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| Nicolas Maduro algemado a caminho dos EUA |
“Se é possível agir assim com ditadores, então os EUA sabem o que fazer a seguir”, afirmou Zelensky durante uma reunião com jornalistas.
I
Estava escrito. A dissuasão da ameaça chinesa no Indo-Pacífico passa por cortar as asas da influência estratégica da China e da Rússia no continente americano. Mas também no Médio Oriente e em África. Aos europeus, incluindo a Turquia, cabe ajudar a Ucrânia a derrotar Putin. França e Itália, mas também Portugal e Alemanha, não poderão perder esta oportunidade para consolidar as suas posições económicas e diplomáticas em África.
O senhor Xi terá também os dias do seu delírio imperial contados.
II
Os Estados Unidos pretendem claramente controlar os destinos do petróleo da Venezuela, da Arábia Saudita e do Irão. Uma vez atingidos estes objetivos será um game over para a China, a Rússia e, na realidade, o resto do mundo. Em vez do por mim antecipado Tordesilhas 2.0 teremos o Império Americano 2.0.
PS: atingir estes objetivos até ao fim deste ano de 2026 evitaria a aventura chinesa de Pequim de uma tentativa de invasão da Formosa.
III
1) Sempre houve soberanos mais soberanos do que outros...
2) Declarar guerra antes de atacar deixou de ser moda depois da II GM (Há exceções? Diga-me quais são na caixa de comentários). Além do mais, esta moda teve consequências catastróficas em 1914-18 e 1939-45, as quais seriam ainda mais devastadoras se viessem a ocorrer com bombas atómicas a voar entre continentes. Daí que, nada de declarações de guerra, nem discussões parlamentares abertas sobre operações que, por definição, são sigilosas e baseadas, em larga medida, no efeito de surpresa.
3) Há uma guerra mundial em curso, a famosa III GM, a qual, porém, não segue os figurinos tradicionais, mas antes uma nova teoria que atualiza a antiga Guerra Assimétrica, tornando-a no que dois teóricos militares chineses do Exército Popular de Libertação designaram uma Guerra Além dos Limites (超限战 (Chāoxiàn zhàn). Sem conhecer esta circunstância é, de facto difícil, perceber a lógica da captura de Nicolas Maduro e do que se seguirá na Venezuela, nas Caraíbas e na América do Sul em geral, Brasil incluído.
4) O objetivo desta operação, tal como da estratégia seguida pelos americanos na Ucrânia, é derrotar antecipadamente os próximos movimentos de Pequim, nomeadamente a prevista invasão da Formosa em 2027.
5) A imprensa portuguesa, tal como o The New York Times, ou o Guardian, são completamente inúteis para quem quiser realmente perceber o que se está a passar neste momento no planeta.
IV
O Guardian e o NYT sabem muito bem o que escrevem. E o que escrevem, neste caso, é mentira e mera propaganda de uma esquerda urbana atolada na estupidez analítica e na corrupção. O mal, porém, começou quando uma turma de filósofis idiotas franceses, na sequência da capitulação de Pétain perante os tanques de Hitler, enveredaram pela autoflagelação do Ocidente cristão e pela defesa sado-masoquista do anti-humanismo soviético, maoísta, enverhoxhiano, hochiminiano, guevarista, castrista, chavista e madurista, e ultimamte até, putiniano. Ficaram cegos e surdos, e cegaram milhões de mentes ingénuas ao longo do último século. Vai demorar a passar...
V
Vale a pena ouvir o que Niall Ferguson tem a dizer sobre a extração de Maduro da pirâmide de poder e corrupção da Venezuela.
O maior inimigo dos Estados Unidos é a sua própria dívida. Ou seja, a supremacia americana global, para se manter, terá que assentar num doutrina claramente mercantilista e na demonstração clara do seu poder, sem, no entanto, alimentar ilusões neo-neo-colonialistas sobre o seu envolvimento na construção de novos regimes depois de estes serem, de algum modo, libertos de personagens incómodos. Não há lugar a novos Tordesilhas, pelo menos nas próximas décadas. Depois, logo se verá...
VI
Andam todos muito ofendidos pela falta de uma declaração formal de guerra por parte dos Estados Unidos ao invadirem a Venezuela este sábado, extraindo do poleiro um ditador ao mesmo tempo infame e ridículo. Esquecem-se, porém, de que a figura da Declaração de Guerra caíu em desuso depois da Segunda Guerra Mundial e depois da criação da ONU.
A explicação para a nova doutrina da guerra é esta:
— a Nova Ordem Internacional saída da derrota da Alemanha e do Japão deu lugar ao nascimento de potências nucleares capazes de transformarem as disputas bélicas em guerras de destruição mútua garantida.
Havendo, como há, alianças de defesa mútua — NATO, o extinto Pacto de Varsóvia, e inúmeros tratados de defesa bilaterais e multilaterais — é fácil perceber até que ponto declarações formais de guerra poderão conduzir o mundo a catástrofes nucleares irreversíveis.
