sábado, abril 19, 2014

Carcavelos, a nova pérola da Linha?

Memória de uma presença civilizada

A Quinta dos Ingleses merece mais do que abandono e entulho a céu aberto


Vivo em Carcavelos há mais de quatro décadas. Vim de Macau, cresci alguns anos nos corredores do Convento de Mafra, vivi em Lisboa, no Porto, no Mindelo de São Vicente de Cabo Verde, parti várias vezes para outros lugares, vivi sob a chuva miudinha da Corunha, não resisto a ver o Porto e o mar da Foz do alto do Monte Cativo ao entardecer, pisar a terra que o meu avô deixou ao meu pai e o meu pai me deixou, em Cinfães do Douro, com o magnífico e temeroso rio sempre no mesmo lugar, é uma obrigação da memória. Mas depois, depois destas intermináveis andanças, acabo sempre por voltar à avenida dos meus passeios filosóficos e à praia que corre dentro de mim.

Vi arder por mais de uma vez os pinheiros, que já não existem, da metade poente da quinta, ao descer e subir a Avenida Jorge V. Ouvi por três ou quatro vezes a algazarra local dos partidos em volta da urbanização há muito prevista no lugar que os ingleses um dia compraram, porque quinta de vinho deixara de ser (1), e era então lugar propício para ali amarrar o cabo submarino de telecomunicações que ligaria em 1870 o Reino Unido à Índia, passando por Portugal, naturalmente!

Os ingleses nunca chegaram a deixar a Quinta dos Ingleses, nem o primeiro campo de football que Portugal teve. A antiga casa senhorial do século 18, que a Eastern Telegraph Company usara como centro de operações, transformar-se-ia mais tarde no St Julian's School, também conhecido como o colégio inglês, notável, caro quando tínhamos o escudo, caríssimo agora que temos o euro, pequeno para as encomendas que abrem espaço à concorrência para mais de uma réplica. A gente culta da era Salazarista, incluindo os intelectuais comunistas, só se não pudessem deixariam de colocar os seus filhos no Colégio Inglês. E continua a ser assim. Um lugar com tão notável passado foi, no entanto, queimado e abandonado à sua sorte. As guerras partidárias populistas contra os donos do terreno foram degradando paulatinamente aquela mancha verde, metade da qual foi reduzida a mato, a local de despejos ilegais de entulho, incluindo por parte de entidades públicas (!), e de parquemanto grátis para a malta. Grátis a que propósito?! Será poventura grátis estacionar junto à Câmara Municipal de Cascais, ou nas imediações da Junta de Freguesia de Carcavelos?

Antevisão do arquiteto José Adrião (ver proposta)



Antevisão do arquiteto José Adrião (ver proposta)

O Plano de Pormenor (PP)

Não tenho já qualquer paciência para partidos políticos, sobretudo quando as suas guerras intestinas e os seus torneios florais giram à volta do mesmo: comissões por baixo da mesa e empregos para dar e vender. E também tenho cada vez menos paciência para os penduras da partidocracia, ou para as corporações e sinecuras que de tempos a tempos agitam a populaça em nome dos direitos e da democracia, acenando sempre com alguns tremoços grátis. Será que este povo bronco, indolente e oportunista terá percebido desta vez que o que o Estado lhe dá é para ser pago, mais cedo ou mais tarde, pelo próprio ou pelos seus filhos e netos? Será que esta crise lhe ensinará alguma coisa nova, ou continuará alarvemente a abrir esplanadas ilegais a que os burocratas municipais e polícias fecham os olhos apesar das sucessivas queixas? Continuará estupidamente a estacionar nas curvas, em cima dos passeios, dos canteiros e diante das entradas de garagem, como se tudo fosse seu e de borla? Até quando? Até ficar sem carro, suponho.

A contestação ao novo plano de pormenor para a Quinta dos Ingleses, que li, é em geral superficial e oportunista. Da discussão pública que teve lugar, e que pode ser consultada de fio a pavio no sítio da Câmara Municipal de Cascais (pdf) percebe-se que houve regras e foram respeitadas as leis vigentes. Ou seja, os proprietários têm à sua disposição uma superfície de construção idêntica à área da sua propriedade e, por seu lado, a comunidade e a vila de Carcavelos disporão de mais de 50% do terreno para usos públicos, urbanos e sociais. Ninguém perde e todos ganham, suponho.

