domingo, setembro 07, 2014

Bancos centrais metidos no casino da especulação

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Bancos centrais jogam na bolsa e com derivados financeiros


Como os bolsos dos bancos centrais não têm fundo (1), as subidas artificiais dos mercados acionistas podem ser o resultado de uma manipulação gigantesca de que os bancos centrais têm provavelmente sido os grandes protagonistas. A Federal Reserve, o Bank of England, o BCE, o Bank of Japan, o People's Bank of China, o Deutsch Bundesbank (e o Banco de Portugal?) podem ter andado desde 2010 a jogar no casino das ações e dos derivados financeiros não regulados. É pelo menos isto que resulta de uma observação cuidada do documento acima publicado, oriundo do CME Group — “the world’s leading and most diverse derivatives marketplace, handling 3 billion contracts worth approximately $1 quadrillion annually (on average). The company provides a marketplace for buyers and sellers, bringing together individuals, companies and institutions that need to manage risk or that want to profit by accepting risk.”.

Se for assim, como parece, o Banco de Portugal poderá estar à beira de um ataque de nervos. A guerra declarada entre o presidente da república, o governo e o dito banco central indígena, a propósito da trapalhada do BES pode não ter ainda saído do adro deste regime em fim de ciclo.

Cavaco levanta dúvidas sobre informação que recebeu no caso BES
Sofia Rodrigues, Público, 07/09/2014 - 14:23

Presidente da República Cavaco Silva disse este domingo esperar que o Governo assim que “tenha conhecimento de informação relevante a comunique” e que espera ter sido essa a situação no caso BES.

Em Arganil, onde participou nas comemorações no dia do município, Cavaco Silva começou por responder aos jornalistas sobre as declarações públicas que fez sobre o BES, ainda antes de ter sido dividido em dois. “O Presidente não tem ministérios, não tem serviços de fiscalização política, recebe a informação das entidades oficiais e espera que o Governo logo que tenha conhecimento de informação relevante a comunique. Eu espero que tenha acontecido assim, que é o que resulta da Constituição”, afirmou o Presidente da República.

No dia 21 de Julho, Cavaco Silva afirmou que os portugueses podiam confiar no BES de acordo com informações que recebia do Banco de Portugal.

Nós já tínhamos alertado (aqui e aqui) para a manipulação das informações sobre o resgate do BES, mas foi preciso o advogado Miguel Reis vir a terreiro, em nome dos seus clientes, acusar o presidente da república de prestar informação enganosa, para que Cavaco Silva viesse hoje lembrar o que disse em Seul sobre o BES no dia 21 de julho, ou seja, seis dias depois da compra de ações do BES pela Goldman Sachs, Desco e Baupost, mas um dia antes de esta compra ser divulgada pelo banco à CMVM, e quarenta e oito horas antes de a notícia vir a público. Acontece que no dia 23 de julho a mesma GS desfez-se da posição qualificada (passando de 2,27% para 1,91% do capital acionista), motivo suficiente para que o Banco de Portugal, o Governo e o Presidente da República tivessem lançado os necessários, embora cautelosos, avisos à navegação — o que nenhum deles fez. Porquê? Não sabiam da saída apressada da Goldman? Claro que sabiam!

Aqui chegados é importante percebermos que a complexidade da crise financeira continua a aumentar dia a dia.

O mais recente plano de Mario Draghi (levar o BCE a comprar ABS - Asset Backed Securities - senior portions of that...) pode acabar por revelar-se um tiro no escuro, ou mais um discurso para empurrar a crise com a barriga, à custa de mais dívida pública europeia a cobrar aos pagadores de impostos do costume.

Why Draghi's ABS "Stimulus" Plan Won't Help Europe's Economy
Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 09/05/2014 15:29 -0400
Simply put, the reason why Mario Draghi's impressively-pitched ABS 'stimulus' QE-lite plan won't help can be summed up in 2 words "unencumbered assets." There is simply a lack of the right quality collateral, that has not already been swapped with the ECB (or delevered off balance sheets), for this to make a difference. However, as Bloomberg reports, the plan will not even get that far.. because the market for these assets is incapable of supporting this size of buying. As one major ABS asset manager notes, it takes him about three months to buy 1 billion euros of these securities, "the number that's circulating the market is 500 billion euros, but where is he going to get it from?" Add to that the report from Die Welt that The ECB lacks sufficient expertise for ABS purchases, and as another major European ABS manager concludes, "I don't see either a capital relief for banks or the banks giving more credit to the real economy." Still, it's fun to believe Draghi's promises, right?

Por outro lado, sabe-se agora que os bancos centrais têm andado a alimentar artificialmente as bolsas, como se fosse a única notícia boa a dar num castelo de cartas em derrocada.

