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terça-feira, julho 14, 2015

FlashGrexit: humilhação ou falta de vergonha?


Alexis Tsipras prova o amargo sabor do realismo político

Não sei se já repararam, mas a Grécia está neste momento fora do euro, e o regresso pleno à moeda única poderá levar mais de dois anos a ter lugar.


A Grécia está em plena bancarrota e isolada da zona euro, apesar de manter formalmente a moeda. De uma maneira ou doutra a sua permanência na União Europeia e na zona euro terá que passar por uma reestruturação da sua gigantesca dívida pública, a caminho dos 200% do PIB, incluindo um perdão parcial da dívida (com perdas inevitáveis para as várias classes de credores, incluindo os detentores de depósitos bancários acima dos 100 mil euros), um alongamento das maturidades dos empréstimos com período de carência para o stock da dívida europeia que poderia chegar aos trinta anos, juros retroativos mais favoráveis nos empréstimos já concedidos, uma nova troca de obrigações do tesouro grego (haircut/ PSI) com perdas avultadas (75% em 2012) para quem investiu ou especulou com a dívida grega.

Afirmar, como afirmam as araras populistas do PS, do PCP e do Bloco, que estes sucessivos resgates são uma humilhação desferida contra os gregos, é ver a realidade de pernas para o ar.

A Grécia continua a ser uma plutocracia amparada por uma igreja omnipresente e por uma nomenclatura corporativa, burocrática e partidária corrupta e oportunista. A Grécia é um país sem verdadeiras instituições democráticas, apesar dos hinos a uma história há muito interrompida. Fazem cada vez mais lembrar essas famílias romenas que percorrem a Europa a pedir esmola, como se todos nós lhes devêssemos alguma coisa.

O clube europeu tem regras. Ninguém é obrigado a entrar, mas uma vez dentro, aldrabar os restantes sócios do clube é um comportamento inadmissível que terá sempre um custo a pagar.

Talvez seja o momento de Portugal também cumprir parte do memorando do resgate que até agora aldrabou ou diferiu para as calendas gregas:
  • plafonamento das pensões públicas, 
  • cortes drásticos nas rendas excessivas, 
  • nomeadamente no setor energético, 
  • renegociação das PPPs ruinosas, 
  • diminuição do número de governos municipais, 
  • eliminação das redundâncias burocráticas do aparelho de estado, 
  • e fim das inúmeras isenções fiscais e privilégios de que gozam partidos políticos, sindicatos, corporações várias, IPSSs, advogados, juízes, gestores públicos, etc...

Ou será que só quando chegarmos ao estádio grego é que iremos acordar, e implorar à Virgem de Fátima que nos salve?





Atualizado: 15/7/2015, 00:39

quinta-feira, julho 09, 2015

Grexit a caminho dos BRICS?

Halford Mackinder: “The geographical pivot of history”.
The Geographical Journal, 1904


Poderá Tsipras deitar borda fora o mandato reforçado que detém?


 “Few great failures have had more far-reaching consequences than the failure of Rome to Latinize the Greek.” Halford Mackinder, 1904.

O que está em causa em mais esta tragédia grega é a capacidade do eixo franco-alemão que acelerou a criação da zona euro —no caso da Grécia, promovendo mesmo o seu acesso fraudulento ao clube (1)—, impedir a sua derrapagem, ou mesmo uma implosão de consequências imprevisíveis.

Vale a pena ler o texto da célebre conferência dada por Halford Mackinder na Real Sociedade de Geografia inglesa, em 25 de janeiro de 1904: “The geographical pivot of history”, pois aqui podemos encontrar o paradigma estratégico que ainda hoje determina o essencial das decisões estratégicas dos principais países do mundo: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França, etc.

A ideia central de Mackinder é que o mundo aberto e em expansão da modernidade desbravado pela expansão marítima da Europa ocidental a partir do século 15 voltaria a fechar-se no dealbar do século 20 sob o estatuto de uma cartografia de mundos finalmente conhecidos, onde, sob o ponto de vista demográfico, económico e político, as principais dinâmicas de poder continuavam (e continuam) a residir nas tensões potenciais entre a Grande Rússia e os crescentes que a rodeiam e ao mesmo tempo a separam dos mares: a Europa ocidental (de que as Américas são uma extensão), o Próximo Oriente, a Índia, a China, a Coreia e o Japão.

Curiosamente, a Grécia continua mais próxima da Rússia e dos interesses estratégicos desta, do que da União Europeia e do projeto franco-alemão do euro:
“It is probably one of the most striking coincidences of history that the seaward and the landward expansion of Europe should, in a sense, continue the ancient opposition between Roman and Greek. Few great failures have had more far-reaching consequences tan the failure of Rome to Latinize the Greek. The Teuton was civilized and Christianized by the Roman, the Slav in the main by the Greek. It is the Romano-Teuton who in later times embarked upon the ocean; it was the Graeco-Slav who rode over the steppes, conquering the Turanian. Thus the modern land-power differs from the sea-power no less in the source of its ideals than in the material conditions of its mobility.” Idem

A modernidade pós-medieval e transatlântica começa em 1415 e termina, segundo Mackinder, pouco depois do ano 1900, mas só o perceberemos provavelmente de um modo irrefutável em 2015, no rescaldo do colapso financeiro da Grécia, no meio da maior crise financeira desde 1929, seiscentos anos depois da conquista de Ceuta por Portugal — onde então reinava uma inglesa chamada Filipa de Lencastre, cuja visão estratégica viria a mudar a história do mundo sobre o qual Halford Mackinder elaborou uma notável visão geopolítica, que ainda hoje determina as ações de Putin e de Obama.

Obama Calls Merkel, Reinforces IMF Case Of Debt Haircut Zero Hedge, 07/07/2015 15:26 -0400

Readout of the President’s Call with Chancellor Angela Merkel of Germany

White House:

The President and German Chancellor Angela Merkel spoke by phone this morning about Greece. The leaders agreed it is in everyone’s interest to reach a durable agreement that will allow Greece to resume reforms, return to growth, and achieve debt sustainability within the Eurozone. The leaders noted that their economic teams are monitoring the situation in Greece and remain in close contact.


Russia Asks Greece To Join BRICS Bank
Zero Hedge, Submitted by Tyler Durden on 05/11/2015 12:27 -0400

As Bloomberg reports:

Russian Deputy Finance Minister Sergei Storchak spoke with Greek PM Alexis Tsipras today, proposed that Greece become 6th member of New Development Bank set up by Brazil, Russia, India, China, South Africa, a Greek govt official says in e-mail to reporters.

A Europa e os Estados Unidos vivem há décadas acima das suas possibilidades.

Nada fizeram para corrigir esta mudança estrutural das suas economias, ou por outra, fizeram, aldrabando desde meados dos anos 80 do século passado (invenção dos CDO) os livros de contabilidade e os orçamentos, expandindo para dimensões lunáticas as suas massas monetárias e responsabilidades (dívidas), incentivando o consumo conspícuo e o mais ruinoso dos keynesianismos: ligar os tesouros soberanos (i.e. os governos) à especulação financeira global, esperando que o crescimento produtivo (e não meramente contabilístico, aldrabado) regressasse. Não regressou, e o resultado são borbulhas de mentiras e corrupção que rebentam e continuarão a rebentar por toda a parte, até que uma grande explosão, seguida de implosão geral dos mercados, obrigue a um GRANDE JUBILEU DAS DÍVIDAS, onde os prejuízos não recaiam todos sobre as populações indefesas.

