sexta-feira, março 30, 2018

Os criminosos

A banca transformou-se numa espécie de casino de criminosos


Os criminosos e as suas propriedades


Estado empresta 5,8 mil milhões para Banif, BES e Novo Banco 
DN, 30/3/ 2018, 01:33 
Os bancos portugueses contribuíram com mais de mil milhões de euros para o Fundo de Resolução em cinco anos. Mas o dinheiro colocado pelas instituições financeiras está longe de ser suficiente para assegurar as responsabilidades assumidas com os colapsos do BES, do Banif e com a venda do Novo Banco. E tem sido o Estado a entrar com a maior parte do dinheiro necessário para a entidade que paga os custos com resoluções. O Tesouro assumiu já compromissos de 5800 milhões, entre empréstimos, garantias e linhas de crédito.

Os criminosos e as suas propriedades é um título certeiro do saudoso pintor e escritor Álvaro Lapa, cuja retrospetiva comissariada por Miguel von Haffe Pérez no Museu de Serralves é de visita obrigatória.

A banca —70% da qual já não obedece a portugueses— e a partidocracia indígenas são uma associação de criminosos, cujo crime maior é a preparação do país para a sua entrega completa aos investidores/credores internacionais (1): China, Turquia, França, Espanha, USA, Irlanda, Qatar, etc. Em breve, porém, o problema da independência de Portugal regressará com um furioso e imparável bang! Só não consigo imaginar o que restará da próxima guerra civil portuguesa.

As empresas estratégicas, da energia (EDP/CHINA), incluindo a rede elétrica (REN/China), os aeroportos (Vinci/Qatar/França), todos os principais portos portugueses (Sines/China; Leixões/Turquia, Aveiro/Turquia, Figueira da Foz/Turquia, Lisboa/Turquia, Setúbal/ Turquia), autoestradas, seguradoras, hospitais, aviões (a falida TAP, só subsidiada consegue voar), e em breve a decadente e também falida ferrovia já não dependem da nossa vontade, nem dos nossos interesses.

Quando o Governo fala de resultados da economia nacional, fala realmente de quê e de quem? Quando a próxima bancarrota vier, que teremos para dar pelas dívidas que a canalha estimulou ou contraíu?

Mas se os principais setores estratégicos do país já não nos pertencem, outrotanto está agora a suceder ao pequeno capital e aos pequenos proprietários urbanos e rurais. Um século de congelamento das rendas urbanas conduziu à fragilidade económica e financeira extrema dos proprietários urbanos, tendo como resultado a completa impotência do país (proprietários, inquilinos e Estado!) face à gentrificação furiosa do eixo Lisboa-Cascais e do Porto. Algo semelhante ocorre também, e em breve atingirá velocidade de cruzeiro, nas propriedades rústicas, a começar, desde logo, pelo setor florestal. Sem qualquer estratégia para a propriedade rústica, salvo manter os privilégios de Lisboa aos latifundiários alentejanos do costume, e promover a usura da terra e da água com tecnologias agropecuárias e florestais intensivas, a expropriação progressiva dos pequenos e médios proprietários, e a expulsão das populações rurais que restam, está em curso. O país é cada vez mais apetecível, menos para os indígenas que o devoram e estragam.

Isto já não vai lá com partidos.

É praticamente impossível salvar a nossa paisagem partidária do seu rápido declínio, em grande medida causado pela estupidez oceânica dos seus protagonistas, e pela ganância e corrupção das elites burocráticas e rentistas que tomaram o regime de assalto.

Precisamos de pensar e desenvolver uma nova cartografia social e política, começando (é uma ideia que tenho vindo a desenvolver) por pensar, desenhar e escrever os algoritmos dos mapas democráticos que poderão ajudar ao renascimento da democracia e da liberdade, que neste momento mais não são que palavas. E palavras leva-as o vento!

POST SCRIPTUM — a falta de capital indígena é a principal causa do descalabro em curso. Falta indagar o que nos trouxe até aqui. Os investimentos da China e de Angola, ou ainda da Turquia, ou dos países árabes são bem-vindos desde que sirvam uma estratégia de real diversificação equilibrada da nossa dependência do capital global. Mas não é isto que tem vindo a ocorrer. Estamos a entregar setores estratégicos inteiros a governos que não sabemos se um dia destes não entrarão em guerra comercial com a Europa. Percebe-se que a China, a Rússia, a Turquia e o Irão estejam interessados em virar o sul da Europa contra o Norte. Mas será do nosso interesse cair nesta armadilha? O desespero nascido da indigência económica, financeira e orçamental, e da corrupção, nunca foi bom conselheiro.