Salvo se houver uma coligação oportunista na Assembleia Municipal de Cascais que boicote, uma vez mais, a resolução deste problema, teremos em breve aprovado o Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos Sul (PPERUCS; abrev.: PP) Outra coisa, muito diferente, é saber o que farão os promotores com tal aprovação, e o grau de empenhamento e exigência posto no desenvolvimento da obra pela mesma Câmara Municipal que lhe deu luz verde.

A futura Quinta dos Ingleses urbanizada, acomodando um parque urbano e um magnífico espaço verde, a par de um estacionamento decente junto à praia (barato, mas pago, espero, pois há sempre a alternativa do comboio e outros transportes coletivos, e ainda a partilha do automóvel para diminuir a intensidade energética da nossa miserável economia), atraindo alguns milhares de novos residentes de classe média a Carcavelos, para aqui viver, ou estudar, trabalhar, montar negócio, ou tudo em um, é uma oportunidade que deve ser agarrada com todas as mãos e sobretudo com a cabeça.

Os índices de ocupação, corrigidos de 2001 para cá (de 1450 para 939 fogos) e as volumetrias parecem-me em geral razoáveis. Mais piso recuado, menos piso recuado (uma cedência da CMC às críticas sem fundamento e à demagogia populista que se traduzirá na obtenção das mesmas áreas noutros sítios), não vejo nada nesta proposta que possa assemelhar-se aos verdadeiros monstros urbanísticos que o famoso Judas deixou alegremente construir, nomeadamente em São Pedro do Estoril e à entrada de Cascais.

Tudo depende, isso sim, da qualidade dos arquitetos que vierem a ser chamados a desenhar em concreto todo aquele espaço, e todos os edifícios previstos. Nós temos hoje em Portugal arquitetos, paisagistas e designers de elevadíssima qualidade e mérito reconhecido dentro e fora de portas, e nem sequer é preciso recorrer aos de sempre, nem muito menos aos que marcam ponto nos corredores partidários do poder. Faça-se um concurso público, como se a Quinta dos Ingleses fosse, que o é, património municipal, e até património nacional. Dali se fez parte da rota das Índias das telecomunicações, em 1870. Ali continua, pronto a crescer, um dos mais prestigiados colégios do país. Em frente está a praia onde nasceu o Surf português. E ali se bateu a terra do primeiro campo de futebol que Portugal teve, caramba! Só neste ponto dou inteira razão a quem afirmou ao Público: ... o direito de propriedade “não se pode confundir com o direito de construir”— sem cultura (acrescento eu).

Os construtores da futura Quinta dos Ingleses têm perante si próprios e perante a comunidade um dever de qualidade e um dever de carinho pelo génio do lugar. A Câmara Municipal de Cascais, por sua vez, tem o dever de aproveitar com a máxima energia e sabedoria uma das poucas pérolas que lhe restam na frente marítima do concelho. Por fim, os carcavelenses, sabem que uma vila capaz de atrair no curto prazo vários milhares de residentes e fregueses à Quinta dos Ingleses, à requalificada Praia de Carcavelos, ao novo polo académico da Universidade Nova, ao futuro El Corte Inglés, e ao centro da vila, é um autêntico maná nos tempos dificílimos que temos e ainda teremos pela frente. A maioria dos carcavelenses que gostam da sua vila sem dela nada esperar salvo que continue pelos tempos fora, sabe também que os notáveis da sua rua nem sempre são os melhores conselheiros.

Precisamos de sarar esta ferida!

