estação de limpeza de comboios de carcavelos esta ao deus dara.. quem quiser entrar entrar quem n quiser nao entra.. exprimente ir lá um dia desdes a ver se ve algum segurança ou assim ;)