terça-feira, fevereiro 10, 2026

O novo binómio do poder em Portugal

Caro Victor, 

o Ventura, como qualquer bom populista não renega o poder económico do Estado. Os populistas não são liberais. Pelo contrário, veneram o Estado, nomeadamente para viabilizar os seus intentos de comando unificado da realidade nacional, seja esta americana, alemã, italiana, ou portuguesa. 

Assim sendo, o que Ventura, como qualquer populista ambiciona, é ver-se livre da demora burocrática e impedimentos que caracterizam as democracias burocratizadas, indolentes e corruptas que temos — onde uma qualquer agência ambiental, que ninguém sabe como apareceu, nem quem, por sua vez, a controla, é capaz de empatar um país inteiro, ou conduzi-lo ao desastre, porque acredita no Ambiente (como outros acreditam em Deus), e tem mais poder do que o parlamento, o governo e o presidente da república! 

Como, no caso português, o bloco central, estável desde o 25 de novembro de 1975, corroído por dentro pela usura e pela corrupção, é incapaz de lidar com a grande crise sistémica em curso, procurando, em vez, agarrar-se ao que aparentemente tem por certo, isto é, a sua teia partilhada de interesses, o Chega chegará inevitavelmente, e em breve, ao poder. Basta olhar para curva de crescimento deste partido e ainda mais para a curva de popularidade do seu líder. 

É perante esta deriva populista do regime que convém, a partir de agora, avaliar, em primeiro lugar, as relações políticas entre Ventura e Seguro, e as bases de entendimento que ambos procurarão rapidamente estabelecer. O PSD, tal como o PS são coisas do passado...

Nota: o mistério da transferência de votos da IL para o Chega tem talvez uma explicação: quer uma, quer outro, e em particular os respetivos eleitorados estão fartos do 'sistema' (leia-se o arco parlamentar dos últimos 50 anos) que tomou conta do regime. Dois pontos em comum entre Seguro e Ventura: ambos são 'outsiders' dos dois principais partidos do regime (PS e PSD); e ambos fazem do combate à corrupção a bandeira principal da reforma da nossa democracia. O Luisinho e António Costa que se cuidem!

Victor Pinto da Fonseca

* … o que retiro dos 33% de Ventura nas presidenciais é que o Chega se vai apropriar da IL nas próximas legislativas e vencer as eleições! A IL nunca realmente se definiu: deve dizer-se que enquanto questão de teoria política existem vários tipos de liberalismo. Existe o liberalismo clássico do século XIX (mercados livres e direitos individuais) e o liberalismo de esquerda do socialismo democrático (propriedade pública e igualdade económica). Um liberal, na concepção da esquerda, é alguém que considera possível atribuir ao dinheiro uma importância meramente razoável. A IL em todo o caso nunca se percebeu, tem um carácter que personifica tudo o que é + superficial, abstrato e retórico na ideologia liberal. Na perspectiva da IL há um caminho aberto para a saúde e a felicidade se o Estado não cobrar impostos (é esta a essência do seu discurso; torna-se menos uma política e + um estilo). Mas sabemos que a vida não é assim tão simples! razão porque a IL é abstrata de facto. Com Ventura sabemos ao que vai. É um trole totalitário com um grupo parlamentar [partido] que me mete medo de verdade, o que confere uma marca partidária ao chega. E Ventura é um grande crente na propaganda, desde logo porque é muito + fácil do que ter ideias. Como a propaganda do Chega coincide com a pretensão da IL que consiste na ausência de Estado, em nome da isenção de impostos, não surpreende, portanto, que Ventura vá tomar como sua a IL, como tantas vezes acontece quando a política é propaganda. 

Aquilo de que Portugal sabe, é que 3 em cada dez portugueses gosta de Ventura e 2/3 dos portugueses renega Ventura. É a partir desta matemática estatística, de forma completamente científica, que seremos convidados a votar nas próximas legislativas. Ser de esquerda ou de direita não é um sinal de superioridade mas antes um sinal de diferentes opções. As causas das diferenças entre as pessoas não é a biologia, as escolhas políticas das pessoas são moldadas por algo que é, essencialmente, um condicionamento cultural. 

* da série “regresso ao futuro” post de duração limitada

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

A última vitória da democracia?


Metade dos votos de Seguro, ainda assim, são muitos!


Mas vamos ao que interessa...