É nestes momentos que os equilíbrios geográficos da política vêm de novo à superfície. A crise grega deixou, já há algum tempo, de ser uma crise económica (2) e financeira, para se transformar numa crise diplomática e estratégica de primeiro plano.

Estes dois notáveis discursos no Parlamento Europeu são uma excelente metáfora do momento crítico que vivemos.


I got angry this morning at Mr Tsipras, because we need to see concrete proposals coming from him. We can only avoid a #Grexit if he takes his responsibility. Watch my speech again here
Posted by Guy Verhofstadt on Quarta-feira, 8 de Julho de 2015




NOTAS
  1. ECB Tells Court Releasing Greek Swap Files Would Inflame Markets
    Bloomberg, June 14, 2012 — 1:32 PM BST

    June 14 (Bloomberg) -- The European Central Bank said it can’t release files showing how Greece may have used derivatives to hide its borrowings because disclosure could still inflame the crisis threatening the future of the single currency.

    Bloomberg News is suing the ECB to provide the documents under European Union freedom-of-information rules. The papers may help show the role EU authorities played in allowing Greece to mask its deficit for almost a decade before the nation’s troubled finances necessitated a 240 billion-euro ($301 billion) bailout and the biggest debt restructuring in history. 
  2. O que não quer dizer que a crise institucional, económica e financeira, não seja gravíssima, porque é. Um dos dos dados económicos invisíveis da incapacidade de a Grécia crescer significativamente é, tal como Portugal, a sua dependência do petróleo, que o gráfico abaixo ilustra dramaticamente. Também por aqui a sua aproximação aos BRICS trará provavelmente mudanças significativas no seu modelo de desenvolvimento.
"What Greece, Cyprus, and Puerto Rico Have in Common"—Gail Tverberg

segunda-feira, julho 06, 2015

Esperança à esquerda?

"O BE passou por um processo de renovação geracional que era necessário e durou algum tempo."
Miguel Manso/Público

Mariana Mortágua: a minha personalidade do ano de 2015


Um lapsus linguae revelador da honestidade intelectual latente de Mariana Mortágua: “Não há uma política de direitos sociais sem condições económicas.”

“Se há um pânico nos mercados Portugal não tem como se defender”
Paulo Pena, 06/07/2015 - 07:56 Público

Esta é uma excelente entrevista, esteja-se ou não de acordo com as ideias expostas. Eu, no essencial, não estou, embora reconheça legitimidade a muitas das suas sagazes observações sobre as incongruências e a criminalidade organizada do capitalismo decadente que domina o planeta. Este é provavelmente o único discurso coerente do que resta, e é muito pouco, da esquerda histórica. Não seria mau para Portugal que esta economista-política fizesse o seu caminho, começando, desde já, por ascender à direção do Bloco. O PS morreu, e um vazio na esquerda do arco-íris político (o PCP não conta para efeitos práticos) seria trágico para a democracia portuguesa...

Seja como for, esta entrevista merece resposta à altura dos argumentos que apresenta.

O regresso ao dracma

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Grécia, ilusões de uma noite de verão


Os gregos votaram OXI num referendo populista à austeridade. Na realidade, votaram NÃO à sua continuidade na Eurolândia. Não interessa que gostem muito da Europa, ou do euro. A verdade é que, cercados pela austeridade e pelo desemprego, se precipitaram para um beco sem saída.

O estado grego moderno é uma  economia atrasada, corrupta e sempre endividada, que desde 1821-1829 (libertação do multissecular domínio turco) acumula bancarrotas: 1826, 1843, 1860, 1893, 1932, 2015.

A Grécia tem sido liderada por famílias de piratas sem escrúpulos, incluindo a família 'socialista' lá do sítio. Uma estranha coligação de esquerda e direita radicais liderada por Alexis Tsipras pretende, uma vez mais, não pagar, insultando os credores ao mesmo tempo que lhes pede mais dinheiro!


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Pelo que percebi das entrelinhas deste dia, o Plano B de Tsipras/Varoufakis é mesmo regressar ao dracma, proclamando eventualmente as dívidas astronómicas acumuladas como dívidas odiosas, de acordo, aliás, com um documento produzido no parlamento grego e divulgado a semana passada.

Por outro lado, da declaração do presidente do parlamento europeu, Martin Schulz, a Grécia, além de se ter colocado numa posição negocial insustentável, não terá liquidez do BCE na semana que hoje começa e nos tempos mais próximos, pelo que a Grécia entrará numa fase de emergência humanitária aguda.

Statement by Martin SCHULZ, EP President on the situation in Greece following the Referendum

“The ‘no’ side has won the referendum with an overwhelming majority and we have to respect the vote of the Greek people. In full sovereignty they expressed a clear ‘no’ to the proposals on the table in the eurozone. This is a difficult day: there’s a broad majority in Greece and the promise of Prime Minister Tsipras to the Greek people that with the ‘no’ the position of Greece for negotiating a better deal would become better is, in my eyes, not true...

“...We are in a difficult situation, the Greek people said no, but eighty other states of the eurozone agreed about the proposals to which the Greek people said ‘no’. But this is democracy in Greece and democratic governments and parliaments in other countries had another view a different view. It is now up to the Greek government to make proposals which could convince the eighteen other member states of the eurozone and the institutions in Brussels that it is necessary, possible and even effective to renegotiate, but this depends now on the proposals coming from Greece...”

“... But, nevertheless we have to respect the sovereignty and the will that the greek people expressed today in the referendum. The promise of the minister of finance that the banks will open tomorrow and that money will be available for tomorrow and tuesday seems to me very difficult and dangerous. And, therefore, because I believe that the Greek people will be, during the week and even every day in a more difficult situation, I think we should tomorrow, at the latest on Tuesday for the eurozone summit discuss about a humanitarian aid programme for Greece...”

“...Ordinary citizens, pensioners, sick people or children in the kindergarten should not pay a price for the dramatic situation in which the country and the government brought the country now. Therefore a humanitarian programme is needed immediately and I hope that the Greek government will make in the next coming hours meaningful and constructive proposals allowing that it is meaningful and possible te renegotiate. If not, we are entering a very difficult and even dramatic time.”

Link

A Grécia tornou-se um abcesso que é preciso lancetar, sob pena de contaminar toda a União Europeia. Não há alternativa ao Grexit. No entanto (ouvir esta crónica de Max Keiser), a saída da Grécia do euro e a renúncia ao pagamento das suas dívidas ao FMI e à UE poderá desencadear o colapso da própria zona euro, e mesmo da União Europeia. A menos que a tia Merkel esteja disposta a fazer ao Deutsche Bank o mesmo que Bush deixou fazer ao Lehman Brothers...

Atualizado em 6/7/2015 11:23

quarta-feira, julho 01, 2015

Et in Arcadia ego

Nicolas Poussin. Et in Arcadia est (1637-38)

Estou no Paraíso, ou morto?


Islândia, Chipre, Grécia, e em dramas mais sofríveis, Irlanda, Espanha e Portugal, a que se foram juntando as aflições de italianos, franceses e britânicos, são peças de um dominó em metamorfose.

