quarta-feira, maio 07, 2014

Monetização da dívida europeia acelera

Christine Lagarde, chefe desesperada do FMI

BCE vai começar a pagar para emprestar. Mas só aos governos e banqueiros!


IMF urges European Central Bank to mull cutting interest rates below zero
Larry Elliott Economics editor
The Guardian, Wednesday 19 February 2014 19.55 GMT   

The International Monetary Fund has urged the European Central Bank to consider cutting interest rates to below zero as it warned that deflation in the eurozone was a key new risk facing the world economy.

In its assessment of global prospects published ahead of the meeting of G20 finance ministers in Sydney, the IMF said recovery from the deep global recession had been disappointingly weak and urged stronger co-operation between developed and developing countries to promote growth and financial stability.

"A new risk stems from very low inflation in the euro area, where long-term inflation expectations might drift down, raising deflation risks in the event of a serious adverse shock to activity," the Fund said.

A demagogia da 'esquerda' oportunista e desmiolada que temos perdeu o pé.

Na medida em que a monetização da dívida europeia acelera, o que teremos, em suma, é a famosa reestruturação das dívidas soberanas tão do agrado da burocracia partidária que fede por toda a Europa, embora não exatamente como gostariam.

Já toda a gente sabe que os estímulos financeiros, e agora a descarada súplica da chefe do FMI para que os bancos centrais reinflacionem as economias, não tem qualquer efeito na resolução da profunda recessão global —oficialmente reconhecida por Lagarde—, salvo no prolongamento da agonia que o sobreendividamento provoca, e ainda na pseudo socialização forçada da riqueza material das pessoas e das empresas através da destruição completa das poupanças e dos rendimentos de capital —seja pela destruição das taxas de juro, seja pelo fascismo fiscal que medra por toda a parte. Quererão o PS, o PCP e o Bloco, expropriação da propriedade privada mais descarada do que esta?

Os gráficos são consistentes: destruir as taxas de juro de referência não levou, até hoje, dinheiro à economia, seja nos Estados Unidos, seja na Europa. Esta política financeira desesperada serve apenas para manter os bancos centrais e os governos em unidades de suporte de vida. Entretanto, as depressões e os suicídios aumentaram exponencialmente entre os banqueiros. E o emprego continua encalhado no chamado 'estado social', cujos serviços de dívida não param de aumentar e vão conhecer em breve novos episódios, nomeadamente em França e no Reino Unido.

Antes e depois das eleições europeias iremos assistir a um novo ciclo de afluência monetária destinado a proteger, in extremis, os regimes políticos, democráticos ou não, das múltiplas rebeliões em formação, ou que já tomaram as ruas de muitas cidades por esse mundo fora. Pode até acontecer que o Quantitative Easing seja uma forma de Jubileu, ou seja, uma forma sofisticada de anulação recíprocas das dívidas, públicas e externas. Mas se esta foi a intenção, pode ter chegado tarde demais.

Neste campeonato cada vez mais exigente o PS e a 'esquerda' em geral ficaram, de repente, descalços.




Why European QE Will Not Help (In 2 Simple Charts)
Submitted by Tyler Durden on 05/06/2014 14:55 -0400 | ZeroHedge

With the world (or mostly the Japanese) front-running Draghi's ever-increasing threat of QE in Europe, Spanish and Italian government bond yields have reached levels commensurate with insanity compared to their risk (event and macro). Lower rates are great news right? They encourage growth... as the cost of borrowing drops across the nation's capital assets and the phoenix rises from the flames. Well - as the following 2 charts show - no! The lower rates are not 'trickling down' to real loans and loan creation continues to contract.



Comentário oportuno e certeiro recebido por email (07/05/2014 19:14)

"Tudo o que a esquerda pediu foi dado pela eurocracia:

1. eurobonds = bce compromete-se a comprar dívida no mercado secundário no caso dos Estados não honrarem as suas obrigações.

2. restruturação da dívida = bce reduz taxa de juro (quase zero), o que permite que os empréstimos de especuladores e bancos, aos Estados, sejam feitos com dinheiro barato e "bons negócios" se façam com juros entre 1 a 4% a pagar pelos Estados.

3. Plano Marshal e relançamento do crescimento = quantitative easing assumido há pouco mais de um mês pelo Draghi.

Em suma, a eurocracia e os grandes bancos q controlam o bce, enganaram os eleitorados do norte e deram ao sul tudo o que é preciso para controlar a dívida e reduzir a austeridade."

Ou seja, Seguro fica a falar sozinho, ou melhor, com o PCP e o Bloco. Três partidos populistas a ver navios. Ainda não perceberam que a receita do Capitalismo de Estado já foi absorvida inteiramente pela grande burguesia! OAM

Réplica recebida por email (07/05/2014 22:14):

Meu caro Desculpe lá, mas o seu leitor faz uma série de confusões,  e algumas grosseiras.

