segunda-feira, agosto 04, 2014

Novo Banco, primeira cobaia do SRM

Mario Draghi (Dragão).
Foto: Associated Press

 

Carlos Costa esteve à espera da aprovação do Regulamento do SRM. O governo também. Cavaco também. E o resto são tretas!


Governo e Cavaco trabalharam em segredo para salvar o BES

Apesar de o Governo dar a entender que não tem nada a ver com a intervenção no BES, ontem houve conselho de ministros extraordinário para aprovar um decreto lei crucial no salvamento do banco. Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque aprovaram, em segredo, um diploma que regulamenta a gestão do banco novo ou "banco de transição". O Presidente da República promulgou o decreto quase de imediato. Nenhum dos intervenientes publicitou facto tão relevante. O governador do Banco de Portugal também não tocou no assunto.

De acordo com a informação publicada hoje no Diário da República, o diploma altera o regime aplicável aos bancos de transição (neste caso, o Novo Banco, que emergiu do BES), à luz das novas regras europeias aprovadas a 15 de maio de 2014. O Novo Banco ficou com as partes saudáveis do balanço; o BES passou a ser o banco mau, como todo o lixo financeiro, as cobranças duvidosas, etc.

04/08/2014 | 14:09 |  Dinheiro Vivo

Quem salvou, por agora, o BES, e o transformou num banco mau cheio de lixo e de perdas para acionistas, especuladores e piratas (bail-in), e num banco bom, o Novo Banco, com proteção dos depositantes e detentores de dívida garantida e sénior, foi o BCE e a CE através de uma coisa chamada SRM—Single Resolutiom Mechanism. O Novo Banco é, assim, sem mais rodriguinhos nem bicos de pé, a primeira experiência de resgate combinado (bail-in/bail-out) de um banco na Eurolândia, depois do desastre de Chipre. A expectativa não pode deixar de ser grande.

As hesitações de Carlos Costa e o timming das "suas" decisões foram completamente cronometradas por Bruxelas e Frankfurt e estiveram dependentes da aprovação pelo Parlamento Europeu, em 15 de julho último, do Regulamento do dito SRM. Este regulamento foi precedido de uma Diretiva sobre o mesmo assunto publicada em 15 de maio deste ano.

Foi no dia 15 de julho que a Goldman Sachs, a Desco e a Baupost fizeram grandes compras de ações do BES, adquirindo até participações de referência (mais de 2%). Terá a GS previsto que o mecanismo iria ser usado no BES? Apostou na continuidade de um BES resgatado? Não imaginou que se pudesse criar um Banco Novo, e que o BES fosse parar ao lixo? Talvez Carlos Moedas nos possa esclarecer. Em todo o caso, a GS vendeu parte substancial destas ações no dia 23 de julho... coisa que só ficámos a saber no dia 1 de agosto. No mínimo, intrigante.

Cavaco e Governo não pregaram prego, nem estopa, na operação mãos limpas do BES. E o professor Marcelo, depois de ter andado anos, meses, semanas, dias a vender o BES e a excelência do sistema bancário aos indígenas veio agoraa, com aquele ar fresco do costume, esclarecer a sua audiência que Portugal é, afinal, a primeira cobaia do SRM. Que tal deixar de brincar as candidatos presidenciais mascarado de analista, e pedir desculpa pelo seu otimismo exagerado em matéria tão sensível quanto é o dinheiro dos contribuintes e dos depositantes? Tal como o Marques Mendes, Marcelo não passa, afinal, de um coscuvilheiro de São Bento e de Belém.

António José Seguro sabia o que se estava a passar e agiu em conformidade. Marcando território, mas assumindo também uma posição ponderada e correta sobre o desenrolar dos acontecimentos.

Pelo contrário, as ossadas do leninismo-estalinista e as beatas do fantasma trotsquista andam literalmente perdidas nestas andanças nada neoliberais e muito hiper-keynesianas de um capitalismo uraniano capaz de devorar os seus filhos mais diletos.

Ou muito me engano, ou vem aí um entendimento novo entre o PS e o PSD, pois não vejo como a famosa 'esquerda' possa alguma vez sair da sopa de letras azeda onde há muito caíu e de onde não há meio de sair.


REFERÊNCIAS DE UM BAIL-IN/BAIL-OUT

  • Draghi Says EU Bank Resolution Fund Needed With Power to Borrow
    Bloomberg
    . By Rebecca Christie and Ian Wishart Sep 23, 2013 4:59 PM GMT+0100
  • REGULAMENTO (UE) N.o 806/2014 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO
    de 15 de julho de 2014
    que estabelece regras e um procedimento uniformes para a resolução de instituições de crédito e de certas empresas de investimento no quadro de um Mecanismo Único de Resolução e de um Fundo Único de Resolução bancária e que altera o Regulamento (UE) n.o 1093/2010
    [LINK-PT] [LINK-EN 
  • DIRETIVA 2014/59/UE DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO
    de 15 de maio de 2014
    que estabelece um enquadramento para a recuperação e a resolução de instituições de crédito e de empresas de investimento e que altera a Diretiva 82/891/CEE do Conselho, e as Diretivas 2001/24/CE, 2002/47/CE, 2004/25/CE, 2005/56/CE, 2007/36/CE, 2011/35/CE, 2012/30/UE e 2013/36/UE e os Regulamentos (UE) n.o 1093/2010 e (UE) n.o 648/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho
    (Texto relevante para efeitos do EEE)
    [PDF-PT] 
  • EU Bank Recovery and Resolution Directive (BRRD): Frequently Asked Questions [LINK]

