sexta-feira, outubro 03, 2008

Crise Global 32

Casa roubada... trancas à porta. Tarde demais?
Do colapso americano, ao naufrágio da Europa. Pobre Portugal!


$700 billion is nothing
Voters are rightly furious at the proposal to spend $700,000,000,000 that the government doesn't have to bail out Wall Street bankers who created the current economic crisis in the first place...But there is much more to this crisis than what the controlled corporate media is telling you.


Se as obras de terraplanagem algum dia vierem a ter início, de uma coisa deveremos desde já estar seguros: o dito Aeroporto Internacional da Ota jamais será concluído. Muito antes das datas previstas nos cenários pró-Ota para a sua inauguração --2017-2018--, Portugal ver-se-à na contingência de ter que redesenhar dramaticamente as suas prioridades de desenvolvimento (ou melhor dito, de sobrevivência). A brutal crise energética chegará muito mais cedo do que se prevê. E antes dela, ainda na vigência do actual governo, chegará também um mais do que provável "crash" imobiliário. -- in O António Maria, 30-10-2005.

A força inimaginável de sucção do buraco negro dos Derivativos, de que o Subprime é apenas uma borbulha insignificante, atravessou o Atlântico há quase um ano, mas só agora começámos a sentir a sua descomunal força de destruição. Os primeiros sintomas europeus começaram com a falência e nacionalização do Northern Rock, no Reino Unido, contagiando depois as caixas de aforro estaduais e alguns bancos na Alemanha, a banca suíça e logo depois a francesa. Mais recentemente, foi a vez da Holanda, da Islândia e da Irlanda. No caso irlandês, que durante tantos anos foi a menina bonita do milagre neoliberal da União Europeia, o governo de Dublin foi obrigado a despender o equivalente ao PIB da Irlanda para segurar, de uma só vez, os seis principais bancos do país (1).

Entretanto, José Manuel Durão Barroso, presidente em exercício da Comissão Europeia, conhecido em Portugal por ter fugido a tempo, quando era primeiro ministro do país, da nossa descomunal dívida pública e privada, está a mostrar o que vale em Bruxelas. Nada!

A Europa dos procedimentos punitivos contra os sectores públicos estatais, contra o proteccionismo dos governos nacionais relativamente às suas companhias de bandeira (nomeadamente nos sectores energético, de transportes e de comunicações), contra o salvamento de empresas privadas em dificuldades, revela-se agora como uma barata tonta no meio de um naufrágio.

O senhor Trichet mantém as taxas de juro relativamente altas (com o que, aliás, concordo), para impedir o disparo da inflação. Mas esta nem assim abranda, e continuará a subir à medida que os efeitos da diarreia de liquidez inflacionaria injectada pelo BCE, pelo Banco de Inglaterra e por outros bancos nacionais, no sistema bancário e financeiro europeu, faz o seus efeitos.

Os bancos deixaram de emprestar entre si. Os bancos deixaram de emprestar às empresas. Os bancos muito menos emprestam ao cidadão comum (donde a natureza quase retórica da subida ou descida de 1 ou 2 pontos nas taxas de referência do BCE.)

Mas então de onde vêm e para onde vão os milhares de milhões de euros disponibilizados pelo BCE e demais bancos centrais às instituições privadas e públicas caídas em desgraça? Eu diria que vêm dos quase 500 milhões de cidadãos europeus comunitários, por via fiscal, por via da inflação e através de uma diminuição assinalável dos serviços sociais prestados pelos diversos Estados da União. E vão... em boa parte, para milhares de credores-especuladores que imediatamente desviam a liquidez aflorada, seja para a compra de activos menos voláteis (terra, ouro, petróleo, etc.), seja, sobretudo, para os vastos parques de estacionamento financeiro conhecidos por "paraísos fiscais" (2). Alguns destes refúgios piratas são propriedade privada da tia Isabel de Inglaterra, onde nada nem ninguém tem jurisdição para investigar ou prender seja quem for. Só mesmo a tiro é que lá podemos entrar sem ser convidados!

E em Portugal, como é?
Aqui as nuvens que se estão a formar no horizonte não poderiam ser mais negras. O Estado não tem recursos e está cravejado de dívidas. A TAP vai a caminho da falência e em breve não terá dinheiro para abastecer os seus aviões. Bancos como o BCP, o BPI e o BPN só não faliram ainda, ou porque foram temporariamente salvos pelo José Eduardo dos Santos, ou porque andam a esconder os números. Mas o caso mais grave é o da Caixa Geral dos Depósitos (3, 4, 5, 6, 7, 8).

Como em tempos sugeri, assim como o BCP, o BPI e o BES, entre outros bancos privados, estão entalados nos fundos de investimento "tóxico" em que se meteram, também a estatal Caixa Geral dos Depósitos andou a brincar com o mercado de derivativos, empacotando, vendendo e comprando inúmeros produtos especulativos. Chamar a estes produtos financeiros, "produtos tóxicos", como os jornalistas adoram, é uma maneira de os despersonalizar e dar a entender que talvez tenham chegado ao planeta Terra num disco voador. Não, estas invenções do neoliberalismo sofisticado, que no fundo traduzem uma criminosa fuga em frente do esgotado modelo capitalista baseado na energia barata, na exportação da capacidade produtiva para o "Terceiro Mundo", numa moeda imperial forte e no consumo, são efectivamente um catastrófico buraco negro de dívidas exponencialmente acumuladas!

O caso da Irlanda deve ter feito tocar todos os sinos e alarmes de São Bento!

É que não havendo BCE, nem obviamente Barroso, para salvar uma eventual queda precipitada do sector bancário nacional, arrastando consigo boa parte das grandes empresas do Bloco Central do Betão, vai ser o Estado a ter que desembrulhar-se de uma potencial calamidade económico-financeira e social sem precedentes.

Pelo modo como vimos o Santander engolir o banco hipotecário britânico Bradford & Bingley, pagando apenas um trinta avos do seu valor (670 milhões por uma empresa avaliada em 20 mil milhões Libras), podemos começar a calcular quanto poderá vir a custar aos espanhóis, angolanos e venezuelanos, o sector bancário português! Não vejo como poderá o Banco de Portugal, ainda por cima dirigido por um invertebrado obscenamente pago, salvar o sector financeiro nacional em caso de este vir a sofrer um "acidente" como o que vitimou o sistema bancário irlandês. Não é por acaso que ontem mesmo o Conselho de Ministros redigiu uma série de medidas, desesperadas e fora de horas, para melhor fiscalizar e controlar a banca sediada em Portugal. Nem é por acaso que a gritaria em volta da vendas de acções da Compal, detidas pelas CGD, ao grupo Sumolis, ocorre neste preciso momento. Os sinais não poderiam merecer maior preocupação!

Creio que chegou a hora de Cavaco Silva se preparar para o pior.


NOTAS
  1. Mais que fait donc Bruxelles ?

    2 oct, 2008 (Courrier International.) La lenteur des réactions des commissaires européens et du président Barroso paraît surréaliste. Faute d'instances adéquates, l'UE assiste, hébétée, à la restructuration anarchique du marché bancaire européen.

  2. Sobre este parágrafo foram colocadas algumas perguntas pertinentes, cuja resposta (enfim, dentro das limitações de um observador não profissional) aproveito para inserir no corpo de notas deste post.

    Leitor (L): O dinheiro do BCE sai de onde, uma vez que o banco central da Europa não lança impostos?

    OAM: Os bancos não lançam nem cobram impostos, mas sim comissões e juros, ou seja, cobram um determinado preço pelo dinheiro que emprestam. No caso do BCE, fazem-no indirectamente ao determinar taxas de juro de referência, que aplicam na colocação de liquidez no mercado, e que os demais bancos europeus depois tomam como ponto de partida para a definição das taxas de juro interbancárias e para o estabelecimento dos seus "spreads" ao revenderem o dinheiro a quem precisa. Por exemplo, o Euro começa a custar mais caro aos portugueses do que aos franceses, ou holandeses, por via da diferenciação dos "spreads" interbancários.

    No entanto, se o aumento da massa monetária não for suficiente para as operações correntes de compra e venda de bens e serviços, nomeadamente porque a liquidez se escoa misteriosamente por um ralo chamado "paraísos fiscais", ou por um buraco negro chamado "derivativos", e portanto o dinheiro continua a escassear e a ser cada vez mais caro (juros e "spreads" ocultos), teremos inflação. Tudo o que compramos torna-se assim mais caro, incluindo os impostos aplicados aos bens e serviços, e ainda as taxas e impostos lançados pelas administrações públicas dos Estados, na medida em que a seca monetária obriga a uma punção fiscal directa e imediata sobre os contribuintes para satisfazer os serviços básicos a que estão politicamente obrigados. Quanto mais liquidez for introduzida em circulação, sobretudo em economias em fase de crescimento lento ou recessão, mais acentuada será a espiral inflacionista, menos valor terá o dinheiro, e mais impostos directos e indirectos serão extraídos aos contribuintes para assegurar o funcionamento regular das instituições.

    L: Os Euros saem da tipografia, não é? Basta que Trichet mande ligar as rotativas. Ou será mais do que isto?

    OAM: O mecanismo é efectivamente este. Mas quando se põem as tipografias a imprimir sem a menor correspondência com a riqueza criada, a consequência imediata é a desvalorização do dinheiro. Foi o que sucedeu nestas duas últimas semanas ao Euro, que sofreu precisamente uma brutal desvalorização em relação US Dólar, depois de uma destruição real de valor. Por exemplo, as poupanças que se esfumaram no decorrer do colapso em curso de muitos fundos de investimento e de poupança, não podem ser artificialmente recuperados, sob pena de uma desvalorização abrupta da moeda e do disparar da inflação. A tentação de substituir a destruição da liquidez real ou aparente por uma liquidez burocrática gera monstros. Foi assim em Weimar, ou mais recentemente no Zimbabué. E poderá ainda ser assim nos Estados Unidos, ou mesmo na Europa, se os bancos centrais dos vários países ocidentais se transformarem num Jogo do Monopólio!

    L: Uma vez que o BCE empresta apenas aos bancos, e não às pessoas, empresas, etc., e ainda por cima a prazos muito curtos, como é possível que tais operações permitam o desvio da liquidez assim gerada para a compra de terra, ouro e petróleo?

    OAM: Quem tem investimento preso nos bancos e nas sociedades financeiras quer reaver o "cash" dessas aplicações, não já com a melhor rentabilidade possível, mas o mais depressa possível. Quando consegue -- o que implica não estar demasiado longe da caixa de pagamentos --, a liquidez recuperada vai ter que estacionar durante algum tempo num lugar fresco e seguro. A terra, sobretudo cultivada e/ou arborizada, o ouro, algumas obras de arte, e ainda os nichos da indústria imobiliária -- terrenos bem situados, imobiliário de luxo, etc.--, e, claro está, os paraísos fiscais, são as garagens ideais da liquidez arrancada a ferros, ou aos berros, das entidades financeiras à beira do abismo. É por isso que, na minha opinião, a falta de liquidez actual resulta de facto duma "corrida aos bancos" estar a decorrer desde o Verão de 2007, não por parte do Zé Povinho (que em geral está falido e vive acima das suas possibilidades), mas antes por parte dos médios e grandes investidores e especuladores. É precisamente porque o dinheiro resgatado não reentra nos universos financeiros especulativos que desabam, e só em parte na economia real, que a liquidez criada pelos bancos centrais se evapora tão depressa. As impressoras de notas não cessam de criar dinheiro a partir do zero, na tentativa de manter a liquidez nos mercados, mas a hemorragia de capital em direcção ao buraco negro dos derivativos, supera a nossa imaginação. Os EUA e a Europa correm sérios riscos de ver soçobrar todo um sistema de regras financeiras.

    L: Mas não são estas injecções dos moeda por parte dos bancos centrais, necessárias para sustentar as retiradas de fundos pelos titulares de contas bancárias, títulos, acções e obrigações, mantendo ao mesmo tempo o funcionamento normal da economia?