1º Comprar dívida pública no mercado secundário foi assumido pelo BCE em 2012, através das OMT, e na sequência do anúncio ( Mário Draghi) de que o BCE faria tudo o que fosse preciso para defender o Euro. Foi uma decisão que mudou a luta entre o Dólar e o Euro. Foi um anúncio  decisivo  no pior período da crise das dívidas soberanas ( 2011/2012). Isto nada tem a ver com Eurobonds. Estas são uma mutualização da dívida pelos vários membros do Euro, e destinavam-se a financiar directamente os governos em dificuldades. Felizmente nunca foram levadas a sério, pois só serviriam para precipitar a crise dentro do Projeto Europeu. E não haveria unanimidade entre os membros do Euro.

2º Reestruturação da dívida vai acontecer com a descida das taxas de juro?

Mas elas estão baixas ( 0,25%) para empréstimos à banca, desde finais de 2011 e princípios de 2012, e o BCE emprestou através das LTRO    (   long term refinancing operations) a 3 anos mais de 1 trilião de Euros à banca comercial europeia, para combater a falta de liquidez e ausência de mercado interbancário. O BCE     fez isso para combater a fragmentação financeira ( diferenças nos vários mercados financeiros entre países do centro da Europa e da periferia, sobretudo). Mas não foi por isso que a banca começou a emprestar mais às empresas dos países da periferia. E não foram as LTRO que melhoraram o financiamento  dos bancos nacionais aos seus   governos. Os bancos continuaram a comprar  dívida dos seus países aos preços especulativos.

3º Plano Marshall e relançamento do crescimento=  quantitative easing assumido pelo BCE recentemente? Mas que grande confusão para aí vai!!! Vamos ser um pouco mais sérios.

O pano de fundo nesta altura é uma guerra cambial que está lançada, em que a Europa está a ver os navios a passarem, isto é, o Japão a procurar desvalorizar, o Reino Unido a fazer o mesmo, juntamente com  outras economias, enquanto a Europa não tem capa cidade de reação. Hoje o Euro está a quase 1,4 dólares, o que é uma ameaça à competitividade da economia europeia. E isto preocupa o BCE( Mário Draghi). O BCE vai possivelmente baixar ainda mais(!) a sua taxa de referência, e comprar dívida pública aos bancos e seguradoras com a finalidade diz ele, de combater a deflação. Será uma QE a exemplo da Reserva Federal dos EUA, mas daí a falar-se em monetização da dívida é um passo de pura fantasia! Vamos ver no que dá a nova fase da avaliação bancária no quadro da preparação da União Bancária.  Esse vai ser o "este da Barata" sobre a real situação do sistema bancário, e sobre a determinação em liquidar os bancos que não estejam em condições.

Meu caro. A Europa vai agora entrar numa nova fase da crise. Não na solução da crise. Não se entusiasme. A Esquerda não obteve nada do que diz que pediu.

O Sr. Mário Draghi salvou o Euro no momento em que ele ameaçava colapsar por pressão  sobretudo das agências de rating, mas o BCE não resolveu a crise europeia nas suas raízes. O mesmo acontece com  os bancos   centrais doutros países. Nada de novo, e os    próximos tempos vão mostrar isso mesmo. É uma questão de tempo.

Gostava que a realidade fosse como o eu leitor referiu. Mas ela é muito diferente.

Abraço,

VL

Eu diria 1) que o primeiro comentário é substancial, quer dizer, o que a 'esquerda' pediu, tentando faturar a impossibilidade dos liberais acudirem às exigências, realizou-se 'por outros meios', como diria Lenine: a política é a continuação da guerra por outros meios e que 2) a resposta ao comentário é sobretudo formal, e peca pelo mesmo vício de toda a 'esquerda' que recomenda à Europa que corra com os lémures americano, japonês e chinês, na mesma guerra cambial e se atire como aqueles para o precipício das taxas de juro negativas.

Os EUA jogaram contra a Europa uma guerra financeira suja, E depois ousaram desestabilizar militarmente todo o continente e empurrar o mundo para uma nova guerra fria. Perderam ambas as guerras, felizmente! E não foi a 'esquerda', certamente a 'esquerda' soarista babada com Obama, que contribuiu para resistir ao imperialismo moribundo de Washington. Por outro lado, Cavaco e Barroso são, na realidade, dois oportunistas nada patrióticos, sempre a venderem o país aos piratas americanos por um prato de gambas!  OAM


ÚLTIMA HORA (5 de junho 2014 19:57)


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Há cerca de um mês (neste post, de 7 de maio) anunciámos o que hoje Mario Draghi anunciou: vai penalizar os depósitos que os bancos fizerem no BCE e vai continuar a emprestar aos mesmos bancos a juros próximos de zero (na realidade são juros negativos!)