Mais um banco salvo pelos alemães e por Draghi


Banco bom, banco mau diz-me lá quem é o Novo Banco


Para além de fugir com o rabo à seringa das suas graves responsabilidades, o governador do Banco de Portugal não disse nada de novo na sua comunicação que não tivesse sido já adiantado pela imprensa nacional e internacional, com pequenos ajustes nos números e na nova marca:


Foi o BCE que, in extremis, e perante a passividade indígena, deu o golpe de coelho no BES, desencadeando o processo de falência (banco mau) e resolução (banco bom)

O chamado Fundo de Resolução é uma forma hábil de a Comissão Europeia e o BCE (ver declarações de Draghi à Bloomberg, 2013) escaparem ao tribunal constitucional alemão e à legislação comunitária que impede auxílios de estado a empresas públicas (daí a impossibilidade de uma nacionalização do BES suportada com dinheiro do orçamento — como propõe o PCP), ou o resgate de instituições financeiras privadas com dinheiro dos contribuintes.

Convém sublinhar que, no caso europeu, os resgates com dinheiro público redundam sempre numa fatura cuja fatia principal é invariavelmente paga pelos contribuintes alemães, na medida em que é o maior mutualista do BCE. Mas até nisto os sacrificados contribuintes portuguerses acabam por ser defendidos pelos alemães. Não haverá resgate público do BES porque o Tribunal Constitucional alemão não deixa!

Por outro lado, a ideia do Mecanismo Único de Resolução, com legislação atualizada em 15 de julho transacto (Single Resolution Mechanism - SRM), que pressupõe a constituição de fundos de resolução nos vários países da CE, tem a particularidade de permitir a esses fundos de resolução constituirem-se não apenas através de cotizações das entidades financeiras que fazem parte do fundo, mas também através de empréstimos obtidos junto de entidades privadas e/ou públicas. É por aqui que o SRM escapa à acusação de as novas operações de resgate de bancos e afins serem suportadas pelos contribuintes. No limite, os empréstimos públicos aos fundos de resolução (por exemplo, oriundos do fundo de recapitalização bancária da Troika) são operações temporárias com rentabilidade programada e previsível, e não entram nas contas oficiais do estado como despesa, sendo fiscalmente neutras.

REGULATION (EU) No 806/2014 OF THE EUROPEAN PARLIAMENT AND OF THE COUNCIL

of 15 July 2014, EUR Lex

Establishing uniform rules and a uniform procedure for the resolution of credit institutions and certain investment firms in the framework of a Single Resolution Mechanism and a Single Resolution Fund and amending Regulation (EU) No 1093/2010

[...]
(102)
As a principle, contributions should be collected from the industry prior to, and independently of, any operation of resolution. When prior funding is insufficient to cover the losses or costs incurred by the use of the Fund, additional contributions should be collected to bear the additional cost or loss. Moreover, the Fund should be able to contract borrowings or other forms of support from institutions, financial institutions or other third parties in the event that the ex-ante and ex-post contributions are not immediately accessible or do not cover the expenses incurred by the use of the Fund in relation to resolution actions.

Seria bom que na manhã de 4 de agosto não houvesse uma corrida ao Novo Banco para dar ordens de transferência ou de fecho de contas. A operação em curso não saiu da cabecinha distraída do senhor Carlos Costa, mas do génio de um senhor chamado Mário Draghi, e portanto do BCE. Ou seja, o êxito desta operação de bail-out/bail-in, com pesadas perdas para os investidores financeiros do BES e da sua pirâmide Ponzi, e provável criminalização de Ricardo Salgado e associados, é uma estreia do SRM que, como tal, terá que correr bem, sob pena do euro e do SME sofrerem um abanão enorme. Se tivesse uma conta no Novo Banco, não a fecharia neste momento.


IMPRENSA
"Novo" BES recebe ajuda de 4,9 mil milhões de euros através do fundo de resolução
03 Agosto 2014, 23:10 por Jornal de Negócios

O fundo de resolução vai buscar 4,4 mil milhões de euros da troika para ajudar o BES. Os restantes 500 milhões serão assegurados pelos bancos, através de um reforço do fundo, neste caso sem a troika, apurou o Negócios.

O Banco Espírito Santo vai ser dividido em dois. A parte boa, que se chamará Novo Banco e que ficará com os depósitos e os activos saudáveis; e a parte má, o banco mau que ficará com os activos tóxicos como dívidas do Grupo Espírito Santo. O banco mau vai fechar. O banco bom vai continuar as operações. Mas precisa de uma ajuda financeira.

Esse "novo" BES vai receber uma ajuda financeira para cobrir as insuficiências de capital detectadas após os prejuízos de 3.577 milhões de euros. Será necessária uma ajuda de 4,9 mil milhões de euros, revelou o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, este domingo.

O capital do Novo Banco passa a ser "totalmente detido pelo fundo de resolução", que não inclui "fundos públicos", disse Carlos Costa, adiantando que será contraído um empréstimo junto do Estado português, que é "temporário" e que pode ser substituído por um empréstimo da banca.

Publicado: 4/8/2014, 01:51 WET
Atualização: 4/8/2014, 09:39 WET

domingo, agosto 03, 2014

BES: falência 'ordenada' já começou!

O Fundo de Resolução é um instrumento para organizar uma falência bancária ordenada


Ou seja, já está em curso —presumo— o processo de falência ordenada do BES, ou seja, a dita resolução do banco. É isto mesmo que dentro de algumas horas o governo terá que comunicar ao país. Não se trata, pois de recapitalizar o que não é recapitalizável, mas sim de fechar um banco sem levar todo o sistema bancário e financeiro indígena ao fundo. O fundo de recapitalização bancária acautelado no Programa de Assistência Financeira a Portugal não estará seguramente disponível para ser derretido no cancro financeiro em que a constelação BES se tornou.