    OAM: Esta hipótese seria correcta se a liquidez virtual do sistema financeiro não tivesse eclipsado a liquidez real. O valor "nocional" do buraco negro dos derivativos, responsável pelo incontrolável desvio da liquidez mundial para o nada, equivale a 22,8 vezes o valor do PIB mundial! Ou seja, com tamanho atractor da massa monetária disponível, é impossível alimentar a ilusão de que estamos simplesmente em presença de uma tempestade conjuntural que irá acalmar. Não, as placas norte-americana e europeia do Capitalismo estão a afundar-se. Para impedir este desastre, vai ser preciso fazer muito mais do que os fracos neurónios da actual classe política ocidental são capazes de alcançar.

  3. Comunicado do Conselho de Ministros de 2 de Outubro de 2008
    2008-10-02

    1. Proposta de Lei que revê o regime sancionatório no sector financeiro em matéria criminal e contra-ordenacional

    Esta Proposta de Lei, a submeter à Assembleia da República, vem, por um lado, estabelecer o regime de aprovação e divulgação da política de remuneração dos membros dos órgãos de administração das entidades de interesse público e, por outro lado, proceder à revisão do regime sancionatório para o sector financeiro em matéria criminal e contra-ordenacional, visando a actualização das molduras penais e dos montantes das coimas, que permanecem inalterados desde a década de 90.

    Em matéria remuneratória, introduz-se a obrigatoriedade de submeter à aprovação da Assembleia Geral uma declaração sobre a política de remuneração dos membros dos órgãos de administração e fiscalização, nomeadamente das sociedades abertas, emitentes e instituições financeiras e de divulgação, nos documentos de prestação de contas, da política de remuneração desses membros e do montante anual da remuneração auferida, de forma agregada ou individual.

    A declaração sobre política de remuneração contém, designadamente, informação sobre os critérios de definição da componente variável da remuneração, a existência de planos de atribuição de acções, a possibilidade do pagamento da componente variável da remuneração ter lugar, no todo ou em parte, após o apuramento das contas de exercício correspondentes a todo o mandato e a existência de mecanismos de limitação da remuneração variável no caso de os resultados evidenciarem uma deterioração relevante do desempenho da empresa no último exercício apurado ou esta seja expectável no exercício em curso.

    No que respeita ao regime sancionatório, pretende-se adaptar as molduras das penas e os montantes das coimas à dimensão e características do sector financeiro na actualidade, reforçar o efeito de punição e de dissuasão associado ao regime sancionatório, bem como promover o alinhamento das molduras das coimas e das ferramentas processuais nos três sectores financeiros.

    Em particular em matéria penal, a moldura das penas é elevada de três para cinco anos. São, igualmente, elevados os limites das coimas até ao montante máximo de 5 000 000 de euros, aplicáveis às condutas especialmente graves, prevendo-se o agravamento da coima máxima aplicável quando o dobro do benefício económico exceder aquele montante, sem prejuízo da perda do próprio benefício económico. Pretende-se, assim, punir de forma agravada os casos em que a violação do dever deu origem a uma vantagem financeira de valor particularmente elevado, através do ajustamento da medida da coima até ao dobro do benefício económico.

    Simultaneamente, introduz-se a figura do processo sumaríssimo no sector bancário e no sector segurador, ressegurador e de fundos de pensões, aproveitando a experiência colhida do recurso a este mecanismo processual no sector dos valores mobiliários. Deste modo, agiliza-se intervenção sancionatória das entidades de supervisão num número apreciável de ilícitos de menor gravidade, com vantagens do ponto de vista de eficiência processual e sem prejuízo da eficácia dissuasora das sanções. Procede-se igualmente à extensão do regime da publicidade das decisões condenatórias em processo contra-ordenacional, à área bancária e dos seguros, resseguros e fundos de pensões.

    Por último, consagra-se o agravamento da natureza das contra-ordenações associadas à violação de deveres de informação e de constituição ou contribuição para fundos de garantia obrigatórios.

    2. Decreto-Lei que aprova medidas de reforço dos deveres de informação e transparência no âmbito da actividade financeira e dos poderes de coordenação do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros

    Este Decreto-Lei, hoje aprovado na generalidade para consulta ao Conselho Nacional de Consumo, vem aprovar um conjunto de medidas de reforço da estabilidade financeira, que têm vindo a ser preparadas em articulação estreita com o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros. Estas medidas reforçam a eficácia do quadro legal, desincentivando práticas menos transparentes e lesivas dos mercados, bem como, agilizando procedimentos que permitam prevenir a ocorrência de situações como as que se verificam hoje nos mercados internacionais.

    O reforço dos deveres de informação e transparência prevê:

    a) Ao nível da informação que as instituições financeiras são obrigadas a prestar regularmente às autoridades de supervisão (nível de exposição e controlo de riscos, avaliação de activos, nomeadamente dos transaccionados em mercados pouco líquidos e transparentes).

    b) Aos clientes sobre produtos financeiros complexos ficando ainda a sua publicidade sujeita à aprovação da entidade de supervisão competente;

    c) Estabelecendo-se a obrigação de comunicação às autoridades de supervisão das participações e interesses detidos ou geridos por instituições financeiras e sociedades abertas em sociedades com sede em Estado que não seja membro da União Europeia;

    d) Imposição de regras sobre política de remuneração dos membros dos órgãos de administração e fiscalização, prevendo-se a obrigatoriedade de submeter à aprovação da Assembleia Geral de uma declaração sobre política de remuneração e de divulgação dessa política e do montante anual da remuneração auferida.

    A revisão do regime sancionatório quer em matéria criminal quer em matéria contra-ordenacional, cuja moldura permanece inalterada desde a década de 90, procede:

    a) À actualização das molduras penais, que são elevadas de 3 para 5 anos, e dos montantes das coimas, que são elevados até ao montante máximo de 5 000 000 de euros;

    b) Ao agravamento da coima máxima aplicável quando o dobro do benefício económico exceder aquele montante de modo a punir de forma agravada os casos em que a violação do dever deu origem a uma vantagem financeira;

    c) Ao agravamento da natureza das contra-ordenações associadas à violação de deveres de informação e de constituição ou contribuição para fundos de garantia obrigatórios, que passam de graves a muito graves;

    d) À introdução da figura do processo sumaríssimo no sector bancário e no sector segurador;

    e) À extensão do regime da publicidade das decisões condenatórias em processo contra-ordenacional, à área bancária e dos seguros.

    O reforço do exercício concertado dos supervisores que, apesar de na prática ter vindo a permitir uma articulação eficaz na prossecução dos objectivos de estabilidade financeira, necessita ser sistematizado em diploma legal.

    Assim, procede-se ao reforço das competências do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros no âmbito da coordenação de actuações conjuntas das autoridades de supervisão, bem como, à sistematização dos mecanismos de troca de informação entre supervisores e entre estes e o Ministério das Finanças, sempre que se trate de informação relevante em matéria de estabilidade financeira.

    Alteração ao regime da titularização de créditos, com o objectivo de adequar a legislação, nesta matéria, às recentes alterações legislativas no plano da eliminação dos obstáculos à renegociação das condições do crédito.

    Versão integral do comunicado
    .

  4. “CGD não tem bolsos tão fundos como parece”
    Mira Amaral defende que banco está a sofrer por ser instrumento do Estado nas participações.

    2008-10-03 00:05 (Diário Económico.) As várias injecções de capital feitas pelo Estado na CGD recentemente “são o reflexo da política definida pelos vários governos de utilizar o banco público como seu instrumento de investimento”. Para Luís Mira Amaral “esta crise veio mostrar que a Caixa não tem bolsos tão fundos como parece”.

    Em declarações ao Diário Económico, o antigo presidente da CGD explica que o banco estatal está a sofrer o impacto no seu capital da desvalorização bolsista da sua carteira de participações, como consequência de uma política de investimento definida pelo Governo e não pelos gestores da instituição.

    “Já no meu tempo era assim. A Caixa é utilizada para parquear participações que o Estado decidiu ter em empresas”, diz Mira Amaral.

    Desde Dezembro do ano passado, o Estado já injectou 550 milhões via aumentos de capital, a que se juntaram agora os cerca de 390 milhões de euros de encaixe com a alienação à Parpública de 15% da REN e 15% da Águas de Portugal (AdP). No total foram injectados, em menos de um ano, perto de 950 milhões de euros pelo Estado na Caixa.

    Mira Amaral defende, por outro lado, que o que estes reforços de capital pelo accionista Estado demonstram é que são os contribuintes que estão a suportar as perdas em menos-valias potenciais registadas nas participações accionistas da CGD.

    ... Carteira de participações difícil de gerir
    A CGD tem, de entre os bancos nacionais, a maior carteira de participações em grandes empresas nacionais do mercado. Entre elas está, para além da AdP e REN, a presença no capital do BCP, da Zon, da Galp e da Portugal Telecom.

    Só até ao final de Agosto, a Caixa teria, acumulados, 624,6 milhões de euros de menos-valias potenciais com a sua carteira de participações. A desvalorização dos títulos tem afectado sobretudo as posições na PT e no BCP, que ascendiam então a 149,9 e 242,7 milhões de euros, respectivamente.

    Os “cenários de incerteza e de abrandamento das economias previsíveis até final do ano, poderão aprofundar a desvalorização dos títulos e obrigar a CGD a constituir novas imparidades para as participações financeiras”, reconheceu o banco estatal no seu relatório do primeiro semestre. -- Maria Ana Barroso, Diário Económico.

  5. Redução da exposição da CGD à REN e AdP liberta capital

    03-10-2008 (Jornal de Negócios.) A troca de 15% da REN e da AdP por 390 milhões de euros aliviou os rácios de capital da CGD. O banco não divulga o impacto da operação na sua solvabilidade, reafirmando que se "integra na reorganização das participações empresariais do Estado".

    A redução da exposição da Caixa Geral de Depósitos à REN e à Águas de Portugal (AdP), através da venda de 15% de cada uma das empresas à Parpública, permite libertar capital e aliviar os rácios de solvabilidade da instituição. Isto porque, do ponto de vista prudencial, o banco público vendeu activos que têm mais risco e, em troca, recebeu dinheiro.

  6. Ministro esclarece compra de acções à CGD

    02-10-2008 19:05 (Rádio Renascença.) Teixeira dos Santos diz que não tem nada a ver com a crise financeira a compra de acções por parte do Estado à Caixa Geral de Depósitos.

    Na prática, o Governo injecta 390 milhões de euros no banco estatal, valor que a Parpublica paga pelas acções que a Caixa detém na Águas de Portugal e também na Rede Eléctrica Nacional.

  7. Câmara exige da CGD que respeite contrato
    2008-10-01 (Jornal de Notícias.)

    A Câmara de Aveiro não aceita a alteração do "spread" do empréstimo de 58 milhões de euros, que contratou, em No-vembro, com a Caixa Geral de Depósitos. A Administração da CGD não comenta.

    A autarquia exige o cumprimento do que está contratado e, ontem, decidiu publicar o contrato na página de internet do Município, colocando, assim, a pressão sobre a CGD. "O contrato está assinado, não há como (a CGD) não o cumprir", diz o presidente da Câmara, Élio Maia (PSD/CDS-PP), sublinhando que "a Caixa, como entidade cem por cento detida pelo Estado, tem a obrigação crescida de respeitar os compromissos que assume".

    O empréstimo de 58 milhões de euros, visado em fins de Julho pelo Tribunal de Contas, voltou a dominar a discussão na Assembleia Municipal de anteontem. Instado pelas diversas bancadas, Élio Maia acusou a CGD de estar a querer impor condições que não no contrato, depois do Tribunal de Contas ter aprovado o plano de reequilibro financeiro, que integra o empréstimo.

    O autarca falou numa comissão, mas o que a CGD transmitiu verbalmente, à autarquia, foi a actualização do "spread" fixado contratualmente, de 0,14 por cento para 0,25 por cento, atendendo à conjuntura económica actual.

  8. Sumolis compra 29,9% da Compal à CGD por 42 milhões
    2008/09/26 17:13 Redacção / MD Agência Financeira.)

    A Sumolis já concluiu a compra de uma participação de 29,9 por cento do capital da Compal à Caixa-Geral de Depósitos (CGD) por 42,4 milhões de euros.

OAM 451 03-10-2008 16:44

quinta-feira, outubro 02, 2008

Crise Global 31

O colapso de América XII

Reserva Federal Americana sem limites! A caminho de Weimar?
Na Europa, a próspera Irlanda, à beira da falência! E Portugal?

