sexta-feira, outubro 23, 2015

Cavaco começou a fritar António Costa

António Costa
Foto: autor desconhecido

Costa tinha e tem uma mão cheia de nada. Mas queria ser nomeado!


O discurso de Cavaco Silva foi um tiro de bowling no estômago de António Costa. Não o nomeio agora, nem o nomearei se a coligação negativa PS-BE-PCP-PEV chumbar o governo de Passos Coelho. Eis, em resumo, o que disse o presidente da república justificando a indigitação do vencedor das eleições de 4 de outubro para formar o próximo governo. Um governo irremediavelmente minoritário, salvo se houver uma excisão no PS lá mais para diante.

Ao abrigo do Artigo 187 da nossa Constituição, estas duas decisões são 100% legítimas e constitucionais. Politicamente, forçarão uma clarificação mais rápida do que se esperava, quer no PS, quer no PCP, quer ainda no Bloco. Os falsos Verdes já não existem.

A parte crucial do discurso de Cavaco Silva é esta:

Em 40 anos de democracia, nunca os governos de Portugal dependeram do apoio de forças políticas antieuropeístas, isto é, de forças políticas que, nos programas eleitorais com que se apresentaram ao povo português, defendem a revogação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental, da União Bancária e do Pacto de Estabilidade e Crescimento, assim como o desmantelamento da União Económica e Monetária e a saída de Portugal do Euro, para além da dissolução da NATO, organização de que Portugal é membro fundador. 
Este é o pior momento para alterar radicalmente os fundamentos do nosso regime democrático, de uma forma que não corresponde sequer à vontade democrática expressa pelos Portugueses nas eleições do passado dia 4 de outubro. 
Depois de termos executado um exigente programa de assistência financeira, que implicou pesados sacrifícios para os Portugueses, é meu dever, no âmbito das minhas competências constitucionais, tudo fazer para impedir que sejam transmitidos sinais errados às instituições financeiras, aos investidores e aos mercados, pondo em causa a confiança e a credibilidade externa do País que, com grande esforço, temos vindo a conquistar.
Devo, em consciência, dizer aos Portugueses que receio muito uma quebra de confiança das instituições internacionais nossas credoras, dos investidores e dos mercados financeiros externos. A confiança e a credibilidade do País são essenciais para que haja investimento e criação de emprego. 
É tanto mais incompreensível que as forças partidárias europeístas não tenham chegado a um entendimento quando, num passado recente, votaram conjuntamente, na Assembleia da República, a aprovação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental e do Mecanismo Europeu de Estabilidade, enquanto os demais partidos votaram sempre contra. 
Cabe ao Presidente da República, de forma inteiramente livre, fazer um juízo sobre as diversas soluções políticas com vista à nomeação do Primeiro-Ministro.
Se o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o País precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas. 
Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.

Discurso completo 

quinta-feira, outubro 22, 2015

E se...



E se Cavaco tiver que nomear um governo de esquerda?



Se o PS, o PCP e o Bloco vierem a apresentar uma moção de rejeição conjunta do segundo governo de Passos Coelho, apresentando no decurso da discussão parlamentar um acordo inter partidário para a formação de um governo de esquerda, então sim, Cavaco terá que engolir semelhante paquiderme, e conheceremos então o segundo governo de inspiração marxista depois da queda da ditadura salazarista. 

É tempo de vermos todos o que há dentro deste caixote de promessas.

Uma coisa parece hoje evidente: o Bloco Central acabou!


ÚLTIMA HORA: Cavaco nomeia, como se previa, Passos Coelho para liderar o próximo governo. Mas mais: não tenciona chamar António Costa a formar governo, em caso algum...

ATO SEGUINTE: uma grande batalha parlamentar.



Última atualização: 22/10/2015 22:56

terça-feira, outubro 20, 2015

Política Sueca (2)


Política Sueca é uma lâmina nova na grelha da RTP3

Cristina Azevedo, Cerveira Pinto, Nicolau Pais, Ricardo Jorge Pinto

Moderadora: Sandra de Sousa

Todos os sábados
Direto, às 11:10
Diferido, à 01:00
E na box, para os colecionadores d'O António Maria ;)

Política Sueca (ver Episódio 2)
Política Sueca (ver Episódio 1)

segunda-feira, outubro 19, 2015

Foi V. que pediu crescimento?

O crescimento é uma miragem...




The Portuguese economy expanded 0.4 percent on quarter in the three months to June, the same as in the last two quarters and matching preliminary estimates. Domestic demand was the main driver of growth while net external demand dragged the expansion down, final figures showed. GDP Growth Rate in Portugal averaged 0.39 percent from 1988 until 2015, reaching an all time high of 3.30 percent in the fourth quarter of 1990 and a record low of -2.60 percent in the first quarter of 1991. GDP Growth Rate in Portugal is reported by the Statistics Portugal.