A treta de Marques Mendes: "Recapitalização do BES não será feita com dinheiro do Estado" — Sapo ; Estado capitaliza "BES bom" e separa "BES mau" — Expresso.

Diz Marques Mendes que será um obscurso Fundo de Resolução a entidade que irá tapar a cratera do BES com 4 a 5 mM€. Ora bem, este fundo tem apenas 182,2 milhões de euros (182 241 500€), o que prova que o mesmo não foi constituído para tapar seja o que for. A palavra 'resolução' é uma tradução da palavra inglesa 'resolution', a qual em finanças quer dizer fechar a tasca falida de forma tão ordenada quanto possível!

Aliás, basta ler o que o BCE escreve e determina para estes fundos de 'resolução':
“What is bank resolution?

Resolution occurs at the point when the authorities determine that a bank is failing or likely to fail,that there is no other private sector intervention that can restore the institution back to viability within a short timeframe and that normal insolvency proceedings would cause financial instability.

‘Resolution’ means the restructuring of a bank by a resolution authority, through the use of resolution tools, to ensure the continuity of its critical functions, preservation of financial stability and restoration of the viability of all or part of that institution, while the remaining parts are put into normal insolvency proceedings.

The EU Bank Recovery and Resolution Directive provides authorities with more comprehensive and effective arrangements to deal with failing banks at national level, as well as cooperation arrangements to tackle cross-border banking failures.

Effective resolution should also address moral hazard, as one of its key functions is to enhance discipline within the markets. Resolution is thus a vital complement to other work streams designed to make the financial system sounder, e.g. making banks stronger through requiring greater levels of better quality capital, greater protection of depositors, safer and more transparent market structures and practices, and better supervision.”

Brussels, 15 April 2014

EU Bank Recovery and Resolution Directive (BRRD): Frequently Asked Questions

Entretanto o Banco de Portugal e o BES já começaram a cortar o cabelo de alguns clientes do BES!
Banco de Portugal proíbe resgate de obrigações de clientes do BES
Artur Barreto viu dinheiro ser retirado da conta à ordem um dia depois do pedido de resgate antecipado

Os clientes que têm obrigações do BES estão impedidos de resgatar o dinheiro do banco. Para travar a sangria de fundos, o Banco de Portugal deu indicações específicas à nova administração. O BES confirma que estas orientações podem estar a provocar constrangimentos em alguns clientes.

Por: IOL, Redacção / CLC    |   2014-08-02 20:20

ÚLTIMA HORA

A imprensa acaba de confirmar o que acima se escreveu às 13:32...

Governador do Banco de Portugal anuncia às 22h30 solução para recapitalizar o BES
03 Agosto 2014, 15:42 por Jornal de Negócios

Carlos Costa fará uma declaração esta noite a anunciar qual será a solução para recapitalizar o Banco Espírito Santo. As autoridades portuguesas continuam em contactos com a Comissão Europeia.

Solução para recapitalizar o BES com recurso ao Fundo de Resolução
03 Agosto 2014, 14:03 por Jornal de Negócios

O BES sai de bolsa e será dividido em duas instituições. O BES será recapitalizado através do Fundo de Resolução, que recebe um empréstimo da linha da troika para o efeito. E será criado um "bad bank" onde ficarão os activos tóxicos. O anúncio oficial deverá ser feito hoje.

BES: Plano B prevê usar fundo de resolução e criar "bad bank"
01 Agosto 2014, 00:01 por Jornal de Negócios

Além do aumento de capital, exclusivamente através do mercado ou resultante da conjugação de fundos públicos e privados, existe um plano B para lidar com os problemas do BES. Esta alternativa, com menor grau de viabilidade, prevê a utilização do Fundo de Resolução para financiar a reestruturação do banco imposta pelo Banco de Portugal, sabe o Negócios.

Publicado: 3/8/2014, 13:32 WET
Atualização: 3/8/2014, 16:23 WET

sábado, agosto 02, 2014

Quem deve o quê ao BES?


Maria Luís Albuquerque. Ministra das Finanças.

Governo tenta salvar in extremis banco insolvente e falido com mais dívida pública, e portanto com mais austeridade, mais cortes e mais assaltos fiscais aos rendimentos e poupanças dos portugueses normais. Onde está o neoliberalismo, indigentes da Esquerda?


O Estado vai entrar no capital do BES, avançaram esta sexta-feira à noite a SIC e a TVI. A estação de Queluz diz que fontes oficiais do Governo confirmam que o modelo encontrado para resolver rapidamente o problema do BES passa pela entrada de dinheiro público no banco. A estação de Carnaxide acrescenta ainda que a decisão vai ser comunicada já no próximo domingo à noite.

Jornal de Negócios, 1/8/2014, 22:30

Quem deve e o quê ao BES? 

Quanto deve TAP ao BES? Quando deve o Metro de Lisboa ao BES? Quanto deve o Metro do Porto ao BES? Quanto deve a Carris ao BES? Quanto deve a CP ao BES? Quanto deve a Câmara Municipal de Lisboa, do socratino Costa e do primo de Ricardo Salgado, Manuel Salgado, ao BES?  Quanto devem as outras autarquias ao BES? Quanto deve a EDP ao BES? Em suma, o BES encontra-se insolvente e falido, não apenas porque andou a brincar ao Monopólio, não apenas porque andou metido com cleptocratas americanos, africanos, europeus, ibéricos e indígenas, mas sobretudo porque foi um dos principais banqueiros de um regime político que dia a dia implode diante de todos nós, depois de ter capturado a democracia em nome de sonhos populistas que se tornaram pesadelos diários para milhões de portugueses.