U.S. Senate Approves $700 Billion Financial-Rescue

By Nicholas Johnston and James Rowley

Oct. 1 (Bloomberg) -- The U.S. Senate tonight approved a $700 billion financial-rescue plan that funds the biggest government intervention in the markets since the Great Depression. The package now goes to the House of Representatives, which rejected an earlier version of the measure.

The bill, a bipartisan effort to restore confidence in the nation's banking system, passed 74-25 with 40 Democrats, 33 Republicans and independent Joe Lieberman of Connecticut voting for it. The two presidential nominees, Democrat Barack Obama and Republican John McCain, returned from the campaign trail to cast votes for the plan.

Backed by the Bush administration, the measure authorizes the government to buy troubled assets from financial institutions reeling from a record number of home foreclosures.


Ireland puts up €400bn to protect six big lenders


Wednesday October 1 2008 (Guardian).

Ireland announced yesterday that the state would safeguard all deposits, bonds and debts in six banks and building societies for two years following a huge share sell-off on Monday.

The €400bn package covers Allied Irish, Bank of Ireland, Anglo Irish Bank, Irish Life and Permanent, Irish Nationwide Building Society, and the Educational Building Society. British depositors with accounts in their UK branches will be covered, as will savers at the UK's Post Office whose deposits are run by Bank of Ireland.

The department of finance in Dublin said it was still considering whether the scheme could be extended to subsidiaries of Irish banks in the UK; it was awaiting a ruling by Ireland's financial regulator.

Opposition leaders warned that if the scheme failed it had the potential to bankrupt the republic. In Britain, ministers were also critical, suggesting it could breach European Union state aid rules.

Brussels made it clear yesterday that it was refusing to suspend such rules to meet the crisis Britain, Belgium, France, Germany and other states have all notified Brussels of their bail-outs, with European Commission officials promising urgent and swift decisions.

Another European bank was bailed out yesterday, the third within 48 hours, as €6.4bn was injected into Dexia. An emergency overnight meeting saw the Belgian government agree to invest €3bn, an amount matched by the French state which is to become a 25% shareholder. Luxembourg is supplying the remainder.

Dexia is the world's biggest lender to local government, but also has more than 5m retail customers. Its shares fell 30% on Monday.

Os 700 mil milhões não vão chegar. E como não vão chegar, pois representam apenas uma gota de água do imparável défice da América, está em curso um golpe de Estado legislativo -- chamado Emergency Economic Stabilization Act of 2008, H.R. 3997 -- cujo resultado, se passar incólume na Câmara dos Representantes (1), permitirá à Reserva Federal, ou seja ao cartel de bancos privados também conhecido por FED, criar do zero todo o crédito de que precisar para alimentar a voragem de um império a caminho da hiperinflação e do crash.

O impacto desta espécie de regresso sombrio da República de Weimar, vai lançar a Europa no caos. Para os que pensam que a corrida aos bancos ainda não começou, esclareço o seguinte: não há grandes bichas de clientes às portas dos bancos pela simples razão de que boa parte deles não têm senão dívidas acumuladas! Os fundos das grandes contas, pelo contrário, estão há mais de um ano a ser desviados pelos respectivos depositantes, accionistas e especuladores, em direcção aos países fiscais e à aquisição de activos capazes de resistir à sucção ciclónica do buraco negro dos derivativos. A prova do que afirmo é o número de instituições financeiras que já quebraram desde o Verão de 2007. Prova do que afirmo é o montante astronómico de dólares, libras, euros e francos suíços que os mealheiros públicos de uma trintena de países já injectou no mercado financeiro euro-americano. Prova do que afirmo e clamorosa demonstração desta corrida para o abismo, é a pré-falência já não de um grande banco, mas de um país inteiro, um país que ainda há um ano exibia orgulhosamente crescimento anual de 8%. Esse país chama-se Irlanda!

Ao contrário do que afirmam os optimistas profissionais, em Portugal, a situação pode evoluir num ápice para o desastre. Basta meditar uns segundos nesta notícia do Correio da Manhã de 1 de Outubro.

Milhões da UE aguentam banca portuguesa

Montante emprestado subiu 23,5 vezes desde Agosto de 2007

A Banca portuguesa tem recorrido cada vez mais ao Banco Central Europeu (BCE) para cedência de dinheiro como consequência da crise financeira mundial. Segundo dados do último boletim estatístico do Banco de Portugal, a cedência de liquidez às instituições financeiras que trabalham no nosso país quase triplicou desde o início do ano e subiu 23 vezes desde que a crise do Subprime se iniciou em 2007. No último mês de Agosto, o banco central cedeu 5,5 mil milhões de euros ao sistema financeiro nacional. Em Janeiro, as necessidades de liquidez da Banca estavam nos 1,8 mil milhões. E, se recuarmos a Agosto de 2007, as necessidades de financiamento dos bancos portugueses não iam além dos 234 milhões de euros.

Como disse Manuela Ferreira Leite, com razão, "não há dinheiro para nada!"

Hoje o Estado português, central, regional e autárquico, vai buscar dinheiro aos bancos (e ao sector financeiro desregulado!) para pagar os vencimentos da Função Pública. Tendo por outro lado em conta que o "endividamento das famílias portuguesas era da ordem dos 37% do rendimento disponível (1985), 87% (2000) e 124% (2006)" [Medina Carreira, 2007; A Economia Portuguesa, MFAP/DGEP, 2004, 2005, 2006], podemos intuir facilmente a gravidade do problema de tesouraria que poderá ocorrer no curto e médio prazo.

Temo ainda que à medida que tomarmos consciência de que empresas tão estruturantes como a TAP podem estar à beira da ruptura -- 200 milhões de euros de prejuízos previsíveis para o fim de 2008, e a compra da PGA ainda por contabilizar! (2) --, ou de que os "grandes investimentos" -- novo aeroporto, Alta Velocidade (3), nova travessia do Tejo, novas autoestradas (4) e barragens -- muito dificilmente encontrarão o financiamento exterior de que precisam, e portanto serão em breve abortados (ou adiados sine die), o espectro de uma desvalorização catastrófica em bolsa do lóbi do betão arraste todo o sector financeiro para a lama das falências. É por isso que os sound bite do Governo começam a ser contraditórios: Manuel Pinho asneira para um lado, o inenarrável dromedário das Obras Públcias, para o outro!

Não podemos esperar que o mundo desabe, nem confiar nas palavras irresponsáveis do senhor Durão Barroso, que de economia e gestão de crises já provou nada saber. A Euro-América está no meio de um ciclone alimentado por três poderosas forças destrutivas: a crise energética, a crise climática e a crise económico-financeira. Para debelar esta crise sistémica é necessária uma visão ampla e compreensiva da natureza intrínseca dos problemas. Doutro modo, o ciclone transformar-se-à num furacão bélico de consequências imprevisíveis. O aumento de 27% nas despesas militares russas para o ano de 2009 é o sinal mais evidente do potencial destrutivo da presente crise de supremacia do "mundo ocidental".

NOTAS
  1. Bush pressiona Câmara dos Representantes após Senado aprovar Plano Paulson

    02-10-2008 09:10 (Lusa/ Diário Económico). "Os americanos esperam e a nossa economia exige que a Câmara [dos Representantes] adopte esta semana esta boa lei e a reenvie ao meu gabinete", comentou Bush, citado pela Lusa, após o Senado ter aprovado o plano para injectar 700 mil milhões de dólares (501 mil milhões de euros) no mercado monetário, com 74 votos a favor e 25 contra.

    O Presidente norte-americano aplaudiu o voto do Senado satisfeito com o facto de republicanos e democratas terem superado as divergências partidárias para adoptarem o plano do secretário do Tesouro, Henry Paulson.

    "Depois dos melhoramentos introduzidos pelo Senado, creio que os membros dos dois partidos na Câmara podem apoiar esta lei", acrescentou Bush.
  2. TAP vai registar os maiores prejuízos de sempre desde a chegada de Fernando Pinto

    02.10.2008, Raquel Almeida Correia (Público)

    A transportadora perdeu 133 milhões até Agosto e prevê-
    -se que as contas piorem até ao final do ano. A tentativa de acordo com os sindicatos parece estar condenada

    Quando Fernando Pinto apresentou os resultados do primeiro semestre de operação da TAP (136 milhões de euros de prejuízos), ainda restava a esperança de que o Verão, período de pico da indústria aérea, ajudasse a recuperar a empresa. Ontem, o gestor brasileiro regressou à mesma sala para anunciar que os meses de Julho e Agosto apenas reduziram as perdas em três milhões de euros.
    Os dados acumulados dos oito primeiros meses do ano mostram uma TAP a caminho dos piores resultados de sempre desde a chegada de Fernando Pinto, no ano 2000. Desde Janeiro, a companhia registou prejuízos de 133 milhões e "o mais provável é que o resultado líquido seja pior no final do ano", avançou Michael Conolly, administrador financeiro da transportadora, ao PÚBLICO.
  3. Alta Velocidade: Prazo para entrega de propostas termina hoje

    02-10-2008 11:53 (Rádio Renascença.) O prazo para a entrega das propostas para concessão e construção do primeiro troço do projecto de alta velocidade ferroviária Poceirão-Caia termina hoje.

    ...As grandes empresas de construção portuguesas estarão em concurso, como por exemplo a Mota Engil, a Edifer, Zagope e Soares da Costa.

    O concurso tem por objecto a atribuição da concessão do projecto, construção, financiamento, manutenção e disponibilização, durante os 40 anos de concessão, das infra-estruturas ferroviárias que integram o troço Poceirão-Caia, numa extensão de 170 Km, compreendendo ainda a exploração da estação de Évora, que integra a gestão e comercialização das áreas comerciais e dos parques de estacionamento.

    O projecto realizar-se-á com uma parceria público-privada (PPP) integrando ainda a construção da linha convencional entre Évora e Caia, que ficará sob a responsabilidade do consórcio vencedor.

    O plano de construção português de alta velocidade será dividido em seis PPP: cinco para a concepção, construção, financiamento e manutenção da infra-estrutura e uma para os sistemas de sinalização e telecomunicações.

    Quando aos prazos definido, o Governo português prevê a entrada em funcionamento da linha Lisboa-Madrid em 2013 e da linha Lisboa-Porto em 2015.

    Apesar da forte crise nos mercados financeiros internacionais – e recorde-se que a banca comercial é um parceiro decisivo neste projecto – o Governo mantém, por enquanto, o calendário dos concursos públicos. -- BM.
  4. Estradas de Portugal garante 200 milhões com nova concessão
    A Mota e a Edifer são as concorrentes finais à auto-estrada do centro.

    Nuno Miguel Silva

    2008-10-02 00:05 (Diário Económico.) A Estradas de Portugal (EP) vai encaixar 200 milhões de euros de receitas até ao fim do ano com o pagamento à cabeça proposto pelos consórcios da Mota e da Edifer, que foram apurados para a ‘short list’ do concurso da Auto-estradas do Centro. Em declarações ao DE, Paulo Campos, secretário de Estado das Obras Públicas, sublinhou que este concurso tem várias novidades”. “Em primeiro lugar, os consórcios privados, qualquer deles, propõe pagar à cabeça 200 milhões de euros à Estradas de Portugal”, revela Paulo Campos.

    Este responsável acrescenta que, em segundo lugar, quer os estudos da EP, quer as estimativas dos concorrentes apresentam valores em que as receitas geradas são superiores aos custos logo no prazo de 30 anos da concessão, e não no prazo de 75 anos [referente ao novo contrato-programa da EP]. “Por último, o Valor Actualizado Líquido [pagamentos solicitados pelos privados à EP ao longo da concessão] das duas propostas apresentam valores inferiores às estimativas iniciais da Estradas de Portugal”.

OAM 450 02-10-2008 03:56 (última actualização: 13:20)

quarta-feira, outubro 01, 2008

Crise Global 30

O colapso da América XI

Europa pode afogar-se nos resgates cada vez mais frequentes de instituições financeiras falidas


Dear Marcy Kaptur, please come to Lisbon!