O populismo fala de uma mancha verde. Onde está? Imagem: José Adrião Arquitetos

FICHA PARA CONSULTAR O PROJETO E A DISCUSSÂO PÚBLICA

Cascais
Quinta dos Ingleses (proprietários: St Julian's School e Alves Ribeiro)
Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos Sul (PPERUCS; abrev.: PP)
Área de intervenção: 54,11ha
Área de Solos em domínio privado do Município e a integrar em domínio público: 31,00ha
Área de implantação (edifícios): 14,37ha
Impermeabilização de solos: 27,34ha (50,53%/ índice limpo: 47,51%)
Área Total de Construção (edifícios): 61,79ha (100,21%)
Número de fogos: 939 (1450 no plano rejeitado em 2001)

Documentos de consulta no sítio da CMC (pdf)
Planta de Implantação II - Modelo de Ocupação (pdf)

Relatório de ponderação do período de discussão pública das propostas de Plano de Pormenor do espaço de reestruturação urbanística de Carcavelos sul (pdf)

Discussão
  • 91 participações escritas: reclamações/ observações/ sugestões (Nota: há participações idênticas subscritas por mais de uma pessoa)
  • 35 opiniões favoráveis ao PP
  • 7 opiniões contrárias ao PP
  • 48 participações críticas objeto de ponderação
  • a participação 84, apresentada pelo Movimento Fórum por Carcavelos, é um abaixo-assinado com 3.723 subscritores.

Ponderação
  • Área de intervenção: 50 hectares
  • 25% da área de intervenção do PP é Parque Urbano (incluindo áreas verdes, ribeira, rede de mobilidade interna e equipamentos desportivos)
  • 40% da área é composta por Parque Urbano e outros espaços verdes, público e privados
  • A área verde nuclear do Parque Urbano, incluindo a ribeira abrande cerca de 10ha, correspondente a 1/5 da área de intervenção do PP
  • 50% da área total passa a domínio municipal

Entulho asfáltico vertido na Quinta dos Ingleses

RECORTES DE IMPRENSA
Moradores protestam no domingo contra mega-urbanização em Carcavelos - PÚBLICO e Lusa, 04/04/2014 - 15:51

A representante do grupo Forum de Carcavelos, que junta mais de 3000 pessoas, considera que os blocos de betão previstos - dois edifícios de seis pisos e outro de quatro pisos, um hotel de cinco pisos, um condomínio privado e espaços residenciais e comerciais - são “inadmissíveis”.

Urbanização em Carcavelos sem impactos no surf e na praia, diz estudo - PÚBLICO, Marisa Soares, 02/04/2014 - 07:50

Durante o período de discussão pública, que terminou a 17 de Fevereiro, a autarquia recebeu 91 contributos e aceitou algumas das alterações propostas: a urbanização não pode incluir condomínios fechados e três dos prédios mais próximos da Avenida Marginal terão seis e não sete pisos, retirando cerca de 30 fogos aos 939 previstos.

Mega-urbanização reacende polémica sob ameaça judicial de 264 milhões de euros - PÚBLICO, José António Cerejo, 14/02/2014 - 12:49

A discussão pública do novo plano de pormenor de Carcavelos Sul, que abrange uma área de 54 hectares no interior da qual se situa o colégio inglês (St. Julian’s), termina na segunda-feira. Ao longo de quase dois meses os argumentos dos defensores e dos críticos do projecto voltaram a ser esgrimidos sem grandes novidades em relação a 2001.
Entulho asfáltico vertido na Quinta dos Ingleses

NOTAS
  1. Quinta do Cabo Submarino em Carcavelos. José Morais
Entulho de obras vertido na Quinta dos Ingleses

Edifício degradadao com a inscrição "G S CARCAVELOS"




Atualizado: 21-03-2014 13:18 WET

7 comentários:

MnelVP disse...

Bom artigo, mas denota uma mentalidade típica dos anos 70 onde o betão, os centros comerciais, os parques de estacionamento e as estradas eram sinónimo de desenvolvimento. Aliás, este projeto vem dessa altura. As novas gerações, para quem este projeto está a ser definido, têm uma mentalidade e necessidades completamente diferentes. Se os novos não se tivessem afastado da política, asseguro que o projeto nunca passaria.
Aconselho o estudo da Sonae onde se mostra que as pessoas cada vez mais buscam espaços livres, verdes, praias, e cada vez menos espaços fechados

antonio cerveira pinto disse...

