quarta-feira, outubro 13, 2010

E agora Carrilho?

Manuel Maria Carrilho, E Agora? Por uma nova República.
Li o prefácio do livro de Manuel Maria Carrilho, "E AGORA? Por uma Nova República". Para princípio de novo programa do PS e de reforma do regime, não está nada mal. Depois do suicídio político de Francisco Assis, e da impossibilidade óbvia de Tó Zé Seguro substituir o Pinto de Sousa, eu, se fosse o Jorge Coelho, reorientava a minha armada de influências para o Manual Maria Carrilho. Foi ministro, é catedrático muito antes de se tornar político com responsabilidades, tem pensamento próprio e sobretudo é honesto, austero e gosta do seu país.

O despedimento sem justa causa do embaixador português da UNESCO, por um Sócrates inculto, aldrabão, e bonifrates enraivecido, depois da publicação do manifesto político de Manuel Maria Carrilho, é um excelente argumento a favor do ex-ministro da cultura, e convida a lê-lo.

Algumas das suas ideias — um só mandato presidencial, voto obrigatório, subordinação dos limites do endividamento público a imperativos constitucionais, ligação dos deputados a quem os elege, austeridade, competência, imaginação e probidade na função pública, de que a acção político-partidária deveria ser a mais exigente e nobre, uma mudança drástica nas filosofias e metodologias educativas, a correcção imediata do descalabro da Justiça, ou a consideração da cultura (do conhecimento e das artes), da boa administração do território, e do papel crucial do poder local, como opções estratégicas de fundo e urgentes — subscrevo-as por baixo imediatamente.

Faltará apenas, pelo que li do prefácio, uma nova percepção teórica das causas geo-estratégicas do nosso declínio. Sem isto, não saberemos reinventar completamente a economia portuguesa, nem mudar de vida. O declínio e as bancarrotas duram desde a perda do Brasil, e o estado em que estamos agora é já claramente comatoso. Portugal transformou-se, sobretudo na última década, numa cleptocracia sem rei nem roque. Foi por isso que a Alemanha decidiu parar com as mesadas inúteis.

O buraco que aí vem pode, por mais negro que seja, e vai ser muito negro, por incrível que seja, e é muito incrível, levar-nos à salvação. Estejamos, pois, muito atentos e activos.


POST SCRIPTUM

15-10-2010. Ontem, na SIC-N, no Jornal das Nove, surpreendentemente, o eminente teórico e consultor do aeromoscas de Beja e das cidades aeroportuárias da Ota e de Alcochete, apareceu a desconstruir naquele seu tom aznariano, toda a política económica de quem lhe deu de comer nesta última meia década. Não deixa de ser interessante observar as consequências gravíticas de um barco quando começa a adornar, com naufrágio inexoravelmente à vista. Será que o senhor Augusto Mateus já se apresentou a Manuel Maria Carrilho como futuro ministro da economia, ou preferirá antes ser o futuro anunciado ministro da qualificação? Eu sou tolerante, e como cristão genético aprendi a perdoar. Já estou a imaginar: primeiro ministro, Manuel Maria Carrilho; ministro da economia, Augusto Mateus; ministro da qualificação, Mariano Gago (há que repescar o que é bom); ministro dos negócios estrangeiros, Luís Amado (um bom ministro que fez o favor de colocar MMC na senda da sucessão de Sócrates); ministro das finanças, Luís Campos e Cunha; ministra do ambiente e do território, Elisa Ferreira; ministro da educação, Nuno Crato; etc.

13-10-2010. Manuel Maria Carrilho e Pedro Santana Lopes assinaram contrato com a TVI para comentarem a actual situação política. Dois líderes futuros no horizonte? Afastemos os preconceitos e as fábulas inventadas pelas agências de comunicação, antes de opinar sobre estas duas aves que renascem das cinzas. Como Passos de Coelho está a ser empurrado por todos para o caldeirão canibalista da actual nomenclatura político-partidária, e o seu futuro se torna assim naturalmente incerto, há que olhar para lá das presidenciais, e sobretudo para lá da era Cavaco-Sócrates!