By Alen Mattich, Wall Street Journal, 8:22 am EST Jun 4, 2014
In a groundbreaking policy move for a major central bank, the European Central Bank is widely expected to introduce negative deposit rates at Thursday’s meeting. UPDATE: The ECB cut its deposit rate to -0.1%.

[...] Most economists think the ECB’s primary aim in introducing negative rates is to drive down the value of the euro. ECB President Mario Draghi has argued the currency is too strong and has pushed euro-zone inflation down to levels where descent into a deflationary spiral becomes a risk.

By Stefan Riecher and Jeff Black, Jun 5, 2014 1:04 PM GMT+0100 Bloomberg.

ECB President Mario Draghi reduced the deposit rate to minus 0.10 percent from zero, making the institution the world’s first major central bank to use a negative rate. Policy makers also lowered the benchmark rate to 0.15 percent from 0.25 percent. Draghi will hold a press conference at 2:30 p.m. in Frankfurt — in  Draghi Takes ECB Deposit Rate Negative in Historic Move

Submitted by Tyler Durden on 06/05/2014 12:29 -0400 
Between Eurostat's lengthy forecasts, the press release, and Draghi's droning on... it's easy to get lost in what was delivered, what was promised, and what it means... here is the ultimate ECb announcement cheat sheet. Simply put, Draghi does not have many options left — in Draghi's Action Plan Cheat Sheet: "Not Many Options Left" 

Por Nuno Carregueiro | Jornal de Negócios
O corte na taxa de juro de referência do euro para 0,15%, anunciado esta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE), foi o sexto da era de Mario Draghi à frente da autoridade monetária.
Uma descida que deixa o preço do dinheiro da Zona Euro muito perto de zero e o valor da taxa dos depósitos em terreno negativo, com as duas taxas em mínimos históricos.

Atualizado em 06-06-2014 16:50 WET

O fim do crescimento, seguido de deflação e...


Medina Carreira precisa de mudar de discurso

The Death Cross Of American Business
Submitted by Tyler Durden on 05/06/2014 17:44 -0400 | ZeroHedge

So much for the recovery... As WaPo reports, the American economy is less entrepreneurial now than at any point in the last three decades. A rather damning new Brookings Institution report shows that US businesses are being destroyed faster than they're being created. As the authors of the report ominously explain: If the decline persists, "it implies a continuation of slow growth for the indefinite future," as new business creation has been cut in half since 1978.

O suicídio da capitalismo americano não vai ser bonito de ver.
Desde 2008 que mais empresas morrem por ano do que aquelas que nascem. Ou seja, depressão económica inevitável.

O Medina Carreira deveria começar a olhar para as estatísticas de outros países, e depois tentar perceber o que se passa, coisa que ainda não consegue, de todo!

Mas eu explico-lhe numa frase: sem petróleo barato, que acabou de vez, o crescimento capitalista acelerado e anormal dos últimos 120 anos (i.e. acima dos 2-3%) morreu. O que vimos de 1996 para cá foram bolhas financeiras e endividamento desenfreado desenhados com o único propósito de esconder e atrasar o inevitável, i.e. a chegada de uma nova era de equilíbrio macro-económico, precedida embora por um período de colapso, depressão e deflação, que irá desgraçar todos os indivíduos, empresas, especuladores e estados sobre-endividados.



É aliás esta a explicação simples para o insucesso a que a 'esquerda' idiota que temos, a começar pelo PS do acólito Seguro, está inexoravelmente condenada. A 'esquerda' indígena, ou ganha juízo, ou vai pulverizar-se rapidamente, com possíveis erupções extremistas episódicas e sem qualquer hipótese de êxito, pela explicação sociológica dada em post anterior.

Recomendo a todos a leitura de The Great Wave, de David Hackett Fischer.

terça-feira, maio 06, 2014

O Grande Roubo da Energia


O maior crime do governo 'socialista', a par da bancarrota do país.
in Pensar Ansiães

Goldman Sachs, José Sócrates e António Mexia são os vilões de um crime por investigar, julgar e punir


Os concessionários do embuste das novas barragens justificaram a construção destas afirmando que se as mesmas não fossem construídas o país ficaria às escuras. O que está em marcha, porém, é a destruição de dez rios fantásticos e o esvaziamento das nossas carteiras por causa deste embuste e deste assalto.

A "bolha" dos rendeiros e piratas da energia elétrica (EDP, Iberdrola, Endesa) vai ser cada vez maior, tal como o resto da dívida acumulada pela cleptocracia que levou o país à bancarrota.