NOTAS
  1. A promiscuidade entre políticos, banqueiros, franciscanos (!) e governos estrangeiros é completa e desavergonhada.
Observador: A negociação com os chineses da CEFC – China Energy Company Limited para investirem no Montepio Seguros começou na apresentação de uma proposta por parte do gabinete do primeiro-ministro, revela o Público na sua edição de hoje, a partir de informação que ficou registada em ata da Associação Mutualista Montepio Geral. 
A proposta chinesa encaminhada pelo gabinete de António Costa, com o objetivo de “encetar conversações” com vista “a desenvolver parcerias nas áreas dos seguros e da banca”. Uma intenção que acabou por se concretizar, após reunião da associação mutualista no passado mês de setembro, com o acordo de venda de 60% da Montepio Seguros ao grupo chinês. Está tudo na ata 187 da reunião do Conselho Geral do Montepio – Associação Mutualista. 
— in Montepio. Proposta de investidor chinês chegou via Governo, Observador
Entretanto, o Gabinete de António Costa desmentiu... a "manchete" do Público. Em que ficamos? Investigue-se! 

Atualizado em 6/4/2018 11:26

segunda-feira, março 26, 2018

Geringonça de Orwell?

SATA International, Airbus A310-325/ET, Lajes, Terceira, novembro 2009.
Foto @ Paulo Santos

Um Governo de aldrabões


A cleptocracia lusitana parece gozar da proteção de todo o sistema partidário. Temos, assim, um país visceralmente falido e corrupto que se entrega de mão beijada aos estrangeiros de ano para ano. Um dia destes haverá rebelião, ou mesmo um novo golpe de estado militar em Portugal. A paz podre em que estamos só depende, neste momento, da União Europeia. Se esta colapsar perante as pressões nacionalistas, regionais e imperiais que voltam a fervilhar um pouco por todo a Europa, Médio Oriente, Eurásia e no Pacífico, estaremos em breve a um passo de perder, pela segunda vez na nossa História, a independência. É para isto que nos temos que preparar. Escolher entre bons e maus ladrões não resolve nada.


SATA à venda


Entre 2007 e 2015, durante a governação cor-de-rosa de José Sócrates, a dívida da SATA passou de 5 para 250 milhões de euros. Basta escrever SATA na janela de pesquisa deste blogue para constatar desde quando vimos avisando para o que aí vinha.

Sharp Power

Vladimir Putin e Xi Jinping em Moscovo, julho 2017.


Por onde passará o Tordesilhas 2.0?


Vem aí um novo debate. Chama-se Sharp Power. Por onde passará a próxima fronteira entre o Ocidente e o Oriente? Se fosse por Portugal, onde a penetração chinesa é já muito apreciável, se não mesmo exagerada, tal significaria a capitulação de toda a Europa ao novo e cada vez mais indisfarçável despotismo asiático. Infelizmente, Rússia e China caminham rapidamente em direção ao passado, e o perigo que desta regressão começa a emergir é cada vez mais preocupante. O debate ideológico sobre a democracia, sobre a transparência e a prevalência do estado de direito, e fundamentalmente sobre a liberdade individual e coletiva regressa, pois, quando todos pensávamos que as ditaduras socialistas tinham desaparecido. Não desapareceram. Estão mesmo a ressuscitar com grande cinismo e arrogância.

O recente escândalo da captura do Facebook, por parte da muito obscura Cambridge Analytica, para a manipulação do eleitorado americano durante a eleição que daria a vitória a Donald Trump, vem certamente justificar os alertas que o bem conhecido think tank da inteligência estratégica dos Estados Unidos—Council on Foreign Relations— tem vindo a lançar desde dezembro de 2017.

How Sharp Power Threatens Soft Power
The Right and Wrong Ways to Respond to Authoritarian Influence
By Joseph S. Nye Jr.
in Foreign Affairs/ Council on Foreign Relations
January 24, 2018


Washington has been wrestling with a new term that describes an old threat. “Sharp power,” as coined by Christopher Walker and Jessica Ludwig of the National Endowment for Democracy (writing for ForeignAffairs.com and in a longer report), refers to the information warfare being waged by today’s authoritarian powers, particularly China and Russia. Over the past decade, Beijing and Moscow have spent tens of billions of dollars to shape public perceptions and behavior around the world—using tools new and old that exploit the asymmetry of openness between their own restrictive systems and democratic societies. The effects are global, but in the United States, concern has focused on Russian interference in the 2016 presidential election and on Chinese efforts to control discussion of sensitive topics in American publications, movies, and classrooms.