Este dominó chama-se ocaso da abundância capitalista.

Abundância, porque houve durante meio século, sobretudo na Europa ocidental, nos Estados Unidos da América e no Canadá, sociedades humanas muito produtivas, com elevados padrões de consumo e onde se desenvolveram e instalaram sistemas de segurança social extremamente baratos, representando uma fração exígua na poupança individual e coletiva gerada por uma produtividade económica que teve a sua origem na emergência de várias indutores historicamente excecionais (ao longo dos séculos 19 e 20), tais como a energia barata proveniente do carvão, e depois do petróleo e do gás natural, ou ainda da fissão nuclear, usada na forma de vapor motriz, eletricidade e explosão de gases sob pressão.

Esta enorme capacidade de produzir barato e em grandes quantidades (quantidades industriais) teve na energia abundante, barata e transportável, a sua condição necessária, mas não suficiente. Para que os excedentes que deram lugar à poupança e ao bem estar social pudessem ter existido foram necessários ainda duas condições essenciais: a tecnologia oriunda das primeiras sociedades de conhecimento organizado e capitalizado, e a disponibilidade colonial de matérias primas e contingentes de quase escravos obtidos pela via de um desenvolvimento económico, social, cultural e político desigual. Não podemos, pois, imaginar a extraordinária dimensão e complexidade das infraestruturas materiais e imateriais, e o bem estar do Ocidente e das suas classes médias, nem a ociosidade cultural de franjas significativas e crescentes das suas populações, e muito menos o aumento espetacular da longevidade das gentes destes paraísos que ainda hoje atraem migrações gigantescas, sem pressupormos a conjugação provavelmente irrepetível das circunstâncias descritas.

À medida que esta conjugação de recursos e interações dinâmicas se expandiu por todos os continentes, ao mesmo tempo que se produzia uma equalização tímida entre o primeiro mundo (Estados Unidos e seus aliados desenvolvidos) e os segundo (União Soviética e seus aliados) e terceiro (os países neutros e não-alinhados—em geral, subdesenvolvidos) cresceu, por um lado, a população mundial e diminuiu, por outro, o ritmo de crescimento da riqueza média individual, ao mesmo tempo que os recursos naturais foram sendo submetidos a uma pressão ecológica cada vez mais destrutiva, e aumentaram os custos totais de cada unidade de PIB produzido no planeta.

Capitalista, porque o modo como toda esta explosão produtiva ocorreu e se desenvolveu é um fruto genuíno das sociedades capitalistas nascidas e desenvolvidas na Europa ao longo dos séculos 15, 16, 17, 18, 19 e 20.

As sociedades capitalistas comerciais e a luta pela criação de instituições laicas e democráticas foram determinantes nos séculos 15, 16, 17 e 18, as sociedades comerciais e industriais empurraram os séculos 19 e 20 para a era do crescimento rápido e da modernidade urbana e internacional, finalmente as sociedades comerciais, industriais e financeiras do século 20 expandiram exponencialmente o novo modelo de sociedade afluente e cosmopolita, através de guerras e revoluções brutais. Por fim, o início do século 21 marca o pico e provável ocaso de uma era de crescimento rápido inflacionista, e o início de uma nova era de crescimento moderado: deflação, queda dos rendimentos médios per capita, e absoluta necessidade de um renascimento científico e cultural suficientemente forte para nos convencer de que a felicidade não está no consumo conspícuo, nem no desperdício, nem muito menos na destruição dos ecossistemas, mas numa nova aventura por vir.

O fim do socialismo como o conhecemos

Os movimentos socialistas, nomeadamente sob influência do marxismo, serviram sobretudo o desejo do proletariado industrial e dos povos mais atrasados e submetidos a formas de exploração e despotismo pré-modernos, de se aproximarem da abundância e da liberdade inerentes ao capitalismo criativo. O maniqueísmo e messianismo judaicos de que vinham impregnados, nomeadamente sob a forma da teleologia hegeliano-marxista, foi e continua a ser para muitos um modo de fé travestido de pseudo cientismo dialético. Daí, aliás, a sua extrema fraqueza pragmática e incapacidade crescente de olhar para a realidade sem o véu da fantasia, da hipocrisia e do oportunismo.

A falência das esquerdas tem pois uma origem que não é apenas conjuntural à crise das democracias do bem-estar, nem sequer apenas um fruto podre do desaparecimento do proletariado industrial entretanto substituído por máquinas inteligentes, ou da emigração do trabalho produtivo para as antigas colónias dos antigos impérios europeus e americano. A falência das burocracias sociais-democratas e socialistas, a falência dos cadáveres adiados do estalinismo e das novas eflorescências geneticamente modificadas da esquerda radical, são uma espécie de resto da História em movimento. Daí o estilo populista e de farsa que as suas encenações cada vez mais exibem.

Os novos revolucionários são, como sempre foram, terroristas. A sua emergência explosiva e suicida no início deste século denota uma realidade, só por distração, inesperada, que precisa de ser estudada e entendida. O desespero que indivíduos, tribos do deserto e urbanas, sociedades inteiras, amanhã países, transportam sob o manto de uma ressurreição religiosa é real e é profundo. Não percamos tempo com os motards do Syriza!

Propagar, pela via da demagogia que reduz e vitupera, anamorfoses ilusionistas da complexidade do momento que vivemos é um erro que poderemos pagar caro. O abrandamento do crescimento mundial é um fenómeno complexo, mas inexorável. Acontece numa fase da humanidade em que as desigualdades económicas entre pessoas, cidades, países e regiões estratégicas continuam muito acentuadas, acontece num momento em que a aproximação dos rendimentos entre os continentes, e sobretudo entre os países mais populosos do planeta e o Ocidente rico, propiciado pelo desenvolvimento rápido dos chamados países emergentes, começa a abrandar. Se não forem a Europa, os Estados Unidos, a Rússia, a China, o Canadá e a Austrália a promoverem novas estratégias partilhadas de equidade económica, social e cultural, quem será?

Houve uma fuga em frente quando nos deparámos nos idos anos 70 do século passado com os limites do crescimento. Essa fuga acabaria por traduzir-se num endividamento astronómico dos governos, das empresas e das pessoas, sobretudo no Ocidente desenvolvido. À queda permanente dos rendimentos do trabalho, mas também do capital, respondeu-se com derivados especulativos sobre o futuro, transformando o imobiliário, as obras públicas injustificadas e insustentáveis, a hipertrofia dos governos e das burocracias, o automóvel, a educação, e a especulação com taxas de juro e moedas, em fichas viciadas dum casino global. As bolhas incharam, são muitas e gigantescas, e estão a rebentar desde 2007.

É por isso que as imagens do sofrimento e da aflição das pessoas, pungentes nos casos das crianças e dos idosos, seja em Nova Iorque, Atenas, no Cairo, Damasco, Lampedusa, ou amanhã em Lisboa, devem servir-nos para pensar e não atiçar os demónios do maniqueísmo partidário e religioso.