O consumo da eletricidade está a diminuir e vai continuar a diminuir. Os argumentos do plano nacional de barragens já caíram todos. Contra factos não há argumentos.

Mais dez barragens para quê? 

Só se for para encher as contas offshore do Bloco Central da Corrupção. O crescimento do PIB nos próximos dez anos andará entre 0% e 1% (ou coisa que o valha). Teremos certamente uma depressão demográfica imparável até 2050 (a menos que haja uma avalanche de refugiados do outro lado do Atlântico e do leste europeu em direção a Portugal). As anunciadas medidas de eficiência energética da UE implicarão necessariamente menos consumo de energia e não mais consumo de energia. Logo, o excesso de produção de energia atual e das próximas décadas ou é exportado a preços próximos de zero — pois há excesso de energia elétrica por essa Europa fora —o que não há é petróleo e gás baratos!!!— ou vai para o lixo.

No entanto, este excesso de energia é pago e será pago, se não anularmos os contratos criminosos existentes, a preço de caviar pelos indígenas da Lusitânia, que alegremente votam na corja partidária que nos afundou. Os piratas da EDP (Mexia/PSD), Iberdrola (ex-PCP Pina Moura/PS) e quejandos são quem leva carne aos partidos, não se esqueçam!

Mas há algo que todos têm escondido neste escândalo. Chama-se Goldman Sachs.

A dívida acumulada da EDP, de mais de 18 mil milhões de euros, foi basicamente importada dos Estados Unidos, via Goldman Sachs, com a colaboração criminosa de José Sócrates e António Mexia, dois expoentes máximos da falência do país.

Imagino que o Moedas ('ex' diz ele, mas eu não acredito) da Goldman Sachs dorme com o Passos de Coelho e com o Portas para impedir que isto se saiba, e sobretudo para garantir que o roubo em curso prossiga.

Ora aqui está um assunto para o Paulo Morais e o Marinho Pinto estudarem a fundo durante a campanha para as eleições europeias. É simples:

Goldman Sachs > Horizon Wind Energy > EDP > Plano Nacional de Barragens > Governo PS, com encaixe antecipado de umas centenas de milhões de euros para o Pinóquio fazer figura de forte perante os indígenas, e continuar a tomar o pequeno almoço no Ritz > e finalmente  rendas excessivas, como educadamente lhes chamou a Troika.

Não nos esqueçamos que por causa deste roubo a corja partidária do governo despediu um secretário de estado e um ministro, sem um ai que fosse do rato de Sacristia que puseram a palrar em nome do PS.

Basta ver bem este sítio da EDPR Wind Farms para percebermos de onde vem o aumento da fatura de eletricidade que os portugueses pagam.


ÚLTIMA HORA (11 maio 2014)

EDP cortou eletricidade a 285 mil famílias em 2013
Jornal de Notícias, 11-05-2014, 12:26 WET

A EDP cortou, no ano passado, o abastecimento de eletricidade a 285 mil famílias que não pagaram a conta da luz, cerca de 5% do total de clientes da empresa. O processo de corte por incumprimento de pagamento é um procedimento "de último recurso".

O número de cortes por falta de pagamento manteve-se "estável" nos primeiros nove meses do ano passado, face ao mesmo período de 2012, representando cerca de 5% dos 5,7 milhões de contratos de abastecimento com a EDP, disse à Lusa fonte da elétrica.
Se a este número somarmos os fornecimentos suspensos das 200 mil pessoas que emigraram nos últimos anos é fácil concluir que o consumo de electricidade vai continuar a diminuir. Tendo, por outro lado, em conta os próximos aumentos do preço escandaloso da electricidade, o número de famílias sem luz irá ainda aumentar. É uma questão de tempo.

Há duas maneiras de dar a volta a este problema dramático:
  1. garantir o acesso doméstico quase 'gratuito' à água, luz e gás, para consumos mínimos per capita, a apurar, tal como temos, por exemplo, o acesso 'gratuito' às estradas e caminhos públicos convencionais (na realidade, trata-se de uma redefinição de prioridades do Orçamento de Estado); ou 
  2. forçar o oligopólio da eletricidade a baixar os preços do serviço que prestam, ao mesmo tempo que se retiram das faturas da EDP, Galp, Endesa, Iberdrola, etc., as taxas e os custos abusivos que lá vêm incluídos todos os meses, como, por exemplo, a indecorosa taxa da RTP-RDP, os CIEG, etc.
E por fim, parar imediatamente a construção das novas barragens.
Atualizado: 11-05-2014 22:24 WET

sábado, maio 03, 2014

Portugal, Japão, BRICS e CPLP

Tóquio, 2005 © ACP/OAM

Duas novas realidades a ter em conta: BRICS e CPLP


Enquanto pende a ameaça de extinção económica, demográfica e radioativa sobre o Japão, a Índia (1) emerge como terceira economia mundial, depois dos EUA e da China.