Passar a fatura do prejuízo aos contribuintes e empurrar a dívida pública com a barriga é o que o governo, ou melhor dito, o regime corrupto que temos vai voltar a fazer. Deu-o a saber ontem à noite, procurando assim, in extremis, evitar uma corrida dos depositantes do BES às transferências eletrónicas na próxima Segunda Feira. É que se tal viesse a ocorrer, todo o sistema financeiro português poderia colapsar, pois não se vê como é que o Estado poderia garantir levantamentos de depósitos na ordem das dezenas de milhar de milhões de euros.

O governo vai proceder, para todos os efeitos, a uma nacionalizalção parcial e previsivelmente temporária do BES. Parece bem. Mas não é. De facto, com esta medida, o principal objetivo do governo, do Banco de Portugal, da CMVM e dos partidos do regime é esconder da opinião pública que são o estado e as suas empresas públicas, e ainda os rendeiros do regime, os principais devedores do BES e a causa da sua ruína. Mas a consequência vai certamente ser desastrosa, pois o que vamos ter é um aumento colossal do buraco negro da dívida pública — pois ninguém vê como é que o BES poderá pagar uma recapitalização de 4mM€ com juros a 10%. O buraco negro do BES vai acrescer ao buraco negro do BPN e ao ainda por destapar buraco negro da Caixa Geral de Depósitos. Há vários anos que avisámos que algo semelhante a isto iria ocorrer.


BES 2013-2014 (em 30 de junho de 2014)

Quebra de receitas: -73,1%
Depósitos (i.e. responsabilidades): 35 932 M€
Quebra nos depósitos: -1 980 M€
Depreciação da empresa: -41,30%
Custos operacionais: 594,8 milhões (+5,7%) — há 600 funcionários na prateleira
Prejuízos -3 577,3 M€


Ninguém sabe se o BES será o bater de asas de uma nova crise aguda no inevitável colapso do atual sistema financeiro de Bretton Woods, de que os BRICS já fogem a sete pés. Mas lá que vai estourar com os objectivos para o défice português em 2014, 2015, 2016, ... vai.

Apertemos, pois, uma vez mais, os cintos de segurança!


ÚLTIMA HORA

"BES é um BPN cinco vezes maior", SIC, 23:15 02.08.2014

Catarina Martins diz que serão os contribuintes a pagar a recapitalização do BES. Este sábado, num comício no Algarve, a coordenadora do Bloco de Esquerda diz que o Banco Espírito Santo é um caso igual ao BPN, mas cinco vezes maior.

O Bloco sabe que o BPN tinha 4% do mercado de depósitos nacional e que o BES tem 20%. As contas são simples de fazer: 20/4=5. Ou seja, o buraco do BES é (potencialmente) 5 vezes maior do que o do BPN. Que diz António José Seguro? Paga o povo, ou deixa-se cair o banco, como seria normal em qualquer outra empresa insolvente que entre em falência? Não anda o Ministério das Finanças a executar contribuintes devedores pelo país fora, às dezenas de milhar, confiscando-lhes ativos de empresas, terras, casas e salários? Que privilégio deve ter o BES em situação semelhante? Se for privilegiado, além de se premiar a corrupção e o roubo descarado, quem irá pagar a fatura? E será possível impor novos e injustos sacrifícios aos portugueses sem lançar o país numa profunda depressão e no caos social?

A nossa posição é clara e em sintonia com as diretivas do BCE: o BES deve declarar falência, tal com já o fizeram as demais quimeras piramidais do grupo BES, e deve pedir proteção contra credores, iniciando-se imediatamente o processo de recuperação de créditos mal parados, a começar pela EDP, TAP, outras empresas públicas e autarquias. Será terrível? Sim, será muito mau, mas forçará o regime, de uma vez por todas, a reformar o Estado e as suas mordomias, levando a tribunal umas boas dezenas de malfeitores incuráveis.

O colapso do regime está em curso. Quem está no poder (Pedro Passos Coelho) e na Oposição (António José Seguro) têm uma oportunida irrepetível para colocar Portugal noutro patamar de rigor e exigência. Se não o fizeram, acabarão por sucumbor na enxurrada a que objetivamente abrirão portas no caso de nacionalizarem os prejuízos da Dona Branca Espírito Santo Piramidal (BES, GES, ESFG, etc.) e passarem mais esta fatura à economia, aos contribuintes e em geral a todos os portugueses menos os que eventualmente sairem a rir deste escândalo sem precedentes.


A treta de Marques Mendes: "Recapitalização do BES não será feita com dinheiro do Estado" — Sapo
 

Diz Marques Mendes que será um obscurso Fundo de Resolução que irá tapar a cratera do BES com 5 mM€. Ora bem, este fundo tem apenas 138 milhões de euros, e além do mais, não foi constituido para tapar seja o que for. A palavra 'resolução' é uma traduçao da palavra inglesa 'resolution', a qual em finanças quer dizer fechar a tasca falida de forma tão ordenada quanto possível...

Aliás, basta ler o que o BCE escreve e determina para estes fundos de 'resolução':

“What is bank resolution?

Resolution occurs at the point when the authorities determine that a bank is failing or likely to fail, that there is no other private sector intervention that can restore the institution back to viability within a short timeframe and that normal insolvency proceedings would cause financial instability.

‘Resolution’ means the restructuring of a bank by a resolution authority, through the use of resolution tools, to ensure the continuity of its critical functions, preservation of financial stability and restoration of the viability of all or part of that institution, while the remaining parts are put into normal insolvency proceedings.