The Gross Domestic Product (GDP) in Portugal expanded 1.50 percent in the second quarter of 2015 over the same quarter of the previous year. GDP Annual Growth Rate in Portugal averaged 1.17 percent from 1996 until 2015, reaching an all time high of 5.10 percent in the fourth quarter of 1998 and a record low of -4.20 percent in the first quarter of 2009. GDP Annual Growth Rate in Portugal is reported by the Statistics Portugal. 
—in Trading Economics

O crescimento médio anual do PIB português foi de 1,17% entre 1996 e 2015

Três bons sítio para sabermos como estamos.

quinta-feira, outubro 15, 2015

Fim da austeridade em 2016-2019 é um mito

Jürgen von Hagen
Foto: Jure Eržen @ Delo


Conselho de Finanças Públicas arrasa demagogia financeira da esquerda


Conselho de Finanças Públicas (que não é propriamente uma instituição pacóvia) arrasa demagogia económico-financeira da Frente Popular nascida no dia 4 de outubro. É uma síntese curta e definitiva.

Aguardam-se as réplicas das sumidades do PS, Bloco e PCP...

CFP, "Finanças Públicas: Situação e Condicionantes 2015-2019
– Atualização" (14 outubro 2015) 
O Conselho das Finanças Públicas (CFP) divulga hoje o relatório Finanças Públicas: Situação e Condicionantes 2015-2019 – Atualização que atualiza as projeções macroeconómicas e macro-orçamentais para o período de 2015-2019, publicadas pelo CFP em março de 2015, com o pressuposto de políticas invariantes. Esta revisão tem em conta os desenvolvimentos entretanto ocorridos a nível interno e internacional e procura explicitar os riscos existentes. 
Após concluir o programa de assistência internacional, Portugal continua a defrontar desafios significativos em matéria de política económica em geral e de política orçamental em particular. No que a esta diz respeito, a acumulação de défices orçamentais ao longo de décadas e o peso da dívida pública daí resultante exigem manter a consolidação orçamental e a revisão em profundidade do processo orçamental como suas prioridades principais. Paralelamente, o país precisa de encontrar um modelo de crescimento estável da economia e do emprego, assente no aumento da produtividade e na competitividade da economia e não no seu endividamento e no aumento das despesas públicas. 
O cenário de políticas invariantes desenvolvido neste relatório indica, em primeiro lugar, que a simples ausência de medidas de política orçamental – que conduziria, nomeadamente, em 2016, à eliminação da sobretaxa sobre o IRS e à reversão integral da remuneração remuneratória aplicável aos trabalhadores das administrações públicas – poria em causa a revogação do Procedimento por Défices Excessivos, dada a projeção de um défice superior a 3% do PIB em 2016. Tanto ou mais importante seria o risco significativo do impacto dessa política sobre o crescimento a curto prazo da economia voltar a revelar-se insustentável. Esta seria a consequência do crescimento de novo impulsionado pelo consumo privado e pela quebra da poupança, levando a acentuar a contribuição negativa das importações e a deterioração do saldo da balança corrente.
No domínio orçamental, embora, com este cenário, o défice voltasse a descer abaixo do limite de 3% do PIB a partir de 2017, ele ficaria longe do objetivo de eliminação do desequilíbrio orçamental que o Programa de Estabilidade/2015 prevê, que as regras europeias impõem e que a experiência da economia portuguesa aconselha. Na ausência de medidas de política, verificar-se-ia um desvio significativo da trajetória do saldo estrutural face ao Objetivo de Médio Prazo, superior a 2 p.p. do PIB. Mesmo ignorando os riscos que o relatório refere, o rácio da dívida pública manter-se-ia em 2019 ainda acima dos 120% do PIB, um nível que representa um elevado risco para a estabilidade e o crescimento da economia, não só pelo custo que acarreta, mas também atendendo ao facto de ser financiado em muito larga medida pelo exterior, em condições cuja volatilidade este cenário acentuaria. 
LINK

quarta-feira, outubro 14, 2015

Somos todos socialistas!

Do Estudo eleitoral português de 2011


A grande ilusão eleitoral


“Por estes dias, toda a gente sabe o que os eleitores de cada partido queriam e preferiam quando votaram, o que significa o voto e que preferências transmitiu. Eu não tenho a certeza sobre 2015. Mas posso recuar a 2011, com os dados do estudo eleitoral português.”
— in Pedro Magalhães, “O que os eleitores ‘querem’”.