Japão quer ter estatuto de observador na CPLP
Portugal Digital, Redação, 03/05/2014 12:00

Lisboa - O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, expressou esta sexta-feira, durante a sua primeira visita oficial a Portugal, o interesse do Japão de se tornar membro observador da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Segundo uma declaração do primeiro-ministro luso, Pedro Passos Coelho, Portugal manifestou o seu apoio a esta pretensão.

O interesse japonês em adquirir o estatuto de observador na CPLP está associado à ambição do Japão de aprofundar as parcerias com países de expressão portuguesa que estão a ampliar a sua presença em África e na América Latina.

Embora a maior economia mundial e a terceira união demográfica do planeta se chame União Europeia, a verdade é que este gigante sem cabeça e patas de barro ainda não pode ser levadao totalmente a sério. E assim sendo, cada um por si. Ou seja, Portugal só pode salvar-se dos vários naufrágios que ocorrem a cada dia que passa se pensar pela sua própria cabeça, se se lembrar da sua história, se ouvir o coração e se sonhar. Depois de colocarmos as contas públicas em dia, depois de libertarmos a economia e a sociedade da canga burocrática e rentista que tem corrompido e atrofiado o país, precisaremos de reforçar a nossa condição europeísta alargando, sem pedir licença a ninguém, os horizontes estratégicos que nos são mais favoráveis, e mais favoráveis são, também, à Europa.

Há uma realidade que se consolida a cada ano que passa. Chama-se BRICS (2).

Quando os BRICS tiverem o seu banco de desenvolvimento comum e o seu mecanismo de segurança financeira montados, equivalentes ao Banco Mundial e ao FMI, possivelmente assentes numa zona monetária comum, formada por um cesto de moedas orientais, muita coisa poderá mudar neste mundo a caminho de uma nova era de crescimento mais digital e cultural do que carnívoro e estupidamente consumista.

A crise na Ucrânia, criada pelos EUA, destina-se, antes de mais, a impedir estes desenvolvimentos.

Os belicistas falidos de Washington querem uma nova guerra na Europa e um pretexto para isolar a China das suas fontes de abastecimento energético, tal como fizeram na década de 1940 ao Japão, estendendo assim a II Guerra Mundial ao Pacífico e experimentando nesta carnificina a primeira selvajaria nuclear da História, da qual nunca pediram desculpa, creio.

Portugal tem que estar muito atento a estes movimentos REM da diplomacia mundial. Normalmente antecedem choques e ajustamentos violentos das placas tectónicas da geoestratégia.

Há, porém, uma realidade que desponta no horizonte e que não deixa de ser surpreendente e interessante ao mesmo tempo. Chama-se língua portuguesa. No centro topológico dessa língua existe uma nação antiga, que foi império e escudo durante séculos, pequenina, cristã à sua maneira pagã, relativista, tolerante, europeia, mas sobretudo pragmática e peripatética. Será esta conjunção o cisne branco porque todos esperamos para travar o passo aos cisnes negros da fragilidade e tragédia que ameaçam esmagar de novo a humanidade? Não sabemos, mas desde os Templários que se ouvem vozes sobre este nariz e esta praia da Europa. 


NOTAS
  1. India became 3rd-largest economy in 2011 from 10th in 2005: World Bank
    Lalit K Jha, Washington, Last Updated: April 30, 2014  | 13:00 IST. Business Today

    In a matter of six years, India emerged as the world's third-largest economy in 2011 from being the 10th largest in 2005, moving ahead of Japan, while the US remained the largest economy closely followed by China, latest figures have revealed.

    "The economies of Japan and the UK became smaller relative to the US, while Germany increased slightly and France and Italy remained the same," according to data released on Wednesday by the International Comparison Program (ICP), hosted by the Development Data Group at the World Bank Group.

    The Developing India-China Maritime Dynamic
    By Abhijit Singh, May 01, 2014. The Diplomat

    During the 17th round of Special Representative Talks in February this year, India seemed open to the possibility of joining the Maritime Silk Route – a grand maritime project proposed by Beijing that promises connectivity, infrastructure, and commercial development. Reportedly, while the Indian interlocutor didn’t overtly display enthusiasm for the proposal, he wasn’t unfavorably disposed to the suggestion either. India’s contingent optimism about the MSR – however qualified – could, in fact, be construed from its willingness to engage in a structured maritime dialogue with China.
  2. Un objectif : EuroBRICS
    Jean-Paul Baquiast, 21/04/2014 - Defensa

    Les pays du BRICS ont annoncé récemment qu'ils entendaient mettre en place dans les prochains mois l'équivalent du FMI et de la Banque mondiale dans le cadre de l'association qu'ils ont décidé de créer entre eux il y a environ un an.