The EU Bank Recovery and Resolution Directive provides authorities with more comprehensive and effective arrangements to deal with failing banks at national level, as well as cooperation arrangements to tackle cross-border banking failures.

Effective resolution should also address moral hazard, as one of its key functions is to enhance discipline within the markets. Resolution is thus a vital complement to other work streams designed to make the financial system sounder, e.g. making banks stronger through requiring greater levels of better quality capital, greater protection of depositors, safer and more transparent market structures and practices, and better supervision.”

Brussels, 15 April 2014

EU Bank Recovery and Resolution Directive (BRRD): Frequently Asked Questions


Atualização: 3/8/2014, 13:19 

O Goldman boy

Nova sede de EDP em construção, Cais do Sodré, Lisboa

Afinal o Moedinhas vai para Bruxelas. E a Maria Luís fica!


A primeira pergunta que tenho para Vítor Bento é esta: não soube no dia 23 de julho que a Goldman Sachs se desfizera da participação qualificada adquirida a 15 do mesmo mês? Se sabia, porque não esclareceu a opinião pública, os investidores e os clientes do BES? Segunda pergunta: em que posição estão a Desco e a Baupost? Continuam a ter participações de referência, ou também venderam, total ou parcialmente, as ações adquiridas. E se venderam, quando foi? A 23 de julho, ou depois desta data? Quando? Em que dia? A que hora, minuto e segundo?!

Os factos, se confirmados, revelam que entre 23 de julho e 1 de agosto o país e os mercados andaram a ser literalmente iludidos pela nova administração do BES e pelo governo. Se não vejamos:
  • 15 julho
    —Goldman Sachs: compra 2,27% do BES...
  • 21 julho
    —Cavaco Silva afirmou que os portugueses podiam confiar no BES de acordo com informações que recebia do Banco de Portugal.
  • 22 julho
    —BES revela à CMVM que a Goldman Sachs comprou 127,6 milhões de ações a que então correspondia 2,27% do capital...
  • 23 julho
    —Imprensa portuguesa embandeira em arco com o apetite da Goldman pelo BES
    —Citi recomenda a compra de ações do BES...
    —Muitos idiotas dão ordem de compra, e muitos ingénuos adiam a sua saída do buraco chamado BES...
    —Goldman vende neste mesmo dia 4,4 milhões de acções, ficando fora da participação qualificada...
  • 29 julho
    — A-G do BES é adiada sine die a pedido da ESFG depois de ver aceite por parte das autoridades luxemburguesas o seu pedido de protecção contra credores...
  • 30 julho
    —Resultados desastrosos do BES superam tudo o que os analistas de algibeira anunciaram aos quatro ventos, levando Pedro Passos Coelho a adiar a decisão sobre o novo comissário europeu a propor pelo governo português a Claude Juncker, e que, segundo o Observador de 28/7, seria, com certeza, Maria Luís Albuquerque, a qual por sua vez seria substituída pelo Goldman boy Carlos Moedas...
  • 31 julho— O anúncio do comissário europeu a propor por Portugal, prometido para o final do dia 31 de julho, é adiado, alegando Pedro Passos Coelho conversas de última hora com Claude Junker...
  • 01 de agosto
    —A imprensa anuncia oito dias depois do sucedido que, afinal, a Goldman Sachs deixou de ter uma participação qualificada no capital do BES após vender mais de 4,4 milhões de acções, ficando com menos de 2% da instituição. Esta alienação da posição ocorreu, recorde-se, no dia 23 de julho!
    — Passos Coelho anuncia que, afinal, Carlos Moedas é a pessoa indicada pelo governo para a Comissão Europeia, bla bla bla bla bla bla....
Ou seja, a Goldman vendeu, não dia 30 de julho, não no dia 31 de julho, não no dia 1 de agosto, mas no dia 23 de julho o que comprara no dia 15. No dia em que os pseudo brokers e a imprensa desmiolada do nosso país recomendaram a compra de mais lixo do BES, a Goldman Sachs vendeu o dito lixo!


in Zero Hedge
 
Escreve o ZeroHedge:
Goldman Does It Again: Banco Espirito Santo Bonds & Stock Are Crashing
Submitted by Tyler Durden on 07/31/2014 08:22 -0400. Zero Hedge

A week ago, investors were exuberantly buying Banco Espirito Santo (BES) stocks and bonds on the back of disclosures from Goldman Sachs that they have bought stakes in the bank "by virtue of its client transactions." This morning, Goldman along with its muppeted clients  (and hedge funds D.E.Shaw and Baupost) are licking their falling-knife-catching wounds as the stock of BES is down over 50% to new record lows and its bonds have cratered nearly 20 points to 57, after announcing a stunning $5 billion loss. Exuberance has turned to fear over 'burden-sharing' and bail-ins across the capital structure.
Escreve o Jornal de Negócios de 1/8/2014:
"O Goldman Sachs vendeu 4.445.180 acções do BES no dia 23 de Julho, de acordo com a informação divulgada [no dia 1 de agosto] através de um comunicado emitido para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM)."
Escreveu o Jornal de Negócios de 23/7/2014:
O operador da Orey iTrade Juan Dieste disse, à Bloomberg, que esta compra "abre a porta a outros investidores institucionais"
Se isto não é um caso de gravíssima manipulação de mercado, ou de pânico, vou ali e já venho!



Quem mandou o Moedinhas para a Bruxelas?


Um palpite: a Goldman Sachs!

Porquê?

Porque dará sempre jeito ao novo Presidente da Comissão Europeia ter por perto um ouvido discreto da Goldman Sachs, e porque a Goldman Sachs, por outro lado, precisa de um ouvido na Comissão, agora que o amigo da América, Durão Barroso, está de saída, a banca europeia continua à deriva, e a Goldman Sachs detém mais de 44 biliões de dólares (44x10E12) de exposição ao mercado especulativo de derivados financeiros. Só para termos uma idiea do que estamos a falar, o PIB mundial ronda os 74 biliões de dólares.

