domingo, maio 20, 2018

Make Sporting great again


O presidente da República não tem estado à altura dos acontecimentos na Academia do Sporting.


Os nossos políticos não passam de indigentes do futebol.

O que aconteceu na Academia do Sporting nada tem que ver com terrorismo!

Nunca entrei num estádio de futebol.

Em pequenino todos nós escolhemos um clube. O meu foi o Benfica, talvez porque então o Benfica era um grande clube, com jogadores como Eusébio, Simões, Águas, Torres, e José Augusto, porque gostava de Ferraris, ou porque sempre preferi a cor encarnada às demais. Mas desde então a minha relação com o futebol é inexistente. Não vejo nada, não sei nada, e a última vez que vi um jogo na televisão foi o da vitória portuguesa no Europeu em 2016.

Ou seja, o que aconteceu na Academia do Sporting em Alcochete, um charco de mosquitos onde só a um careca lembraria instalar semelhante equipamento desportivo (ou construir um aeroporto!), não é um assunto de futebol, mas de segurança pública, ou melhor, é um sério problema de insegurança que reflete fenómenos mais profundos, visiveis noutras partes da Europa (ex: final da Liga Europa 2018), e que já desembarcou em Portugal há muito, mas só agora correu mundo, assustando naturalmente o capitalismo indigente e a partidocracia que temos.

Este é um caso de polícia. À partida, perante um aparente ajuste de contas entre membros de uma claque de futebol e os seus jogadores e treinador, ou perante o ataque organizado aos jogadores do Sporting e ao seu treinador por uma matilha humana disposta a fazer sangue, aquilo que teria sido de esperar da parte das instituições do regime —Governo, Presidente da República, Assembleia da Repúblia e partidos políticos—não aconteceu: uma manifestação de repúdio pelo sucedido, uma manifestação de solidariedade para com as vítimas do ataque, incluindo o clube de futebol (na pessoa do seu responsável máximo, Bruno de Carvalho), e o acionamento imediato das ações policiais exigíveis em casos como este. Em vez disto assistimos à montagem dum circo mediático contra Bruno de Carvalho, sugerindo, de forma à partida criminosa, que o mesmo poderia, afinal, ser o mandante da coisa! Espero bem que haja advogados corajosos para defender o Sporting deste evidente assalto à sua honorabilidade e à sua história enquanto associação desportiva.

Li o artigo do Independent que a seguir cito, para ver se percebia rapidamente o que se passará nos bastidores do que parece ser uma conspiração de pessoas e instituições (públicas e privadas) contra a direção de um clube desportivo (e de uma sociedade comercial) que goza de um apoio esmagador da sua massa associativa. Depois ouvi a extraordinária conferência de imprensa dada por Bruno de Carvalho, a qual me ajudou a perceber o resto da história, e a temer por estar de facto em curso um processo de linchamento do personagem fora do baralho que veio a ser eleito por duas vezes para dirigir um clube falido e que se arrastava há anos no fim das tabelas.

A simples ideia de ver Álvaro Sobrinho ("suspeito de desviar milhões") e José Maria Ricciardi (um dos banqueiros do ex-BES, cujo buraco negro continuamos a pagar com língua de pau, nomeadamente através da participação da Caixa Geral de Depósitos no Fundo de Resolução), acompanhados por tantos comentadores, políticos-comentadores, e o senhor Rogério Alves (advogado de Jorge de Jesus), do lado da fronda anti-Bruno, tornou-me, para já, um defensor da presunção de inocência do líder do Sporting em todo este escândalo. A Polícia que apresente rapidamente as suas conclusões sobre toda esta merda!
The 'Donald Trump' of football: Bruno de Carvalho shows few signs of softening his grip at Sporting Lisbon 

Bruno de Carvalho is outspoken, confrontational, unpredictable and abrasive. He is a hero to his supporters but is accused of demeaning his prestigious office by those who look down their noses at him. He is either a brash populist standing up for his people or an unseemly loudmouth with deep psychological issues, depending on who you believe.
De Carvalho is the Donald Trump of Portuguese football, the president of Sporting Lisbon who is trying to make his club great again. On Saturday he is facing re-election and an opponent in Pedro Madeira Rodrigues determined to undo what De Carvalho has done in office. 
But De Carvalho is expected to win comfortably, giving him the licence to keep running the club the way he wants. It may not be popular with everyone but he can fairly point to the awful state of the club when he took over in March 2013, four years ago. Sporting had been run into the ground, were in hundreds of millions of euros of debt and had stopped competing on the pitch too. In 2012-13 they finished seventh, the worst season in their history. 
— in The Independent

1 comentário:

antonio cerveira pinto disse...

Email dum amigo:

este bruno é altamente pedagógico. dá para ver o que é o extremo dum estilo de gestão que continua a fazer escola, desde os downsizing, do início da decadência económica dos usa. trata-se da chamada gestão tóxica ou narcisista (encontras muita literatura sobre isto) na qual existe total ausência de respeito pelas pessoas, ignorância total da ética e do desenvolvimento de equipas de trabalho. só sabem pressionar, arranjar bodes expiatórios para tudo, meter medo e exigir o impossível. o bruno insulta sistematicamente quem se lhe opõe e agora passou à fase dos bodes expiatórios. sim, muito trump.
todos os três grandes clubes estão falidos e a situação piorou com a crise bancária portuguesa. os efeitos estão à vista, o ranking dos nossos clubes na uefa continua a descer. país falido, clubes falidos e consequências nenhumas a não ser arranjar radicais para o poder, um pouco por todo o mundo é o mesmo.
acho que o tipo é psicopata mas a sua coragem não deixa de ser tocante face à nossa nomeklatura intocável.
o que os políticos disseram dele foi reação contra o seu desbocamento no espaço público já q este desbocamento só é comumente usado dentro das organizações. pequenos ditadores tóxicos é o q há mais por aí. o bruno colocou muita gente a refletir sobre isto. nada mal para um tipo que aparentemente é mesmo incapaz de perceber a psicologia de quem o ouve.
já há muito não se falava tanto de ética e respeito, num país que, todavia, continua ignorante ao ponto de confundir intensidade com agressividade q está a passar por fator competitivo indispensável.
um curso de ética devia ser obrigatório para ser cidadão de pleno direito. e isto não é um pormenor. é a essência do que deverão ser os novos sistemas políticos - a exigência dum nível completamente diferente de capacitação e informação do cidadão eleitor. todavia, isto vai obrigar a mudar toda a lógica, nomeadamente especializando cada cidadão em cada tema e acabando com as eleições em q todos votam em tudo sem saberem quase nada de alguma coisa. o thomas jeferson dizia q a fé na democracia é a fé na educação dos povos. e foi ele que inventou a democracia moderna, com uma ajuda do Lord Shrewsbury (o John Locke era o escriba do Shrewsbury).