    Il s'agit d'abord de mobiliser des épargnes venant directement des pays concernés, afin de financer des opérations intéressant ces mêmes pays. Il s'agit ensuite d'échapper à l'influence jugée excessive des Etats-Unis au sein du FMI et de la Banque mondiale. Ces organismes imposent aux pays assistés des conditions d'accès aux crédits depuis longtemps jugées non seulement inefficaces mais encore permettant aux pays riches et aux intérêts financiers qu'ils représentent une intrusion illégitime dans la gestion des pays « assistés ».

    Mais les Etats-Unis refusent toute modification du statut des organismes à vocation internationale mis en place à la fin de la seconde guerre mondiale, qui leur assurent un rôle dominant. Ils bataillent en effet depuis quatre ans pour repousser une réforme structurelle qui les priverait d'une partie de leur pouvoir d'influence, notamment le droit de veto constituant l'essentiel de leur pouvoir de décision.

    Selon les informations actuellement diffusées, le fonds de réserve de futur organisme serait disponible dès 2015. La Banque internationale correspondante serait mise en place aussitôt après. Le montant du Fonds serait initialement fixé à 50 milliards de dollars. D'ores et déjà la Chine a proposé de fournir 41 milliards, le Brésil, l'Inde et la Russie 18 milliards chacun, l'Afrique du Sud 5 milliards. Le montant du futur fonds ne serait pas aussi élevé que celui du FMI (370 milliards de dollars) mais initialement le nombre des pays pouvant y prétendre serait moins grand. Dans la perspective de l'établissement d'un monde multipolaire, échappant à la domination jusqu'ici exercée unilatéralement par les Etats-Unis, ce Fonds sera le bienvenu.

    Une participation européenne

    Nous pensons que l'Europe ne devrait pas s'en tenir à l'écart. L'Europe ou tout au moins l'Eurogroupe, par l'intermédiaire de la Banque centrale européenne et de ses fonds d'investissement utilisant l'euro, pourrait offrir une contribution importante au fonds d'investissement des BRICS. Cela ne l'obligerait pas d'ailleurs à se retirer du FMI. La participation européenne serait en euros. Une parité fixe ou flottante pourrait être organisée avec la future unité de change commune qu'étudient par ailleurs les BRICS. Au sein du fonds BRICS, les européens pourraient participer directement au financement de projets intéressant les membres du BRICS ou d'autres pays considérés comme partageant les mêmes préoccupations politiques et économiques. Plus généralement, ils se mettraient en état de négocier avec eux sur des bases solides d'éventuels traités de libre-échange. Ceux-ci équilibreraient utilement le futur Traité de libre-échange transatlantique en cours de négociation.

    Brazil and Germany must lead on free Internet
    Thorsten Benner, DW

    Germany should capitalize on Brazil’s emergence as a key voice for digital rights. The two countries should lead by example and build global coalitions toward an open, free and secure Internet, argues Thorsten Benner.

    South Africa, China In Talks To Build Science And Tech Park
    May 1, 2014 Busayo. Ventures

    VENTURES AFRICA – South Africa and China are in talks for the establishment of a joint science and technology industrial park that will stimulate high-tech manufacturing industries in the former’s economy.

    China’s deputy Ambassador to South Africa, Yang Yirui said the issue was discussed between China’s Science and Technology Minister Wan Gang and his South African counterpart, Derek Hanekom in February while the former attended the first meeting of BRICS (an acronym for an association of five major emerging national economies: Brazil, Russia, India, China and South Africa) science and technology ministers.

sexta-feira, maio 02, 2014

Portugal-Angola: a simbiose vai bem, obrigado!

Isabel dos Santos, a primeira bilionária africana.

A América e o Reino Unido estão falidos, Angola e Macau (China), não.


Isabel dos Santos negoceia participação de Amorim no BIC
— Empresária angolana quer comprar 25% do capital e assim passar a controlar metade do banco que comprou o nacionalizado BPN, noticia o "Diário Económico". Jornal de Negócios, 2/5/2014

Cresce a simbiose entre Portugal e Angola. Como todos os processos biológicos tem zonas claras e bonitas e zonas escuras e sujas.

Sejamos pragmáticos: Angola tem ajudado Portugal, e Portugal tem ajudado Angola.

Os inimigos principais desta simbiose, ou são neocons americanos, ou são amigos de Mário Soares.

A bonita Isabel dos Santos, primeira bilionária africana, é filha do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, por sua vez filho da mestiçagem que Portugal promoveu por onde andou desde 1415.

Mas Isabel dos Santos é também filha de uma azeri do tempo em que o Azerbeijão era uma das repúblicas da URSS.

Mais uma razão para nos distanciarmos das ações belicistas e provocatórias da NATO.