1. A aliança contra o Chega foi, se olharmos para o resto do mundo, inédita e paradigmática. Revela simultaneamente receio e sabedoria, tanto das elites, como do povo que vota. Basta imaginar o cenário de uma aliança entre o PSOE, o PP e a Podemos, para derrotar a extrema direita e a direita populista em Espanha, para nos apercebermos do alcance estratégico da votação portuguesa, precedida, como sabemos, de inúmeras e surpreendentes declarações antecipadas do sentido de voto, da extrema esquerda até à pequena direita que sobrevive no CDS.

2. António José Seguro tem nas mãos uma votação ímpar e preciosa que terá que saber usar, não para destruir o Chega (missão certamente impossível nos anos mais próximos), mas para dissipar o capital de legítimo descontentamento que fez do movimento populista de André Ventura o que hoje é — uma poderosa (cada vez mais poderosa) força política e social.

3. Socialistas e social-democraras têm a partir desta eleição uma rara e porventura derradeira oportunidade para reformar o sistema político e dar um novo fôlego ao regime democrático que ainda temos.

4. Os nossos principais problemas não são a Saúde Pública e a Habitação, mas outros dois de que estes dependem criticamente para sobreviverem e ultrapassarem os seus atuais bloqueios e perigos. São o Estado de Direito e a Economia.

A Economia tem vindo a melhorar, mas depende demasiado do turismo e de uma avalanche imigratória que tem que ser moderada, bem gerida, e sobretudo progressivamente travada por uma diminuição da emigração. Por outro lado, é preciso um pulso forte, mas sábio, na gestão política dos setores estratégicos da nossa economia e finanças, praticamente todo ele semi-alienado sob a forma de concessões e vendas de património ao estrangeiro. Não se trata, porém, de manter nas mãos do Estado ou de piratas indígenas e indigentes as empresas publicas e privadas mal geridas ou sem escala. O importante é mesmo desemburrar o sistema económico das suas amarras neo-corporativistas rendeiras e burocráticas.

Por fim, o Direito material tem que ter tradução prática no exercício do Direito formal, servindo as naturais expectativas das pessoas singulares e coletivas, começando por uma aplicação exigente das leis e pelo fim das coutadas judiciais, do Constitucional e Supremo Tribunal, às Relações, e aos Juízes de Paz e Polícias Municipais. Do PGR aos demais Procuradores.

sábado, fevereiro 07, 2026

O fim da burguesia portuguesa


A margem que resta na nossa democracia

Salvo alguns bancos e seguradoras, toda a economia portuguesa entretanto semi-alienada, ou foi diretamente vendida a investidores estrangeiros, ou, no caso da maioria dos setores estratégicos da nossa soberania, foi objeto de sucessivas concessões por longas décadas — o que não é tão mau como uma venda pura e dura de ativos. Apesar de tudo, mesmo os bancos, as seguradoras e as empresas de telecomunicações privados, para operarem, precisam de licenças do Estado português — o que até certo ponto protege o país da pura alienação de ativos. Compete, assim, à burguesia burocrática que temos (as outras quatro — agrária, industrial, comercial e financeira — estão, desde o início deste século, em vias de extinção) gerir de forma competente e honesta os contratos de concessão e as licenças. Por outro lado, a burguesia burocrática que resta confunde-se com o próprio sistema partidário, e com o Estado! Cabe, em suma, aos eleitores exigir-lhe, nas urnas, o cumprimento diligente e inteligente desta tarefa. É a margem da nossa democracia.

quinta-feira, janeiro 08, 2026

Gouveia e Melo

Um homem de ação em Belém

Recupero esta notícia sobre a posição dos candidatos presidenciais relativamente à captura de Nicolás Maduro. Não há uma que se aproveite e todas se revelaram oportunistas no momento de definir qual seria a posição de Portugal sobre esta matéria.

Todos poderiam ter dito, e não disseram, que a primeira e maior preocupação portuguesa deveria ser a da proteção dos portugueses que vivem na Venezuela.

Alguns poderiam ter dito, mas apenas André Ventura e Humberto Correia o disseram, que Nicolás Maduro era um usurpador do poder constitucional e um criminoso, tendo provocado a fuga de oito milhões de venezuelanos (de um país com apenas trinta milhões) e conduzido o país à situação de estado falhado, completamente hipotecado à Rússia, um país, como sabemos, dominado por uma cleptocracia criminosa, onde a pensão pública de um reformado é de €2. Leram bem: dois euros!

