terça-feira, novembro 02, 2010

Mr Hu Jin Tao

Retribuir a concessão de Macau

Deveríamos negociar uma concessão territorial à China, por 100 anos (porque não, nos arredores de Sines ou Beja, ou mesmo da Costa da Caparica), em troca do financiamento parcial da dívida externa portuguesa e de investimentos localizados no nosso país — sobretudo no sector portuário e ferroviário.

Os chineses poderiam financiar e explorar por um período de 50 anos o novo porto de águas profundas no "Fecho da Golada" (Trafaria), provavelmente o mais estratégico dos investimentos que Portugal poderá fazer nas próximas décadas, a par da ligação prioritária da sua rede ferroviária de transporte de passageiros e mercadorias ao projecto de interoperabilidade da rede ferroviária europeia de Alta Velocidade e Velocidade Elevada em bitola internacional, actualmente numa fase adiantada de concretização.

A China precisa do Atlântico como do pão para a boca. E quer ter na Europa um aliado estratégico na sua cavalgada para se posicionar entre 2015 e 2020 como primeira potência económica e financeira mundial, com uma capacidade de defesa militar estratégica e táctica à prova de provocações. Ora se precisa da Europa e do Atlântico, precisa de Portugal!

A China é do signo Peixes, tal como Portugal! Ou seja, é um povo de formigas, mas de formigas tão ao mais individualistas que as formigas lusitanas — daí que, sem governos fortes, tendam para a dispersão e a perda de rumo. Têm o gosto pela aventura e pela emigração. Gostam de trabalhar, têm espírito de iniciativa, são evasivos e subtis ao mesmo tempo, são excelentes comerciantes, como qualquer galaico-lusitano de gema. A única coisa importante que nos diferencia é a mudança do ciclo histórico. Mas se soubemos conviver e traficar com eles durante 446 anos, porque não saberemos agora renovar o pacto de cooperação por mais uns séculos?!

Eu nasci em Macau e tenho um apelido que só há pouco anos os portugueses começaram a soletrar e escrever sem erros (Cerveira). Talvez por estes dois episódios sempre me senti mais como um cidadão do mundo, do que como português do Norte, ou mouro de Lisboa. Talvez por este cosmopolitismo quase genético, me atrevo a propor ao meu país um acto de ousadia estratégica e imaginação: renovar o pacto de amizade e cooperação com a China por mais 400 anos!


POST SCRIPTUM

Estava errado: afinal China e Portugal não são do mesmo signo zodiacal, como em tempos escrevi. Portugal aparece reiteradamente anunciado como Peixes, mas a China moderna parece pertencer à constelação Caranguejo com ascendente em Balança... (30 jul 2012)

10 comentários:

skeptikos disse...

Nem mais, uma solução bem imaginativa e que traria a ambos os países muita mais-valia... se formos inteligentes, claro!

Carlos disse...

Meu caro senhor.
Excelente ideia a todos os títulos!
Oxalá os responsáveis portugueses percebam o que o senhor diz.
Sobre as qualidades do povo chinês,conheço-as bem,pois sou casado com uma chinesa genuína.
Melhores cumprimentos
Carlos Monteiro de Sousa

Cfe disse...

Meu Caro Antônio,

Acho uma péssima idéia colocar um enclave chinês em território europeu e ainda por cima, português até porque os vizinhos jamais permitiriam isso.

Muito em breve a China terá de ceder na questão do câmbio ou então serão erguidas barreiras protecionistas- outra via seria seguir uma desvalorização continuada como os EUA fazem com o dólar.

Independente do que possa acontecer, as vantagens chinesas no comércio internacional tenderão a diminuir consideravelmente ou até a desaparecer e portanto optar por uma vasalagem a tão distante país é um perigo para Portugal.

Abs.

Antonio Cerveira Pinto disse...

Caro Skeptikos,
Infelizmente, pelas amostras parlamentares de ontem e hoje, o bestunto político nacional continua no século 19: néscio, bronco, corrupto e sem vergonha, em suma, abranho!

Antonio Cerveira Pinto disse...

Carlos,
eu creio que os portugueses vão ouvir com muita atenção, no recato das audiências, claro, o que o senhor Hu Jin Tao terá para nos dizer ;)

Antonio Cerveira Pinto disse...

Meu caro Cfe,

Não se trata de vassalagem, mas de business! Os chineses nunca foram nossos vassalos enquanto estivemos em Macau. E depois garanto-lhe uma coisa: 100 mil chineses no Alentejo fariam mais pela renovação deste país do que 10 paraísos fiscais (de onde nada sai, e para onde a riqueza pilhada do mundo se esvai e esfuma...)

skeptikos disse...

Que tristeza: Se não é de Portugal, então deve ser da União Europeia
http://port.pravda.ru/

Francisco Sousa disse...

É isso mesmo, abram mais as portas à China, já não basta termos o nosso sistema produtivo completamente desactivado!
Aliás, não consigo perceber porque é que os comerciantes chineses beneficiam de isenções fiscais ou estão fora do sistema fiscal português, as suas lojas proliferam como cogumelos com artigos de fraca qualidade, sem valor, lixo que é exportado através de super porta-contentores para inundarem a europa.
Mas como precisamos da China para comprar a nossa dívida, lá vamos nós baixar as calças...
Francisco Sousa

Anónimo disse...

Negócios da china em Portugal começam pela banca
http://www.ionline.pt/conteudo/87259-negocios-da-china-em-portugal-comecam-pela-banca-

Ora, todos sabemos que este Governo PS, deu plenos poderes ao sistema financeiro e dividiu os dois maiores bancos com o aval de outros:
- Millennium Bcp para o PS.
- Caixa Geral de Depósitos para o PSD...

Estamos definitivamente entalados!

Anónimo disse...

A ser verdade o que os media relatam com o Professor Karamba e o Chico dos magalhães ao leme, não vamos levantar tão cedo as contas, a gaita e muito menos a coluna cervical!