O futuro de Portugal não é a decadente América de Bush e Obama, mas a Eurásia, o Brasil e África.

E a mais velha aliança do mundo?

A aliança com a Inglaterra mantem-se. Se a Inglaterra for atacada e pedir ajuda a Portugal, como Churchill fez ao invocar a mais velha aliança entre países independentes que existe no planeta solicitando a instalação de uma base militar em Santa Maria, tê-la-à. Se Portugal for atacado, e pedir ajuda à Inglaterra, contaremos com ela.

A NATO, de que fazemos naturalmente parte, é um campeonato diferente, no qual devemos ter a maior cautela, não comprometendo as nossas amizades transcontinentais, que vão da China e Japão ao Brasil, passando pela Rússia, Venezuela, Angola e Moçambique, entre outros países charneira da crise global em curso.

Por outro lado, sendo Portugal parte da UE e do euro, devemos velar pelos interesses desta união contra quem quer que conspire conta ela.

Portugal, pela sua geografia e dimensão, pelas suas amizades, pela sua história, deveria posicionar-se como um dos principais intermediários diplomáticos mundiais, rejeitando liminarmente participar em ações de guerra, limitando-se, pois, a integrar missões de paz e auxílio humanitário.

quinta-feira, maio 01, 2014

TAP privatizada só em 2016

TAP terá que ser privatizada em breve...

 

TAP sem capital, ou seja, sem privatização, não pode crescer


Pelas minhas contas os doze Airbus A350-800/900 encomendados por Fernando Pinto custarão qualquer coisa como três mil milhões de euros. A TAP não os tem. O BES que com o Credit Suisse gere e avaliza a operação financeira correspondente, está na situação que se sabe e suspeita. O governo, depois de maio, apesar da famosa 'saída limpa' vai continuar sob vigilância apertada. Os bancos como o BES vão estar sob vigilância redobrada por parte do Banco de Portugal, mas sobretudo do BCE. A economia mundial vai entrar em prolongado período de crescimento zero. A deflação já chegou e é pessima para os sobre endividados, públicos e privados, que verão os juros das suas dívidas crescerem mais depressa do que os preços dos bens e serviços. Ou seja, de onde virá a massa para pagar os doze Airbus A350-800/900, cujo primeiro exemplar deveria chegar à Portela ainda este ano?

Numa entrevista dada recentemente por Fernando Pinto ao Económico, que confirma dados parciais enviados pela empresa à comunicação social, ficámos a saber que a empresa tem tido lucros operacionais desde 2009, que a empresa de manutenção sediada no Brasil tem vindo a recuperar a bom rtimo, abatendo a sua descomunal dívida, que afinal a compra da PGA foi um caso de sucesso, e que, em suma, a TAP precisa de crescer, tem todas as condições para crescer mas, para que isso aconteça, precisa de capital — o que não vê possível sem a privatização da empresa.

Estranho a falta de publicação do Relatório e Contas de 2013, e o modo manhoso como a empresa filtrou alguma informação parcial para a imprensa, através da sua agência de comunicação e propaganda. Suspeito que haja rabos de palha por conhecer. Seja como for, uma coisa é certa: o primeiro Airbus da dúzia encomendada ainda não chegou. E fica a pergunta: chegará antes de haver comprador para a TAP, e portanto antes de o processo de privatização recomeçar?

Diz quem sabe, que o gaúcho Fernando Pinto, há 14 anos a dirigir a TAP, dotou a empresa de um capital indiscutível: fazer de Lisboa-Porto o hub aeroportuário da ligação Brasil-Europa. Falhou, pensamos nós, ao não ter respondido a tempo ao desafio das Low Cost, e sobretudo na compra da VEM, hoje TAP Maintenance and Engineering. Defende a PGA, que diz ser um caso de sucesso. E afirma que a TAP continuará a crescer até 2016 a bom ritmo.

Quererá esta previsão dizer que a privatização será adiada até 2016? Estará à espera do regresso dos piratas do PS?

Concordo com Rocard e Delors: Inglaterra, rua!

Michel Rocard, ex-PM francês, 'socialiste'.

David Cameron deveria ser consequente e referendar a presença da Inglaterra na União Europeia.


"Grã-Bretanha devia sair da União Europeia", defende ex-primeiro-ministro francês

Michel Rocard acusa Reino Unido de estar a dar cabo da UE e diz que os britânicos querem sair mas a elite do país não permite.

O Reino Unido é o poodle da América. Todos o sabemos.

A City londrina e as ilhas piratas da coroa britânica têm sido até agora o principal centro da pirataria financeira mundial. Todos o sabemos.

Os Estados Unidos e a Inglaterra tentaram por todos os meios destruir o euro ao longo da última década, felizmente sem qualquer êxito. Todos o sabemos.