Manuel Pinho diz que acabou o mundo tal como conhecíamos

30-09-2008 (Diário Económico). "Hoje é o dia que marca o princípio de uma nova era". Foi assim que o ministro da Economia, Manuel Pinho, reagiu ontem, no encerramento da cerimónia de entrega dos prémios da revista Exame às melhores e maiores empresas nacionais, ao chumbo do "Plano Paulson", o plano de emergência da administração Bush que previa injectar no sistema financeiro norte-americano 700 mil milhões de dólares.

Para Manuel Pinho, o mundo tal como conhecíamos até agora acabou. "Durante 10 a 15 anos vivemos num mundo de prosperidade assente em quatro motores: num sistema de financiamento eficiente; na inovação; na expansão do comércio, o que trouxe para a nossa área de influência países como a China, Índia ou Rússia; e na energia barata para todos. Pois bem, esse mundo acabou", disse o ministro, mas alertando que este era um cenário que já se previa.

"Quando os cinco maiores bancos norte-americanos dão 12 mil milhões de dólares em prémios aos seus funcionários isso não é saudável. Quando se exporta mais para a Suiça do que para a China, já se estava a prever o que ia acontecer", comentou.

Sócrates assegura que famílias portuguesas com poupanças podem estar tranquilas

30.09.2008 - 15h40 Lusa/ Público. O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que as famílias portuguesas com poupanças podem estar tranquilas apesar do actual quadro de crise – cuja responsabilidade atribui a Washington – e elogiou a capacidade de resistência das instituições financeiras nacionais.

... Em contraste com as críticas que fez às autoridades de Washington, Sócrates defendeu que "os governos europeus mostraram já uma determinação total para dar confiança aos seus cidadãos". "As poupanças dos europeus estão garantidas. É por isso essencial que os Estados Unidos aprovem rapidamente uma solução para acabar com uma desconfiança que mina a confiança no sistema financeiro internacional", reforçou.

No actual quadro de crise, Sócrates advogou que "a Europa já pagou um preço".
"Há um ano que estamos a pagar esse preço, com restrições no crédito e com o crédito mais caro. É altura para os Estados Unidos intervirem", acrescentou. Numa mensagem ideológica, o chefe do Governo português sustentou que a presente crise "também demonstrou que o sistema europeu de regulação dá mais garantias" do que "os comportamentos pouco prudentes" dos Estados Unidos.

Ferreira Leite diz que palavras de serenidade de Sócrates vieram tarde

30.09.2008 - 20h37 (Lusa/ Público). A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, lamenta que o primeiro-ministro não tenha vindo mais cedo deixar uma palavra de serenidade perante a crise nos mercados internacionais e criticou declarações de responsáveis do Governo que “diabolizaram” o sistema financeiro.

Em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa, Manuela Ferreira Leite defendeu que “o sistema financeiro é essencial para o progresso económico e não pode ser posto em causa” e que “a primeira prioridade das autoridades deve ser o restaurar da confiança”.

A presidente do PSD disse subscrever, por isso, a ideia transmitida hoje pelo primeiro-ministro de que os portugueses podem estar tranquilos em relação aos seus depósitos bancários. O discurso do primeiro-ministro só “podia ir nesse sentido, só que veio tarde”.

A gesticulação retórica do Governo e da Oposição portugueses, no rescaldo da hecatombe financeira de anteontem em Wall Street, era o mínimo que poderíamos esperar dos zombies que deambulam pelo círculo estreito e gorduroso da gamela orçamental lusitana. Ainda por cima numa altura em que, lá como cá, cheira a eleições. Era o que faltava se nada dissessem! Disseram, como seria de esperar, o previsível. Por um lado, a clique governamental aproveitou para imputar subtilmente as dificuldades dos portugueses aos desvarios "liberais" da América, como se Clinton e os Democratas estivessem isentos de culpa. Há uma mudança de paradigma, balbucia o motorista do BES (Manuel Pinho.) Já demos! -- repete socratintas. Do lado da Oposição, Manuela Ferreira Leite, pelos vistos atada às ignorâncias profundas dos sound bites emitidos pelo spin doctor do Abrupto (Pacheco Pereira), meteu os pés pelas mãos e veio a terreiro defender-se da tentativa governamental de colar as convicções do PSD à praxis desvairada dos piratas de Wall Street e da Casa Branca. Ou seja, caiu na esparrela! Em vez de ler os clássicos da teoria económica (Malthus, Adam Smith, Ricardo, Marx, Polanyi, Keynes, Schumacher, ...), ou alguns economistas actuais muito recomendáveis, como Stiglitz ou Ann Pettifor, ou ainda as palavras sábias do senador republicano Ron Paul sobre o declínio da América e a ruína do US dólar, leu infelizmente as prosas intragáveis de João Carlos Espada. Porque não lê Sarkozy, MFL?

Já toda a gente, menos alguns jornalistas e os corretores do PSI20, começou a perceber que a crise americana não é apenas uma crise americana, nem sobretudo se esgota na verborreia ilusória sobre o famigerado Subprime, segundo a qual o colapso do modelo económico-financeiro da Euro-América se teria ficado a dever a uns desgraçados sem dinheiro que se puseram a comprar vivendas com créditos temerários 100% financiados por uma turma de vigaristas sem lei nem ordem.

A ponta do icebergue que irrompeu com a famosa crise do Subprime é isso mesmo: a ponta de um icebergue que ameaça rebentar com o modelo económico parasitário que foi sendo paulatinamente montado nos Estados Unidos e na Europa, ao longo dos últimos 30 anos, e que pode ser resumido assim:
  • deslocalização da produção industrial para o Oriente;
  • terciarização descompensada das economias ocidentais;
  • atomização e precarização dos saberes profissionais;
  • obsolescência programada dos produtos;
  • alienação ideológica das massas através da reificação do consumo;
  • dependência e intensificação energéticas das economias ocidentais;
  • envelhecimento populacional e crises demográficas;
  • destruição das células familiares como unidades de resistência social;
  • deterioração dos termos de troca entre os países ocidentais desenvolvidos e os países produtores de energia e de matérias primas;
  • endividamento estrutural da Euro-América face ao Japão e às economias industriais emergentes;
  • transformação suicida dos processos de endividamento em economias virtuais e veículos de especulação financeira (muito semelhantes aos velhos e ilegais esquemas piramidais de enriquecimento ilícito.)
  • transferência maciça da liquidez soberana dos grandes países consumidores para os grandes países produtores.
O momento que a América e a Europa estão neste momento a atravessar pode ser resumido desta forma: os países ricos, quer dizer, que possuem gigantescas capacidades produtivas instaladas e em operação, ao mesmo tempo que detêm as maiores reservas de ouro e monetárias do planeta, exibindo ainda excedentes comerciais e financeiros, deixaram de querer subsidiar o colapso financeiro da América, e mostram-se aparentemente dispostos a descolar das velhas economias imperiais. Nesta circunstância a Europa não tem outra saída que não seja segurar a moeda americana e nacionalizar, se for preciso, todo o sistema bancário europeu! Nisso estamos, perante o ar aparvalhado dos adeptos fanáticos da "mão invisível" do mercado. Pelo vistos, trata-se de uma mão completamente imprevisível!


Les banques européennes très exposées

30-09-2008 (Courrier International). La presse européenne s'inquiète de voir les banques du Vieux Continent fragilisées à leur tour. Mais le pire n'est pas à venir, si l'on en croit l'économiste italien Mario Deaglio.

... Selon le quotidien britannique, la situation est d'autant plus inquiétante que les banques européennes, très exposées aux actifs "toxiques" liés aux crédits immobiliers américains, possèdent également "des montagnes de créances douteuses liées aux marchés de l'immobilier britannique, espagnol, français, néerlandais, scandinave et est-européen". Et, pour ne rien arranger, "les marchés européens du crédit [interbancaire] sont pratiquement paralysés".

"Si les Etats européens ont pu jusqu'à présent éviter que la faillite d'un établissement ne se transforme en risque systémique, les appels en faveur d'un plan de sauvetage concerté se font de plus en plus nombreux", constate Le Temps. Le quotidien suisse rappelle que Nicolas Sarkozy a réitéré, le 29 septembre, son projet d'un sommet pour la refondation du système financier international.

Esta citação mereceu um comentário muito instrutivo, que me foi enviado na tarde de 30 de Outubro, por uma economista, antiga diplomata e querida amiga canadiana, que reproduzo com a devida vénia:
Este artigo do Courrier International contextualiza bem o problema. Mas o que mais me chama a atenção são as noticias que a seguir destaco, no dia em que o Euro passou de 1,60$ há 3 meses atrás, para 1,40$ à hora que escrevo, sendo a maior queda desde 2001. Creio que esta queda brutal se ficou dever à injecção de 2 mil milhões de YEN pelo Banco do Japão, mas também aos apelos da Comissão Europeia, e de Angela Merkl, para que os Estados Unidos assumam um "global stewardship in the economic crisis".

Quem pede a outro que assuma um "global stewardship", está a admitir que não pode fazê-lo. Dá que pensar, não dá?

No entanto, a imprensa portuguesa preferiu destacar o seguinte:

A Comissão Europeia lamentou hoje que o Congresso norte-americano tenha rejeitado o plano de resgate financeiro proposto pela Administração Bush, atribuindo aos EUA parte da responsabilidade pela crise financeira mundial. (Público)

Os espanhóis do El País sempre são mais realistas:

Segundo a edição online do diário espanhol "El País", Bruxelas pede aos norte-americanos para assumirem as suas responsabilidades porque a Europa “está a fazer que lhe toca".

Comparar os destaques e comentários do Público e do El País a este respeito é muito engraçado. Como impagável é saber o que disse Sócrates (segundo o Jornal de Negócios de hoje):

"Quero tranquilizar os portugueses quanto às suas poupanças. O sistema financeiro português tem mostrado boa resistência e boa saúde, mas isso não dispensa que os EUA façam o que têm que fazer para resolver um problema que eles próprios criaram. Não fazer nada não é solução”, afirmou o primeiro-ministro.

Ainda sobre as operações de salvamento dos bancos europeus, em curso há vários meses, e que se vêm acumulando rapidamente nos últimos dias, com punções brutais nas disponibilidades financeiras dos principais bancos centrais europeus e do BCE, preocupa-me o que possa vir a suceder à banca helvética. Começam a surgir no ar receios sobre o futuro de bancos como o UBS. Enquanto os bancos da União Europeia são salvos por consórcios de Reservas nacionais e/ou de Bancos Centrais da União, pergunta-se o que acontecerá a um banco europeu em quebra situado fora da "rede" de protecção da União?!

Finalmente, para mim, o mais grave de tudo, no que se refere à sorte imediata da Europa, é o congelamento total do crédito Inter-bancário. O comportamento neurótico da banca faz-me lembrar aquela história dos esquilos obcecados com as suas bolotas, não as trocando com nenhum outro da mesma espécie: "squirrels hoarding their acorns, and not wanting to loan to one another". Eu nunca vi as taxas Euribor assim!

01 Semana 4,8390%
01 Mês 5,0500%
03 Meses 5,2770%
06 Meses 5,3770%
12 Meses 5,4950%

Esbateu-se quase totalmente a diferença entre Euribor a 1 mês e Euribor 1 ano!

Isto indica INCERTEZA E VOLATILIDADE total. A esta incerteza soma-se a queda do Euro -- que cai tão fortemente agora porque já se sabe que o BCE vai enfim baixar em breve a taxa de juro de referência (para os 4% ou 3,75%) --, bem como uma taxa Euribor perto de 6%. Isto é muito grave! Não é Estagflação, é depressão pura e dura, como não conhecemos nunca durante as nossas vidas. Só alguns dos nossos avós passaram por coisa semelhante. Refiro-me aos que viviam na cidade, pois no campo safaram-se bem, como dizia o meu avô materno. -- CMT

OAM 449 01-10-2008 02:04

terça-feira, setembro 30, 2008

Crise Global 29

Colapso da América X

... e os europeus que se cuidem!


"Información, experiencia y razón se ponen de manifiesto en tu blog que ya auguraba el crak que se habla hoy. Los políticos deberían tener más gente creativa como asesores ya que la intuición basada en la experiencia no es irracional. Yo, gracias a tus sugerencias desde Alcácer moví todos mis ahorros y me he salvado de una buena...hasta el momento. Toco madera! Te agradezco haberlo compartido en tu blog." -- e-mail dirigido hoje ao António Maria*.

