A margem que resta na nossa democracia
Salvo alguns bancos e seguradoras, toda a economia portuguesa entretanto semi-alienada, ou foi diretamente vendida a investidores estrangeiros, ou, no caso da maioria dos setores estratégicos da nossa soberania, foi objeto de sucessivas concessões por longas décadas — o que não é tão mau como uma venda pura e dura de ativos. Apesar de tudo, mesmo os bancos, as seguradoras e as empresas de telecomunicações privados, para operarem, precisam de licenças do Estado português — o que até certo ponto protege o país da pura alienação de ativos. Compete, assim, à burguesia burocrática que temos (as outras quatro — agrária, industrial, comercial e financeira — estão, desde o início deste século, em vias de extinção) gerir de forma competente e honesta os contratos de concessão e as licenças. Por outro lado, a burguesia burocrática que resta confunde-se com o próprio sistema partidário, e com o Estado! Cabe, em suma, aos eleitores exigir-lhe, nas urnas, o cumprimento diligente e inteligente desta tarefa. É a margem da nossa democracia.