Alguém poderia ter dito (ninguém o fez) que o direito internacional prevalece em tempos de paz, mas não em tempos de guerra. E que havendo claramente uma guerra mundial em curso, com flancos de guerra quente, e flancos de guerra fria (assimétrica, e sem 'restrições'—de acordo com a nova doutrina militar chinesa), a posição portuguesa é clara, como membro da NATO, como aliado dos Estados Unidos e do Reino Unido, e como um dos estados da União Europeia. Ou seja, que NÃO fará o jogo da Rússia, do Irão ou da China, e que contribuirá nas instâncias próprias (como a NATO é a ONU deixou de ser) com as suas análises e propostas de ação.

A condenação comunista, esquerdista e esquerdelha da remoção de Maduro pelos Estados Unidos neste debate entre candidatos presidenciais deixou uma 'selfie' preocupante do estado atual de amadorismo, falta de lucidez política e cobardia dos nossos atores políticos.

Gouveia e Melo e António José Seguro estarão na segunda volta das presidenciais, cortesia dos candidatos da IL e do Livre—duas estrelas novas no firmamento político da terrinha. Ou seja, um deles será o próximo presidente da república português.

Prefiro o ex-almirante, apesar de ter ainda muito que aprender em matéria de estratégia nacional, história de Portugal e sagacidade política. O ex-líder do PS é uma ave rara perdida no labirinto das esquerdas.


RTP Venezuela abriu o debate

O primeiro tema em discussão foi a intervenção dos Estados Unidos com uma operação militar na Venezuela e as consequências para o globo. Luís Marques Mendes admitiu que se trata de uma situação “muito delicada” e que a intervenção que é feita claramente à margem das regras do Direito Internacional.

“Este facto pode legitimar outras intervenções”, alertou, acrescentando que “pode abrir precedentes para o futuro”. O candidato apoiado pelo PSD assinalou ainda que as Nações Unidas “não funcionam hoje em dia”.
O derradeiro confronto na televisão pública acontece depois de 28 debates televisivos entre os oito candidatos inicialmente validados pelo Tribunal Constitucional e é moderado pelo jornalista Carlos Daniel.

Luís Marques Mendes lembrou ainda que a Constituição prevê mais responsabilidades para o presidente da República a nível da política externa e que a principal preocupação do chefe de Estado deve ser com a situação da comunidade portuguesa.

De seguida, Henrique Gouveia e Melo assinalou que Portugal é um país “de média dimensão e a coisa que mais nos protege é o Direito Internacional”.

“Devemos ser claros mesmo com os nossos aliados”, vincou, assumindo receio por uma “ordem internacional com base na força”.

“Está em causa o futuro das relações internacionais”, completou, condenando que se trate um país “como se fosse uma colónia”, posição que já adotou nos últimos dias.

André Ventura considerou que é importante que um “tirano” e “narcotraficante” possa “acabar na cadeia”, lembrando a prisão e a morte de opositores.

“O Direito internacional existe para proteger povos, para proteger pessoas”, afirmou o candidato apoiado pelo Chega, questionando aos restantes candidatos se também estão “contra a captura do Osama bin Laden”.

Ventura lembrou ainda que Portugal não reconheceu Maduro mas últimas eleições e criticou que a Europa “ficou à sombra” dos Estados Unidos após a II Guerra Mundial.

António José Seguro assumiu, em primeiro lugar, preocupação com a comunidade portuguesa e vincou que este é “um momento decisivo para a geopolítica mundial”.

Para o candidato apoiado pelo PS, Portugal deve reagir “com prudência mas com firmeza”, defendendo a realização uma reunião de líderes da NATO: “É importante prevenir mais do que reagir”, assinalando a importância de uma “conversa entre aliados”.

João Cotrim de Figueiredo diz que é possível celebrar a queda de um “ditador sanguinário” mas também “condenar a forma como foi feito”.

O candidato liberal afirma que se deve “exigir um futuro com democracia para a Venezuela”.

Catarina Martins lembrou que Donald Trump perdoou ex-presidente das Honduras e recebeu na Casa Branca o “ditador saudita que mandou esquartejar um jornalista”.

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda considerou que a segurança da Europa “não pode estar nas mãos dos Estados Unidos” e que há falta de “uma estratégia europeia” para a cooperação em segurança e defesa.