(...)

In international politics, soft power (a term I first used in a 1990 book) is the ability to affect others by attraction and persuasion rather than through the hard power of coercion and payment. Soft power is rarely sufficient on its own. But when coupled with hard power, it is a force multiplier. That combination, though hardly new (the Roman Empire rested on both the strength of Rome’s legions and the attractions of Rome’s civilization), has been particularly central to U.S. leadership. Power depends on whose army wins, but it also depends on whose story wins. A strong narrative is a source of power.

(...)

But if sharp power has disrupted Western democratic processes and tarnished the brand of democratic countries, it has done little to enhance the soft power of its perpetrators—and in some cases it has done the opposite. For Russia, which is focused on playing a spoiler role in international politics, that could be an acceptable cost. China, however, has other aims that require the soft power of attraction as well as the coercive sharp power of disruption and censorship. These two goals are hard to combine. In Australia, for example, public approval of China was growing, until increasingly alarming accounts of its use of sharp power tools, including meddling in Australian politics, set it back considerably. Overall, China spends $10 billion a year on its soft power instruments, according to George Washington University’s David Shambaugh, but it has gotten minimal return on its investment. The “Soft Power 30” index ranks China 25th (and Russia 26th) out of 30 countries assessed.

(...)

In public diplomacy, when Moscow’s RT or Beijing’s Xinhua broadcasts openly in other countries, it is employing soft power, which should be accepted even if the message is unwelcome. When China Radio International covertly backs radio stations in other countries, that crosses the line into sharp power, which should be exposed. Without proper disclosure, the principle of voluntarism has been breached. (The distinction applies to U.S. diplomacy as well: during the Cold War, secret funding for anticommunist parties in the 1948 Italian election and the CIA’s covert support to the Congress for Cultural Freedom were examples of sharp power, not soft power.)

Today’s information environment introduces additional complications. In the 1960s, the broadcaster Edward R. Murrow noted that the most important part of international communications was not the ten thousand miles of electronics, but the final three feet of personal contact. But what does that mean in a world of social media? “Friends” are a click away, and fake friends are easy to fabricate; they can propagate fake news generated by paid trolls and mechanical bots. Discerning the dividing line between soft and sharp power online has become a task not only for governments and the press but also for the private sector.

As democracies respond to sharp power, they have to be careful not to overreact, so as not to undercut their own soft power by following the advice of those who advocate competing with sharp power on the authoritarian model. Much of this soft power comes from civil societies—in the case of Washington, Hollywood, universities, and foundations more than official public diplomacy efforts—and closing down access or ending openness would waste this crucial asset. Authoritarian countries such as China and Russia have trouble generating their own soft power precisely because of their unwillingness to free the vast talents of their civil societies.

Moreover, shutting down legitimate Chinese and Russian soft power tools can be counterproductive. Like any form of power, soft power is often used for competitive zero-sum purposes, but it can also have positive-sum effects. For example, if China and the United States wish to avoid conflict, exchange programs that increase American attraction to China, and vice versa, can be good for both countries. And on transnational challenges such as climate change, soft power can help build the trust and networks that make cooperation possible. Yet as much as it would be a mistake to prohibit Chinese soft power efforts simply because they sometimes shade into sharp power, it is important to monitor the dividing line carefully. Take the 500 Confucius Institutes and 1,000 Confucius classrooms that China supports in universities and schools around the world to teach Chinese language and culture. Government backing does not mean they are necessarily a sharp power threat. The BBC also gets government backing but is independent enough to remain a credible soft power instrument. Only when a Confucius Institute crosses the line and tries to infringe on academic freedom (as has occurred in some instances) should it be treated as sharp power.

To respond to the threat, democracies should be careful about offensive actions. Information warfare can play a useful tactical role on the battlefield, as in the war against the Islamic State (or ISIS). But it would be a mistake for them to imitate the authoritarians and launch major programs of covert information warfare. Such actions would not stay covert for long and when revealed would undercut soft power.


The Meaning of Sharp Power
How Authoritarian States Project Influence
By Christopher Walker and Jessica Ludwig
in Foreign Affairs/ Council on Foreign Relations
November 16, 2017

Although there are differences in the shape and tone of the Chinese and Russian approaches, both stem from an ideological model that privileges state power over individual liberty and is fundamentally hostile to free expression, open debate, and independent thought.