Do quadrado professor Louçã ao quadrado professor Pacheco, todos querem que os laranjas deixem passar o Orçamento, para depois o senhor Pinto de Sousa acusar o PSD das medidas gravosas, enquanto gasta milhões de euros, dos nossos impostos claro, a colar a face do poeta surdo-mudo pelo país fora, de braço dado com o quadrado Louçã. O meu voto será obviamente branco!

11 comentários:

Anónimo disse...

e porque não votar em Fernando Nobre? Mal não faz... aliás tem uma campanha tão má até agora que até parece que não faz nada! Pode ser que aprenda e melhore

Antonio Cerveira Pinto disse...

Houve por aqui alguma esperança que Fernando Nobre pudesse ser o "terceiro candidato". Mas cedo se percebeu que não basta um bom historial de vida e de profissão para se ser candidato presidencial. A Fernando Nobre faltaram, pelo menos, duas coisas: inovar a acção política através do emprego estruturado das redes sociais, e, obviamente, dinheiro. Ainda nem sequer começou oficialmente a campanha presidencial, e já Alegre encharcou o país de "outdoors" gigantescos, que custam dezenas ou centenas de milhar de euros. E eu pergunto: onde foi ele buscar o dinheiro? Este tipo de efeitos perversos das democracias mal construídas, sustentados pelos impostos de todos nós, tem que acabar!

Júlio disse...

HAHAHA!!!!

Que tal começar por dizer que ao Dr. F. Nobre falta ser Republicano?

Que tal reconhecer que o pretenso despedimento de M. M. Carrilho, comparado com as expulsões do partido levadas a cabo pelo Dr. Cavaco quando era presidente do PSD, são exemplos de postura democrática responsável?

E que tal reconhecer que para quem se reivindica do princípio, "Nenhuma das afirmações ...visa prejudicar pessoalmente seja quem for.", o uso da linguagem insultuosa para com o primeiro ministro eleito pelos portugueses, revela afinal não haver princípios a respeitar quando se trata de "traulitar" na esquerda?

Antonio Cerveira Pinto disse...

Mude de carroça, que ainda vai a tempo, homem!

PS: atacar com adjectivos o aldrabão que elegemos para PM de Portugal, não é uma tentativa de prejudicar a pessoa, mas o político e quem o clonou e colocou onde está. E além do mais, não causa nenhum prejuízo pessoal evidente, ao contrário da pilhagem do país pela cleptocracia q tomou de assalto o Bloco Central, cujos efeitos no sofrimento carnal de milhões de portugueses está bem à vista. Os desempregados, os empresários falidos, e os 700 mil concidadãos que emigraram na última década, são factos suficientes para exigir, não apenas o despedimento, com justíssima causa, do actual primeiro ministro, mas até levá-lo à barra dos tribunais, por ter conduzido, em nome de interesses particulares, a delapidação criminosa do erário público, a apropriação indevida da poupança dos portugueses, e a destruição económico-financeira de Portugal. Como vê, não há nada de pessoal nisto!

Júlio disse...

Não seja básico nem tão primário, quando expõe a dor de cotovelo que afecta a pseudo-elite a que pertence.

PS:Quem o colocou onde está, foram os eleitores portugueses, as democracias têm esta 'chatice', é preciso ser eleito, o que impede aquelas mentes brilhantes como a sua, a dos Medinas Carreiras e de outros, colocarem o seu génio ao serviço da pátria tão amada.

Este PM com maioria absoluta, fez aprovar no parlamento a obrigatoriedade de lá estar quinzenalmente a explicar-se aos deputados, outros quando disposeram desse poder manifestaram enorme contrariedade e enfado nas poucas vezes que se dignaram (por obrigação legal)a pôr lá os repeitáveis pés.

Este PM fez reformas e não conseguiu ir mais longe porque o oportunismo e desonestidade política das oposições sobrepôs-se ao interesse nacional - lembra-se da avaliação dos professores e da reestruturação da rede escolar, lembra-se das reformas na saúde do ministro Correia de Campos?

Este Governo reduziu defacto o défice das contas públicas, enquanto Cadilhe, Catroga, Ferreira Leite e Bagão Felix, que agora têm tão doutas opiniões, quando foram ministros das finanças de Portugal nada fizeram de sério nesse domínio a não ser a alienação consecutiva de património, como foi o caso dos dois últimos particularmente.