Os governos gregos fizeram pouco até hoje para emendar o seu estilo de vida insustentável, uma vez percebido que o mundo mudou. Aos eurocratas e aos burocratas do FMI, por sua vez, faltou melhor comunicação com as populações e com as elites gregas. A senhora Merkel, por fim, talvez tenha razão, mas enquanto não cuidar dos piratas do Deutsche Bank ninguém lhe dará ouvidos!

A bancarrota grega não chega para abalar os mercados de capitais de forma decisiva. Este foi o erro de cálculo de Varoufakis, Tsipras e Putin, e que custou aos pobres pensionistas e desempregados gregos um agravamento brutal do seu dia a dia.

A bancarrota grega vai marcar uma viragem na Europa, e provavelmente no mundo ocidental. Vamos todos perceber até ao fim deste ano que o mundo está mesmo a mudar, e que precisamos de o reinventar.

domingo, junho 28, 2015

Grécia, acabou-se o caviar :(

Esquerda caviar atira Grécia para o precipício

Grécia fora do euro, em quarentena, até ver...


A bancarrota da Grécia custará aos bolsos dos contribuintes portugueses 5% do PIB. A soberania dos gregos é respeitável, mas não à nossa custa e à custa dos demais dezoito países da zona euro. Isto entra na cabeça de qualquer pessoa medianamente inteligente, menos nos crânios soldados da nossa irresponsável e burocrática esquerda parlamentar, do PS ao Bloco, passando pelo PCP e pelos falsos verdes.

Mas mais:
  1. a Grécia já teve um perdão da dívida explícito, em 2012, no valor nominal de 50% do seu PIB, mas que na realidade custou aos credores entre 73% e 74% do mesmo;
  2. o serviço da dívida grega custa aos contribuintes gregos 2,6% do seu PIB, mas a dívida portuguesa custa-nos 5% do PIB;
  3. a dívida pública efetiva da Grécia não vai além dos 90% do PIB (1), mas a portuguesa já vai em 265% (230% dentro do perímetro orçamental, e 35% em rendas devidas às PPP criadas pelos nossos famosos 'socialistas');
  4. até ontem os gregos podiam levantar 1500 euros por dia nas caixas multibanco, enquanto em Portugal há muito que o limite é de 400€;
  5. os salários e rendimentos familiares médios dos gregos continuam bem superiores aos dos portugueses (sobretudo se tivermos em conta que a economia informal é bem maior por lá do que por cá);
O atual governo grego, oriundo de uma elite pequeno-burguesa endinheirada e desde sempre encostada ao erário público, como cá, e que nunca deixou de dormir uma noite por falta de liquidez para pagar salários aos seus empregados, resolveu avançar levianamente para um confronto retórico e académico com dezoito países da União de que a Grécia faz parte. Os seus ministros e ideólogos sacaram do fundo da sacola as sebentas dos vários revisionismos marxistas ainda à venda nos alfarrabistas e, com arrogância adolescente, não só apontaram uma pistola carregada à cabeça do povo que representam, como ameaçam desestabilizar toda a zona euro. Basta ver o gráfico que acima republicamos, cortesia do Zero Hedge (2).

Não queremos com isto sugerir que a culpa é toda dos gregos. É deles, mas é também dum sistema financeiro em crise sistémica, que tentou evitar a todo o custo, endividando-se para além de todos os limites, a transição para um paradigma de crescimento não inflacionista, para não dizer estacionário.

A alternativa não está entre dívida e crescimento, mas sim, entre transição sustentada para novos paradigmas de trabalho, produção, trocas e consumo, e o calvário de bolhas especulativas que explodem de sete em sete anos arrastando atrás de si destruições sociais cada vez maiores.

A alternativa não está entre o capitalismo burocrático de estado que toda a esquerda adora, e o gangsterismo financeiro que é preciso travar, ou o neoliberalismo que não passa de uma ficção inventada pela esquerda burocrática, pois, como todos devíamos saber, o keynesianismo, duro, ou mitigado, é a única ideologia que impera na economia mundial há mais de meio século.

A alternativa está, sim, na nossa capacidade de ultrapassar as velhas e gastas dicotomias, e fazer a transição para uma nova era económica e cultural, sem deitar fora o melhor que a democracia ocidental tem: a liberdade e as suas classes médias ilustradas.


NOTAS
  1. Paul De Grauwe. "Greece is solvent but illiquid. What should the ECB do?" — 17 June 2015
    One feature of the Greek sovereign debt crisis, which is widely misunderstood, is the following. Since the start of the crisis the Greek sovereign debt has been subjected to several restructuring efforts. First, there was an explicit restructuring in 2012 forcing private holders of the debt to accept deep haircuts. This explicit restructuring had the effect of lowering the headline Greek sovereign debt by approximately 30% of GDP. Second, there were a series of implicit restructurings involving both a lengthening of the maturities and a lowering of the effective interest rate burden on the Greek sovereign debt. As a result of these implicit restructurings, the average maturity of the Greek sovereign debt is now approximately 16 years, which is considerably longer than the maturities of the government bonds of the other Eurozone countries. These implicit restructurings have also reduced the interest burden on the Greek debt. The effective interest burden of the Greek government has been estimated by Darvas of Bruegel to be a mere 2.6% of GDP. This is significantly lower than the interest burden of countries such as Belgium, Ireland, Italy, Spain and Portugal.
    LINK

  2. The ECB Suddenly Has A Huge Headache On Its Hands

    Incidentally the chart above is why earlier today Varoufakis said that "if ECB were to stop support for the Greek banking system would mean that Europe has failed." Because if indeed the ECB were to pull the carpet from under Greece as it hinted it would do on Tuesday when the Greek program runs out, when it froze the Greek ELA despite the ongoing Greek bank run, it would promptly set off a chain of events that would not only crush the Greek banking system but destroy any credibility Greek sovereign collateral had as a state, impairing all Greek national and corporate collateral, including bonds and loans currently held by the ECB, to zero.

    It would also mean that as that €126 billion or so of total ECB/Eurosystem claims on Greek banks were "charged off" in case of a terminal Greek "event" then the entire ECB capital buffer would also be wiped out, leaving the ECB with negative equity. Translated: dear Eurosystem members: we need more cash.

    Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 06/28/2015 13:25 -0400

Grécia fora do euro no dia 1 de julho

Greece’s Prime Minister Alexis Tsipras delivers a speech to the lawmakers during an emergency Parliament session tonight. Photograph: Petros Karadjias/AP

O referendo anunciado por Tsipras e aprovado pelo parlamento grego morreu antes de nascer, por efeito deste simples mas irremediável comunicado emitido pelo Eurogrupo na tarde de 27 de junho de 2015:


Since the 20 February 2015 agreement of the Eurogroup on the extension of the current financial assistance arrangement, intensive negotiations have taken place between the institutions and the Greek authorities to achieve a successful conclusion of the review. Given the prolonged deadlock in negotiations and the urgency of the situation, institutions have put forward a comprehensive proposal on policy conditionality, making use of the given flexibility within the current arrangement.
Regrettably, despite efforts at all levels and full support of the Eurogroup, this proposal has been rejected by the Greek authorities who broke off the programme negotiations late on the 26 June unilaterally. The Eurogroup recalls the significant financial transfers and support provided to Greece over the last years. The Eurogroup has been open until the very last moment to further support the Greek people through a continued growth-oriented programme.