(...)

Beijing and Moscow have methodically suppressed genuine dissent, smeared or silenced political opponents, inundated their citizens with propagandistic content, and deftly co-opted independent voices and institutions—all while seeking to maintain a deceptive appearance of pluralism, openness, and modernity. Indeed, the dazzling variety of content available to consumers helps disguise the reality that the paramount authorities in these countries brook no dissent. In China’s case, a sophisticated system of online manipulation—which includes a vast, multilayered censorship system and “online content monitors” in government departments and private companies who number in the millions—is designed to suppress and neutralize political speech and collective action, even while encouraging many ordinary people to feel as though they can express themselves on a range of issues they care about.

(...)

As the essays in a forthcoming report by the National Endowment for Democracy’s International Forum for Democratic Studies point out, the authoritarians are not engaged in a form of public diplomacy as democracies would understand it. Instead, they appear to be pursuing more malign objectives, often associated with new forms of outwardly directed censorship and information manipulation.

The serious challenge posed by authoritarian sharp power requires a multidimensional response that includes unmasking Chinese and Russian influence efforts that rely in large part on camouflage—disguising state-directed projects as the work of commercial media or grassroots associations, for example, or using local actors as conduits for foreign propaganda and tools of foreign manipulation. It will also require that the democracies, on the one hand, inoculate themselves against malign authoritarian influence that corrodes democratic institutions and standards and, on the other, take a far more assertive posture on behalf of their own principles.

quinta-feira, março 15, 2018

Rota da Seda vai até Roterdão, Atenas e... Badajoz

Foto: Cargo Revista

Como é óbvio, sem 'interoperabilidade', ou se há 'roturas de carga', por exemplo nas fronteiras entre Portugal e Espanha, os combóios escolhem outras linhas e outros destinos... É por estas e por outras que a corrupta, ou simplesmente estúpida elite indígena, se prepara para transformar Portugal numa ilha ferroviária.

Porto de Roterdão: de gateway a destino final da Nova Rota da Seda? 
Cargo revista, 14 Março, 2018  
O Porto de Roterdão dispensa apresentações, os rankings falam por si: maior porto europeu e um dos maiores à escala mundial. E também o seu papel na cadeia logística global é indiscutível, enquanto gateway (porta de entrada) de mercadorias com origem nos quatro cantos do mundo e destino nos vários países europeus. 
Contudo, uma nova tendência tem emergido no contexto da cadeia logística global: a denominada Nova Rota da Seda, fortemente impulsionada pela iniciativa chinesa Belt and Road, que coloca cada vez mais contentores na ferrovia nos tráfegos entre a Ásia (em particular a China) e a Europa. Ora, neste novo contexto emergente em que a ferrovia está a captar muita carga (cada vez mais!) que seguia habitualmente por navio, o Porto de Roterdão assume menos o papel de gateway e mais o papel de destino final 
«O Porto de Roterdão definitivamente quer ser uma conexão directa na rede ferroviária da Nova Rota da Seda», admite o Director de Logística do enclave holandês, acrescentando que esta «é uma oportunidade para o porto, que quer considerar as suas opções de forma cuidadosa» 
«Para além disso, países de trânsito terão a oportunidade de acrescentar valor ao longo da viagem, por exemplo quando há transbordo da mercadoria para um comboio diferente», acrescenta, concluindo: «Ao longo da viagem, todos têm a oportunidade de ganhar dinheiro. E nós esperamos para comprar os produtos acabados – isto é, pagar».

Mais sobre a ilha ferroviária portuguesa


Miopia ferroviária soma e segue (fev 2015)

Fantasia do Barreiro esconde ilha ferroviária (fev 2015)

Portugal a caminho das Berlengas (dez 2014)

Portugal: ilhéu ferroviário em 2020 (out 2013)

ADFERSIT avista Farilhões (jun 2013)

Greves egoístas (mar 2013)

Berlengas 2.0 (jun 2013)

É a bitola, estúpido! (nov 2012)

TAP, vítima da guerra contra o TGV (nov 2012)

A Berlenga ferroviária (fev 2012)

Novo porto: Barreiro ou Setúbal? (jun 2015)

segunda-feira, março 12, 2018

A minha prenda para Assunção



NOTAS PUBLICADAS NO FACEBOOK NUMA SEMANA LONGE DO COMPUTADOR

No dia da mulher, lembrando um genial gay

Colossus, the machine developed by Alan Turing, and run by an incredibly dedicated team of women, that defeated Hitler's Enigma machines, helping Churchill to win the Atlantic battle, if not the war.