Eu bem vos entendo - como é que um fulano sem berço e vindo das berças, com uma licenciatura feita a prestações consegue, e nós tão bonitinhos, tão riquinhos e tão bem informados, não? - mas só me dá vontade rir HAHAHA

Antonio Cerveira Pinto disse...

A democracia de q fala transformou-se, de facto, numa minocracia cleptocrata. É uma minoria de portugueses que elege o parlamento/governo, e é uma minoria de eleitores que elege o presidente da república. Ou será q não reparou ainda neste pormenor?

Quanto a números leia, leia o q tem vindo a ser publicado por gente de todos os quadrantes: Medina Carreira, Vítor Bento, Manuel Maria Carrilho, Ernâni Lopes, Carlos Moreno (juiz jubilado do TC), Cristina Casalinho (economista chefe do BPI), e ouça Luís Campos e Cunha, José Silva Lopes, e até já, desde ontem, o iluminado de Beja, Augusto Mateus!

Mude de carroça, homem. Antes q a carroça tombe. Que não vai tardar a tombar!

Júlio disse...

OS ratos, sempre os ratos os primeiros a tentar fugir quando a tempestade ameaça o navio, eu admiro mais os Homens que enfrentam as tempestades, não fogem nem mudam de navio.

PS: Com tamanho asco a esta democracia (que tem a qualidade que os cidadãos quiserem que ela tenha) você pode muito bem passar por um anacrónico saudosista de outros tempos, quando os cleptocratas não precisavam de eleições nem de liberdade de tipo nenhum, para subjugarem o país.

Júlio disse...

OS ratos. São sempre os ratos os primeiros a tentar fugir quando a tempestade ameaça o navio, eu admiro mais os Homens que enfrentam as tempestades, não fogem nem mudam de navio.

PS: Com tamanho asco a esta democracia (que tem a qualidade que os cidadãos quiserem que ela tenha) você pode muito bem passar por um anacrónico saudosista de outros tempos, quando os cleptocratas não precisavam de eleições nem de liberdade de tipo nenhum, para subjugarem o país.

Antonio Cerveira Pinto disse...

Sobre ratos, conferiremos a sua frase daqui um ano ;)

Sobre o tema do asco à democracia, pelos vistos v. é mesmo o cínico q parece ser desde o primeiro comentário: não é importante, para si, denunciar a ladroagem, mas sim vesti-la com uma farpela democrática, e de caminho, claro, enfarinhar o código de processo penal, corromper as polícias e as hierarquias do ministério público, e colocar os meninos e as meninas cor-de-rosa no sítio certo. Já agora em que sítio é q v. está? eu estou aqui!

A única liberdade de facto q neste momento existe em Portugal é a dos cleptocratas assumirem democraticamente o direito de assaltar a poupança e a propriedade dos portugueses... até q um dia estes resolvam correr a pontapé as tríades, máfias e outras seitas q se apropriaram da estrutura do estado e dos monopólios clientelares a q se resume a desgraçada grande burguesia falida nacional.

Júlio disse...

Quem está aqui sou eu.

Estou aqui e há tempo suficiente para lhe poder dizer sem cinismo (que não uso) que V. é presunçoso, irresponsável, demagogo e muito provavelmente ignorante.

Julga ter competência para avaliar cabal e definitavente quem exerce funções para quais V. não tem a menor aptidão.

Põe em causa a democracia e a LIBERDADE que lhe é intrinseca, na suposição de que é esta a causadora de toda a sorte de vilanagens de que a sociedade portuguesa enferma.

Está subjacente ao seu discurso que só um regime alternativo poderia limpar a sociedade, das perversões que a democracia comporta, quando a verdade, é que no mundo ocidental não se conhece nenhuma alternativa minimamente satisfatória.

Muito provavelmente se V. soubesse como eu sei, o que é ser jovem sob um regime como aquele que antecedeu a democracia em Portugal, não usaria desse chorrilho de pseudo-verdades para "trocar os vates pelos tomates"

Antonio Cerveira Pinto disse...

Estou esclarecido.