O BCE, o Banco de Inglaterra e o Banco do Japão emprestaram 620 mil milhões de US dólares à Reserva Federal, no preciso em que o Congresso impediu o Tesouro Americano de fazer uma transfusão ilegal de riqueza nacional para os bolsos ávidos dos grandes especuladores, tolhidos e aflitos à sombra da Goldman Sachs, do Morgan Stanley e do JP Morgan. Se esta duplicação dos derivativos cambiais do FED, a que se dá o nome de SWAPS, não tivesse sido preparada em Londres, para a eventualidade de a burla de 700 mil milhões de US dólares, orquestrada por Henry Paulson, não passar, e não fosse concretizada imediatamente após conhecida a votação do Congresso, o que teria sucedido? Bom, a moeda americana estaria hoje, terça feira, 30 de Outubro de 2008, a caminho do Zimbabué!

Mas com o auxílio maciço à moeda americana ontem verificado, que sucede às economias japonesa e europeia? É simples de ver: o Japão continua a escravizar a sua população trabalhadora, arriscando-se a ter uma revolução sem precedentes no seu território. E a Europa, por sua vez, onde os cidadãos e empresas produtivas estão a pagar o regabofe de Wall Street, com a subida imparável dos spreads bancários, dos juros e da inflação (1), não tardará a dar uma resposta social violenta.

A sincronização da informação, da análise crítica e dos planos de acção de contingência por parte da cidadania democrática activa, tem vindo a engrossar. Os burocratas e corruptos de Bruxelas e dos vários governos europeus que se preparem! A subida das direitas populistas ao poder -- na Áustria, Suíça, Suécia, Holanda, Itália e França -- desenham-se claramente no horizonte. São uma alternativa real, embora indesejável para o meu gosto. Falta saber se os democratas e libertários intransigentes serão capazes de estimular a tempo uma resposta coordenada à escala europeia capaz de travar simultaneamente os populismos de direita e de esquerda (do género protagonizado pelos casamentos contra-natura entre trotskystas pueris e maoístas quadrados que entre nós deram origem ao Bloco de Esquerda), derrotando ainda a grande nomenclatura europeia da corrupção, que sob designações pervertidas diversas ("socialistas", "sociais-democratas", "liberais") está a conduzir o velho continente para uma nova e perigosa encruzilhada (2).

Basicamente o que sucedeu foi isto: japoneses e europeus aflitos emprestaram à falida América uma quantia muito próxima dos mágicos 700 mil milhões de US dólares que Paulson quer roubar aos seus concidadãos. Esta montanha mágica de dinheiro é idêntica ao défice comercial americano, e corresponde sensivelmente ao orçamento anual do Pentágono! Ou seja, europeus e japoneses emprestaram liquidez ao governo americano para que este possa injectar liquidez nos mercados mundiais, alimentado desta forma frágil a esperança de que os EEUU continuem a consumir produtos japoneses (nomeadamente automóveis e empréstimos sem juros!), europeus e chineses. Os árabes do Dubai é que já não estão pelos ajustes e anunciaram que, depois de perderem 270 milhões de US dólares a tentar salvar o Citigroup Inc. e a Merrill Lynch & Co., vão passar a aplicar os seus vastos fundos soberanos (200 mil milhões de US dólares em activos) noutras pastagens. A liquidez mundial está a mudar de direcção. O ciclo das economias especulativas e de consumo acabou. Outro se seguirá, bem mais perto do velho paradigma da formiga diligente e trabalhadora, do que do da cigarra da Broadway. Entretanto, Europeus: ponham as vossas economias a salvo. Não confiem nem nos governos, nem nos pequenos partidos populistas, nem nos banqueiros. Confiem na vossa intuição! Preparem-se para o pior! Pois só assim sobreviverão ao colapso do grande casino da globalização dita "liberal".


* -- O que escrevo neste blogue, com a alimentação saudável, informada e crítica de muitos amigos e feeders institucionais, é a principal causa dos acertos até agora verificados com antecedência suficiente para permitir acautelar o pior. No entanto, o aviso aqui fica: não sou responsável pelas decisões dos meus leitores! Eles devem sempre comparar dados e opiniões antes de agir. Uma coisa é, porém, certa: sem uma leitura das estruturas invisíveis da realidade é virtualmente impossível traduzir as cortinas de calão e de contra-informação que diariamente políticos, especuladores e média nos servem à mesa do jantar.


NOTAS
  1. BCE injecta mais 190 mil milhões de euros no mercado financeiro!
    Mais de 400 bancos recorrem ao BCE em busca de financiamento

    30-09-2008 (Jornal de Negócios) Um total de 419 instituições financeiras da Europa recorreu hoje ao Banco Central Europeu (BCE) em busca de financiamento, numa altura em que o mercado de crédito está congelado. A instituição presidida por Jean-Claude Trichet cedeu 190 mil milhões de euros.

    Do total de 228 mil milhões de euros solicitados ao BCE, a autoridade monetária da Zona Euro entregou 190 mil milhões, em empréstimos de sete dias, aos 419 bancos que apresentaram propostas no leilão de hoje. Cerca de 15% dos empréstimos foram concedidos à taxa marginal de 4,65%. Em média, os bancos estão a pagar 4,96%.


    Novo recorde na Euribor

    30-09-2008 (SIC). A taxa Euribor está imparável e voltou hoje a bater recordes, por causa da crise no mercado financeiro.

    A Euribor a seis meses, a mais usada no crédito à habitação, subiu para os 5,38%, o valor mais elevado de sempre.

    A taxa a três meses cresceu para os 5,28%, o que também corresponde ao valor mais alto.

    A Euribor a 12 meses está perto dos 5,5%.

    Comentário: Enquanto os bancos obtêm rios de empréstimos a taxas de juro favoráveis, para se salvarem das consequências ruinosas da sua própria praxis, o cidadão comum vê subir o custo do dinheiro que os mesmos bancos tanto insistiram e insistem em emprestar. Temos que observar atentamente esta dualidade de critérios e agir!

  2. Sócrates assegura que famílias portuguesas com poupanças podem estar tranquilas

    30.09.2008 - 15h40 Lusa/ Público. O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que as famílias portuguesas com poupanças podem estar tranquilas apesar do actual quadro de crise – cuja responsabilidade atribui a Washington – e elogiou a capacidade de resistência das instituições financeiras nacionais.

    ... Em contraste com as críticas que fez às autoridades de Washington, Sócrates defendeu que "os governos europeus mostraram já uma determinação total para dar confiança aos seus cidadãos". "As poupanças dos europeus estão garantidas. É por isso essencial que os Estados Unidos aprovem rapidamente uma solução para acabar com uma desconfiança que mina a confiança no sistema financeiro internacional", reforçou.

    No actual quadro de crise, Sócrates advogou que "a Europa já pagou um preço".
    "Há um ano que estamos a pagar esse preço, com restrições no crédito e com o crédito mais caro. É altura para os Estados Unidos intervirem", acrescentou. Numa mensagem ideológica, o chefe do Governo português sustentou que a presente crise "também demonstrou que o sistema europeu de regulação dá mais garantias" do que "os comportamentos pouco prudentes" dos Estados Unidos.

    Comentário: parece que a missão dos políticos e financeiros é evitar o alarme público. No caso dos políticos, banqueiros e economistas lusitanos, este princípio é seguido com extremo zelo. Tudo vai bem no Reino da Dinamarca! Ou seja, Portugueses: não se preocupem. O governo e as autoridades de supervisão estão atentas e protegem o vosso dinheiro! Estão? Protegem? Pois duvido muito! Se tudo vai bem por que sobem as prestações das hipotecas e dos empréstimos? Se tudo vai bem, porque andam os bancos europeus a correr para o BCE, como doidos? Pois eu acho que a corrida aos bancos já começou e está a acelerar! É por isso, e também porque os chineses e os árabes deixaram de emprestar, que o deserto tem vindo a invadir e a secar as reservas monetárias americanas e europeias. Até quando vai o BCE injectar liquidez nos mercados? Alguém se deu já ao trabalho de perguntar quantos euros sobram no mealheiro do BCE? O dólar pode vir a desaparecer de um dia para o outro, antes de 2017. E o euro?

REFERÊNCIAS

Fed Pumps Further $630 Billion Into Financial System

Sept. 29 (Bloomberg) -- The Federal Reserve will pump an additional $630 billion into the global financial system, flooding banks with cash to alleviate the worst banking crisis since the Great Depression.

The Fed increased its existing currency swaps with foreign central banks by $330 billion to $620 billion to make more dollars available worldwide. The Term Auction Facility, the Fed's emergency loan program, will expand by $300 billion to $450 billion. The European Central Bank, the Bank of England and the Bank of Japan are among the participating authorities.

Mystery Of $600 Billion In London Solved!

By Elaine Meinel Supkis (Culture of Life News)

All the reserves of the Federal Reserve are now gone. The ONLY way the Fed can flood the world with dollars is to beg all the other banks to give us dollars for us to give them. Got that? HAHAHA.

... Lord only knows what the Dragon of China is doing with its vast, huge dollar reserves! This $630 billion infusion is one third the size of China's FOREX dollar reserves. Recently, I sat down and calculated Europe's dollar reserves and it was over $600 billion by about $50 billion. So I am also assuming this injection was actually Europe letting the Federal Reserve 'borrow' their dollar reserves!

Financial Fears Mount as Congress Heads for Holiday

By Marc Pitzke in New York

09/30/2008 (Spiegel Online). One day after the House of Representatives shot down the $700 billion bailout package for Wall Street, many fear that the markets will plunge further. Political leadership, though, will have to wait -- until after a two-day holiday.

Governos injectam 6,4 mil milhões de euros no banco franco-belga Dexia
30.09.2008 - 09h47 (AFP, Lusa/ Público)

O primeiro-ministro belga Yves Leterme anunciou hoje um acordo entre os governos belga, francês e luxemburguês para injectar 6,4 mil milhões de euros no banco franco-belga Dexia.

Wall St. Mess Stems Flow Of Petrodollars Into U.S.

DUBAI (Nikkei)--The recent Wall Street crisis appears to have prompted Middle Eastern sovereign wealth funds to rethink their strategy of placing large portions of their petrodollars in U.S. stocks.

Bader Al-Sa'ad, managing director of the Kuwait Investment authority, said Tuesday it is the responsibility of each country's central bank to rescue financial institutions, stressing that the KIA has no intention of helping U.S. banks.

He also said he thinks the crisis in the U.S., Europe and Asia will create investment opportunities in various areas, such as the real estate and financial sectors, indicating that the KIA will review its portfolio.

One of the largest SWFs in the world, the KIA has more than 200 billion dollars in assets and invested a total of more than 5 billion dollars earlier this year in Citigroup Inc. and Merrill Lynch & Co. But those equities lost their value sharply due to the renewed financial turmoil. Al-Sa'ad said the KIA suffered a loss of 270 million dollars on its investment in Citigroup.

Congratulations, Corporate Crime Fighters! Coup Averted for Three Days! ...from Michael Moore

Tuesday, September 30th, 2008. Everyone said the bill would pass. The masters of the universe were already making celebratory dinner reservations at Manhattan's finest restaurants. Personal shoppers in Dallas and Atlanta were dispatched to do the early Christmas gifting. Mad Men of Chicago and Miami were popping corks and toasting each other long before the morning latte run.

But what they didn't know was that hundreds of thousands of Americans woke up yesterday morning and decided it was time for revolt. The politicians never saw it coming. Millions of phone calls and emails hit Congress so hard it was as if Marshall Dillon, Elliot Ness and Dog the Bounty Hunter had descended on D.C. to stop the looting and arrest the thieves.

The Corporate Crime of the Century was halted by a vote of 228 to 205. It was rare and historic; no one could remember a time when a bill supported by the president and the leadership of both parties went down in defeat. That just never happens.

A lot of people are wondering why the right wing of the Republican Party joined with the left wing of the Democratic Party in voting down the thievery. Forty percent of Democrats and two-thirds of Republicans voted against the bill. -- Michael Moore.

Why the bail-out would not work… on BBC News Online
By Ann Pettifor

Monday, 29 September, 2008 (Debtonation). Is Warren Buffett right? If this bail-out had been passed by congress, would it have halted the meltdown?