António Filipe afirmou que “não compete a um estado interferir noutro Estado” e que os Estados Unidos recorreram ao “direito da força” quando lançaram o ataque sobre a Venezuela.

O candidato apoiado pelo PCP não hesita em condenar “uma violação grosseira e brutal” e critica a reação do Governo português, que considerou a intervenção “benigna” quando o objetivo é “controlar recursos e petróleo”.

Jorge Pinto diz que quando confrontados com uma “invasão ilegal” ninguém “pode estar confortável”.

Apesar do “repúdio” para com o regime, o candidato apoiado pelo Livre afirma que se dá “carta-branca” a outros líderes do mundo para ataques deste tipo. Lançou críticas a Donald Trump, que apenas falou do domínio de recursos naturais e que, após este ataque, podem seguir-se outras incursões, na Gronelândia ou mesmo nos Açores.

Manuel João Vieira considerou que nenhum dos candidatos, chegando a presidente, gostaria de ser “extraído” como aconteceu com Nicolás Maduro. Passou-se das regras para o “não há direito” onde “qualquer país pode ser intervencionado”.

André Pestana lamentou a “mudança de paradigma em que o lucro justifica tudo” e considerou que uma potência como os EUA não pode “achar-se no direito de invadir, bombardear e raptar pessoas”.

Sobre os gastos em defesa, argumentou que “já há armas no mundo suficientes para destruir a humanidade várias vezes” e apelou à mobilização por parte da sociedade civil.

Humberto Correia começou por defender que “o que se passa na Venezuela é a prova de que o comunismo não funciona” e mostrou preocupação com um cenário de guerra civil no país. Disse que o Governo português deve estar atento à comunidade e que a Europa se deve unir para assegurar a sua defesa.


quarta-feira, janeiro 07, 2026

Tordesilhas 2.0?

Tratado de Tordesilhas — Wikipedia


Poderão Trump e Putin mudar o curso da História?


Durante vários anos coloquei a hipótese de, depois da derrota russa na Guerra Fria, o Tordesilhas 2.0 resultaria de uma negociação entre os Estados Unidos e a China, ficando por definir o meridiano que, na Eurásia, separaria o Ocidente do Oriente. Ou seja, o lugar da Rússia! Hoje tenho dúvidas sobre a possibilidade civilizada de uma nova partilha do Mundo, como a que foi feita entre espanhóis e portugueses. Todos os grandes atores, e os pequenos também, estão sobretudo preocupados com o fim da abundância e do crescimento, e com as suas inevitáveis e terríveis consequências.

Milagre português até 2027...

O Paul Krugman chamou-lhe o 'milagre português'. Mas ninguém na terrinha lhe ligou peva, entretidos que andam sempre e invariavelmente os indígenas a comprar votos com torradeiras. Na energia e na água estamos bem, salvo no peso excessivo dos chineses nas empresas que exploram os recursos endógenos. No turismo progredimos de modo exponencial, já ultrapassámos a pegada turística 'per capita' dos espanhóis e, portanto, é o momento certo para parar o crescimento bruto das entradas e aumentar a duração das estadias e as receitas por entrada prestando melhores serviços. Na questão urgente do envelhecimento demográfico, fizemos bem (foi António Costa, reconheça-se) em atrair a imigração, mas é preciso uma gestão de proximidade mais fina desta alteração na geografia humana do país . No setor público, precisamos de melhorar a gestão (de aplicar melhor o dinheiro disponível) e a avaliação permanente de resultados nos sub-setores da segurança social, saúde, educação, cultura, ciência, investigação tecnológica e desenvolvimento. Cuidado com as crítica irrefletidas aos americanos! 


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OECD Economic Surveys: Portugal 2026 . 6 January 2026

Portugal’s economy has been outpacing the euro area average since 2022. The unemployment rate has declined, while public debt relative to GDP fell significantly. Rising disbursements of the Recovery and Resilience Funds in 2026, continuous employment gains, and recent structural reforms are all expected to support growth. However, significant challenges lie ahead. Sustaining primary surpluses and preserving public investment are essential to maintain the debt-to-GDP ratio on a firmly declining path. This requires shifting the structure of public spending towards investment, reducing spending pressures from population ageing, and reducing inefficient tax expenditures. Strengthened vocational education and training, as well as better training support for older workers, are needed to fully mobilise the working-age population, ease labour shortages and strengthen skills. Boosting competition in services sectors and maintaining investment would raise labour productivity and support sustainable gains in living standards. More consistent pricing of carbon across the economy and broader insurance coverage for natural risks would make growth more sustainable and support adaptation to a warming climate. Improving housing affordability requires structural reforms to streamline permitting procedures and spatial planning, improve efficiency and equity of property taxes, and strengthen targeted housing support for vulnerable households.