A minha prenda para Assunção

Ouvi Assunção Cristas fazer uma proposta no seu discurso de encerramento do congresso que, pela sua criatividade e ousadia, poderá transformar radicalmente o interior do país, criando uma discriminação tributária positiva. Bastaria montar, sobre uma rede digital terrestre de banda larga, esta 'zona franca do interior', para assistirmos a uma revolução fora dos grandes centros urbanos. Os incentivos fiscais têm que mudar, dos destinatários habituais, para a faixa territorial situada, de norte a sul, a mais de 50km da costa atlântica. Precisamos de criar competitividade fiscal entre o interior e o litoral do país, tal como já existe, nos Açores e na Madeira. Financiar esta reforma estratégica é simples: basta eliminar as milhares de exceções fiscais existentes e discricionariamente concedidas aos parasitas do regime.

Ler a este propósito: Estos son los motivos de la despoblación rural en España (y no es el envejecimiento)

Enquanto o PSD treslê e anda para trás, o CDS caminha. Nem um nem outro são das minhas preferências, mas, neste momento, saúdo o CDS, e desejo que o rio reacionário que inundou o PPD-PSD seque o mais depressa possível. Entretanto, há movimentações na direita não parlamentar que prometem. Democracia 21 é uma delas. O "centro" morreu!

Navio com 116 metros encalha no Bugio


Betanzos, navio espanhol encalhado nas areias do Bugio, Estuário do Tejo
Ainda querem, o PS e o PCP, um porto de águas profundas no Barreiro!!!

Posso redesenhar a cadeira de Salazar?

Os defensores da ditadura do proletariado, perdão, do centralismo de estado, impediram a passagem do abandonado Forte de Santo António da Barra, para a Autarquia. Prefeririam mesmo que o edifício continuasse no estado de latrina e antro de 'xuto' até que apodrecesse literalmente. Assim degeneraram as esquerdas em que há muito deixei de me rever.

Aeroporto da Portela ou palácios de mármore?

Ryanair acusa (indiretamente) António Costa de estar a boicotar a adopção do Montijo, como opção de extensão do Aeroporto de Lisboa, em favor de palácios de mármore, leia-se novo aeroporto da Ota em Alcochete (mais precisamente, em Canha). Costa, como sabemos, quer transformar a Portela num Jardim Chinês. Negócios cor de rosa de Macau que nunca foram objeto de curiosidade da nossa imprensa.

Eurofobia ferroviária

Há uma EUROFOBIA FERROVIÁRIA na Península Ibérica. Em Portugal, esta rejeição do chamado TGV visa transformar o país numa ilha ferroviária, a bem da corja rentista de sempre (nomeadamente a rodoviária, e a que vive do betão e do asfalto), de possíveis compromissos insondáveis do PS, e ainda dos nichos autárquicos e sindicais do PCP.

Ler a este propósito: Oblanca (Foro) alerta de la existencia de un lobby contra el ancho ferroviario internacional

TGV: o governo anda baralhado, ou talvez não

Email amigo: "...curiosamente, na semana passada, uma pessoa chegada ao partido do governo veio-me dizer que tinha ouvido uma cópia audio da minha intervenção na ordem dos engenheiros e que estava completamente de acordo com ela. E afirmava que o culpado de não se ter avançado com a alta velocidade em Portugal era do Passos Coelho e do Sérgio Monteiro, mas que o PS pretendia corrigir isso. E também me disse que a obra do Elvas-Caia ainda não tinha sido adjudicada, e que pretendiam que ela fosse a parte inicial do Poceirão-Caia, como acordado nos acordos da Figueira da Foz." Mas depois inundaram a comunicação social com histórias e declarações contraditórias. Devem ter recebido um telefonema do Jorge, ou de Macau, a lembrar...

Só a TAP continua cega, surda e otimista

BA e Iberia, do grupo IAG, preparam novos planos de austeridade e eficiência. Só a TAP continua nas nuvens, e à boleia das borlas do Novo Banco, que nós vamos pagar com língua de pau. Apesar de tecnicamente falida, e da perda contínua de mercado para as Low Cost, Costa, Lacerda, Coelho e Companhia continuam a conspirar perdão, a suspirar, por um novo aeroporto em Alcochete (Canha).

Turcos em Alcântara

Chineses, árabes, turcos, angolanos; os setores estratégicos do país estão cada vez menos democráticos; e os setores ainda democráticos estão cada vez mais falidos.