It's Settled: Central Banks Trade S&P500 Futures
Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 09/01/2014 09:02 -0400

Based on the unprecedented collapse in trading volumes of cash products over the past 6 years, one thing has become clear: retail, and increasingly, institutional investors and traders are gone, probably for ever and certainly until the Fed's market-distorting central planning ends. However, one entity appears to have taken the place of conventional equity traders: central banks.

Courtesy of an observation by Nanex's Eric Hunsader, we now know, with certainty and beyond merely speculation by tinfoil fringe blogs, that central banks around the world trade (and by "trade" we mean buy) S&P 500 futures such as the E-mini, in both futures and option form, as well as full size, and micro versions, in addition to the well-known central bank trading in Interest Rates, TSY and FX products.

In fact, central banks are such active traders, that the CME Globex has its own "Central Bank Incentive Program", designed to "incentivize" central banks to provide market liquidity, i.e., limit orders, by paying them (!) tiny rebates on every trade. Because central banks can't just print whatever money they need, apparently they need the CME to pay them to trade.

"Cluster Of Central Banks" Have Secretly Invested $29 Trillion In The Market
Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 06/16/2014 07:22 -0400

Another conspiracy "theory" becomes conspiracy "fact" as The FT reports "a cluster of central banking investors has become major players on world equity markets." The report, to be published this week by the Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF), confirms $29.1tn in market investments, held by 400 public sector institutions in 162 countries, which "could potentially contribute to overheated asset prices." China’s State Administration of Foreign Exchange has become “the world’s largest public sector holder of equities”, according to officials, and we suspect the Fed is close behind (courtesy of more levered positions at Citadel), as the world's banks try to diversify themselves and "counters the monopoly power of the dollar." Which leaves us wondering where are the central bank 13Fs?
Bank Of Japan Plunge Protection Team Goes Into Overdrive, Buys Most ETFs Since 2010
Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 08/14/2014 09:29 -0400

While the mainstream media has become used to the daily buying of bonds by The Fed, mention that they are buying 'stocks' and suddenly one is labeled a conspiracy theory wonk - despite 1) the fact that they are, and 2) they have admitted that equity wealth creation is a policy tool. However, ignoring the almost daily vertical ramps in US stocks and volatility from a seemingly bottomless pit of margin; the Bank of Japan has been buying stocks (directly through ETFs) for years... and as the Nikkei began to turn down in early August, the WSJ reports the BoJ undertook the longest and largest consecutive buying streak since it started purchasing ETFs in December 2010.

O medo da deflação

A deflação ameaça sobretudo os devedores, para quem a reflação, ou um pouco de inflação, seria uma maneira de desvalorizar as dívidas e de obrigar o aforro a sair dos bancos e dos colchões. Acontece que ninguém quer investir, nem mesmo nas bolsas (já vimos que a festa é patrocinada pelos bancos centrais), e portanto a deflação é mesmo uma ameaça que se perfil no horizonte. Só que à deflação pode seguir-se... a hiperinflação.

O Japão aposta na ilusão do dinheiro: pequenos aumentos salariais estimulam o comportamento consumista e, portanto, a retoma, dizem. Mas como o iéne continua a desvalorizar, e o imposto sobre consumo aumentou, cedo as populações perceberão que os aumentos salariais foram rapidamente comidos pelos impostos e pela desvalorização da moeda. Ou seja, o declínio dos rendimentos reais do trabalho acabará por ser percebida pela população que, por esta via, regressará aos comportamentos de poupança. E assim sendo, a economia japonesa continuará a sua marcha de declínio, com uma dívida pública ingovernável e uma balança comercial que se deteriora face à concorrência da China, Índia, Vietname, México, etc....

Em Portugal os sindicatos exigem aumentos (na realidade, apenas exigem o aumento do salário mínimo), num ambiente caracterizado por uma extraordinária agressividade fiscal, pela perda de regalias e de rendimentos do trabalho, e ainda pela recente desvalorização do euro face ao USD. O impacto dos pequenos aumentos no consumo será pois efémero, e o resultado final poderá resumir-se a mais retração do consumo, menos vendas, preços em queda, falências e... desemprego. Em suma, o ministério da segurança social, acarinhado pelo CDS, continuará a precisar de cada vez mais dinheiro para subsidiar o desemprego e a fragilidade social crescente. Os empresários da fome, e a Igreja agradecem!


ÚLTIMA HORA

A bronca produziu efeito: a partir de 15 de setembro a CME proíbe o que chama 'práticas disruptivas', entre as quais se encontram, claro, os negócos com bancos centrais!