Imagine que alguém decide que a nossa casa, ou a casa dos nossos pais, avós, etc. deve ser demolida para criar um espaço verde. Ou que o nosso carro deve ser enviado diretamente para a sucata em nome da bicicleta e das ciclovias. Que acharíamos disto?

A Quinta dos Ingleses é uma propriedade privada, e como tal deve ser respeitada. Há leis que regem os licenciamentos municipais e há leis gerais e procedimentos a seguir, sobre ambiente, ruído, etc., mas fora disto, não compete ao 'povo', nem à malta que passeia os cães para cagarem nos jardins públicos e passeios que uma parte de nós paga em impostos, nem muito menos aos partidos que capturaram o regime para seu privilégio, dizer o que um privado deve fazer ao que é seu.

Há uma coisa que a elite corrupta do nosso país ainda não percebeu: já não há judeus para expropriar, já não há padres e freiras para expropriar, já não há colónias para expropriar, e os fundos comunitários estão a chegar ao fim:(

A partir de agora, a saúde, a ecucação e os jardins onde os cães da malta cagam, terão um preço, que ninguém pagará por nós.

Como não creio que os rendeiros, devoristas, cleptocratas e chulos deste país tenham força suficiente para expropriar todos aqueles que têm algo de seu, só há uma solução: colocar um preço nas coisas que queremos e licitar!

Não podemos querer mais emprego, que pague mais impostos, que paguem mais estado social, se a malta continuar a achar que isto é tudo nosso e que podem fazer o que lhes dá na real gana.

Sem uma urbanização rentável no chão pelado que é hoje a Quinta dos Ingleses não haverá mais gente a fazer negócios em Carcavelos, mais gente a trabalhar e a estudar em Carcavelos, mais gente a pagar impostos em Carcavelos, e mais gente a visitar Carcavelos. Logo, se a Quinta dos Ingleses for um enorme espaço verde onde a malta possa estacionar de borla os carros para ir à praia jogar futebol, fazer picnics inundando o lugar de ossos de frango e cascas de melão, ou levar os seus cães a cagar, Carcavelos empobrecerá, envelhecerá, e deixará de poder sustentar a prazo tudo aquilo que a malta julga ser gratuitamente seu de direito.

A liberdade de incomodar os vizinhos contra a lei, montando esplanadas ilegais no passeio para ouvir jogos de futebol, beber imperiais e gritar, não custa nada. Mas consertar as pedras que saltaram de uma calçada e pode partir o pé de alguém, ou um buraco na rua que pode destruir um carro, sim, custa dinheiro, a menos que uma parte dos portugueses esteja disposta a ser escrava. Mesmo assim seria preciso alimentar esses novos escravos!

MnelVP disse...

Caro António, acho que expressou exatamente o que sente a população:
"Imagine que alguém decide que a nossa casa, ou a casa dos nossos pais, avós, etc. deve ser demolida para criar um espaço verde."
Então imagine que alguém decide destruir um espaço verde e uma praia que são de todos, para criar uma série de casas privadas ?
Felizmente que a noção de "privado" evoluiu e, como a liberdade de um acaba onde começa a do outro, a legislação e os juízes já não autorizam as loucuras que um proprietário quer fazer só porque é dono de algo: Eu não posso maltratar os meus animais só porque são meus, nem os meus filhos, eu não posso poluir só porque o terreno ou o carro ou a fábrica são meus, eu não posso fechar um terreno que dá acesso a uma praia só porque é meu, eu não posso construir onde bem me dá a gana, ninguém pode ganhar milhões com um terreno que comprou por tuta e meia se no processo destruir o bem estar da população.
Veja outro exemplo: a minha casa fica em cima da Praia da Poça e tem terreno livre. E se eu construir um prédio no jardim de 8 andares? Até abro umas lojas e crio emprego e desenvolvo a economia. Posso também abrir uma creche para a educação. Afinal o terreno é MEU e eu faço o que quiser dele. Nesse sentido as indeminizações por motivos têm caido e nunca nenhum tribunal dará uma indeminização à Alves Ribeiro de mais de meia centena de milhões.
E sobre os direitos adquiridos... onde estão as nossa pensões, reformas e saúde gratuítas?

antonio cerveira pinto disse...