Saúde e corrupção

A corrupção no setor da saúde é uma pandemia que fere sobretudo os direitos de quem o sustenta a Pão de Ló: os seus utentes e contribuintes. Este é um dos setores onde as novas tecnologias da medicina, a informática social e os robôs poderão dar um enorme contributo para sustar uma hemorragia que parece não ter limites, nem fim à vista.

O Banco de Portugal não sabe de há-de, ou não, promover a especulação financeira

Depósitos estruturados são fichas de casino. Jogue, mas se perder, não me venha pedir batatinhas!

O buraco do Novo Banco continua a aumentar

Onde pára o fundo de pensões do ex-BES?

Esqueçam os sindicatos, reformem o sistema bancário de cima a baixo!

Os balcões bancários são cada vez menos necessários. Aliás, o próprio negócio bancário está ameaçado em várias das suas frentes, nomeadamente pela desmaterialização dos processos e pela computação inteligente das negociações, transações e avaliações de risco. A solução, antes que o pior ocorra, é concentrar o negócio e racionalizar as economias de escala. Quanto menos tempo e energia empatarmos com os sindicatos, e melhor estudarmos a evolução do dinheiro e dos mercados financeiros, por exemplo olhando seriamente para fenómenos emergentes como o Rendimento Básico Incondicional e a descentralização e desintermediação financeira e monetária associadas às criptomoedas, melhor será para todos, a começar pelos trabalhadores que assistem neste momento à extinção penosa das suas profissões.

Alentejo, queimar a terra com água?

Uma nova formiga branca invade o Alentejo. Chama-se agricultura e agropecuária de regadio intensivo. Um desastre anunciado, com a colaboração ativa de todo o regime partido-parasitário que temos.

A EDIA compra água caríssima à EDP, dona do Alqueva, e vende-a com desconto (pago por todos nós!) aos latifundiários alentejanos. Nas barbas do declinante PCP. Lindo!

A destruição dos CTT

A destruição dos CTT começou no dia em que a cavaquista Manuela Ferreira Leite lhes expropriou o respetivo fundo de pensões, já então para acudir ao descontrolo da dívida pública. A receita pegou, e foi um ver se te avias, rosa e laranja: fundos de pensões do BCP, PT, etc.; e ainda o fundo de reserva da Segurança Social, foram parar às ditas contas públicas; até que, por fim, já só restou a opção de levar a banca indígena à glória, enchendo-a de buracos de liquidez, crédito mal parado e imparidades. Os restos de tamanho saque, levado a cabo por partidos parlamentares e os rentistas do costume, desaguaram a preço de saldo nos bolsos dos especuladores internacionais. Poderia ser doutro modo? Corre um rio de lágrimas crocodilo.

100% com Ana Gomes

Apoio 100% Ana Gomes nesta sua corajosa iniciativa. Os asquenazes, ao contrário do que afirmam, são uma minoria judaica (pouco mais de 10 milhões, contra 2,2 milhões de sefarditas, mas cujos descendentes ultrapassarão bem os 10 milhões). Por sua vez, os extremistas que dominam Israel e o seu lóbi americano, são uma minoria criminosa entre os asquenazes. Há que travar esta corja de radicais fundamentalistas. Não foram estes que Hitler e Estaline massacraram.

Apoio Ana Gomes contra a cobardia típica da União Europeia em lidar com temas difíceis, mas cruciais à sua credibilidade enquanto arauto da democracia e dos direitos humanos.

Leiam, por favor, este testemunho sobre o Estado semita de Israel: "The Pianist" Of Palestine - by Omar Barghouti).

Intolerável. Convém, desde já, explicar que os fundamentalistas judeus que dominam Israel pertencem, na sua esmagadora maioria às tribos semitas do Leste, sucessivamente expulsas do antigo império russo decadente nos finais do século 19, princípios do século 20. A maioria dos judeus, os sefarditas, nunca se reviram, nem toleram esta violência de sinal contrário à idelogia nazi, mas seguindo-lhe perigosamente os passos.

Brasil: Cachoeira Porteira

Quilombo.