Por outro lado, a Goldman sabe que os seus interesses em Portugal, que vão desde a nossa dívida pública à Dona Branca Espírito Santo Piramidal, passando pela situação de empresas como a EDP (dívida = +17mM€) e a TAP, já só poderão ser convenientemente cuidados em Bruxelas e em Frankfurt.

A Goldman Sach vendeu uma importante empresa eólica, a Horizon WindEnergy LLC, à EDP, e esta, que tem lucros operacionais em Portugal (ó se tem!) continua com uma dívida colossal de 17 mil mihões de euros às costas, ou seja, mais de 5x o prejuízo até agora conhecido do BES.

Por sua vez a TAP, que tem lucros com a sua operação principal, isto é, voar e transportar passageiros, continua com uma dívida acumulada total acima dos 2mM€ de euros (a dívida declarada em 2013 foi de 1 051M€), em grande parte gerada num misterioso centro de custos, ou de transfusão de lucros, sediado no Brasil e que se chama TAP Maintenance & Engineering (ex-VEM). Resta acrescentar que a TAP, assessorada pelo BES e pelo Crédit Suisse, encomendou 12 Airbus A350-900 no valor estimado de 2,5mM€ (Bestap)

O que é que o BES tem a ver com isto? Responda, meu caro Vítor Bento.

E acha mesmo que o povo vai aceitar mais um bad bank a la BPN? Pense duas vezes, e se não encontrar resposta, faça-nos um grande favor: demita-se!

Atualização: 7/9/2014, 12:20 WET

segunda-feira, julho 28, 2014

PME. Que faz Maduro? Nada

Demonstração da incompetência crassa do senhor Maduro

Portugal continua a dormir na forma e nas mãos da corja devorista e rendeira...


Apesar da verborreia o famoso Maduro, que ainda não aprendeu a falar em público, a verdade é que os resultados das suas andanças são menos que medíocres. São inexistentes! Teme-se pois pelo que possa acontecer aos muito badalados 27,8 mil milhões de euros do QREN 2014-2020.

A homenzinho fartou-se de falar de transparência, centralizou a gestão dos fundos como ninguém antes dele, em nome da transparência. Onde está a transparência? E sobretudo, onde estão os resultados?

É fundamental impedir que o próximos fundos comunitários voltem a servir a corja devorista e rendeira que matou o país. Derreter dinheiro em PPP (autoestradas, hospitais e barragens) que não passam de embustes e esquemas de saque e corrupção, rotundas, piscinas, escolas de luxo que depois os munícipes e alunos não podem pagar, formação profissional da treta, IPSS aos milhares e sem qualquer reporte público de resultados, sindicatos, sinecuras empresariais e outros buracos negros e sacos azuis, é tudo o que não pode voltar a ocorrer com os subsídios comunitários.

Mas para tal é preciso mesmo substituir este regime por outro, onde a corrupção e a prepotência partidocrata, neocorporativa e burocrática deixem de ser a regra e passem a ser exceção.


Notícia no EurActiv

EU gives out €7.75 million for SME innovation studies

EU funding worth €7.75 million will be given to 155 small and medium-sized enterprises from 21 countries, including Israel and Turkey, for innovation studies, it was announced yesterday (24 July).
2,666 businesses applied for the first round of grants under the EU's SME Instrument, submitting a business plan. Spain was the most successful, with 39 proposals selected, followed by the UK with 26, Italy with 20, Germany with 11, and Ireland with ten. Eight non-EU businesses will receive a total of €400,000 in EU money. While Israel (four proposals), Norway (two proposals), and Turkey (two) are not in the EU, they are part of the Horizon 2020 programme.
The SME Instrument is worth €3 billion over seven years and is part of Horizon 2020, the EU's biggest ever research and innovation framework with a seven year budget worth nearly €80 billion.

domingo, julho 27, 2014

TAP ou o BES?



Avião que caiu no Mali no dia 24 de julho pertencia à Swiftair, companhia de charters com quem a TAP contratou um avião similar entre 3 e 22 de julho. 

 

A TAP anda a fretar aviões a companhias de vão de escada sem as auditar. O avião que anda a fazer voos para Fortaleza é uma aeronave ucraniana!

 

Um dilema dos diabos: ou deixam cair o BES, ou os passageiros da TAP continuarão a ver os aviões levantar voo sem eles, e um dia destes acabarão mesmo por ficar sem voo, nem reembolso do dinheiro pago pelos bilhetes!


Maria Luís Albuquerque e Passos Coelho têm um dilema nas mãos: ou deixam cair a TAP, ou deixam cair o BES. António José Seguro já deu a entender a sua posição: a TAP não é para privatizar, pelo menos por este governo, ou seja, que caia o BES!

A insolvente TAP tem uma dívida colossal ao insolvente BES, que se não for paga, a par de outras dívidas, poderá acabar de vez com o mais simbólico e pirata banco do regime.