I don’t believe so. Here’s why…

First, this is a bail-out of a small number of shareholders and creditors with stakes in Wall Street financial institutions - people like investment guru Warren Buffett - and potentially some foreign banks.
...

Second, Second, the Fed, as with other central banks, effectively gave up its powers to control the rate of interest across the board, for safe and risky, and short and long-term loans. Instead interest rates - the price of credit - were effectively privatised.
...

Third, all that ‘easy money’ or credit acted like a giant pump, and inflated the price of assets e.g. property. The rich on the whole own assets, and could use their assets to borrow even more ‘easy money’, flip condos, move up the property market, buy stocks, race horses, works of art etc.

So asset prices rose higher, and higher. This helps explains why the rich became richer and the poor, poorer.
...

What would it take to fix the system. A bail-out of banks?
No, what is required is an overhaul of the whole economic system; a system-wide fix.

* That means, first, dumping the orthodox free-market zealots responsible for the policies that got us into this mess. (...)

* Second, it will be vital to restore to the Federal Reserve and other central banks the power to set the rate of interest (...)

* Third, we must abandon the policy of holding down wages and other forms of compensation, especially if we want people to repay debts, and help salvage the banks. Jobs will have to be protected, or even created by government, and incomes must rise.

* Fourth, we have to simply write off the debts of those poor people who cannot ever repay. Just as we write off the debts of companies or governments that can no longer pay, so we must recognise that many citizens are effectively insolvent. The refusal to acknowledge this truth lies at the heart of Mr Paulson’s plan - and that is why his plan will fail.

Bring back Keynes
The best way out of the economic crisis is to cut interest rates, create jobs and raise incomes. By Ann Pettifor.

Tuesday, September 30 2008 (Debtonation). Anglo-American finance ministers and central bankers, like little Dutch boys, try desperately to plug leaks in the bursting dyke that is the international financial system. In the US, treasury secretary Hank Paulson hoped for $700bn to plug the gaping hole in Wall Street's banks. In the UK, the government is not just plugging holes, but setting aside competition rules to encourage the monopolisation of finance. Alistair Darling suspended competition rules to allow the Lloyds Bank takeover of HBOS because of the crisis. This is like suspending the law during hurricanes. The demise of another independent bank, Bradford & Bingley, and the transfer of its savings business to Santander, will increasingly monopolise finance.

Will these plugs and private-sector fixes work? No, because a) they are not system-wide fixes and b) they are based on the same flawed economic policies that spurred this crisis in the first place.

OAM 448 30-09-2008 16:48

2008 Semana 40

Excitações da semana
29 setembro - 5 outubro


O Expresso mente e colabora em manobra de terror psicológico
Artistas por conta da Câmara
(in Expresso, 5 de Outubro 2008)

São 70 os ateliês cedidos a artistas plásticos contabilizados pela Câmara Municipal de Lisboa após um primeiro levantamento levado a cabo pelos serviços municipais, em Março passado. O documento, a que o EXPRESSO teve acesso

[leia-se: fornecido ao Expresso por alguém afecto à Câmara Municipal de Lisboa]

, revela que a maioria daqueles espaços estão atribuídos por um prazo indeterminado, sem existência de protocolos

[esta afirmação é redondamente falsa e tem como finalidade criar a ideia de que tanto é corrupto quem cede espaços camarários a artistas, como os artistas que aceitam tais benesses]

e, nalguns casos, a título gratuito. José Pedro Croft, Lagoa Henriques, Carlos Amado, Maria Helena Matos, António Cerveira Pinto, João Vieira e até a jornalista Dina Aguiar são alguns dos artistas contemplados

[Eu, António Cerveira Pinto, nunca pedi qualquer espaço camarário, seja para o que for, e muito menos fui "contemplado" com qualquer "ateliê" cedido gratuitamente; pelo que o envolvimento do meu nome neste artigo encomendado ao Expresso configura um acto consciente de má-fé e uma tentativa de assassínio de carácter. Vou pensar quanto é que este tipo de crime pode valer em tribunal.]

pela autarquia num processo de distribuição sem critérios definidos que teve início em 1970, com Fernando Santos e Castro à frente do município e fechado há pouco mais de um ano durante o mandato de Carmona Rodrigues

[a cedência de espaços a artistas, pagos ou não pagos, para aí realizarem o seu trabalho, não "teve início em 1970", mas há centenas de anos, e é prática comum em muitas cidades europeias; por exemplo, os antigos pavilhões da Exposição do Mundo Português (1940), foram cedidos gratuitamente ou a rendas simbólicas, após a Exposição Salazarista encerrar as suas portas, e ainda hoje lá operam várias actividades em condições especiais de cedência de espaço, como clubes náuticos e restaurantes.]

O maior complexo de ateliês camarários disponibilizados a pintores, escultores e ceramistas fica em Alvalade

[fruto de uma viagem do antigo edil da capital -- França Borges -- a Paris, a convite de André Malraux, após a qual decidiu construir o Centro de Artes Plásticas dos Coruchéus (CAPC), exclusivamente destinado aos artistas plásticos residentes ou a trabalhar em Lisboa (e não para colocar burocratas camarários, como hoje acontece já em meia dúzia de estúdios previamente excluídos da sua vocação estatutária!]

A ladear o Palácio dos Coruchéus, distribuem-se em dois prédios de três andares 50 espaços diferentes. Aí, as rendas rodam os 30 euros

[ali, desde 1972, não se pagam "rendas", mas sim taxas de ocupação de espaços camarários cedidos a título precário e com renovação periódica condicional; por outro lado, a não actualização das taxas é assunto que remete exclusivamente para as responsabilidades da CML, acrescendo que quando os estúdios foram inicialmente cedidos, as ditas rendas então pagas coincidiam com os valores comerciais praticados na zona de Alvalade-Roma, pelo que nenhum dos primitivos utentes do CAPC usufruiu de qualquer benesse]

e as áreas disponibilizadas equivalem a apartamentos T1

[a maioria dos estúdios têm áreas à volta dos 25m2, pelo que nunca poderiam ser equiparados a apartamentos T1, quanto muito a T0 -- mas o que importa aqui denunciar é a intenção maliciosa do jornalista, fazendo passar a imagem de que os referidos estúdios são ou podem ser apartamentos.]

Já nos Olivais, junto à Quinta Pedagógica, os ateliês são oficinas amplas, com escritório e pátio. Croft, que ocupa um desses espaços, justifica as dimensões com o tipo de trabalho que executa, esculturas de grande escala e fala em “troca de serviços” para explicar a ausência de qualquer pagamento da sua parte à CML. “Sempre que sou solicitado para colaborar com a autarquia, faço-o”, diz, salientando uma exposição no Museu da Cidade e vários projectos de esculturas para exteriores já por ele realizados. José Pedro Croft adianta que o contrato que assinou com João Soares em 1998 é renovável de quatro em quatro anos, tendo o município a possibilidade de o denunciar. “Como não o fez até agora e ainda faltam dois anos para poder optar por essa via, não creio que haja alterações ao protocolo. Até porque continuo disponível para colaborar com a Câmara”, diz.

[Há que distinguir para bem compreender, como insiste um amigo meu, quando lidamos com manobras de intoxicação pública -- em que, pelos vistos, também o Expresso, se vem esmerando. A visão mecenática que leva à cedência gratuita de estúdios a artistas (ou qualquer situação do género) por decisão personalizada e arbitrária do poder político, seja ele camarário ou governamental, não deve fazer parte das normas de responsabilidade e transparência de uma democracia, e como tal deve ser abandonada. O importante, no caso da contra-informação promovida pelo Expresso, é separar os estúdios alugados com toda a transparência daqueles que foram cedidos por deferência majestática do poder. Meter tudo no mesmo saco, mais do que falso jornalismo, é abuso do poder mediático em nome de guerras compradas a troco de garantias publicitárias (suponho.) Assim sendo, este é mais um caso exemplar a intervenção oportuna da Entidade Reguladora da Comunicação Social.

Já agora, uma pergunta: houve algum concurso para encomendar UM MILHÃO DE COMPUTADORES (O FAMOSO "MAGALHÃES") A UMA DADA EMPRESA PRIVADA? E HOUVE ALGUM CONCURSO PÚBLICO PARA ENTREGAR À MICROSOFT O MONOPÓLIO DE FORNECIMENTO DE SOFTWARE E PROGRAMAS INFORMÁTICOS AO ESTADO PORTUGUÊS? Porque não se dedica o Expresso a investigar coisas importantes, em vez de fazer fretes a uma turma de inúteis que vegeta nos corredores da CML?]


Cedência para sempre

Mesmo ao lado, de portas fechadas, fica o ateliê de Sam. O escultor morreu há 15 anos, mas para que o espaço possa ser ‘libertado’ pela família a autarquia “terá de comprar o espólio do artista”, conta fonte do Gabinete de Rosália Vargas, vereadora da Cultura. As negociações já estão em curso, garante a mesma fonte.

[As fontes deste artigo deveriam ser expostas e provavelmente metidas na prisão]

Com direito a “espaço de descanso, porque um artista trabalha a qualquer hora”, como diz o escultor Carlos Amado, existem meia dúzia de ateliês ainda mais espaçosos na Avenida da Índia, em Belém, atribuídos no final dos anos 70. Além de Amado, dispõem desses espaços, definidos pelo documento da CML como “armazéns convertidos”, Lagoa Henriques, Maria Helena Matos e António Cândido dos Reis. Pagam €35, “aquilo que a autarquia determina, mas sabemos que não somos donos dos ateliês”, explica o escultor. “Se eles entenderem que este meu espaço lhes falta para outro fim que se justifique, participar-me-ão e terão que arranjar-me outro ateliê”, prossegue. O escultor, que não executa qualquer trabalho há dois anos, considera ainda que esta é uma cedência “a título provisório ad aeternum”.

[Esta prosa de pasquim não é digna do Expresso! Ou é?]

“Zangado” com as condições de trabalho oferecidas pelos ateliês dos Coruchéus, onde trabalhou durante três décadas, João Vieira optou por “pedir um espaço maior” à autarquia. Alegou que não conseguia trabalhar “com as faltas de água constantes” e que a área que detinha “já nem dava para guardar metade das obras produzidas”. Há menos de dois anos, Carmona Rodrigues cedeu-lhe uma loja devoluta em Marvila. Em troca o pintor doou à Câmara uma peça composta por vários painéis alusivos ao célebre quadro de José Malhoa, ‘Fado’. “Foi uma doação valiosa”, adianta João Vieira, que garante ter gasto €10 mil na recuperação do espaço. De resto, só ele foge à regra, pagando à autarquia €250 por mês.

[A actualização das ditas rendas que são taxas é um atributo exclusivo da CML, e diz respeito a todo o património camarário -- que é muito -- cedido em circunstâncias similares, seja a título de arrendamento social, seja para cedências temporárias a pessoas, empresas e instituições. Mais uma vez, o que se exige, e muitos artistas há muito vêm exigindo é que essa transparência exista.]


Nos Coruchéus, já poucos consagrados trabalham actualmente e com um volume de trabalho significativo destacam-se apenas Soares Branco e Gracinda Candeias, ambos a dispor do espaço há quase quatro décadas.

[Esta afirmação além de imbecil e improcedente em matéria de juízo estético, não respeita a natureza dos contratos existentes entre os artistas mais velhos e a CML. De facto e "de jure", os artistas que no início da década de 1970 alugaram os estúdios do CAPC, pagaram então o preço justo pelos espaços, e assinaram contratos sem termo. Não têm pois que ser assediados pelo poder -- nem pelos media! -- como se fossem uma espécie de emigrantes do Leste. O facto de as vereações mais recentes alimentarem uma verdadeira obsessão relativamente aos CAPC, dando todos os indícios de querem expulsar os artistas das instalações construídas expressamente para deles, dá credibilidade à história que corre desde o tempo de Santana Lopes, que apontaria para a rápida desocupação dos Coruchéus, a pretexto de ali colocar funcionários camarários sem secretária, mas cuja finalidade última seria vender o terreno valioso dos Coruchéus na corrupta e hoje falida bolsa imobiliária, para deste modo financiar o desastroso e irrecuperável défice da CML. Mesmo que tal fosse verdade, o procedimento correcto seria expor tais intenções publicamente, em vez das manobras sórdidas que têm sido levadas a cabo contra os artistas.]

