quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Grexit? (7)

Euro Area Government Debt As % of GDP

Plano B? Grécia estará hoje em Bruxelas... e em Moscovo para decidir o que fazer


Alguém consegue descortinar no gráfico acima onde está a Grécia? Que tal olhar para a floresta, em vez de nos distrairmos com a árvore?

Europe’s Greek Showdown: The Sum Of All Statist Errors
CONTRA CORNER by David Stockman • February 10, 2015   
The real nightmare for Merkel’s government is that the next two largest countries in the capital key are on a fast track toward their own fiscal demise. So what puts a stiff spine into its insistence that Greece fulfill the letter of its MOU obligations is that if either France or Italy is called upon to cover losses, the whole bailout scheme will go up in smoke.

Começa hoje por volta das 16:30 uma longa e tensa reunião do Eurogrupo. Se a intransigência alemã presistir, e nada houver para negociar, então talvez possamos assistir ao início do estouro da Eurolândia. Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis estarão em Bruxelas a negociar o princípio de uma nova estratégia para lidar com o endividamento, a recessão, o desemprego explosivo e a deflação europeias —mostrando que continuar a fingir que a Grécia não está na bancarrota, ou que o Deutsche Bank não está insolvente só agravará criminosamente as consequências da crise sistémica em curso.

Neste mesmo em dia, segundo a TASS, os ministros dos negócios estrangeiros grego e russo encontram-se em Moscovo.

Uma coisa é certa: os governantes gregos recém eleitos têm neste momento o apoio expresso do parlamento e da população para rejeitarem a continuação dum flagelo que pouco ou nada resolveu.

Greek PM easily wins confidence vote, EU showdown looms
REUTERS. By Lefteris Papadimas and Alastair Macdonald
ATHENS/BRUSSELS Tue Feb 10, 2015 7:05pm EST

"What we want is a deal," the hardline nationalist said on television. "But if there is no deal ... and if we see that Germany remains rigid and wants to blow apart Europe, then we have the obligation to go to Plan B. Plan B is to get funding from another source.

"It could be the United States at best, it could be Russia, it could be China or other countries," Kammenos added.

Para os que julgam que a Grécia está no bolso, convém recordar que a situação mundial tem vindo a piorar de todos os pontos de vista: a diplomacia nunca esteve tão tensa, as principais economias do planeta estão em recessão ou a recuar visivelmente dos seus anteriores patamares de crescimento.

Uma réplica de 2008, potencialmente mais catastrófica, pode estar ao virar da esquina, avisam os banqueiros nas newsletters que têm enviado nas últimas semanas aos clientes.

If You Listen Carefully, The Bankers Are Actually Telling Us What Is Going To Happen Next
The Economic Collapse
. By Michael Snyder, on February 9th, 2015

Are we on the verge of a major worldwide economic downturn?  Well, if recent warnings from prominent bankers all over the world are to be believed, that may be precisely what we are facing in the months ahead.  As you will read about below, the big banks are warning that the price of oil could soon drop as low as 20 dollars a barrel, that a Greek exit from the eurozone could push the EUR/USD down to 0.90, and that the global economy could shrink by more than 2 trillion dollars in 2015.  Most of the time, very few people ever actually read the things that the big banks write for their clients.  But in recent months, a lot of these bankers are issuing such ominous warnings that you would think that they have started to write for The Economic Collapse Blog.  Of course we have seen this happen before.  Just before the financial crisis of 2008, a lot of people at the big banks started to get spooked, and now we are beginning to see an atmosphere of fear spread on Wall Street once again.  Nobody is quite sure what is going to happen next, but an increasing number of experts are starting to agree that it won’t be good.

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3 comentários:

vazelios disse...

Os gráficos com contexto histórico dizem tudo.

No entanto neste falta-lhe uma base de suporte, nomeadamente as dividas por países. Quais aumentaram mais e menos.

Não sei todos de cor, mas sei que os PIIGS abordaram o problema da crise de 2008 com uma outra bolha: Toca a fazer investimento público para evitar recessões e aumentos de desemprego. Pois a solu~ção como o António já escreveu foi errada e não só não evitou as recessões como multiplicou a divida soberana, criando um outro problema a partir de 2010/2011.

Vejamos o gráfico, onde se encontra o maior aumento? Durante o ano de 2009. Em 2010 começa a ter crescimentos consecutivamente menores, até estagnar em 2014. Convém notar que neste periodo alguma coisa foi feita, pois se tudo continuasse na mesma a recta estaria mais para cima.

Condeno de qualquer maneira o nível a que se encontra a divida, mas olhando para a "floresta" identifico que o incêndio maior foi em 2009 e que se começaram a apagar alguns fogos em 2013-2014. Ainda não está extinto e ainda lavra em várias frentes (Grécia nomeadamente), pois nesta frente insistem que este nível é insustentavel (e é)e que então não deve ser pago.