Este é o mais delicioso desmentido da demagogia que sustenta a ideia peregrina de que os eleitores votaram em 4 de outubro contra o PàF, ou pior ainda, por uma Frente Popular chefiada por António Costa. Vale a pena observar cada um dos sete gráficos publicados.

Ilha ferroviária portuguesa é um escândalo


Crescer, como? Se nada fazemos por isso...


“Y Basco” já está construído em 80% 
O Y Basco, como é conhecido o projecto da ligação ferroviária de Alta Velocidade Vitória-Bilbau-San Sebastian/Fronteira com França, está já concluído em 80%, segundo a conselheira do Meio Ambiente e da Política Territorial do governo daquela província de Espanha. 
— in Transportes e Negócios, 13/10/2015

A rede ibérica de bitola europeia ligará um dia Lisboa a Vladivostok, ou seja, será um dos sistemas circulatórios essenciais da Nova Rota da Seda.

O boicote que o ainda governo de coligação fez à linha Poceirão-Caia, com a conivência do Tribunal de Contas e a oceânica ignorância da nossa imprensa em matéria de transportes, energia e outras pastas sob alçada de Sérgio Monteiro —o rapaz das PPP—, e que o lóbi do NAL cuidou de proteger à medida dos seus interesses inconfessáveis, foi o maior erro estratégico cometido nos últimos quatro anos.

É que o investimento na referida linha, além de ser o mais baixo de quantos traçados haverá um dia que financiar e construir, contava com apoios comunitários e do BEI na ordem dos 85% do custo total da obra!

Pelo caminho deixámos de instalar em Portugal um cluster renovado e tecnologicamente avançado de indústria ferroviária, como hoje a Espanha tem e exporta para todo o mundo.

Mas sobre isto também nunca ouvimos a esquerda definir qualquer posição estratégica clarividente.

Não basta querer tomar o poder através da secretaria parlamentar, quebrando a tradição em matéria de interpretação de resultados eleitorais. São precisas ideias produtivas que funcionem.


CORREIO RECEBIDO

Ainda a propósito de uma notícia recente sobre a ilha ferroviária portuguesa, cujos responsáveis deveriam ser propriamente acareados:

Caro OAM.

A resposta às 'teorias' locais foi dada pela DB Schenker ao terminar com os comboios de mercadorias entre Portugal e a Alemanha. Para bom entendedor...
A demora na realização dos comboios da DB Schenker em Portugal chegava a ultrapassar uma semana.
Ninguém, ninguém de bom senso, realiza comboios de mercadorias para percorrer 200km, só mesmo quem não entende nada de caminhos de ferro.
Quem defende uma enormidade destas tem como objectivo ACABAR com o caminho de ferro para o transporte de mercadorias. É claro que não escreveram isto em parte nenhuma, pois confiam que o respeitoso público ainda acredite no Pai Natal, deixando-os assim prosseguir os seus intentos liquidatários.

Posteriormente divulguei um e-mail pela tertúlia com material relativo ao visionário Caldeirinha, onde referi que, segundo o entendimento dele, a preferência recaía agora num “hinterland para consumo (do) próprio”, de 200 km (até à fronteira), uma vez constatado o encerramento da bitola ibérica junto à fronteira do lado espanhol, o que veio a comprometer o seu (dele) conceito de hinterland perfeito, de Sines até Madrid – 600Km.
Azar dos Távoras: a Espanha decidiu acabar com a bitola ibérica, fechando 400 km de linha até... Badajoz! Os génios locais entenderam então que poderíamos viver confortavelmente com um hinterland de 200Km. A DB Schenker respondeu em linha, batendo à sola do país, e ninguém se demitiu, nem foi preso.

Quanto à interoperabilidade entre portos e ferrovia, era bom que fossem apuradas “responsabilidades” (que não as há) relativamente à linha Sines – Évora, da autoria, ao que se sabe, do Porto de Sines, isto numa época em que do lado espanhol já se estava a avançar para linhas UIC entre Madrid e Badajoz. Gitevas, LTM e outros conceitos híbridos creio que, entretanto, não tiveram a melhor recepção em sede da norma UIC, pois são “soluções” que colidem com aquilo que a EU entende ser 'standard', logo passível de financiamento...

Na notícia que botaram na imprensa, lê-se ainda “pomposamente” que no Y basco os espanhóis vão aplicar um 3º carril numa extensão de 16Km para fechar a passagem entre Espanha e França, como que a sugerir que temos todo o tempo do mundo para insistirmos na asneira e nos prejuízos. Ou seja, Espanha está a investir milhares de milhões de euros numa nova rede UIC para depois deixar uma ponta de 16Km em bitola antiga (ibérica) por fazer. Anda tudo doido, ou será impressão minha?

Com os melhores cumprimentos,
VSR

Atualização: 15/10/2015 12:35 WET