Logo, a UE deve convidar a Inglaterra a fazer um downgrade na sua ligação institucional à União Europeia. E deve avançar, quanto antes, nos processos de fortalecimento subsequentes à moeda única:
  1. união bancária europeia, 
  2. salário mínimo europeu, 
  3. harmonização do sistema fiscal europeu, 
  4. reforço do mercado interno da comunidade europeia face às práticas de dumping social, comércio injusto, falsificação de produtos e fraude sistémica que prejudicaram e prejudicam gravemente a economia europeia,
  5. adoção de uma diplomacia externa coerente e sem hesitações, que passe, nomeadamente por um tratado de defesa e cooperação com a Rússia, sem abandonar as alianças e a cooperação privilegiadas com os países atlânticos e a África,
  6. organização urgente de um sistema comum de forças de segurança e militares, com um dissuasor nuclear europeu claramente assumido, completamente independente da NATO, a qual deve ser abandonada na sua configuração atual, imperialista, belicista e completamente ao serviço das angústias estratégicas dos Estados Unidos e do seu cão de fila, ou melhor dito, caniche inglês. 
As simple as that!

É uma pena que a elite indígena do meu país esteja cada vez mais inclinada a voltar aos velhos tempos da oligarquia obscurantista e do fascismo. Engana-se, porém, nos seus cálculos egoístas. Abandonar o trilho da Europa poderá ser o gatilho de uma nova guerra civil em Portugal e da sua divisão ao meio. O Norte não tolerará, por muito mais tempo, os chulos de Lisboa — que raramente são lisboetas, entenda-se —basta pensar nas criaturas abranhescas Aníbal Cavaco Silva, José Manuel Durão Barroso, Assunção Esteves, Pedro Passos Coelho, José Sócrates, Armando Vara, Jorge Coelho, ou Almeida Santos, para percebermos que o problema nada tem que ver com os alfacinhas!

É uma pena que o Partido Comunista, apesar da renovação em curso, não consiga evoluir para um tipo de formação partidária mais realista, com vocação de poder, claramente europeísta e claramente alinhada com os partidos ecologistas europeus e mundiais. Tem o principal: o seu forte enraizamento local e a disciplina militante. Falta-lhe fazer um retiro espiritual e rasgar a liturgia marxista-leninista.

O resto do sistema partidário irá implodir nos próximos dez anos.

i online:
A França está a perder a paciência para as incertezas desestabilizadoras da Grã-Bretanha quanto ao seu papel no projecto de integração europeu. Sinal disso é o número crescente de personalidades que defendem que o melhor seria a grande ilha descolar dos restantes 27 países da União.

[...]

"A Grã-Bretanha é um grande país que sempre se recusou a permitir que a Europa interferisse nos seus assuntos. Bloqueou o esforço de maior integração", disse o ex-dirigente ao "Trombinoscope", uma revista parlamentar francesa.

"Se eles saírem, torna-se possível dar resposta às necessidades de governação europeia. Até a Alemanha se apercebe disto e tem-no exigido. Eu anseio por que aconteça porque eles impediram-na [a UE] de se desenvolver, mataram-na", acusa Rocard.

Aos 83 anos, o socialista diz que ficou claro que "o povo britânico quer deixar a Europa" e apenas está a ser impedido de deixar a UE pelas classes política e financeira do país. "As elites britânicas têm medo do isolamento que isso pode provocar, e que este possa enfraquecer" o principal centro financeiro da Europa [Londres], esclareceu.

As declarações de Rocard ecoam outras feitas por Jacques Delors, o antigo presidente socialista da Comissão Europeia, que em 2012 também apelou ao Reino Unido para que deixasse a UE. O homem que é tido como o arquitecto da UE moderna e do euro, rompeu com a cautela típica dos líderes europeus num esforço para oferecer à Grã-Bretanha uma saída. "Os britânicos estão apenas preocupados com os seus próprios interesses económicos, e nada mais. Devia ser--lhes oferecida uma forma diferente de parceria", disse Delors ao "Handelsblatt", um jornal económico alemão. "Se os britânicos não querem um nível maior de integração na Europa, podemos mesmo assim ser amigos, mas numa base diferente. Consigo vislumbrar uma alternativa que mantenha a abertura no acesso ao espaço económico europeu ou um acordo de livre comércio", adiantou.

A França reagiu mal às exigências feitas pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, de que alguns poderes atribuídos a Bruxelas fossem devolvidos aos parlamentos nacionais e de que a promessa de uma "união cada vez mais estreita" fosse retirada dos tratados da UE. Segundo fontes diplomáticas, Paris está farto das ameaças de Cameron de que se não houver uma reforma "a bifurcação dos caminhos se torna inevitável".