Agora voltando ao tema principal: Como fazer baixar esta recta? Faltam respostas. É a restruturar a divida? Ok assim faziamos descer a recta a pique para os 60% (por exemplo) e depois? Os desiquilibrios continuariam, não tenho duvidas que passados 10 ou 15 anos se nada fosse feito estariamos novamente neste patamar.

O problema é de divida mundial, certo, e como em tudo temos melhores e piores exemplos. Os piores são a Argentina e Grécia, para citar dois países mais civilizados, pois há ainda piores. E o exemplo que queremos dar para o futuro é que o problema se resolve com calotes e que fica tudo bem?

Sinceramente não entendo. As contas têm de estar equilibradas.

Sim, os Alemães aproveitaram-se de um sistema deficiente, mas os burros fomos nós. Sim, os governantes enganaram-nos mas mais uma vez os burros fomos nós. Recuso em exportar a culpa para outros, a população tem de aprender com os erros e nunca mais cair na ratoeira da divida, pois só nos torna reféns de quem a detém.

Isto a mim parece-me básico e custa-me ver que o António recusa por completo a culpa dos gregos no cartório.

O trunfo deles - A geopolitica, gás, rússia - Pode fazer vencer-lhes a batalha mas não a guerra. Só ficarão dependentes de outros poderes, provavelmente piores que a Alemanha ou a UE.

Os gregos é que são burros em não querer entrar numa rota sustentável e ficarem livres de tomarem decisões orçamentais, porque de resto outro tipo de decisão já é limitada.

antonio cerveira pinto disse...

Meu caro Vazelios,

Se reparar bem, na esmagadora maioria dos textos que escrevi desde 2006 sobre o problema das dívidas (soberanas e privadas) sempre defendi (e defendo em geral) o equilíbrio orçamental, especialmente quando o desequilíbrio resulta da hipertrofia orçamental (partidária, burocrática, populista) e financeira dos países.

O meu ponto sobre a crise grega é outro: estamos na presença de uma série de furúnculos à beira de explodir (Grécia, Itália, França, Espanha, Portugal, Reino Unido, Estados Unidos...) e assim sendo temos que puxar pela imaginação. Ora a Grécia poderia ser um bom modelo experimental de soluções de emergência para o GRANDE PROBLEMA DA DÍVIDA. Mas para isso não podemos deixar de atacar as cabeças quadradas da Alemanha pela sua total falta de imaginação (aliás, histórica) e arrogância. É só neste ponto que apoio o Yanis Varoufakis e o Alexis Tsipras na sua luta contra o Golias teutónico.

O seu comentário é, no entanto, muito construtivo. Obrigado :)

vazelios disse...

Sim, os alemães (mas podemos incluir holandeses finlandeses ou dinamarqueses) podem ser pouco imaginativos, mas identifico-me com eles no rigor.

Mas mais uma vez insisto num ponto que já lhe referi.

A Grécia já está a ser alvo de uma opção exemplar. Pode ser pouco imaginativa, mas se repararmos é inédita. Acabaram-se as regalias e ajudas enquanto não se restruturarem. Um governo eleito não significa que tudo tenha de mudar. Existem outros 27 governos eleitos na UE. E este grego vale pouco. Ainda por cima quer benesses, piorando as contas! Não posso aceitar de maneira nenhuma, como contribuinte europeu.

Quanto custa a Grécia sair do euro em custo total? Um terço do Pib alemão? 1,2 Biliões?
Ok, e quanto custa a restruturação da divida grega (a parte que eles exigem)? 200 mil milhões? Parece-me que a opção em ajudar os gregos é mais favorável.

Mas se olharmos para lá da curva em vez de vermos apenas o que a estrada nos mostra, um perdão/ajuda aos gregos sem ser aumento de maturidades/descida de juros (que já as têm bastante favoráveis) pode desencadear sentimentos semelhantes, primeiro no podemos em Espanha, depois em Itália, depois surge um cromo qualquer em Portugal (porque entretanto surgiu brecha no mercado eleitoral para o surgimento de um movimento forte desta corrente) e Portugal pede o mesmo. De caminho já a Irlanda e o Chipre o pediram. E a Hungria também pedirá? E a França? Outros? Todos??

Ou seja, qual o custo de todas as ajudas dadas a todos os países da UE? Sim, porque todos eles mais cedo ou mais tarde precisarão de ajuda. Porque a ajuda grega piora rácios noutros países e a situação deteriora-se, entende o meu ponto?

Antes perder os 1,2 Biliões já, com as consequências graves que possa ter (mas duvido que acabe com o Euro, até o poderá tornar mais forte médio prazo) do que deixar alastrar este sentimento de leviandade face às contas públicas e que a factura de resgatar todos os países seja 5 ou 6 biliões...ou mais!

Os EUA salvaram os bancos erradamente, o mundo salva bancos erradamente. Deve acabar. E o salvar países não pode pegar moda, pelos mesmos motivos.

Cumprimentos.

P.S.
Se insinuei inconscientemente que o António alguma vez não defendeu equilibrios orçamentais, retiro essa insinuação. Pois não é verdade e grande parte do que escrevi aqui aprendi consigo.