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OECD Economic Outlook, Volume 2025 Issue 2 . 2 December 2025 — Portugal

Real GDP growth is projected to reach 1.9% in 2025 and 2.2% in 2026, before easing to 1.8% in 2027. A tight labour market, increases in the minimum wage and a personal income tax cut are expected to support private consumption. Increasing disbursements of Recovery and Resilience Funds will contribute to higher public investment in 2026. Export growth will remain subdued reflecting weak external demand amidst higher US tariffs and high uncertainty. As labour demand remains strong, inflation will moderate only slowly to 2.0% in 2027.


Fiscal policy will remain expansionary in 2026 and turn contractionary in 2027, mainly reflecting the end of the implementation of the Recovery and Resilience Plan (RRP) in 2026. Fiscal prudence and structural reforms are key to sustain growth and maintain public debt on a firmly declining path. Over the medium term, containing ageing‑related spending pressures and reducing inefficient tax expenditures would make room for needed productivity-enhancing public investments. Continuing to lower entry barriers and streamline regulations in the retail sector and professional services would also support growth and productivity.

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A grande carambola americana


Isto é tão evidente!

Encontro, apesar de tudo, racionalidade na atual deriva autoritária e imperial dos EUA. Vem aí um grande aperto na raça humana, pelo lado da demografia, dos recursos minerais e energéticos e dos desequilíbrios ambientais. A multiplicação dos incidentes entre pessoas e entre estados, o crescimento da violência e da loucura, a desestruturação em curso da Ordem Mundial, entre outras más notícias, deram início a uma luta pela sobrevivência à escala mundial. Os mais fortes tentarão manter a sua posição…

Objetivo americano:
— derrotar as intenções imperiais da 'Xina' (a China despótica de Xi Jinping) até ao fim de 2026, pois existem informações sólidas de que Pequim prepara um assalto à Ilha Formosa em 2027. Para quem não saiba, a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) é o mais fabricante mundial de micro-processadores. Sem estes não há telemóveis, nem computadores, servidores, Inteligência Artificial, etc.

Estratégia americana:
— afastar a Rússia da Ucrânia, Síria, Irão, América Latina (Venezuela, Colômbia, Nicarágua...) e África (África do Sul, Angola, etc.)
— afastar a China do continente americano, incluindo o Canadá, Venezuela, Brasil, etc., e de países europeus como a Grécia e Portugal (onde detêm posições dominantes em empresas estratégicas nos setores da energia, água e portos;
— dissuadir a China de invadir e ocupar a Formosa.

O aprisionamento do petroleiro-pirata da frota-fantasma que tem permitido a Putin escapar parcialmente às sanções económicas euro-americanas é a cereja em cima do bolo da Operação Resolução Absoluta, que raptou Nicolas Maduro, revelando o completo 'bluff' da ameaça russa de Vladimir Putin e dos demais psicopatas que o acompanham.

As defesas aéreas e todo o dispositivo de segurança venezuelano falharam redondamente, ou melhor, nem sequer entraram em ação. Porquê? Falta perguntar e responder...

Sendo na sua essência um sistema de armas russo, só não funcionou por uma razão: porque Putin não deixou!

Pois, se tivesse deixado, embora a operação de remoção de Maduro tivesse sido realizada, teria custado uns milhares de milhares de baixas venezuelanas e cubanas, mas também umas dezenas ou centenas de baixas americanas. Ou seja, os russos teriam sido igualmente afastados da Venezuela (e mais tarde de Cuba, etc.), mas os americanos mortos na operação teriam servido imediatamente para uma entrada direta norte-americana na guerra da Ucrânia (mísseis de cruzeiro Tomahawk, interdição do céu ucraniano e, claro está, 'boots on the ground'), com uma inevitável derrota militar esmagadora de Putin e a capitulação incondicional da Rússia.

Dois teóricos militares publicaram em 1999 um livro sobre a nova filosofia militar chinesa a que chamaram "Unrestricted Warfare" (UW). Os norte-americanos entenderam o recado.