A mais nova inquilina é Dina Aguiar. O ateliê foi-lhe atribuído por João Soares em 1999. A jornalista é dos poucos artistas identificados pelo documento elaborado pelos serviços municipais cuja actividade artística não está classificada.

[Se o idiota que escreveu esta prosa fizesse o trabalho de casa, saberia que a definição de "artista", nomeadamente para efeitos fiscais, ou de acesso a programas de apoio e investimento público, comunitário, etc., é muita clara e abrange obviamente o caso da Dina Aguiar, que sendo locutora de televisão, como outros são médicos ou jornalistas, é também uma pintora merecedora de todo o respeito institucional e jornalístico.]


Mas o caso mais polémico em Alvalade tem como protagonista Cerveira Pinto.

[Porquê? Porque impedi em 2005 que os artistas do CAPC fossem desalojados? Porque tenho denunciado a conspiração burocrática da CML em volta do CAPC? Porque acho que a CML funcionaria bem melhor com metade dos actuais funcionários e contratados? Porque tenho criticado asperamente António Costa pelo incumprimento das suas promessas eleitorais? Mas também por o simpático edil querer trocar os terrenos da Portela por patacas (uma vez mais em nome do insalvável défice camarário) e destruir o Porto de Lisboa, tudo em nome de pressões que não controla por, basicamente, desconhecer os problemas do país e da capital? Porque bato muito no Sócrates?!]

O pintor transformou o seu ateliê no piso térreo em galeria comercial

[Esta afirmação é 100% falsa e revela até que ponto o autor da prosa do Expresso é uma de três coisas: completamente leviano, profissionalmente mentiroso ou corrupto. Eu não usufruo de nenhum atelier no piso térreo, e se o espaço a que ele se refere é a Quadrum Galeria de Arte, a mesma existe desde 1973, e deixou de operar há três anos, no momento em que a CML anunciou obras de reparação nos edifícios do CAPC, pretendendo então expulsar todos os artistas dos Coruchéus. Acrescente-se que as ditas obras continuam por terminar -- tanto quanto sei por falta de pagamento aos empreiteiros -- e sem projecto de electricidade aprovado!]


a autarquia não gostou. Com um processo instaurado pela CML

[Mais uma vez, não me foi instaurado nenhum processo! A mentira do pseudo-jornalista atesta assim a sua manifesta má-fé, ou idiotia]


e com as portas fechadas, Cerveira Pinto alega direitos adquiridos, mas não se mostrou disponível para falar com o EXPRESSO

[Como é óbvio, para quem me conhece, eu adoraria explicar ao Expresso tudo o que quisesse saber sobre o assunto. Mas a absoluta verdade é que nunca fui contactado pelo Expresso, nem pelo autor da peça em apreço. Quanto mais escusar-me a satisfazer a curiosidade de um semanário outrora famoso pela sua autoridade jornalística, probidade e criatividade.]

O Bairro do Rêgo alberga mais seis artistas, mas outros espaços dispersos pela cidade ainda estão por contabilizar. Rosália Vargas

[quem esta Senhora? Fala com autoridade delegada? Delegada por quem? Poderá ser imprescindível saber.]

afirma estar a trabalhar na matéria com a celeridade possível e classifica as cedências como uma prática “desadequada”. O novo regulamento está desenhado mas a discussão pública a que tem que obedecer não permitirá que entre em vigor antes de meados do próximo ano, afiança Rui Pereira, director municipal da Cultura, que levanta o véu sobre as novas regras.

[Quando António Costa prometia tirar os carros de cima dos passeios, eu enviei um escrito a uma sua sessão de propaganda, que viria a ser lido pela minha amiga e pintora Gracinda Candeias, no qual expunha a situação escandalosa dos estúdios do CAPC, a sua história e a transformação daquele lugar outrora paradigmático numa azinhaga de troca de seringas, estacionamento selvagem, serviços de restauração e bar indecorosos, defecação canina diária e confronto burocrático desmiolado com os pobres e pacíficos artistas que ali criam valor (no sentido estrito do PIB.)

Nessa proclamação desesperada insistia, uma vez mais, para que houvesse regras na cedência dos espaços camarários disponíveis: transparência, regulamentos ponderados, diversificação dos tempos de cedência, atenção aos mais jovens artistas, afectação de alguns estúdios a programas de intercâmbio, e respeito absoluto pelos contratos assumidos com os artistas mais velhos, que em nenhum caso merecem ser violentados por uma acção burocrática de contornos potencialmente criminosos -- pois é crime, encurralar, provocar e ameaçar pessoas hoje com mais de 70 e 80 anos, amantes da sua arte, que sempre cumpriram as obrigações estabelecidas com a cidade. O coração destas pessoas é como o coração dos passarinhos. Um trovejar injusto é suficiente para que parem de bater.]


O prazo máximo de ocupação será de três anos, prorrogável por mais dois em casos excepcionais

[Esta informação, que não passa duma balela tipicamente político-burocrática, revela até que ponto o Expresso, em vez de jornalismo, realizou uma operação de contra-informação e coacção psicológica sobre algumas dezenas de artistas que da actual política portuguesa pensarão talvez o que eu penso: não merecem votos!]


As candidaturas serão avaliadas por um júri independente, privilegiando-se os artistas mais jovens de acordo com a qualidade dos seus trabalhos. Os consagrados terão de concorrer com um projecto específico, bem justificado e limitado no tempo

[mais balelas que não resistem a um só desafio: façam o que prometem até ao fim desta ano, respeitando a transparência democrática que todos exigimsos!]


O texto original do Expresso, integralmeente citado, foi assinado por Alexandra Carita.

Os comentários a vermelho são meus (António Cerveira Pinto.)

Sobre o assunto levianamente tratado das cedências de casas camarárias, a que se pendurou a manobra de contra-informação dirigida à generalidade dos artistas da cidade, veiculada irresponsavelmente pelo Expresso, leiam-se abaixo mais dois posts por mim escritos sobre a matéria.

Creio que a minha proposta de reduzir para metade o número de funcionários da CML -- que é uma solução óbvia, se compararmos os rácios entre a população da cidade e a quantidade patentemente excedentária de funcionários e contratados que se atropelam, fazendo muito pouco, ou muito mal, nos departamentos disfuncionais da CML, com outros rácios europeus, nomeadamente Madrid -- pode explicar em parte o uso indevido de informação privada, por pessoal político-camarário, e ou burocrático-camarário, na manobra de contra-informação e coacção dissimulada que o artigo publicado pelo Expresso veicula. Aguardam-se cenas dos próximos capítulos. Eu, por exemplo, aguardo uma entrevista de duas páginas no Expresso!

Casas da Câmara de Lisboa
Costa diz que há distribuição sem critérios desde 1974

Publicação: 02-10-2008 22:23. Última actualização: 03-10-2008 00:46 (SIC)

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) confirma que tem havido distribuição de casas camarárias sem critérios específicos, pelo menos desde o 25 de Abril. António Costa falava no Programa Quadratura do Círculo, da SIC Notícias.

... "Apuramento" de abusos permitidos

A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Paula Teixeira da Cruz (PSD), atribuiu hoje a eventual entrega discricionária de casas camarárias a uma "cultura de arbitrariedade" da autarquia, à qual vai pedir o "apuramento" dos casos detectados.

"Não há regras para nada naquela casa. Há uma cultura majestática, uma cultura de arbitrariedade", afirmou à Lusa Paula Teixeira da Cruz, salientando que "a Câmara de Lisboa funciona como uma espécie de grande família, entre aspas, e não no sentido positivo de família".
Comentário: João Soares está fora da próxima corrida autárquica, e o esforço de Santana Lopes borregou. Agora que a Portela vai continuar onde está por mais uma ou duas décadas, a viabilidade económica da capital volta à estaca zero. Eu proponho, entre outras, estas medidas:
  • reduzir os efectivos camarários para níveis europeus civilizados, comparando, por exemplo, os rácios de Lisboa, com os rácios de Madrid;
  • desburocratizar e responsabilizar directamente os serviços de licenciamento de obras de construção, remodelação e manutenção;
  • catalogar e vender parte substancial do património municipal edificado, sem valor histórico classificado;
  • tirar os carros de cima dos passeios -- uma promessa até agora vã de António Costa --, aumentando os lugares pagos de estacionamento;
  • aplicação de multas pesadas ao estacionamento ilegal;
  • agravar as coimas aplicáveis aos prédios abandonados e degradados;
  • lançar sistemas inovadores de crédito bonificado às obras de manutenção e recuperação de edifícios em mau estado, beneficiando de forma clara os pequenos e médios proprietários;
  • introduzir uma norma transitória no Plano Director Municipal, permitindo construir mais um ou dois pisos num conjunto vasto de zonas da cidade previamente consideradas elegíveis para tal, sem com tal decisão prejudicar os equilíbrios técnicos, históricos e culturais da cidade;
  • criar de uma vez por todas a Autoridade Metropolitana da Grande Lisboa, dotada de poderes supra-municipais, cuja composição e eficácia anuncie o figurino desejável de um futuro governo da cidade-região de Lisboa;
  • estimular o aparecimento de uma grande Organização Não Governamental, independente e sem qualquer influência partidária, dedicada ao desenvolvimento de ideias e estratégias pragmáticas aplicáveis à transformação de Lisboa numa das grandes cidades-região criativas e sustentáveis da Europa.

Geórgia: Russos apontam metralhadoras a José Lello !

O presidente da Assembleia Parlamentar da NATO, José Lello, insurgiu-se, na quarta-feira, depois de soldados russos lhe terem apontado metralhadoras quando visitava um posto de controlo na Geórgia.

O português José Lello chegou, na segunda-feira, à Geórgia para uma visita que terminou hoje.

"Tive um confronto num posto de controlo, os soldados russos apontaram as metralhadoras e fui obrigado a dar dois passos atrás, levando à intervenção da polícia local", declarou.

"Os russos estão muito bem armados e esta situação perfeitamente ridícula vai ser denunciada", garantiu. E assegurou: "Os russos continuam a progredir no terreno", numa "atitude provocadora, geradora de grande tensão e de desestabilização para a Geórgia".

José Lello não escondeu "incómodo" porque "os russos não estão a cumprir" o acordo de paz negociado sob auspícios da presidência francesa, montando "novos postos de controlo fora das antigas zonas de combate, sem aparente interesse estratégico".

"A estranheza é tanto maior quanto os russos mostram uma clara posição de força, expulsaram polícias georgianos de um posto de controlo e deixaram em grande ansiedade aldeões" que estavam por perto, recordou da visita feita a cenários onde de desenrolaram as maiores hostilidades, de Gori (Centro) até à fronteira com a Ossétia do Sul.

"Espero que se mantenha a unidade entre a NATO e a União Europeia (UE), porque posições como estas não são do interesse da Rússia", acentuou José Lello.

O presidente da Assembleia Parlamentar da NATO vincou ser imperativa uma "cooperação global" porque, de facto, "os observadores da UE não puderam entrar nas zonas tampão controladas pelas forças de manutenção de paz (PKO) da Rússia".

"Há uma situação flagrante de provocação", concluiu, no rescaldo de uma jornada iniciada por encontros com a oposição georgiana, embaixadores comunitários naquele país do sul do Cáucaso e, ainda, com representantes de organizações não-governamentais (ONG).

Do frente a frente com o Presidente Mikhail Saakachvili, José Lello realçou a "confiança depositada na NATO e na UE para convencerem Moscovo a cooperar sem reservas".

Em contradição total com o relato do presidente da Assembleia Parlamentar da NATO, o alto representante para a Política Externa e de Segurança Comum (PESC) da UE, Javier Solana, declarou na reunião informal dos ministros da Defesa dos 27 que tudo "começou muito bem" para os observadores comunitários na Geórgia.

"Tudo está a evoluir positivamente (…) e não há problemas a registar", sublinhou o dignitário espanhol, referindo-se à EUMM (European Union Monitoring Mission), integrada por 352 elementos.

José Lello respondeu à posição de Javier Solana: "A UE tem até ao dia 10 para entrar onde hoje não entrou e Solana deverá estar certamente a contar com os próximos nove dias", para ter dito o que disse.