Fomos um país de elites negreiras, e em certa medida continuamos a sê-lo. As cicatrizes continuam vivas, apesar do silêncio barroco das mesmas, para quem o trabalho sempre foi e continua a ser visto como ' bom pro preto', ou para os 'galegos'. Viver de rendas e da exploração do trabalho dos 'outros', protegida por uma burocracia mal paga e propensa à corrupção, paquidérmica e subserviente, permanece o figurino de um país a caminho de um desastre irreparável. A geração de capital estagnou, 'progredimos' à custa do consumo, e portanto do endividamento público e privado, interno e externo. Basta olhar para os créditos mal parados. O setor financeiro, mas também os setores estratégicos do país têm sido entregues, por insolvência manifesta, falta de estratégia ou de escala, aos investidores e especuladores chineses, angolanos, turcos, espanhóis, americanos, alemães, árabes e franceses. Em suma, sem negros para traficar, é óbvio que a independência de Portugal depende duma grande revolução, a mesma que Ramalho Ortigão sugere na sua magnífica descrição do povo holandês.

A avó Martina

Sou neto duma brasileira nascida em Belém do Pará, de sangue indígena e alemão. Loira de olhos verdes, ao contrário da sua irmã, de traços bem índios, a Avó Martina, que só conheci em retrato colorido à mão, e pelas descrições da minha Mãe, conserva em mim uma ligação simultaneamente mítica e nostálgica ao Brasil. Que a dura realidade, no entanto, vai quebrando.

Leiam por favor: Their forefathers were enslaved. Now, 400 years later, their children will be landowners

Imprensa?

Uma imprensa falida não serve a democracia. O modelo da comunicação e informação entre os humanos e as suas máquinas mudou e vai mudar ainda mais radicalmente nos próximos anos (projeto Civil). O press wash, o art wash e o green wash foram chão que deu uvas. Neste momento quem detém os 180 milhões de dívidas, de duvidosa cobrança, assumidas pelo grupo Impresa tem que se despachar na busca de soluções, que em caso algum virão da imaginação do herdeiro de FPB.


segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Depois desta crise—2

A nossa frota automóvel, sobretudo de mercadorias, vai passar por uma transformação radical.

“A Idade da Pedra não chegou ao fim por falta de pedra, tal como a era do petróleo terminará um dia, mas não por falta de petróleo.” — Sheikh Zaki Yamani, antigo ministro saudita do petróleo.


As conversas à volta do fim do petróleo surgem normalmente contaminadas por vícios vários. Um deles, é confundir o fim do petróleo com o fim do petróleo barato. O petróleo torna-se caro, ou porque a procura excede a oferta, ou porque os custos da sua produção e consumo excedem um certo limiar de rentabilidade económica e ou ambiental a que alguns chamam EROI (Energy Returned On Energy Invested). A maioria dos países importadores de petróleo entra em recessão (1) quando o petróleo se torna demasiado caro, provocando inflação e crises financeiras, especulação e endividamento, e mudanças de governo, ao passo que os países viciados nas suas reservas de petróleo entram invariavelmente em crise quando o preço do barril desce abaixo dum certo limiar, mas também quando este se mantém durante alguns anos em níveis historicamente elevados (2000-2014), induzindo, por um lado, inflação, e por outro, instabilidade política provocada pelas novas exigências sociais e culturais dos povos que observam, nestes períodos de enorme prosperidade petrolífera, o enriquecimento escandaloso das elites que dirigem os seus países, a par da fraca redistribuição da riqueza. Foi este último fenómeno que provocou a chamada Primavera Árabe (2010), mas também a subida de Donald Trump ao poder.

A rentabilidade do 'fracking' é cada vez mais duvidosa, e depende cada vez do endividamento bancário.

Neste momento, parece evidente que o abrandamento da procura global, e a produção americana de petróleo de xisto, são os principais responsáveis pela queda dos preços do crude. Há, porém, outro fator que os mercados de futuros começam a incorporar nos seus cálculos: o início de uma deslocação histórica na composição do chamado mix energético que alimenta a vida dos humanos à face da Terra. Isto é, a corrida às energias eólica e solar, à eficiência energética, aos novos materiais e processos produtivos, à desmaterialização da economia, e sobretudo o cada vez plausível regresso em massa do transporte elétrico!

O fim do ciclo intensivo de petróleo sucederá inevitavelmente aos dois ciclos energéticos que o antecederam: o da madeira e o do carvão. Em qualquer destes três casos, o declínio da respetiva produção e uso deve-se a vários fatores, mas três são estruturais: a novidade, quantidade e qualidade de um novo recurso emergente, e de um novo paradigma de crescimento e bem-estar, o custo relativo da produção deste último, e a produtividade que é capaz de induzir, por comparação com os que parcialmente substitui e, finalmente, a mitigação dos impactos ambientais decorrentes do uso maciço e cumulativo no espaço e no tempo das novas gerações energéticas.