Numa dupla consulta à distraída IA do Google obtive duas sucessivas respostas a duas sucessivas perguntas da minha parte.
A primeira foi esta:
Eu — Quantas declarações de guerra foram formalizadas desde o fim da II Guerra Mundial?
Google IA — Desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1945), não houve grandes "declarações de guerra" formais no sentido clássico, pois a maioria dos conflitos pós-1945 são guerras civis, intervenções ou conflitos assimétricos, com a fundação da ONU limitando o uso da força, mas vários países tiveram conflitos que poderiam ser vistos como declarações informais, como Coreia, Vietnã, Guerra do Golfo, Afeganistão, Iraque, Síria, entre outros, embora muitas vezes com justificativas de autodefesa ou autorização da ONU, não declarações formais de guerra.
Contexto Pós-1945:
Desuso do Ato Formal: Após a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945, o ato formal de declarar guerra tornou-se raro, com a Carta da ONU buscando proibir o uso da força, exceto em autodefesa ou com autorização do Conselho de Segurança.
Natureza dos Conflitos: Conflitos como a Guerra da Coreia, Guerra do Vietnã, Guerra do Golfo, invasões do Afeganistão e Iraque, e a Guerra Civil Síria foram formalmente justificados por ações defensivas, missões de paz, ou mandatos da ONU, evitando declarações de guerra tradicionais.
Exemplos de Conflitos Pós-1945 (sem declaração formal de guerra):
Guerra da Coreia (1950-1953): Intervenção da ONU contra a Coreia do Norte.
Guerra do Vietnã (1955-1975): Envolvimento dos EUA justificado por contenção do comunismo.
Guerra do Golfo (1990-1991): Coalizão internacional autorizada pela ONU para libertar o Kuwait.
Invasão do Afeganistão (2001): Resposta ao terrorismo.
Invasão do Iraque (2003): Justificada por armas de destruição em massa, sem mandato claro da ONU.
Portanto, a resposta exata é "pouquíssimas ou nenhuma" declaração formal de guerra, mas muitos conflitos armados ocorreram sob outras justificativas legais.
E a segunda foi esta:
Eu — Esta lista é omissa relativamente aos atos de guerra da Rússia...
Google IA — Tens razão. Embora a lista anterior se tenha focado na raridade do instrumento jurídico "declaração de guerra" no pós-1945, ela omitiu as intervenções militares da Rússia (e da ex-URSS) que, apesar de evitarem esse termo formal, foram atos de guerra de grande escala.
A Rússia tem sido um dos atores mais ativos em conflitos armados desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quase sempre utilizando eufemismos legais para evitar as implicações de uma "guerra" formal perante o Direito Internacional.
Abaixo, detalho os principais atos de guerra russos/soviéticos nesse período:
1. Período Soviético (URSS: 1945–1991)
Durante a Guerra Fria, a União Soviética interveio militarmente para manter o controle sobre o seu bloco ou expandir influência, nunca declarando guerra formalmente:
Hungria (1956): Invasão para esmagar a Revolução Húngara.
Tchecoslováquia (1968): Invasão do Pacto de Varsóvia para interromper a "Primavera de Praga".
Afeganistão (1979–1989): Intervenção militar direta em apoio ao governo comunista local, resultando numa guerra de uma década.
2. Federação Russa (1991–Presente)
Após o colapso da URSS, a Rússia envolveu-se em conflitos internos e externos, frequentemente descritos como "operações de contraterrorismo" ou "imposição da paz":
Guerras na Chechênia (1994–1996 e 1999–2009): Conflitos brutais contra separatistas no próprio território russo.
Guerra Russo-Georgiana (2008): Invasão da Geórgia (Ossétia do Sul e Abecásia), descrita por Moscou como uma "operação para forçar a paz".
Anexação da Crimeia e Guerra no Donbas (2014): Início do conflito com a Ucrânia através de forças "não identificadas" e apoio a separatistas.
Intervenção na Síria (2015–Presente): Apoio militar direto ao governo de Bashar al-Assad.
3. Invasão da Ucrânia (2022–Presente)
Este é o exemplo mais significativo da "fuga" ao termo formal:
"Operação Militar Especial": Vladimir Putin utilizou este termo em 24 de fevereiro de 2022 para evitar a declaração de guerra formal, o que lhe permitiu, inicialmente, limitações políticas e jurídicas internas.
Mudança de Discurso (2024): Em março de 2024, o Kremlin passou a admitir publicamente que a Rússia está em "estado de guerra", justificando-o pela intervenção direta do Ocidente ao lado de Kiev, embora sem emitir um documento de declaração de guerra formal nos moldes clássicos.
Em resumo: A Rússia é um exemplo central de como as potências modernas realizam atos de guerra contínuos e de larga escala sem nunca recorrerem à formalidade jurídica da declaração de guerra, preferindo termos como "operações especiais" ou "intervenções de paz" para manobrar o Direito Internacional.
As respostas de IA podem incluir erros. Para receber aconselhamento jurídico, consulte um profissional.
VII
Um reformado ganha na Venezuela de Nicolas Maduro 2€ por mês.