O BES está na unidade de cuidados intensivos do senhor Bento, entre outros motivos, pela ganância e incompetência do senhor Salgado. Esta criatura voraz habituou-se a viver como um lorde inglês, cobrando rendas garantidas aos indígenas através de um regime político essencialmente corporativo, partidocrata e corrupto. Acontece que o país faliu sucessivamente, primeiro nas empresas públicas que a corja partidocrata e os sindicatos esconderam do perímetro orçamental, depois através de um imparável endividamento direto junto das instituições financeiras e fundos de investimento nacionais e internacionais, até, por fim, colapsar e cair nas garras dos credores. À medida que as rendas desciam, que o investimento público especulativo se esfumava, que o governo pedia mais dinheiro, que as empresas e os particulares viam o acesso ao crédito interrompido e deixavam de honrar os seus compromissos, os bancos, nomeadamente o Banif, o BCP, o BPN, o BPP, a Caixa e o BES iniciaram uma queda vertiginosa em direção à insolvência. A Caixa, apesar de todas as asneiras, abusos de confiança e crimes cometidos, tem-se safado pois ainda conta com o chapéu de chuva governamental a protegê-lo, mas todos os outros, foi o que se viu e está a ver.

A corrida pelos grandes projetos, como as barragens encomendadas pelo crápula Sócrates ao cabotino Mexia, ou como o NAL da Ota, que depois migrou para Alcochete, e que implicaria a venda dos terrenos do Aeroporto da Portela ao senhor Ho, a compra de terrenos, primeiro na Ota, depois em Rio Frio, Canha e Alcochete (1), e a construção de uma terceira travessia do Tejo, a tristemente famosa TTT Chelas-Barreiro entusiasticamente apoiada pelo moço de fretes António Costa, foi uma verdadeira fuga em frente do regime e da sua corja de rendeiros e devoristas. Criam que quanto maior fosse o próximo projecto (o adiantado Mateus até inventou uma cidade aeroportuária na Margem Sul) mais margem haveria para pagar o serviço crescente das dívidas pública e privada e argumentos para angariar novos créditos. Contaram para esta corrida de lémures, com o apoio dos grandes especuladores do planeta, desde logo, com as víboras da Goldman Sachs, de onde provem o fedelho Moedas que, imagine-se, nesta fase crítica do processo, queren elevar à categoria de próximo ministro das finanças!

Está fora de causa o recurso ao dinheiro do BCE e do FMI para salvar a cratera bancária em que a pirâmide de Ponzi conhecida por BES se transformou. Passos Coelho limitou-se a transmitir o recado óbvio em tempo oportuno. Resta saber porque carga d'água a Goldman Sachs desatou a comprar ações do BES (2,27% do capital) no dia 15 de julho deste ano, e porque, coincidentemente, colocaram o fedelho Moedas na rampa de lançamento para as Finanças?

Quem vai afinal refinanciar o BES e pagar as dívidas, certamente depois de o próprio BES cobrar algumas delas, pesadas, nomeadamente à TAP, ou seja, ao governo de Portugal, ou seja, a todos nós? Se a TAP não paga o que nos deve, nós fechamos... dirá Vitor Bento amanhã, ou depois, ao PM.

Se não houver refinanciamento, nem quem empreste dinheiro ao BES a tempo de lidar com as suas responsabilidades financeiras e legais, quem garantirá a credibilidade financeira da insolvente TAP uma vez desligada do seu banco de sempre, o BES? O Estado não pode. A Parpública é o escândalo que se segue. Logo, quem?

Se o o BES executar as dívidas da TAP, a TAP abre falência e pede proteção contra os credores. Mas a TAP é, como se sabe, uma empresa pública, logo, será o Estado a ter que se chegar à frente—capiche?

Ou seja, num segundo cenário deste dilema poderemos assistir ao fecho da TAP, por exemplo, numa Sexta Feira do próximo mês de setembro, assumindo o Estado parte ou a totalidade desconhecida das perdas, mas que andará sempre acima dos 2,5-3 mil milhões de euros. Poderemos assistir à paragem de todas as aeronaves durante o fim-de-semana. Poderemos assistir pelos telejornais a uma privatização relâmpago da TAP, com a venda da companhia livre de dívidas e pelo preço dos slots que detém, mais o valor dos seus pilotos e pessoal de manutenção, e mais ainda pelo preço de desconto das suas aeronaves, aliás todas ou quase em todas em regime de leasing. Nesta hipotética privatização consumada em meia dúzia de dias, o nunca investigado centro de custos e obscura empresa de manutenção da TAP sediada no Brasil (ex VEM) permaneceria no perímetro da Parpública até melhor oportunidade.

A TAP 2.0, nascida desta privatização relàmpago, regressa às operações na Segunda Feira pós-falència e venda já com novo dono, uma empresa que, presumo, estará neste preciso momento a ser cozinhada (2).

Entretanto, Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho voaram para Timor, não por causa da CPLP, mas para pedir socorro financeiro ao Xanana e ao crápula da Guiné Equatorial. Foram os dois, porque nenhum confia no outro, claro!

Em post anterior chamámos a atenção para a rápida deterioração da imagem da TAP e para os perigos que a fragilidade financeira extrema da companhia pode trazer às expetativas e à segurança dos passageiros. Os cancelamentos de voos e incidentes, porém, continuam...


TAP - multiplicam-se os incidentes e a preocupação com a segurança
A TAP é uma das vítimas propiciatórias do Bloco Central da Corrupção, da indigência e corrupção partidárias e parlamentares do regime, e dos banksters deste país, a começar, claro, pela Dona Brana Espírito Santo.

Enquanto o senhor Salgado exigia ao Álvaro um aeroporto em Alcochete para aviões intercontinentais Airbus A380, enquanto a TAP encomendava 12 aviões Airbus A350-900, e alguns adiantados mentais exigiam uma cidade aeroportuária para os aviões Low Cost na Margem Sul —ao mesmo tempo que boicotavam por todos os meios, incluindo o uso e abuso da voz 'soprada' do senhor Miguel de Sousa Tavares, o plano ferroviário de ligação da Península Ibérica ao resto da Europa—, as Low Cost iam tomando paulatinamente conta do mercado do transporte aéreo em Portugal e no resto da Europa, fazendo do turismo, em plena crise aguda da dívida soberana, a principal indústria exportadora indígena. A própria Lufthansa decidiu recentemente apostar nos serviços aéreos Low Cost, não apenas nos voos europeus e de médio curso em geral, como nos próprios voos intercontinentais e de longo curso em geral.

