terça-feira, fevereiro 26, 2013

Itália—o partido mais votado

Beppe Grillo, um comediante pela cidadania e pela política honesta

O centro (corrupto) morreu. Por uma democracia forte!

O MoVimento 5 *****, liderado por Beppe Grillo foi o partido mais votado nas eleições legislativas italianas do passado fim-de-semana: 25.6%, 8.689.168 votos. Curiosamente a indigente imprensa que temos omitiu o facto!

De ora em diante a Europa começará a polarizar-se rapidamente... mas não entre os partidos populistas convencionais, que serão cada vez mais odiados por todos, pois esconderam da população, ao longo das últimas décadas, o colapso económico, laboral e social dos diversos países europeus.

Depois da Itália, seguir-se-ão o Reino Unido e a França. Apertem os cintos e organizem-se, a começar por assembleias de bairro convocadas via Facebook e desenvolvidas via Meetup (ou plataformas similares), onde todos os participantes deverão fazer declaração de interesses (empregados/desempregados; patrões/assalariados; confissão religiosa/ou não, filiação partidária/ou não), instituindo assim o máximo de transparência por forma a evitar a cooptação das assembleias por organizações partidárias, corporativas e/ou religiosas, em nome de uma cidadania democrática forte como única instância determinante da reflexão e da ação.

O movimento Que Se Lixe a Troika deixou-se infiltrar e cooptar pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, pelo que se transformou num falso movimento cívico, sem ideias (apenas maniqueísmo) e sem autonomia. Não será por aqui que encontraremos uma alternativa ao apodrecido e totalmente corrompido sistema partidário português.

Chamo a vossa atenção para ordem das prioridades do programa do MoVimento***** — Estado e cidadania; Energia; Informação; Economia; Transportes; Saúde, Instrução. Não poderia ser mais inovadora, oportuna e alternativa às agendas cansadas, retóricas, corrompidas e invariavelmente populistas das falhadas partidocracias das falidas democracias europeias. O preâmbulo do programa diz o seguinte:
A atual organização do Estado é burocrática, sobre dimensionada, cara, ineficiente. O Parlamento já não representa os cidadãos, que não podem escolher os candidatos, mas apenas os símbolos dos partidos. A Constituição não é aplicada. Os partidos substituíram-se à vontade popular e subtraíram-se ao seu controle e julgamento. (1)



O Seguro quer crescimento e o resto do regime não fala doutra coisa. E diz que vai trazê-lo de volta ao país, e que com este crescimento vai reinstaurar a esperança, a liberdade (de não ser escravizado pelo fascismo fiscal em curso, suponho), o pão (que só o trabalho deveria dar), a paz (que nem já os sindicatos populistas conseguem segurar) e a habitação (que os bancos estão a roubar descaradamente nas barbas de uma classe política acomodada, cobarde e indigente).

Isto, sim, é puro populismo, e conversa fiada de quem não prestou pela falência do país.

Precisamos de uma nova agenda de conteúdos, meus senhores.

Portugal vai decrescer daqui em diante a um ritmo médio de 2% ao ano (na melhor das hipóteses!)

Que fazer, então?

Há neste momento reflexões dispersas sobre a necessidade urgente de substituir o insolvente regime instalado, por outro, genuíno, transparente, responsável e fiável. As que O António Maria tem desenvolvido a este propósito estão condensadas num outro blogue, a que chamei Novo Partido Democrata. O momento chegou, porém, de agir e fazer convergir as ideias para um movimento de cidadania alargado.

NOTAS
  1. Se alguém quiser fazer o favor de traduzir para português este programa prestaria certamente um bom contributo para a discussão em curso no nosso país sobre uma crise em quase tudo muito semelhante.

3 comentários:

vazelios disse...

Caro António bom artigo.

"Rosto conhecido da televisão dos anos 70 e 90, este comediante apareceu agora a denunciar as intrigas da velha política e a criticar o capitalismo selvagem e corrupto, alcançando uma enorme popularidade entre os italianos"

Nesta afirmação retirada do link que expôs da TVI24, gostava apenas de comentar o injusto que é conotar o capitalismo de uma coisa má, e usá-lo como bode expiatório para tudo.

Capitalismo selvagem? City ou WS com os seus tradings sobre futuros, derivados e etc, em busca de lucro rápido, mesmo à conta de outros? Isso para mim é capitalismo selvagem. Isso sim condeno.

Mas que dizer do Comunismo reinante na Europa e no mundo ocidental, sob a capa duma democracia activa, quer seja à direita ou esquerda? Que dá tudo ao sector publico, asfixia o sector privado, dando regalias a uns e sugando outros?

Existem demasiados choques na actualidade:

- Privado Vs Publico
- Geração jovem Vs Geração Boom (50s, 60s)
- ProCapitalismo Vs anti-capitalismo

Destes três, penso que o ultimo carece de informação. O capitalismo não é mais do que economia liberal, os meios de produção serem essencialmente privados, existência de concorrência, promover o sector privado com baixos impostos, com lucros distribuidos por salarios, dividendos ou reinvestidos na empresa. Onde é que isto é mau? Só quando se torna capitalismo selvagem, como é o caso de WS e a City.

Mas culpar o capitalismo como um todo parece-me bastante injusto. Desde que existam regras...

O que é o contrario de capitalismo se não o que estamos a viver agora? Em que uma empresa para funcionar tem de pagar impostos asfixiantes, ou nós para podermos ser beneficiados com promoções ou aumentos salariais por mérito próprio tenhamos que dar metade ao estado? Isto não é capitalismo, é comunismo disfarçado, não concorda?

Uma pessoa que ganhe 2000 Brutos/Mês leva para casa 1200. Uma que ganhe 8000 leva para casa pouco mais de 3800. Isto é escandaloso. Tudo para aguentar o estado que temos!

Se isto é capitalismo então o meu curso de gestão não vale nada, não aprendi nada.

Cumprimentos

antonio cerveira pinto disse...

O capitalismo europeu e o capitalismo americano estão ambos a caminhar rapidamente para o que designo FASCISMO FISCAL — ou seja, a cooptação do sistema capitalista por uma elite de especuladores servidos por uma imensa burocracia hipocritamente keynesiana e sobretudo estatista a quem os 0,01% que dominam o jogo económico e financeiro atiram algumas lentilhas para que suguem e policiem a multidão.

Se não houver imaginação, nem juízo, à medida que o precipício energético se tornar completamente visível a todos, nada poderá parar uma guerra civil à escala mundial!

vazelios disse...

Concordo em pleno com a caracterização.

A elite usa o bom nome do Keynesianismo, falhado, para iludir as massas e assim manter o status quo.

E assim continuamos a penar.

É perceber que o Keynesianismo não funciona, pelo menos nos moldes em que a economia mundla está actualmente, e que para uma economia mais saudavel o estado tem de ser o mais pequeno possível, pesando o beneficio da sociedade no curto prazo, ou presente, contra o prejuizo futuro da mesma sociedade. Hoje em dia só se pensa em salvar o presente.