Vale a pena ler sobre este tema um importante paper produzido no FMI: “Riding the Energy Transition: Oil Beyond 2040” (2).

No que ao nosso país diz respeito pode concluir-se, sobretudo dos dois quadros que retirei do referido estudo, que não só seria uma estupidez sem limite entrarmos agora numa aventura tardia de exploração de hidrocarbonetos nas costas alentejana e algarvia (deixem a guerra do gás onde está!), como parece ter chegado a oportunidade de obtermos finalmente um consenso energético nacional claramente favorável à prioridade da energia elétrica num país ainda tão dependente da importação de carvão, gás natural e petróleo. Se houver este consenso, nomeadamente entre todos os partidos parlamentares, a nossa economia poderia começar, mais cedo do que outras, a girar em volta do paradigma que promete relançar o planeta na próxima era de prosperidade sustentável. Há, de facto, uma janela de oportunidade. Mas falta o principal: diminuir o peso das burocracias que entorpecem regime, e reformar de alto a baixo o nosso paradigma fiscal parasitário. Teremos, como propõe Carlota Perez (Beyond the Technological Revolution), que taxar mais os lucros especulativos e de curtíssimo prazo do que os de médio e longo prazo, teremos que diminuir a carga fiscal sobre o trabalho, teremos que introduzir o Rendimento Básico Incondicional, e teremos ainda, proponho eu e muitos outros, que introduzir algoritmos de descentralização e transparência nos domínios económico-financeiros (cripto moedas e moedas locais), no comércio, na política e nas áreas sociais e culturais.

Repare-se como Portugal se afastou rapidamente do carvão. Poderá fazer o mesmo com o petróleo.

NOTAS

  1. All but one of the 11 postwar recessions were associated with an increase in the price of oil, the single exception being the recession of 1960. Likewise, all but one of the 12 oil price episodes listed in Table 1 were accompanied by U.S. recessions, the single exception being the 2003 oil price increase associated with the Venezuelan unrest and second Persian Gulf War.
    —in James D. Hamilton, “Historical Oil Shocks”, 2011 (PDF)
  2. Recent technological developments and past technology transitions suggest that the world could be on the verge of a profound shift in transportation technology. The return of the electric car and its adoption, like that of the motor vehicle in place of horses in early 20th century, could cut oil consumption substantially in the coming decades. Our analysis suggests that oil as the main fuel for transportation could have a much shorter lifespan left than commonly assumed. In the fast adoption scenario, oil prices could converge to the level of coal prices, about $15 per barrel in 2015 prices by the early 2040s. In this possible future, oil could become the new coal.
[...]
From wood to coal to oil, the transition patterns remain similar. Fouquet's (2010) study of the United Kingdom indicates that it takes around 50 years for energy transitions to take place. Wilson and Grubler (2011) find that global changes require 80-130 years, while Vaclav Smil estimates that it takes 50-70 years (Lacey 2010) for new resources to reach a significant level. In a similar vein, Grubler’s (1990) work The Rise and Fall of Infrastructures highlights consistent 55-year intervals between the development of the canal, railway, and surfaced road networks in the United States (Grubler 1990, p. 276).
[...]
What we envisage at the horizon of the early 2040s could be a completely transformed oil market as the result of a technological revolution in transportation. The displacement of motor vehicles by electric vehicles would take away the special role oil has enjoyed over transportation since World War II. The elasticity of oil demand would increase as it would have to compete with coal, natural gas, nuclear and renewables on the energy market. The rise of renewables could even upend the role of fossil fuels in the energy mix all together.

IMF Working Paper 
Institute for Capacity Development
Riding the Energy Transition: Oil Beyond 2040
Prepared by Reda Cherif, Fuad Hasanov, and Aditya Pande1
Authorized for distribution by Ray Brooks and Ralph Chami
May 2017


terça-feira, fevereiro 20, 2018

Depois desta crise—I


Evitar a armadilha populista do pessimismo


E se, como defende a economista Carlota Perez, a próxima era de crescimento (que será sustentável, ou não será) estiver mesmo ao virar da esquina? O ponto de vista desta distinta professora venezuelana-inglesa merece seguramente a atenção daqueles que procuram ver para lá do buraco negro criado pela implosão da era petrolífera, e que, no campo cultural, tentam imaginar as alternativas necessárias ao que Brett Bloom chama petro-subjetividade.

 

Una visión de futuro para América Latina: Carlota Pérez at TEDxCiudadDelSaber