Mas quem lhe disse que o espaço verde da Quinta dos Ingleses, que é já uma réstea do que fora, é de todos? E quem lhe disse que a praia será privatizada por causa da urbanização? E se uma petição exigisse que a sua casa fosse demolida porque prejudica o direito da população a ver melhor o mar?

Pedro Machado disse...

Caro António
Não apresenta uma argumentação honesta...o miserável estado da quinta decorre do abandono intencional a que a sujeitaram, para que seja mais fácil justificar o betão que lá querem pôr; senão há muito que teria sido fácil recuperar e melhorar a Quinta, impulsionando um projecto que não seguisse a velha estratégia de construir para vender, à maneira dos Tomarenses dos anos 40...
Não existe direito ilimitado sobre a propriedade. Ninguém pode fazer tudo o que quer por ter a posse de um prédio. O bem-estar da comunidade é para ser tido em conta. A ALves Ribeiro não tem direitos adquiridos, o PSD devia ter vergonha na cara e deixar de pagar a comentadores mais ou menos assumidos para fazerem a homilía junto do público....

antonio cerveira pinto disse...

Caro Pedro Machado,

Eu não tenho nada que ver o PSD ou com qualquer outro partido ou agremiação desta democracia em fim de festa. E Você?

Quanto aos direitos: desde quando é que a propriedade privada está a saldo do populismo e dos cravas indigentes locais?

Quem lhe disse que os proprietários de uma quinta estão obrigados a pô-la ao serviço da comunidade, contra sua vontade, e sem expropriação?

Viu-se no que deu a chamada Reforma Agrária, e vê-se o estado em que está o edifício da Quinta dos Ingleses supostamente do, ou cedido ao, Grupo Sportivo de Carcavelos.

A única zona decente da Quinta é a que está vedada pelo Colégio Inglês, que cuida bem do que é seu, ao contrário da javardice que rodeia tudo o que foi ocupado pela indigência populista local com apoio das lapas partidárias, sempre oportunistas, e sempre à espera de contrapartidas pelo que dizem ser a defesa de causas legítimas.

O pior do PCP, do PS, do MRPP (que infelizmente são quem domina estes partidos), vem infelizmente na linha genética dos salafrários que expropriaram e expulsaram do país judeus, frades e freiras, sempre que o país faliu e foi necessário manter os rendeiros e os devoristas bem alimentados e sorridentes.

Basta ler o meu texto para perceber que não nutro nenhuma simpatia pelo senhor Alves Ribeiro, que não conhecço, mas cujos danos à cidade de Lisboa são conhecidos, assim como as ligações familiares inconcebíveis que manteve durante mais de uma década com a malta camarária de Lisboa. Esta perceção não me dá, porém, o direito de apossar-me, ou incitar a população à posse revolucionária do que o tal Alves Ribeiro legalmente comprou - parte da Quinta Nva de Carcavelos.

A urbanização da Quinta Nova, cuja qualidade deve ser exigida por todos (e estarei na primeira linha desta reivindicação) é o que mais convém a Carcavelos, a Cascais e à cidade-região de Lisboa. Não a inércia sórdida e o populismo barato de quem não conhece nem o trabalho produtivo, nem a responsabilidade de criar seja o que for, como acontece à interminável partidocracia e burocracia que endividaram o país, preparando-nos a todos para uma mais do que provável e irremediável rendição aos credores.

Já agora, há que rever a sério e de uma vez por todas o regime de concessão dos apoios de praia, boa parte deles herdados em condições completamente ilegítimas da era salazarista, e a que os poderes instituídos continuam a fechar os olhos., para prejuízo evidente da qualidade que falta à praia para ter, ao menos, uma bandeira azul!

carina mendes disse...

http://www.avaaz.org/po/petition/Presidente_do_Supremo_Tribunal_de_Justica_considerem_decisoes_da_pres_da_Junta_de_freguesia_de_Carcavelos_invalidas/?nVgiLhb