The Eurogroup takes note of the decision of the Greek government to put forward a proposal to call for a referendum, which is expected to take place on Sunday July 5, which is after the expiration of the programme period. The current financial assistance arrangement with Greece will expire on 30 June 2015, as well as all agreements related to the current Greek programme including  the transfer by euro area Member States of SMP and ANFA equivalent profits.

The euro area authorities stand ready to do whatever is necessary to ensure financial stability of the euro area.

[1] Supported by all members of the Eurogroup except the Greek member.

Já na manhã de sábado Tyler Durden escrevia:

"... moments ago Varoufakis was quoted as saying he would ask the Eurogroup for a bailout extension of a few weeks to accommodate the referendum. 

And the punchline: if the Eurogroup says "Oxi", then the entire Greek gambit, which has been a bet that to Europe the opportunity cost of a Grexit is higher than folding to Greek demands, collapses.

If the Eurogroup declines Varoufakis' request, there simply can not be a referendum, as the "institutions proposal" will no longer be on the table. As such, the only question is whether the ECB will also end the ELA at midnight on June 30, adding insult to injury, and causing the collapse of the Greek banking system days ahead of a referendum whose purpose would now be moot."

in Zero Hedge, 27/6/2015

Poderá haver ainda um volte-face?

Espera-se que o BCE aguente os bancos gregos até dia 5 de julho, mas não depois desta data se o resultado do referendo grego for não às condições exigidas pelos credores. Se for sim, então poderá haver uma regresso in extremis à mesa das negociações que, entretanto, deixará oficialmente de existir no dia 30 deste mês.

Mas neste caso em que posição ficará o governo de Tsipras? E o Syriza?

Que peso terão a Rússia e a China nesta fase do campeonato? A situação caminha rapidamente para uma zona perigosa, onde não perder a face, de ambos os lados do conflito, é cada vez mais difícil.

Assim começam todas as guerras :(


POST SCRIPTUM

Dois artigos de leitura obrigatória: "Como resolver a crise grega?", de Paul De Grauwe, e "Dias de Big Bang europeu", de Maria João Rodrigues, ambos no Expresso desta semana. Recomendação: a tradução do artigo de Paul De Grauwe publicada no Expresso, além de truncada, é má. Logo recomendo a leitura do original.

Sabia que a dívida pública efetiva da Grécia poderá estar abaixo dos 90% do PIB, e que os juros pagos pela mesma representam um esforço orçamental inferior ao da Espanha, ao de Portugal e mesmo aos da Bélgica e França? Sabia que a dívida portuguesa efetiva deve andar pelos 165% do PIB (130% reconhecidos no perímetro orçamental + 35% de PPP)? Cuidado, pois, com a situação grega, nomeadamente pelo ricochete que poderá fazer em breve sobre Portugal. Não se endivide!

Por outro lado, quer Merkel e o Eurogrupo consigam conservar a Grécia na Zona Euro, quer a façam regressar ao dracma, a União Europeia será uma nova realidade depois deste verão, e não será nada favorável aos populistas profissionais da esquerda, os quais sempre souberam gastar dinheiro, mas não sabem nem o que é o dinheiro, nem como de cria.

Atualizado em 28/6/2015 13:13

quinta-feira, junho 18, 2015

Grexit

Pirro, rei do Épiro e da Macedónia (318-272 a.C)

“Mais uma vitória como esta, e estou perdido.”  (Pirro)


End Game: comissão parlamentar grega acaba de publicar relatório preliminar que considera a dívida grega emergente dos acordos com a Troika, uma dívida ilegal, ilegítima e odiosa.

All the evidence we present in this report shows that Greece not only does not have the ability to pay this debt, but also should not pay this debt first and foremost because the debt emerging from the Troika’s arrangements is a direct infringement on the fundamental human rights of the residents of Greece. Hence, we came to the conclusion that Greece should not pay this debt because it is illegal, illegitimate, and odious.

Documento acabado de publicar

Αθήνα, 17 Ιουνίου 2015

Hellenic Parliament’s Debt Truth Committee Preliminary Findings - Executive Summary of the report

*Θα ακολουθήσει ανάρτηση της ελληνικής έκδοσης της περίληψης των προκαταρκτικών αποτελεσμάτων της Επιτροπής Αλήθειας Δημοσίου Χρέους


POST SCRIPTUM — A Grécia encavou, ou seja, apostou todas as cartas. A parada é muito elevada, pois Tsipras vai de novo a Moscovo, que por sua vez anunciou esta semana o reforço do seu arsenal nuclear com 40 novos mísseis balísticos intercontinentais, em resposta às novas sanções europeias e ao avanço militar norte-americano nos países que fazem fronteira com a Rússia. Ou muito me engano ou a Alemanha, perdão, a União Europeia, vai desistir desta partida de Poker.

Sobra um problema: Portugal e Espanha vão exigir contrapartidas relativamente aos seus próprios programas de austeridade. Aliás, Portugal e Espanha já beneficiaram das duas anteriores reestruturações gregas. Subtilezas que escapam ao barulho mediático.

ÚLTIMA HORA

Grécia—1, Alemanha—0. Lembram-se do nosso prognóstico?
Os Estados Unidos explicaram à Tia Merkel que deixar os gregos ao colo de Putin, nem pensar. O FMI e o BCE que engulam o sapo Tsipras!
El BCE se reúne de urgencia para decidir si amplía la liquidez a la banca griega

El consejo de gobierno del Banco Central Europeo (BCE) se reúne hoy para decidir si amplia la provisión urgente de liquidez para Grecia tras la intensificación de la fuga de capitales.

Leer más:  El BCE se reúne de urgencia para decidir si amplía la liquidez a la banca griega - elEconomista.es


Última atualização: 19/6/2015, 11:00 WET

domingo, maio 31, 2015

Tragédia grega em números

A grande pergunta é esta: em caso de Grexit quem paga? 


A rol do serviço da dívida em 2015, começando pelo mês de junho, é assustador. Mas depois, até 2057, mais assustador é!


Dívida grega: pagamentos devidos em 2015
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Dívida grega: pagamentos devidos em 2057
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segunda-feira, maio 25, 2015

Uma borboleta chamada Costa

25 de maio 2015: dívida portuguesa afunda
(gráfico: Bloomberg/ clique p/ ampliar)

O que é que esta inversão negativa e muito preocupante do mercado da dívida soberana portuguesa tem que ver com António Costa?


Basta clicar neste LINK para saber a resposta. Repare-se bem nesta data: 15 de abril!
China Stocks Surge, Europe/US Purge, & Portuguese Bonds Are Crashing—Zero Hedge
Portuguese bonds are crashing... unwinding all the excited exuberance of Q€... Of course with The ECB hoovering up everything in sight, any selling pressure is exaggerated by the total lack of liquidity (see CYNK or Hanergy) but based on Bloomberg data it appears real and traded and is the benchmark 10Y bond for the nation!
Desde que o nosso Alexis Costa abriu a boca e começou a ser transportado no andor da esquerdizofrénica imprensa que temos, juntando-se ao pelotão dos acólitos e assessores os famosos econometristas desmiolados do manifesto Uma década para Portugal, que as evidências começaram de novo a apitar.

Por algum motivo a Maria Luís Albuquerque anda desesperadamente à procura de 600 milhões de euros. Mas a corja eleitoral quer lá saber disso!

