Mostrar mensagens com a etiqueta aço. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta aço. Mostrar todas as mensagens

domingo, novembro 30, 2025

Este mundo tem menos de 200 anos

London Steam Carriage,
Road locomotive by Trevithick and Vivian, demonstrated in London in 1803 — Wikipedia.


— a revolução dos transporte que tudo mudou

O mundo tal como o conhecemos hoje – articulado por grandes redes ferroviárias, navegação a vapor e diesel, estradas asfaltadas, aviação comercial e satélites – é surpreendentemente recente na história humana. 

No século XIX, transportar mercadorias por rios, canais e mar era, em regra, várias vezes mais barato do que fazê‑lo em terra com carruagens puxadas por animais. Quando o transporte ferroviário se difundiu, graças à produção em massa de carris de ferro forjado em laminadores alimentados por fornos a carvão – primeiro vegetal, depois, de forma crescente, coque – o custo do transporte terrestre caiu de forma brutal. A ferrovia continuava, em geral, mais cara do que as vias aquáticas, mas podia ser muito mais barata e rápida do que o transporte rodoviário de tração animal, permitindo uma circulação de pessoas e mercadorias até então impensável. Assim, as grandes redes de caminho‑de‑ferro aceleraram de forma decisiva uma revolução industrial que tinha começado décadas antes, com os teares mecânicos, as máquinas a vapor e a siderurgia a carvão.

Em pleno século XXI, as vias aquáticas (rios, canais e mares) e a ferrovia continuam a ser meios de transporte estruturantes para as economias nacionais e para a globalização. Apesar da concorrência dos automóveis e aviões, estes modos mantêm uma elevada eficiência energética, sobretudo em grandes volumes de carga, enquanto o transporte rodoviário e aéreo consome quantidades muito elevadas de combustíveis fósseis, principalmente derivados de petróleo, e exige grandes volumes de metais e outros recursos nas suas infraestruturas e veículos.

As estradas asfaltadas e o transporte rodoviário automóvel garantem, por sua vez, uma capilaridade essencial à economia global desde o fim da Segunda Guerra Mundial. É essa malha fina de camiões, furgões e automóveis que liga portos, estações ferroviárias, aeroportos, armazéns e pontos de venda, costurando a logística de última milha que os grandes modos não cobrem diretamente.

O transporte aéreo encurtou drasticamente as ligações logísticas e humanas entre regiões afastadas, sobretudo em rotas intercontinentais e em muitas distâncias de algumas centenas de quilómetros para cima. Ao comprimir o tempo de viagem, redefiniu escalas de decisão política, económica e cultural, tornando plausíveis, por exemplo, reuniões presenciais e cadeias de valor distribuídas por vários continentes.

O transporte aeroespacial mudou ainda mais a perceção que temos do mundo e de nós próprios, permitindo observar o planeta como sistema único e encurtando, de forma invisível, as distâncias entre pessoas, mercadorias e destinos. Sem satélites de telecomunicações, observação da Terra e posicionamento, o comércio eletrónico global, tal como hoje funciona, seria praticamente impossível, e a logística em tempo real perderia grande parte da sua precisão. O comércio em linha representa já uma fração significativa do comércio mundial e continua a crescer, apoiado precisamente nessa infraestrutura orbitante. Em 2024, o comércio eletrónico terá representados, de acordo com algumas estimativas, mais de 20% das vendas globais. Em Portugal, em 2024, cerca de 49% da população com idades entre 16 e 74 anos efetuou compras online, com o peso das vendas online no total das vendas do setor do retalho a situar-se nos 8%. 

Em suma, os sistemas de transporte acima descritos, e a sua articulação – a intermodalidade – constituem a espinha dorsal do desenvolvimento humano contemporâneo e da globalização. Qualquer colapso prolongado de um destes sistemas implicaria transformações profundas, e provavelmente traumáticas, no modelo de civilização que conhecemos.


NOTA

A ferrovia moderna tornada possível pela associação e proximidade geográfica entre as minas de ferro e as minas de carvão de coque ocorreu na Inglaterra, garantindo-lhe a dianteira da Revolução Industrial que mudou o mundo. Sobre este tema recomendo este link.