Um homem de ação em Belém
Recupero esta notícia sobre a posição dos candidatos presidenciais relativamente à captura de Nicolás Maduro. Não há uma que se aproveite e todas se revelaram oportunistas no momento de definir qual seria a posição de Portugal sobre esta matéria.
Todos poderiam ter dito, e não disseram, que a primeira e maior preocupação portuguesa deveria ser a da proteção dos portugueses que vivem na Venezuela.
Alguns poderiam ter dito, mas apenas André Ventura e Humberto Correia o disseram, que Nicolás Maduro era um usurpador do poder constitucional e um criminoso, tendo provocado a fuga de oito milhões de venezuelanos (de um país com apenas trinta milhões) e conduzido o país à situação de estado falhado, completamente hipotecado à Rússia, um país, como sabemos, dominado por uma cleptocracia criminosa, onde a pensão pública de um reformado é de €2. Leram bem: dois euros!
Alguém poderia ter dito (ninguém o fez) que o direito internacional prevalece em tempos de paz, mas não em tempos de guerra. E que havendo claramente uma guerra mundial em curso, com flancos de guerra quente, e flancos de guerra fria (assimétrica, e sem 'restrições'—de acordo com a nova doutrina militar chinesa), a posição portuguesa é clara, como membro da NATO, como aliado dos Estados Unidos e do Reino Unido, e como um dos estados da União Europeia. Ou seja, que NÃO fará o jogo da Rússia, do Irão ou da China, e que contribuirá nas instâncias próprias (como a NATO é a ONU deixou de ser) com as suas análises e propostas de ação.
A condenação comunista, esquerdista e esquerdelha da remoção de Maduro pelos Estados Unidos neste debate entre candidatos presidenciais deixou uma 'selfie' preocupante do estado atual de amadorismo, falta de lucidez política e cobardia dos nossos atores políticos.
Gouveia e Melo e António José Seguro estarão na segunda volta das presidenciais, cortesia dos candidatos da IL e do Livre—duas estrelas novas no firmamento político da terrinha. Ou seja, um deles será o próximo presidente da república português.
Prefiro o ex-almirante, apesar de ter ainda muito que aprender em matéria de estratégia nacional, história de Portugal e sagacidade política. O ex-líder do PS é uma ave rara perdida no labirinto das esquerdas.
O primeiro tema em discussão foi a intervenção dos Estados Unidos com uma operação militar na Venezuela e as consequências para o globo. Luís Marques Mendes admitiu que se trata de uma situação “muito delicada” e que a intervenção que é feita claramente à margem das regras do Direito Internacional.
“Este facto pode legitimar outras intervenções”, alertou, acrescentando que “pode abrir precedentes para o futuro”. O candidato apoiado pelo PSD assinalou ainda que as Nações Unidas “não funcionam hoje em dia”.O derradeiro confronto na televisão pública acontece depois de 28 debates televisivos entre os oito candidatos inicialmente validados pelo Tribunal Constitucional e é moderado pelo jornalista Carlos Daniel.
Luís Marques Mendes lembrou ainda que a Constituição prevê mais responsabilidades para o presidente da República a nível da política externa e que a principal preocupação do chefe de Estado deve ser com a situação da comunidade portuguesa.
De seguida, Henrique Gouveia e Melo assinalou que Portugal é um país “de média dimensão e a coisa que mais nos protege é o Direito Internacional”.
“Devemos ser claros mesmo com os nossos aliados”, vincou, assumindo receio por uma “ordem internacional com base na força”.
“Está em causa o futuro das relações internacionais”, completou, condenando que se trate um país “como se fosse uma colónia”, posição que já adotou nos últimos dias.André Ventura considerou que é importante que um “tirano” e “narcotraficante” possa “acabar na cadeia”, lembrando a prisão e a morte de opositores.“O Direito internacional existe para proteger povos, para proteger pessoas”, afirmou o candidato apoiado pelo Chega, questionando aos restantes candidatos se também estão “contra a captura do Osama bin Laden”.
Ventura lembrou ainda que Portugal não reconheceu Maduro mas últimas eleições e criticou que a Europa “ficou à sombra” dos Estados Unidos após a II Guerra Mundial.António José Seguro assumiu, em primeiro lugar, preocupação com a comunidade portuguesa e vincou que este é “um momento decisivo para a geopolítica mundial”.Para o candidato apoiado pelo PS, Portugal deve reagir “com prudência mas com firmeza”, defendendo a realização uma reunião de líderes da NATO: “É importante prevenir mais do que reagir”, assinalando a importância de uma “conversa entre aliados”.João Cotrim de Figueiredo diz que é possível celebrar a queda de um “ditador sanguinário” mas também “condenar a forma como foi feito”.O candidato liberal afirma que se deve “exigir um futuro com democracia para a Venezuela”.Catarina Martins lembrou que Donald Trump perdoou ex-presidente das Honduras e recebeu na Casa Branca o “ditador saudita que mandou esquartejar um jornalista”.
A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda considerou que a segurança da Europa “não pode estar nas mãos dos Estados Unidos” e que há falta de “uma estratégia europeia” para a cooperação em segurança e defesa.António Filipe afirmou que “não compete a um estado interferir noutro Estado” e que os Estados Unidos recorreram ao “direito da força” quando lançaram o ataque sobre a Venezuela.O candidato apoiado pelo PCP não hesita em condenar “uma violação grosseira e brutal” e critica a reação do Governo português, que considerou a intervenção “benigna” quando o objetivo é “controlar recursos e petróleo”.Jorge Pinto diz que quando confrontados com uma “invasão ilegal” ninguém “pode estar confortável”.Apesar do “repúdio” para com o regime, o candidato apoiado pelo Livre afirma que se dá “carta-branca” a outros líderes do mundo para ataques deste tipo. Lançou críticas a Donald Trump, que apenas falou do domínio de recursos naturais e que, após este ataque, podem seguir-se outras incursões, na Gronelândia ou mesmo nos Açores.Manuel João Vieira considerou que nenhum dos candidatos, chegando a presidente, gostaria de ser “extraído” como aconteceu com Nicolás Maduro. Passou-se das regras para o “não há direito” onde “qualquer país pode ser intervencionado”.André Pestana lamentou a “mudança de paradigma em que o lucro justifica tudo” e considerou que uma potência como os EUA não pode “achar-se no direito de invadir, bombardear e raptar pessoas”.Sobre os gastos em defesa, argumentou que “já há armas no mundo suficientes para destruir a humanidade várias vezes” e apelou à mobilização por parte da sociedade civil.Humberto Correia começou por defender que “o que se passa na Venezuela é a prova de que o comunismo não funciona” e mostrou preocupação com um cenário de guerra civil no país. Disse que o Governo português deve estar atento à comunidade e que a Europa se deve unir para assegurar a sua defesa.