Com a Caixa Geral de Depósitos no lixo, a Parpública no pré-lixo, o Novo Banco sem ninguém que lhe pegue enquanto não se souber quem paga a fatura da TAP, e porventura outras que ainda desconhecemos, e a própria TAP no limiar de ver a sua frota estacionada por esses aeroportos fora sem Jet Fuel, nem pilim para o pessoal de bordo, só faltava mesmo dispararem os yields da dívida pública e a falta de liquidez interessada nos nossos papeis soberanos!

A juntar a este descalabro provocado pela simples hipótese do PS socratino regressar ao poder, temos uma Grexit ao virar da esquina, a ascensão meteórica em Espanha de um desafio sem precedentes à estratégia alemã, e um cada vez mais provável Brexit. Ou seja, afinal, o colapso do euro poderá mesmo ser uma realidade antes de 2020. E neste caso, ou a Alemanha e o resto da eurocracia acordam, ou adeus Europa.

E quanto a nós, temos duas prioridades: não deixar aumentar as dívidas externa e pública, e impedir que a pretexto do estado social se instale no nosso país uma espécie de fascismo fiscal dissimulado de inevitabilidade democrática.


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quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Grexit? (7)

Euro Area Government Debt As % of GDP

Plano B? Grécia estará hoje em Bruxelas... e em Moscovo para decidir o que fazer


Alguém consegue descortinar no gráfico acima onde está a Grécia? Que tal olhar para a floresta, em vez de nos distrairmos com a árvore?

Europe’s Greek Showdown: The Sum Of All Statist Errors
CONTRA CORNER by David Stockman • February 10, 2015   
The real nightmare for Merkel’s government is that the next two largest countries in the capital key are on a fast track toward their own fiscal demise. So what puts a stiff spine into its insistence that Greece fulfill the letter of its MOU obligations is that if either France or Italy is called upon to cover losses, the whole bailout scheme will go up in smoke.

Começa hoje por volta das 16:30 uma longa e tensa reunião do Eurogrupo. Se a intransigência alemã presistir, e nada houver para negociar, então talvez possamos assistir ao início do estouro da Eurolândia. Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis estarão em Bruxelas a negociar o princípio de uma nova estratégia para lidar com o endividamento, a recessão, o desemprego explosivo e a deflação europeias —mostrando que continuar a fingir que a Grécia não está na bancarrota, ou que o Deutsche Bank não está insolvente só agravará criminosamente as consequências da crise sistémica em curso.

Neste mesmo em dia, segundo a TASS, os ministros dos negócios estrangeiros grego e russo encontram-se em Moscovo.

Uma coisa é certa: os governantes gregos recém eleitos têm neste momento o apoio expresso do parlamento e da população para rejeitarem a continuação dum flagelo que pouco ou nada resolveu.

Greek PM easily wins confidence vote, EU showdown looms
REUTERS. By Lefteris Papadimas and Alastair Macdonald
ATHENS/BRUSSELS Tue Feb 10, 2015 7:05pm EST

"What we want is a deal," the hardline nationalist said on television. "But if there is no deal ... and if we see that Germany remains rigid and wants to blow apart Europe, then we have the obligation to go to Plan B. Plan B is to get funding from another source.

"It could be the United States at best, it could be Russia, it could be China or other countries," Kammenos added.

Para os que julgam que a Grécia está no bolso, convém recordar que a situação mundial tem vindo a piorar de todos os pontos de vista: a diplomacia nunca esteve tão tensa, as principais economias do planeta estão em recessão ou a recuar visivelmente dos seus anteriores patamares de crescimento.

Uma réplica de 2008, potencialmente mais catastrófica, pode estar ao virar da esquina, avisam os banqueiros nas newsletters que têm enviado nas últimas semanas aos clientes.

If You Listen Carefully, The Bankers Are Actually Telling Us What Is Going To Happen Next
The Economic Collapse
. By Michael Snyder, on February 9th, 2015

Are we on the verge of a major worldwide economic downturn?  Well, if recent warnings from prominent bankers all over the world are to be believed, that may be precisely what we are facing in the months ahead.  As you will read about below, the big banks are warning that the price of oil could soon drop as low as 20 dollars a barrel, that a Greek exit from the eurozone could push the EUR/USD down to 0.90, and that the global economy could shrink by more than 2 trillion dollars in 2015.  Most of the time, very few people ever actually read the things that the big banks write for their clients.  But in recent months, a lot of these bankers are issuing such ominous warnings that you would think that they have started to write for The Economic Collapse Blog.  Of course we have seen this happen before.  Just before the financial crisis of 2008, a lot of people at the big banks started to get spooked, and now we are beginning to see an atmosphere of fear spread on Wall Street once again.  Nobody is quite sure what is going to happen next, but an increasing number of experts are starting to agree that it won’t be good.

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sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Grexit? (4)

Giovanni Domenico Tiepolo. Procissão do Cavalo de Troia (1773).
National Gallery, Londres.

Em caso de Grexit... 


Atenção: a receita tb pode vir a servir aos valorosos indígenas lusitanos, daqui a um ou dois anos...
  1. Announce that the government can only spend what it collects in taxes and fees. The state will not borrow money, period.
  2. Announce a new, simplified tax structure, with tax rates far below those of other European nations. For example, if the value-added tax (VAT) is 17% elsewhere in Europe, the Greek rate would be set at 7%. (Compare that to the sales tax in California, which is 9%.)
  3. Explain that the future of Greece depends entirely on everyone paying taxes, since the government will no longer borrow-and-spend.
  4. Hire 10,000 currently unemployed accountants (including recent college graduates who have been unable to find jobs in accounting), train them in forensic accounting and auditing and unleash them on the Greek economy, starting with the top 1/10th of 1% (the kleptocracy class) and working their way down to the corner cafe.
  5. Make the pain of cheating and non-compliance higher than the pain of paying relatively low taxes.
  6. Change the social perception that not paying taxes is acceptable behavior. Publicize the list of tax cheats, etc.
  7. Make government spending transparent and auditable by any citizen with an Internet connection.
  8. Enforce strict banking laws where lenders that loan money without regard for risk management are forced to absorb their losses and close their doors. Encourage prudent private lending and borrowing.

    in Greece: Are You Finally Ready to Do the Right Thing and Leave the Euro?
    Charles Hugh Smith. Thursday, February 05, 2015
O melhor mesmo é começarem a preparar a polícia, os juízes e as forças armadas para se colocarem ao lado do Syriza!

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quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Grexit? (2)

Quem deve o quê e a quem?

Todos ralham... mas nem gregos, nem troianos têm razão


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Does Anyone Remember 2007? The Global Debt Bubble In 3 Ominous Charts
Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 02/05/2015 12:08 -0500

Seven years after the bursting of a global credit bubble resulted in the worst financial crisis since the Great Depression, debt continues to grow. In fact, as McKinsey explains in their latest report, rather than reducing indebtedness, or deleveraging, all major economies today have higher levels of borrowing relative to GDP than they did in 2007. They pinpoint three areas of emerging risk: the rise of government debt, which in some countries has reached such high levels that new ways will be needed to reduce it; the continued rise in household debt; and the quadrupling of China’s debt, fueled by real estate and shadow banking, in just seven years... that pose new risks to financial stability and may undermine global economic growth.
Keiser Report — Episode 714

In this episode of the Keiser Report back in London, Max Keiser and Stacy Herbert discuss the Greek situation and that a nation is not what it thinks it is but what others attempt to hide about that nation - like the fact that it is bankrupt. They discuss the role Goldman Sachs played in helping Greece hide its debts and, thus, strapping it to the euro and the mispricing of real risk by well-compensated bond investors lending to Greece at ultra low interest rates. They also discuss that, while deflated footballs was the main headline on the nightly news in America, a memo was delivered to Obama outlining the various ways that brokers defraud American investors of years worth of retirement income.

