domingo, setembro 26, 2010

O que nos espera

Banca revela finalmente que está a caminho da falência, como o Estado e o resto do país.

Fernando Ulrich, 13 de Setembro 2010 — "No curto prazo, e se os mercados de capitais continuarem fechados para os bancos portugueses, estes só têm duas vias para seguir a orientação do Banco de Portugal [diminuir a dependência do BCE]: vender activos (imóveis, acções, participações financeiras, obrigações); e reduzir a carteira de créditos [ou seja, a disponibilidade para emprestar dinheiro.]"

Com os bancos portugueses falidos, os especuladores a fugir da dívida soberana portuguesa, e a portinhola do BCE prometendo fechar já no início de 2011, não nos restam muitas alternativas. Ou melhor, só resta um pacote de medidas drásticas, que aliás será imposto pelo BCE e por Bruxelas (e não pelo igualmente falido FMI): aumentar o IVA para 23% (em 2011) e para 25% (em 2012), aumentar o IRS nos escalões médios e elevados; criar um imposto visível sobre as fortunas e os bens de luxo; criar um imposto adicional sobre o CO2 produzido pelos automóveis; e, ao mesmo tempo, reduzir os vencimentos da Função Pública; eliminar umas centenas de organismos e departamentos públicos duplicados, inúteis e que apenas foram criados para satisfazer as clientelas partidárias; privatizar 30-40% do ensino superior; privatizar 20-30% da saúde; privatizar a TAP, a ANA e a CP; reduzir no prazo de um ano 50% o orçamento da RTP; diminuir para o limite inferior o número de deputados à Assembleia da República, e parte significativa dos seus privilégios indecorosos e injustificados (almoços, viagens e telecomunicações praticamente à borla); reformar o mapa autárquico, com a diminuição drástica do número de câmaras municipais e diminuição do número de freguesias nas cidades com mais de 10 mil habitantes (mantendo embora o número de freguesias rurais); e, por fim, aumentar a idade da reforma para os 68 anos. Isto ou muito parecido será o preço a pagar por todos nós se quisermos evitar uma expropriação do país pelos nossos credores.

Quanto a Passos de Coelho, só pode fazer uma coisa se quiser sobreviver na corrida à próxima presidência do conselho de ministros: votar contra o orçamento do PS sem a menor hesitação, anunciando sem tibieza e desde já uma tal decisão. O PS, o Alegre, o Louçã e Jerónimo de Sousa que o aprovem! Pois não faz sentido fazerem o contrário, já que todos irão votar no poeta sonambulista.

6 comentários:

lourdes féria disse...

Concordo totalmente contigo. Passos Coelho devia votar contra.

Mrzepovinho disse...

"criar um imposto visível sobre as fortunas e os bens de luxo; criar um imposto adicional sobre o CO2 produzido pelos automóveis"

Isto é simplesmente CRIMINOSO!
Este CABON TAX foi posto em cima da mesa na convenção climática de Copenhaga em Dez 2009 e foi CHUMBADO, pois na realidade este imposto não passa de um esquema para TAXAR O AR QUE RESPIRAMOS!! Ah pois eh!
Não se esqueçam de uma coisa: Nós exalamos CO2... e as ÁRVORES RESPIRAM CO2! O maior problema no fumo dos automóveis NÃO é o CO2... é o ENXOFRE!
Temos de abrir os olhos para os esquemas destes CRIMINOSOS!
Párem de aceitar como "verdades científicas" tudo o que veem na TV em documentários financiados por estes CRIMINOSOS!
A ver se eles se importam de continuar a produzir "coisas" para nós consumirmos e deitarmos fora as "coisas quase velhas" que ainda funcionam! Eles quere é obter dinheiro com TUDO... e só falta cobrar por respirar! Em breve até nisso nos cobram.. tá visto!
Quero ver como é que vão taxar os peidos das vacas, que deitam METANO para a atmosfera!

Antonio Cerveira Pinto disse...

Tem razão num ponto: não deveria ter escrito CO2, mas gases poluentes e causadores do efeito de estufa.

;)

Antonio Cerveira Pinto disse...

Chamo a atenção de quem me lê para a data deste post: 26 de setembro de 2010, 15:07. A conferência de imprensa que anunciaria a bancarrota de facto de Portugal (a terceira nos últimos 100 anos), e o novo protectorado que impende sobre o nosso país, ocorreria 3 dias mais tarde — a 29 de setembro, uma quarta-feira, às 20h00. Não foi por acaso que noutro post considerei os cálculos de Medina Carreira optmistas em matéria de prazos!

Anónimo disse...

Admiro-me que, após um tão longo enunciado de medidas de contenção de despesa, não se tenha lembrado da redução de pensões da CGA acima dos 1500 euros, à semelhança dos salários da função pública. É uma medida que, por não ter sido ainda tomada, significa:
1- Que a crise vai ser paga por quem trabalha (penalização do factor trabalho em vez do factor lazer);
2- Que desapareceu a solidariedade intergeracional, sem a qual nenhum futuro se torna possível.
Admiro-me assim que pessoas tão iluminadas se continuem a esquecer do que é mais injusto e evidente.

Antonio Cerveira Pinto disse...

Mexer nas pensões retroactivamente é um problema melindroso. Porquê? Porque significa alterar um contrato assinado de boa fé sobre factos passados. As pessoas descontaram tendo em vista um dado rendimento dessa poupança para a reforma. No entanto, estou e acordo com a aplicação de cortes temporários nas pensões acima dos 1500 euros, na ordem dos 10-15%.