Em Portugal, sob a batuta dos condottieri Monteiros, todas as decisões foram não só erradas, como potencialmente criminosas. Basta compilar o registo desde 2007 dos incidentes e cancelamentos inexplicados de voos ocorridos com aeronaves da ou ao serviço da TAP, para percebermos a gravidade do que tem vindo a acontecer:

20) TAP cancela voo Maputo-Lisboa por "questões técnicas"
Económico, 25/7/2014

19) Passageiros de voo da TAP cancelado queixam-se de falta de assistência
Lusa e PÚBLICO, 22/06/2014 - 07:52

18) Avião da Portugália voa com "problemas técnicos". Aeronave do grupo TAP partiu da cidade do Porto com destino a Milão, mas regressou ao aeroporto passada uma hora.
Correio da Manhã, 14-07-2014

17) "Explosão" em reator de avião da TAP danifica viaturas
Lusa | 14:21 Sábado, 12 de Julho de 2014
Atualização (14-7-2014, 20:39)
A aeronave acidentada, segundo comunicou a companhia, é um Airbus A330-200 (CS-TOO ‘Fernão de Magalhães’) adquirida à Airbus em 2008.
16) Avaria de avião da TAP impede passageiros de ver jogo de Portugal
TVI24, 17-06-2014

15) Avião da TAP retido ontem no aeroporto de Belém do Pará, Brasil
SIC, 09-06-2014

14) TAP afasta risco de penhora do seu avião no Brasil
Negócios, 24 Abril 2014, 16:28

13) O voo da TAP que fazia domingo a ligação Lisboa-Recife aterrissou no início da tarde de segunda-feira (10) no aeroporto dos Guararapes, na capital pernambucana.
Portugal Digital, 10-03-2014 15:45

12) Passageiro de avião da TAP retido em Milão reclama tempo de espera e falta de alternativas
SIC, 23:36 26-12-2013

11) Passageiros retidos em Zurique regressaram a Lisboa
DN, 25-12-2013

10) Avião da TAP retido em Moscovo há mais de 24 horas
SIC, 25-05-2013

09) 103 passageiros da TAP retidos em S. Tomé devem regressar a Lisboa no sábado
Lusa, 27-12-2013

08) Avião da TAP retido em Caracas faz desesperar 250 passageiros
JN 28-06-2012

07) Avaria no trem de aterragem obrigou avião da TAP a regressar a Lisboa
JN, 03-10-2011

06) Brasil: Avião da TAP aterra de emergência com avaria
Expresso/Lusa | 02-04-2011

05) Avião da TAP continua retido em Maputo
Lusa, 01-09-2010

04) Avião da TAP retido em Joanesburgo devido a avaria
TSF, 06-05-2010

03) Passageiros retidos em Roma devido a avaria em avião da TAP
Diário Digital, 08-02-2010

02) Avião da TAP retido em Kinshasa e piloto preso
DN, 01-10-2008

01) Aviação: Avião da TAP retido em Lisboa por avaria partiu 20 horas depois do previsto para a Venezuela
Expresso, 22-09-2007

O ANTÓNIO MARIA ERROU

Ao contrário do que chegámos a publicar, e hoje (29/07/2014 19:10) corrigimos, o avião que se despenhou no Malí nunca esteve ao serviço da TAP. Esteve, sim, um outro avião do mesmo fabricante e modelo, fretado à mesma empresa de charters espanhola, a Swiftair, e que, entretanto, deixou de operar ao serviço da TAP no dia 22 de julho de 2014.

Para conferir estes dados, pesquisados depois do aviso recebido em oportuno comentário dum leitor, consultar os seguintes links:
  • Avião que operou para a TAP e continua em operação: McDonnell Douglas, MD-83, EC-KCX | ao serviço da TAP entre 2014/07/03 09:10 - 2014/07/22 20:03 (libhomeradar)
  • Avião acidentado: McDonnell Douglas MD-83, EC-LTV ---- Crashed 24. Jul 2014 enroute OUA-ALG operating flight AH5017 with 116 people on board including 6 crew members. Contact was lost about 50 minutes into the flight, the aircraft crashed about 100km southwest of Gao, Mali (Planespotters)

NOTAS
  1. Teria a prenda do misterioso José Guilherme servido para compensar compras de terrenos do felizmente abortado NAL da Ota em Alcochete?
  2. Pais do Amaral confirma estar na corrida para a privatização da TAP
    26 Julho 2014, 21:18 por Lusa/ Jornal de Negócios

    Em entrevista ao Dinheiro Vivo, divulgada este sábado, 26 de Julho, o presidente do conselho de administração da Media Capital, que detém a TVI e dono da Leya, adiantou que em parceria com o norte-americano Frank Lorenzo, antigo accionista da Continental Airlines, está na corrida à privatização da TAP e que está em condições para lançar uma oferta sobre a totalidade da transportadora aérea.

    [...]

    Miguel Pais do Amaral adiantou que o consórcio é financeiro e a JP Morgan Nova Iorque é o "adviser" da operação e admitiu trabalhar com o BPI.

    "Estamos interessados em apresentar uma proposta e em comprar 100% da TAP", afirmou o empresário, que acredita que existem condições para a privatização acontecer ainda durante esta legislatura.
     
Atualizado: 30/7/2014 12:22