O exército russo mantém cerca de 7.600 homens nas repúblicas independentistas da Abkhazia (noroeste) e da Ossétia do Sul (centro-norte), que proclamaram unilateralmente a sua plena soberania a 26 de Agosto.

Publicação: 02-10-2008 00:09 | Última actualização: 02-10-2008 00:20 | SIC/Lusa

Comentário: Mas quem é que teve a infeliz ideia de enviar este paquiderme para a NATO? O homem não é especialista em terrenos e estádios de futebol, que por sinal arruínam o país e as câmara municipais? Também percebe de coisas sérias, é? Não me parece! Antes do Verão vimos Carlos César a meter-se onde era chamado. Agora temos o Lello (o Lello!!) armado em herói anti-russo, espalhando-se ao comprido onde Luís Amado, pelo contrário, tem sabido defender um precioso nicho de intervenção no escasso mercado político que ainda nos resta: o nicho da mediação honesta e inteligente. Se houvesse primeiro ministro, ainda lhe pediria que exportasse o Lello para uma delegação do ICEP em Vladivostoque. Mas como não há, a situação é desesperada! Arriscamo-nos todos a que este paquiderme diplomático descontrolado quebre alguma porcelana sensível!

Pela amostra, ficámos todos a saber que o Lello não percebe nada de nada. Julga que está num desafio de futebol, e portanto dispara baboseira. Ó senhor Lello! Primeiro, aprenda uma coisa simples, que ainda lhe poderá servir de algo: a NATO morreu! E é por isso que é acolitada por múmias simpáticas, como o Javier Solana (el "Señor PESC"), e representada por idiotas, normalmente corruptos, que fazem de secretários-gerais (não sabia, confesso, que também albergava paquidermes parlamentares no seu seio.) Segundo: a NATO, que já morreu, não tem dentes, e é por isso que sempre que quer bombardear populações civis, pede emprestado helicópteros, aviões e mísseis ao Tio Sam e à Avó Isabel.

Meu caro socialista de trazer por casa, porque não se dedica a comentar apenas o futebol português, juntando-se ao autarca de Sintra, ao mano da Manuela e ao cineasta APV, em vez de fazer figuras tristes no estrangeiro. Eu não lhe pago para isso!


O António Maria recomenda:
Pactos de silêncio, por Mário Crespo

2008-09-29

No Outono de 1989 conduzi na RTP os debates entre os candidatos a Lisboa. O grande confronto foi PS/PSD. Duas candidaturas notáveis. Jorge Sampaio, secretário-geral, elevou a política autárquica em Portugal a um nível de importância sem precedentes ao declarar-se candidato quando os socialistas viviam um dos seus cíclicos períodos de lutas intestinas. O PSD escolheu Marcelo Rebelo de Sousa.

No debate da RTP confrontei-os com a fotocópia de documentos dos arquivos do executivo camarário do CDS de Nuno Abecassis. Um era o acordo entre os promotores de um enorme complexo habitacional na zona da Quinta do Lambert e a Câmara. Estipulava que a Câmara receberia como contrapartida pela cedência dos terrenos um dos prédios com os apartamentos completamente equipados. Era um edifício muito grande, seguramente vinte ou trinta apartamentos, numa zona que aos preços do mercado era (e é) valiosíssima. Outro documento tinha o rol das pessoas a quem a Câmara tinha entregue os apartamentos. Havia advogados, arquitectos, engenheiros, médicos, muitos políticos e jornalistas. Aqui aparecia o nome de personagem proeminente na altura que era chefe de redacção na RTP.

A lista discriminava os montantes irrisórios que pagavam pelo arrendamento dos apartamentos topo de gama na Quinta do Lambert. Confrontados com esta prova de ilicitude, os candidatos às autárquicas de 1989 prometeram, todos, pôr fim ao abuso. O desaparecido semanário Tal e Qual foi o único órgão de comunicação que deu seguimento à notícia. Identificou moradores, fotografou o prédio e referiu outras situações de cedência questionável de património camarário a indivíduos que não configuravam nenhum perfil de carência especial. E durante vinte anos não houve consequência desta denúncia pública.

O facto de haver jornalistas entre os beneficiários destas dádivas do poder político explica muito do apagamento da notícia nos órgãos de comunicação social, muitos deles na altura colonizados por pessoas cuja primeira credencial era um cartão de filiação partidária. Assim, o bodo aos ricos continuou pelas câmaras de Jorge Sampaio e de João Soares e, pelo que sabemos agora, pelas câmaras de outras forças partidárias. Quem tem estas casas gratuitas (é isso que elas são) é gente poderosa. Há assessores dispersos por várias forças políticas e a vários níveis do Estado, capazes de com uma palavra no momento certo construir ou destruir carreiras. Há jornalistas que com palavras adequadas favoreceram ou omitiram situações de gravidade porque isso era (é) parte da renda cobrada nos apartamentos da Quinta do Lambert e noutros lados. O silêncio foi quebrado agora que os media se multiplicaram e não é possível esconder por mais vinte anos a infâmia das sinecuras. Os prejuízos directos de décadas de venalidade política atingem muitos milhões.

Não se pode aceitar que esta comunidade de pedintes influentes se continue a acoitar no argumento de que habita as fracções de património público "legalmente". Em essência nada distingue os extorsionistas profissionais dos bairros sociais das Quintas da Fonte dos oportunistas políticos que de suplicância em suplicância chegaram às Quintas do Lambert. São a mesma gente. Só moram em quintas diferentes. Por esse país fora. in JN/SAPO.

Comentário: Comparar este desassombrado texto de Mário Crespo com o reflexo condicionado de João Soares, apelando ao comportamento maçónico da tribo,

"Lamento que o meu camarada António Costa diga que apenas responda pelo seu mandato. António Costa está em condições de garantir que, tanto nos meus mandatos como presidente da Câmara, como nos mandatos de Jorge Sampaio, não houve ilegalidades na atribuição de casas", declarou João Soares à agência Lusa. in Lusa/SAPO.

é toda uma visão do pântano em que chafurda a política nacional.

O escândalo das casas e dos tachos para os amigos, dependentes e camaradas de partido (ou melhor de nomenclatura), cuja careca alfacinha volta a ser exposta, é uma moeda falsa com duas caras feias: a dos favores que usurpam o erário público e corrompem as consciências (dar o que não é nosso); mas também uma outra, mais sinistra ainda, que se resume a isto: tirar o que não é nosso, em nome de nada, sem explicações, por mera exibição de estupidez funcional e luxúria do poder. Estão neste caso, por exemplo, muitas das acções de despejo desencadeadas pelo autarcas distraídos, ou imbecis, ou corruptos, deste país, e desta inenarrável câmara municipal de Lisboa.

Disse e repito: só começando por reduzir a metade os efectivos camarários saberemos atalhar o cancro que há 20 anos a vem destruindo, rebentando de caminho com a capital do país. Está na altura de exibir estas criaturas sem espinha no pelourinho da razão e da ética!


Endogamia político-partidária na CML
Vereadora que pagava 146 euros de renda à Câmara de Lisboa recebe reforma de 3350

Público - 30.09.2008, Ana Henriques. A vereadora do PS responsável Acção Social da Câmara de Lisboa, que até ao final do ano passado pagava 146 euros de renda à autarquia por uma casa de duas assoalhadas no centro da cidade, na Rua do Salitre, tem uma reforma de cerca de 3350 euros.

Ana Sara Brito deu ontem uma conferência de imprensa para explicar uma situação que durou 20 anos e que "nunca pôs em causa" os seus "valores éticos". É por isso que não se demite: "Continuarei, apesar de alguns não o desejarem, com a mesma determinação, a trabalhar de acordo com o programa eleitoral."

... Recordando que as autoridades estão na câmara a investigar vários destes processos, António Costa anunciou que pediu à Comissão Nacional de Protecção de Dados para divulgar a lista do património disperso do município, renda e nome do inquilino.

Comentário: Este caso, como o escândalo do despejo dissimulado dos ateliers do Centro de Artes Plásticas dos Coruchéus (CAPC), que vem sendo executado há vários anos pela teia burocrática da CML, como se de uma limpeza étnica se tratasse, devem ser investigados. Os seus responsáveis devem ser postos na rua e os políticos comprometidos com o abuso de poder e com a endogamia político-partidária devem ser chamados a inquérito.

Mas a solução efectiva deste problema é, repito, simples: eliminar os serviços inúteis ou redundantes da CML (e são muitas dezenas!), diminuir o gigantesco e ingovernável quadro de pessoal a soldo dos impostos nacionais e municipais, e criar imediatamente uma interface transparente de administração em todos os níveis de organização e actuação do Estado. Tal como os mercados, ou ainda mais do que os mercados, a Função Pública, por ser paga por todos nós, e no fundo custar a pobreza, falta de competitividade e grande ineficiência de Portugal, tem que ser TRANSPARENTE e objecto de uma firma REGULAÇÃO!!


Nomenclatura partidária, poder arbitrário e corrupção municipal
PSD exige que sejam retirados os pelouros à vereadora da Habitação

29-09-2008 (TSF) O vereador social-democrata na Câmara de Lisboa Fernando Negrão defendeu, esta segunda-feira, a retirada dos pelouros à vereadora da Habitação, a socialista Ana Sara Brito, que durante 20 anos morou numa casa atribuída pela autarquia.

Ana Sara Brito «não tem condições para continuar com a Habitação e Acção Social, e devem ser-lhe retirados os pelouros», disse Fernando Negrão.

Estas declarações surgiram depois da vereadora ter admitido que em 1987 foi morar para uma casa atribuída pela câmara de Lisboa, quando tinha o pelouro da Acção Social, frisando no entanto que a casa que ocupou não era habitação social.

A vereadora acrescentou que em 2007, quando passou a tutelar a Habitação e Acção Social, na maioria socialista de António Costa, entregou a chave do imóvel.

Comentário: enquanto a tropa político-partidária usufrui sem vergonha, mas discretamente, do património municipal, e transfere paulatinamente parte dos recursos públicos para os seus obscuros bolsos, a Câmara Municipal de Lisboa e os seus irresponsáveis responsáveis têm vindo a expulsar os artistas do Centro de Artes Plásticas dos Coruchéus (CAPC), criado expressamente para eles por iniciativa do antigo edil lisboeta, França Borges, no início da década de 1970. A finalidade desta expulsão indecorosa, estúpida e ilegítima, não é conhecida de ninguém, a não ser, porventura, dalguma rede Kafkiana da CML, alimentada pela insaciável gula dos Apparatchiks e protegidos da mesmíssima nomenclatura político-partidária cuja mentalidade e comportamentos corruptos sai agora a terreiro com a exposição mediática dos critérios clientelares e endogâmicos que têm permitido abusar do património de todos os munícipes, para conforto duma casta tão privilegiada, quanto improdutiva, como é de facto, a casta dos populistas que emagrecem e desfiguram a ilusão democrática de Abril. Dos 60 ateliers do CAPC, mais de 20 encontram-se vagos e à disposição do proclamado mas falso "interesse público", arbitrariamente gerido pelos abusos e prepotências do pequeno sultão e odaliscas municipais de turno. Espero ardentemente que o inquérito de Maria José Morgado chegue bem fundo na limpeza das covas lúgubres onde se alimentam as baratas que, sem sabermos, reduzem a nada tudo o que tocam!

Entretanto...
Lisboa: PCP diz que autoridade política de Ana Sara Brito está "danificada"

Lisboa, 29 Set (Lusa/RTP) - O vereador comunista na Câmara de Lisboa Ruben de Carvalho afirmou hoje que a autoridade política da vereadora da Habitação está "danificada" mas que não pede a demissão de Ana Sara Brito, que viveu vinte anos numa habitação municipal.

Comentário: Que tal reduzirem para metade o actual quadro de efectivos da CML? Chegariam e sobrariam. Basta observar o rácio de pessoal do município de Madrid face à população que serve, para percebermos todos que a simples dimensão da tribo que se acotovela nos vãos arquitectónicos da autarquia lisboeta é a principal causa estrutural da sua escandalosa inoperância e ingovernabilidade, a qual, por sua vez, é o melhor caldo possível para que as larvas da corrupção prosperem.

OAM 447 29-09-2008 23:18 (última actualização: 03-10-2008 02:05)