These Kinds Of Market-Rigging "Practices" Will No Longer Be Allowed On The CME
Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 09/08/2014 17:31 -0400

It has been an interesting week for the CME: first it was revealed a week ago that in order to “stimulate” the market, the CME is willing to pay central banks a liquidity rebate in order for the world’s monetary authorities to “make markets” in the most important S&P 500 future, the E-Mini, confirming not only that central banks directly trade the S&P 500, but are incentivized to nudge it along the preferred central bank direction: up. Then last week, none other than the CME’s own 10-K proved that something changed in 2013, when for the first time central banks officially became counted as clients of the biggest US derivative exchange.

Today, the CME’s fall from efficient market grace accelerate when it advised the CFTC that the derivative market would be adopting a new Rule 575 to eliminate “Disruptive Practices Prohibited.”



NOTAS
  1. Aos governos, para obterem o dinheiro de que os bancos centrais precisam, basta-lhes empobrecer os "sem dentes" (como lhe chama o "socialista" François Hollande), através da expansão monetária (ou seja, da desvalorização do dinheiro e correspondente expropriação das poupanças), através do desemprego e dos cortes salariais resultantes da paralização económica, através do assalto fiscal, e ainda recorrendo à manipulação das taxas de juro e câmbio. No entanto, o jogo pode não resultar, como parece ser o caso neste momento. A expansão da massa monetária já esgotou a capacidade de crescimento keynesiano convencional da economia e, aparente paradoxo, por mais dinheiro que os governos decretem, este não é transmitido, nem portanto circula na economai, ficando retido nos bancos centrais, ao mesmo tempo que continua a alimentar dívidas soberanas imparáveis, potencialmente catastróficas.

Atualização: 9/9/2014, 00:09 WET

1 comentário:

antonio cerveira pinto disse...

Comenbtário recebido por email:

a confusão vai aumentando.

a banca tradicional vocacionou-se para a especulação, burocracia do aforro e para o empréstimo aos colossos (locais, nacionais e internacionais), pelo q creio q a sua capacidade de analisar propostas de investimento produtivo é relativamente baixa.

por outro lado, o investidor/inovador é deixado só, enquadrado pela liturgia do risco que serve para justificar as enormes assimterias de rendimento q hoje existem mas não serve para estruturar o apoio informativo que o inovador devia ter (a net não dá para tudo).

por último, o medo associado à instabilidade sistémica e ao esmagamento da classe média retrai o consumo.

soluções há muitas mas tudo esbarra na impreparação e adulteração do sistema político e do sistema financeiro.

apesar desta dificuldade creio q terá de ser criada uma nova instituição controlada pelos bancos centrais dos países com dívida baixa (alemanha, suécia, dk, etc.) e em participações inversas à dívida. um banco europeu do fomento empresarial. este teria braços nacionais de quatro tipos:

1. bancos nacionais de fomento, somente para apoiar investimento produtivo e só em setores estratégicos (educação, energia, robotização, etc) o que lhes permitiria serem especializados e terem real capacidade analítica. não seriam passivos financiadores mas proporiam novos mega investimentos aos diversos possíveis promotores, incluindo setor público.

2. sociedades multiplicadoras de inovações, noutros setores e devidamente especializadas. não teria uma atividade passiva de apoio a projetos mas sim uma atividade de multiplicação de pequenos e médios bons negócios que vão aparecendo um pouco por todo o mundo. isto é, seria um sistema de benchmarking e financiamento para novos negócios. afinal estes dois sistemas (1 e 2) prefiguram uma nova conceção do que deve ser a banca de investimento muito mais proativa na conceção dos negócios.

3. um sistema de crédito ao consumo de educação e saúde, com juros muito baixos, maturidades longas e sem exigência de garantias reais mas apenas de domicialização dos futuros rendimentos dos devedores (salários, rendas, etc). no caso de clientes com património para além do indispensável (habitação, recheio, viatura e pouco mais) já deveriam existir algumas garantias reais.

4. acompanhamento do redesenho de todo o investimento público em IeD, educação e saúde, ajudando a fugir aos corporativismos que estagnam um sistema q devia ser mais dependente da procura por parte de empresas e organizações não lucrativas e do conhecimento das tendências internacionais organização, investimento e investigação.

financiador desta coisa toda: bce
dono desta coisa toda: alemanha

seria possível convencer os eleitorados do norte? creio q sim. o impossível seria convencer os do sul. mas esses terão de se sujeitar. não vale a pena o bce continuar a jorrar dinheiro se este vai para comprar dívida pública, especulação (q grande bolha está por aí) e aboborar nos bancos para financiar os juros q estes pagam aos depositantes.

JF