Keiser Report en español: La verdad sobre Grecia (E714)
Publicado: 3 feb 2015 15:17 GMT | Última actualización: 3 feb 2015 15:17 GMT

Os bancos, os fundos de pensões, o investimento financeiro de poupanças privadas, e os fundos de investimento especulativo ganharam até hoje rios de dinheiro com os governos e as suas dívidas soberanas. Foi assim até que um belo dia estes investimentos, parte dos quais pertencem a fundos de pensões, públicos e privados, de inúmeros países, começaram a dar cada vez menos retorno, nomeadamente por efeito das políticas monetárias expansionistas dos governos dos países mais ricos do mundo, por sua vez, cada vez mais ávidos de recursos financeiros.

Os estados cresceram desmesuramente depois da Segunda Guerra Mundial, em número de funcionários, em responsabilidades sociais, em despesas de capital e consumos intermédios, muito para além das receitas fiscais que é razoável extrair dos rendimentos da riqueza efetivamente produzida. Daí o endividamento sistémico que atinge hoje, como uma espécie de peste negra, cerca de cinquenta países, e algumas das maiores economias mundiais: Japão, Itália, Reino Unido, Espanha, França, Estados Unidos, Alemanha, etc. O mundo inteito tem hoje uma dívida pública na ordem dos 64%, acima, portanto, do limite estabelecido pela União Europeia para a dívida pública de cada um dos seus membros.

Como resultado desta degradação orçamental dos estados subiu o apetite soberano pelo endividamento, mas as aplicações em dívidas soberanas foram sendo, apesar desta procura maciça, remuneradas com taxas de juro cada vez menores, partindo-se do princípio que os governos não iam à falência. Este contrasenso foi o resultado de uma montagem cuidadosa das chamadas agências de notação financeira. Na realidade, à degradação orçamental dos países correspondia, de facto, um risco cada vez maior, escondido, porém, debaixo das famosas notações triplo A.

O facto de este risco, após os colapsos do Subprime, e do banco Lehman Brothers, ter passado rapidamente a ser compensado pela exigência de dividendos (yields) mais elevados, com repercussões diretas nos juros a pagar pelos devedores, não resolveu todos os problemas.

Quando os juros implícitos das dívidas soberanas disparam para valores de 7% ou mais, é o próprio sistema financeiro que entra em terra incognita.

Os principais dirigentes mundiais sabem disto, mas alimentaram o conúbio entre poder político e poder financeiro durante mais de 30 anos. Basicamente, desde 2000, ou 2006, estamos no fim dum ciclo longo de crescimento inflacionista, o qual durou mais ou menos 120 anos—desde 1886, ano do jubileu da Rainha Victoria, até 200, início da crise do Subprime.


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The Death Cross Of American Society
Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 02/05/2015 15:26 -0500

As BofAML warns, if Main St. doesn’t recover this year on the back of the powerful cyclical combo of lower oil/rates/currencies then the specter of “policy failure” will haunt investors, and currency wars, debt default and deficit financing will become macro realities.

Os sintomas desta crise anunciada começaram a revelar-se claramete durante a primeira grande crise petrolífera, em 1973.

Desde o tempo de Ronald Reagan que os governos americano e europeus começaram a endividar-se, em conúbio com os bancos e as elites financeiras, garantindo desta forma que as economias cresceriam, ainda que artificialmente, nomeadamente através de várias estratégias conjugadas:

  • expansão do mercado de capitais;
  • endividamento público e privado através de crédito barato e aumento da massa monetária em circulação;
  • privatização progressiva dos setores públicos das economias;
  • controlo artifical da inflação—abaixo dos 2%, como repete até à exaustão o BCE;
  • criação de emprego não produtivo, nomeadamente nas áreas da educação e serviços;
  • assalto aos principais países produtores de matérias primas e alimentos;
  • globalização financeira e comercial;
  • informação estatística obscura, também conhecida por massagem criativa dos números!

No entanto, esta tentativa de parar a tendência inevitável para o fim de mais uma era prolongada de crescimento rápido, ou inflacionista (D H Fischer), cuja tendência subterrrânea é a incapadidade da oferta agregada global satisfazer a procura agregada global, não resultou. Ainda que tenha conseguido prolongar artificialmente a ilusão da prosperidade para todos, a verdade começa a vir ao de cima com um conhecido cortejo de desgraças: queda progressiva e consistente dos rendimentos do trabalho, mas também dos rendimentos da propriedade, da poupança e do investimento, destruição maciça de empregos, falências imparáveis de empresas, deflação, colapso social, e alterações políticas e culturais tendencialmente radicais.

As estratégias neo-keynesianas, conjugadas com o crescimento dos chamados países emergentes, boa parte dos quais havia estado sob um domínio colonial centenário, tiveram como efeito principal a criação de uma bolha especulativa global incontrolável. Só o mercado dos chamados derivados financeiros especulativos (Over The Counter—OTC), representa um potencial destrutivo na ordem de 10xPIB mundial. Se apenas 10% destes contatos especulativos derem para o torto, o buraco negro será da ordem do 1xPIB mundial.

É por isto que uma crise extrema como a da Grécia poderá ser tão explosiva e desencadear um inesperado efeito dominó.

Todos ralham, mas ninguém razão.

Mas para deixar um gosto menos amargo na boca do leitor aqui vai um remake divertido de Tom Jones ;)





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Grexit?

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BCE tirou o tapete à Grécia, mas não é a primeira vez...


Grexit? Aparentemente o BCE fez xeque-mate ao Syriza, i.e. a um governo democraticamente eleito, retirando-lhe o tapete de acesso às garantias até hoje dadas pelo BCE aos tomadores de dívida pública grega, i.e. os bancos e fundos privados gregos e de outros países. Será que o Syriza continuará em frente, ou vai desviar-se da colisão? Se não se desviar, quem sofrerá mais com a colisão? A Grécia, que já pouco tem a perder, ou a desnorteada e subserviente Europa, que se arrisca a ver uma desintegração do euro em menos de um ano?

BCE deixa de aceitar dívida pública grega como garantia nos empréstimos aos bancos
Observador

O Banco Central Europeu suspendeu hoje a dispensa das regras de rating mínimo no uso da dívida pública grega como garantia nos empréstimos do BCE à banca comercial, dizendo que “não é possivel esperar-se nesta altura que a revisão do programa seja concluída com sucesso”. A decisão faz com que os bancos que têm dívida grega deixem de a poder dar como garantia ao BCE quando lhe pedem dinheiro emprestado. Falta de financiamento dos bancos gregos terá agora de ser compensada pelo Banco Central da Grécia.

Será que Matthieu Pigasse (Lazard Bank), contratado por Yanis Varoufakis para desenhar soluções digeríveis para a bancarrota grega, falou, ou deixou falar, antes de tempo? Calculou mal a jogada? Ou será que a reação de Draghi e dos demais bancos centrais europeus constava dos seus cenários—aliás tornados públicos, nomeadamente, pela Bloomberg, no dia 1 de fevereiro? Amanhã saberemos.

What’s Going On with Greece and the ECB?
Bull Markethttps://medium.com/bull-market/whats-going-on-with-the-ecb-and-greece-3821de717625

Rules Require Cutting Off Greek Government Bonds?

[...]

“There will be no surprises if we find out that a country is below that rating and there’s no longer a program that that waiver disappears,” ECB Vice President Vitor Constancio said at an event in Cambridge, England, on Saturday.

If Vice President Constancio is referring to cutting off eligibility of specific bonds as collateral, that argues against the ECB’s’s current “official” approach being one of threatening a full cut-off of funds. Still, the idea of “junk-rated bonds are only eligible if a country is in a program” being part of “the ECB’s rules” is an over-statement. In truth, the ECB makes up these rules as it goes along and the “in again, out again” routine with Greek government bond eligibility is a long-standing one at this point.

Se repararmos bem no mapa dos gasodutos existentes, parcialmente construídos, ou em projeto, destinados a levar gás natural à Europa, perceberemos claramente que a Ucrânia e a Grécia são dois dos peões da estratégia de tensão em curso. A Alemanha, tal como a generalidade dos países do centro e norte da Europa, precisam de gás para não morrerem de frio no inverno.

Acontece que os Estados Unidos, seguindo a teoria estratégica de Halford Backinder, e do seu seguidor fiel, Zbigniew Brzeziński —consultor estratégico de Barak Obama—, consideram o controlo da Rússia essencial para impedir a supremacia da China, e de caminho também acham que quem controlar as reservas de petróleo e de gás natural, controla o mundo. Foi assim ao longo de todo o século 20. Será assim durante o século 21.

Depois da queda da União Soviética, os Estados Unidos montaram um apertado cerco militar à Rússia, através de alianças e da promoção de guerras regionais. A gota de água para a Rússia foi a tentativa de absorver a Ucrânia, berço da Rússia, na NATO. Perante a passividade dos europeus, e o oportunismo alemão, a Rússia respondeu à provocação, mostrando o que sucederia se o gás fornecido à Europa através da Ucrânia fosse interrompido. Daqui à escalada económico-financeira e militar foi um passo.

À medida que a Europa assustada procurava uma alternativa ao gás russo, lançando o fracassado projeto do gasoduto conhecido por Nabucco pipeline, que ficou no papel depois da desistência da Áustria, outros potenciais fornecedores de gás natural (Qatar-Irão, Iraque, Arábia Saudita, Israel, Turquemenistão) posicionaram-se no que passaria a ser uma corrida com implicações tremendas na região. O terrorismo, como exemplo típico de conflito assimétrico, a par de uma série de guerras vicariantes (proxy wars) em teatros localizados nas zonas de passagem dos vários potenciais gasodutos que querem concorrer com a Rússia no fornecimento de gás à Europa, passaram a entupir a paisagem mediática global com propaganda e imagens terríveis de ação psicológica.

Basta olhar para a importância que países como a Ucrânia e a Grécia têm nos acessos principais de gás natural à Europa para perceber que as discussões sobre as economias e os regimes políticos destes países não passam de pretextos que escondem jogos estratégicos fundamentais.

A recente descida abrupta do preço do petróleo esteve, afinal, relacionada com uma ofensiva dos Estados Unidos e da Arábia Saudita destinada a pressionar a Rússia a deixar cair Bashar al-Assad. Se Putin não ceder, arrisca-se a ver o seu país mergulhar numa crise financeira, económica e social que lhe pode ser fatal. Mas se ceder ao garrote dos preços baixos do petróleo, a quase exclusividade da Rússia no fornecimento de gás à Europa central, do norte e de leste, ficará comprometida.

A decisão do BCE, certamente determinada pela Alemanha, mas também pelos Estados Unidos, apesar das palavras carinhosas de Obama para com o novo poder grego, de aumentar a tensão na Grécia, tem mais que ver com a hipótese de uma aproximação entre a Grécia, a Turquia e a Rússia, do que com o problema da renegociação da dívida.


POST SCRITUM

É de notar que o mensageiro da decisão de o BCE tirar o tapete à Grécia foi o nosso querido e mui socialista Victor Constâncio. Que diz o sargento Costa e a nossa indigente Esquerda a isto?


RESPOSTA À PERGUNTA “TEM A CERTEZA QUE O EURO DESAPARECE?”

Não. Na realidade, o dólar quer apenas capturar o euro e fazer dele uma moeda subsidiária.

Ou seja, os Estados Unidos querem, compreensivelmente, manter a supremacia atlântica sobre a Eurásia, e para tal precisam de uma estratégia de pau e cenoura para com os alemães (euro sim, mas menos germanófilo).

Por exemplo, retirar à Rússia o monopólio de fornecimento de gás ao centro-norte-leste da União Europeia é um objetivo estratégico, que serve a Alemanha, a UE no seu conjunto, e os aliados da América no Médio Oriente: Arábia Saudita, Qatar, Israel...

No entanto, creio que os EUA querem mesmo enfraquecer a Rússia, para assim atingirem a China.

O perigo da situação vem daqui. E é neste sentido que a atuação do BCE e da senhora Merkel poderão, se o senhor Draghi não for pondo água na fervura, precipitar um choque frontal na Grécia (Grexit), de consequências imprevisíveis.

O colapso do euro, precedido de uma saída da Grécia, lançaria toda a Europa, a começar por Portugal, Espanha, Itália, França... numa situação particularmente complicada no que toca à reestruturação dissimulada (e em curso) das suas impagáveis dívidas (pública e privada).

Se em cima disto a Rússia, a Turquia e a China vierem em auxílio da Grécia, e em geral dos países europeus do Mediterâneo, teremos o caldo entornado.

Num cenário destes, a Rússia poderia mesmo fechar as torneiras à Ucrânia, i.e. à Alemanha; e poderia reforçar o apoio à Síria, bloqueando os gasodutos islâmico e árabe a favor dos gasodutos que vêm de Baku, do Turquemenistão e da Rússia, com passagem apenas pela Turquia, até chegar à Grécia.

A Europa precisará sempre de muito gás para se aquecer, não é verdade?

Resumindo, a questão financeira, e o problema grego, são muito mais do que o que aparentam.

As duas últimas guerras mundiais estiveram intimamente ligadas ao controlo das rotas do petróleo. A próxima grande guerra poderá acontecer por causa do controlo das rotas do gás.

A Alemanha já provou duas vezes que é incapaz de perceber os ventos da História, e que é suficientemente quadrada para se meter em armadilhas de onde depois não consegue sair.

É por isto que uma saída da Grécia do euro (Grexit), precipitada por comportamentos radicais do BCE e da Alemanaha, pode vir a rebentar com o euro, uma moeda demasiado atrelada ao invisível marco alemão!

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Atualização: 5/2/2015, 12:28 WET